Discurso de ódio sexista explode na campanha alemã

Na disputa para suceder Merkel, grande parte da atenção está voltada para Annalena Baerbock, candidata do Partido Verde. Sua entrada na disputa fez dispararem ataques e mentiras misóginas nas redes.

10/05/2021

Annalena Baerbock | Bundesvorsitzende Bündnis 90/Die Grünen

Foram necessárias apenas algumas horas após a indicação de Annalena Baerbock como candidata a chanceler federal da Alemanha pelo Partido Verde, em 19 de abril, para que a desinformação e o ódio em torno do nome dela começassem a se espalhar na internet.

Michael Kellner, líder da campanha eleitoral do Partido Verde, diz que o discurso de ódio e as notícias falsas ganharam uma “dimensão completamente nova”.

Especialistas advertem que a onda de ódio e desinformação que se espalhou em torno de Baerbock é apenas a ponta do iceberg antes das eleições gerais de setembro, que definirão o sucessor ou sucessora de Angela Merkel.

“Não foi o aumento do conteúdo falso e de ódio que nos surpreendeu. Foi a velocidade em si”, diz Josephine Ballon, chefe do departamento jurídico da HateAid, o único centro de aconselhamento da Alemanha que apoia exclusivamente pessoas afetadas pela violência digital. “O que está se desdobrando é o ódio específico de gênero“, comentou ela à DW. ”Este tipo de ódio procura desacreditar e silenciar o alvo”.

Ódio misógino

O ódio misógino online não é novidade. Um estudo da revista alemã Der Spiegel, divulgado em fevereiro, constatou que 69% das deputadas na Alemanha haviam experimentado “ódio misógino” na condição de parlamentares.

Enquanto 64% disseram ter recebido mensagens – a maioria online, mas também por correio – cerca de 36% experimentaram “ataques físicos contras elas, seus escritórios ou suas casas”.

“O ódio contra as mulheres on-line é significativamente mais forte e tem qualidade diferente do ódio e da desinformação voltada contra os homens”, diz Ballon.

“O conteúdo falso difundido sobre as mulheres é muitas vezes mais sexualizado. E o espectro é amplo, começando com os comentários sobre a aparência de alguém, seu sexo, sua sexualidade, chegando até a ameaças de abuso sexual”, afirma.

Calúnias e até falsa foto nua

Desde sua nomeação, Baerbock tem sido alvo de ódio sexista: houve calúnias sobre sua aparência, mentiras como sobre ela supostamente estar pedindo a abolição dos animais de estimação para combater a mudança climática.

E circulou também uma falsa foto nua de Baerbock, que na verdade era a foto de uma jovem estrela pornô russa com uma vaga semelhança com a política alemã.

Tudo isso foi divulgado em uma tentativa de desacreditar Baerbock, que está atualmente à frente na corrida para substituir Merkel.

“O que estamos vendo agora, infelizmente, não foi inesperado”, diz o conselheiro político e de comunicação Johannes Hillje. “Ao lado de teorias conspiratórias, islamofobia e sentimento antimigração, a misoginia é uma parte fundamental da ideologia dos grupos que criam e difundem este tipo de conteúdo”.

“Como mulher, política liberal e bem-sucedida, Baerbock atende a muitos dos critérios da imagem clássica de ‘inimiga’. Para a nova cena da extrema direita, Baerbock é a nova Merkel”, complementa Hillje. Baerbock subiu rapidamente nos índices de popularidade e está politicamente mais à esquerda que Merkel.

Discurso de ódio se adapta

Durante anos, mesmo antes da popularização de plataformas como Facebook, Twitter, Telegrama e Whatsapp, Merkel foi alvo de teorias de misoginia, desinformação e conspiração semelhantes às de outras figuras públicas em todo o mundo.

O conteúdo, antes focado na migração, por exemplo, foi rapidamente adotado no último ano para se adequar à pandemia: manchetes e imagens foram alteradas, mas a terminologia e as táticas permanecem as mesmas.

A proteção climática não é apenas um dos temas centrais da campanha verde de Annalena Baerbock, ela também se tornou há muito tempo um assunto-chave para desinformação difundida por grupos de extrema direita e teóricos da conspiração.

No momento, dois grupos principais estão de olho em Baerbock, diz Hillje. Um é uma rede de extrema direita. O segundo é pró-russo, diz ele, apontando as críticas de Baerbock a Moscou, e o desejo do Partido Verde de acabar com a construção do Nord Stream 2, o controverso gasoduto entre a Rússia e a Alemanha.

Mas rastrear a origem exata da desinformação e do ódio ainda é uma tarefa difícil, afirma Till Eckert, repórter e pesquisador da desinformação e do extremismo moderno de direita na organização sem fins lucrativos Correctiv. Ele já expôs vários relatos falsos sobre Baerbock desde que sua candidatura foi confirmada.

Como isso pode ser impedido?

O Partido Verde diz que planeja combater o aumento do ódio e desinformação com a chamada “Netzfeuerwehr” (bombeiros da rede), criado antes das eleições de 2017 para reportar conteúdo falso e ódio online. Vários incidentes também já foram relatados de acordo com uma lei, aprovada em 2017, com o objetivo de combater o ódio e a desinformação nas redes sociais.

Julian Jaursch, que dirige o projeto Fortalecimento da Esfera Pública Digital no instituto alemão SNV diz que não há milagre para deter o ódio e a desinformação online.

“Mas, como sociedade, há uma combinação de coisas que podemos fazer para tentar combatê-la”, diz. Ele destaca a necessidade de um jornalismo forte e independente e de verificação de fatos para desmascarar a desinformação. 

“Os próprios cidadãos também precisam ser competentes na forma como consomem as notícias. Precisamos estar nos perguntando: de onde vem esta notícia? O que esta fonte quer me dizer? É uma fonte séria? Eu realmente preciso encaminhar isso a todos os meus contatos?”, questiona.

Radicalização crescente

A maior preocupação dos especialistas agora é menos o efeito nos resultados eleitorais, e mais como o ódio e a desinformação online podem se traduzir em violência na vida real – algo que já se tornou realidade em várias ocasiões.

Durante a pandemia, período no qual se viveu um impulso nas teorias da conspiração, o Instituto Robert Koch, bem como os centros de vacinação, foram atacados por negacionistas da covid. Perpetradores de vários ataques de extrema direita a civis e políticos nos últimos anos também foram ligados a plataformas que divulgavam ódio e desinformação.

“Mais parcelas da sociedade estão se radicalizando cada vez mais”, diz Eckert. “E isso não deve ser subestimado”.

Reprodução: https://www.dw.com/pt-br/discurso-de-%C3%B3dio-sexista-explode-na-campanha-alem%C3%A3/a-57487094

STJ tranca ação de Edir Macedo contra Haddad por declaração sobre ‘fundamentalismo charlatão’

Não cabe ao Poder Público ter ingerência nas fontes de informação ou nas ideias, aponta o ministro Sebastião Reis Junior

REDAÇÃO 4 DE FEVEREIRO DE 2021

O bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus. Foto: Reprodução
O BISPO EDIR MACEDO, DONO DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS. FOTO: REPRODUÇÃO

O Superior Tribunal de Justiça trancou a ação penal movida pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, contra o ex-prefeito de São Paulo e candidato do PT à Presidência em 2018, Fernando Haddad.

Na campanha presidencial, Haddad se referiu ao então candidato do PSL, Jair Bolsonaro, como “o casamento do neoliberalismo desalmado representado por Paulo Guedes” e o “fundamentalismo charlatão do Edir Macedo”.

Edir Macedo, então, acionou a Justiça ainda em dezembro de 2018 se dizendo difamado e caluniado pelo petista. Para o ministro Sebastião Reis Junior, do STJ, no entanto, as declarações de Haddad estão sob proteção do direito de liberdade de expressão e de pensamento.

“É imperioso reconhecer o dever de não agir do Estado no caso em tela, uma vez que não cabe ao Poder Público previamente escolher ou ter ingerência nas fontes de informação, nas ideias, opiniões pessoais ou nas palavras escolhidas para o exercício da liberdade de expressão”, apontou o ministro.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/stj-tranca-acao-de-edir-macedo-contra-haddad-por-declaracao-sobre-fundamentalismo-charlatao/

Ofensiva contra Sleeping Giants Brasil pode criar precedente perigoso

Conhecido por disseminar desinformação, Jornal da Cidade Online entra na Justiça para obter violação da proteção de dados de administradores

INTERVOZES 24 DE NOVEMBRO DE 2020

Ofensiva contra Sleeping Giants Brasil pode criar precedente perigoso

Por Bruno Marinoni e Marina Pita*

Em maio de 2020, um perfil no Twitter denominado Sleeping Giants (“Gigantes Adormecidos”) surgiu como novo personagem do realismo fantástico brasileiro e desferiu um duro golpe contra a indústria da desinformação. O recém-criado passou a cobrar publicamente a responsabilidade de empresas anunciantes no combate às chamadas “fake news”, pressionando para que não financiassem através de publicidade canais de circulação desses conteúdos.

A contraofensiva não tardou e, logo, o Jornal da Cidade Online, veículo que tem sido sistematicamente questionado acerca da qualidade das apurações e veracidade das informações publicadas, inclusive por parte da CPMI das Fake News, entrou na justiça para obter a violação da proteção de dados do Sleeping Giants no Twitter. A pressão cresceu a partir de outubro com a não permissão por parte do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul à participação de entidades especializadas em direito à informação e liberdade de expressão no país, bem como, quando exigiu que a plataforma digital entregasse as informações dos administradores do perfil antes do trânsito em julgado do processo.

A indústria da desinformação depende de modelo de negócio das plataformas digitais que agenciam a relação entre editores de conteúdo e anunciantes por meio de ferramentas como, por exemplo, o Google AdSense, a qual era usada pela página desinformativa. Assim, o meio mais eficaz de impedir que tais veículos propaguem notícias falsas causando enormes prejuízos à democracia é alertando os seus anunciantes sobre a desinformação causada pelos veículos onde anunciam.

A forma que o site de notícias falsas do advogado José Pinheiro Tolentino Filho escolheu para atacar o Sleeping Giants na Justiça, exigindo que o Twitter entregue os dados de identificação do usuário autor da página, tem por objetivo acertá-lo pelo menos de duas formas. A primeira seria através de pressão e litigância contra os administradores do perfil, mobilizando processos judiciais por difamação, acusando-os de apontarem que a página Jornal da Cidade Online difunde notícias falsas (o que, na realidade, é um fato amplamente reconhecido, já lhe tendo rendido inclusive condenação por danos morais contra desembargadores e investigação na chamada CPI das Fake News).

A segunda forma, é possível dizer pelo modus operandi como atua o campo político ao qual pertence o Jornal da Cidade Online, se daria através do uso desses dados para mobilizar campanhas de injúrias e ameaças contra as pessoas que operam o Sleeping Giants. Foi, por exemplo, o que aconteceu com a versão estadunidense dessa iniciativa e é o que costuma acontecer cotidianamente com os adversários do bolsonarismo, bastando ler o noticiário para se estar ciente disso.

Matt Rivitz, publicitário que criou o Sleeping Giants nos EUA em novembro de 2016, tem sofrido ameaças de morte desde que um site conservador revelou sua identidade. Não somente contra ele, as ameaças foram dirigidas também contra o seu filho de apenas 14 anos. A versão norte-americana dos gigantes conseguiu impactar, entre outros, o desinformativo site Breitbart News, o qual foi editado por Steve Bannon, ex-estrategista do governo Trump.

Os vínculos da indústria da desinformação com o chefe do Poder Executivo brasileiro são também conhecidos. A importância do Jornal da Cidade Online para as redes de notícias falsas bolsonarista pode ser medida pela reação que causou no círculo íntimo do presidente Bolsonaro a ação do Sleeping Giants. Após a decisão do Banco do Brasil de não mais anunciar na página, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, e o secretário de Comunicação à época Fábio Wajngarten se manifestaram publicamente contra o ocorrido e o banco sofreu intervenção para que voltasse atrás na resolução.

De acordo com matéria publicada em abril de 2020 pela agência de checagem de informação Aos Fatos, o Jornal da Cidade Online faz parte de uma rede de desinformação que se mantém através de financiamento publicitário e está vinculado diretamente à página bolsonarista mantida pela viúva do torturador Alberto Brilhante Ustra. Ambos os sites compartilhavam até o início do ano o mesmo código de identificação no sistema do Google AdSense, junto com outros domínios. Isto significa dizer, que o dinheiro levantado por eles através do serviço de “publicidade programática” oferecido pelo Google era dividido dentro deste mesmo grupo.

O histórico desse vínculo da indústria da desinformação com os defensores declarados de expoentes da tortura e da violência política acende uma luz de alerta que justifica a preocupação dos defensores de direitos humanos e liberdades civis com a possibilidade da quebra do sigilo de dados dos administradores do Sleeping Giants. Uma vez reveladas essas informações, o seu impacto para a vida dos envolvidos é irreversível, o que é extremamente grave em um país com as altas taxas de violência e assassinato contra comunicadores e defensores dos direitos humanos como é o Brasil. Além disso, o combate à desinformação pode perder talvez o seu instrumento atual mais poderoso de enfrentamento às chamadas fake news, pela sua capacidade de estrangulamento da viabilidade econômica de se manter grandes canais de difusão de conteúdos falsos.

Enquanto por um lado o Sleeping Giants utiliza pseudônimo como estratégia de proteção da integridade física e da vida de seus administradores, por outro o Jornal da Cidade Online criou colunistas fictícios para atacar com calúnias os seus alvos. Nesse caso, porém, criou perfis de pessoas falsas manipulando retratos de pessoas reais com o objetivo de enganar o público quanto à existência de pessoas assinando os textos. Os perfis atribuídos a articulistas bombardeavam com desinformação a imagem de parlamentares, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e desembargadores.

Anonimato e redes sociais

Vale destacar que a vedação ao anonimato, prevista na Constituição, não deveria ser usada como argumento contra o Sleeping Giants Brasil. Como se sabe, tal veto busca impedir a consumação de abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento.

Em verdade, é possível questionar, inclusive a classificação do perfil do Sleeping Giants como anônimo pois, ainda que o público não possa identificar o autor, a rede social detém os dados – aqueles previstos por lei de serem guardados, que, se cruzados com dados de provedores de conexão, podem levar à identificação do perfil. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal adotou uma compreensão de que a prática do anonimato pode ser observada de modo absoluto e relativo, sendo que neste último um terceiro é capaz de individualizá-lo, chegando à sua identidade.

Na internet, as informações armazenadas pelo provedor que fornece acesso à internet e pelos que exploram a oferta de serviços online podem identificar. Para esses provedores ninguém é anônimo, desde que seja observada a legislação (no caso, o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD) que prediz a integridade dos dados eletrônicos que estão sob sua guarda, os quais contêm informações sobre a identificação (eletrônica) dos usuários.

Nesse sentido, o internauta que utiliza a internet para praticar certas condutas e o faz através do anonimato relativo, deveria ter seu direito ao sigilo de dados, à privacidade, mitigados apenas se seus atos violarem direitos alheios. Assim, a Justiça não deveria obrigar o Twitter, a pedido do Jornal da Cidade Online, a entregar os dados do usuário por trás da conta – ao menos que seja reconhecida anteriormente a ilegalidade do conteúdo publicado.

O uso de pseudônimo ou anonimato tem potencial para empoderar pessoas, dando voz àqueles que por alguma razão enfrentam dificuldades de ter espaço para expressar seus pontos de vistas, permitir a participação e engajamento, oferecendo a sensação de segurança e proteção, ajudar as pessoas a falarem de forma mais aberta, sem medo e receio de censura por contrariar poderosos interesses e proteger as informações e os dados pessoais, diminuindo a vigilância e a violação da privacidade.

A não preservação do anonimato no presente caso expõe pessoas ao risco de vida e de graves restrições de liberdade. Assim, ainda que se entendesse que a vedação ao anonimato deva ser resguardada por ser um direito constitucional, a vida é o maior dos direitos, não havendo dúvidas de que numa colisão de princípios constitucionais como essa, a vida e a liberdade devam ser preservadas.

Como se pode notar, a página Sleeping Giants teceu críticas a determinados produtores de conteúdo e solicitou posicionamento de anunciantes. E, na avaliação do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, não há nada de ilícito no ato que pudesse então levar a necessidade de identificação do usuário por trás do perfil. Foi este motivo que mobilizou a organização a ingressar com pedido de Amicus Curiae no caso, que foi negado.

Alertamos, então, que a liberdade de expressão, à qual se refere o processo judicial, não deve ser tomada como uma autorização para que veículos de desinformação possam atacar a imagem dos seus desafetos e manipular informações de interesse público para tirar vantagens políticas e econômicas. Ela deve estar a serviço da garantia de que possamos mobilizar informações verdadeiras, sem qualquer constrangimento, na cobrança de responsabilidade social por parte de agentes privados e públicos. E nós estamos suficientemente acordados e de olhos bem abertos para não ter dúvidas quanto a isso.

*Bruno Marinoni é jornalista, doutor em Sociologia e integrante do Intervozes.

Marina Pita é formada em Comunicação Social, pós-graduanda em Direitos Digitais e está coordenadora executiva do Intervozes.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/ofensiva-contra-sleeping-giants-brasil-pode-criar-precedente-perigoso/

Justiça manda Olavo de Carvalho pagar R$ 2,9 mi a Caetano Veloso em 15 dias

ESTADÃO CONTEÚDO 10 DE OUTUBRO DE 2020

O escritor Olavo de Carvalho. Foto: Reprodução/YouTube
O ESCRITOR OLAVO DE CARVALHO. FOTO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Escritor não apagou publicações caluniosas contra Caetano mesmo sendo intimado pessoalmente nos Estados Unidos

O escritor Olavo de Carvalho foi condenado a pagar em até 15 dias R$ 2,9 milhões a Caetano Veloso, pela juíza Renata Gomes Casanova de Oliveira e Castro, da 50ª Vara Cível, do Rio de Janeiro. A multa se deve ao não cumprimento de uma liminar para que Carvalho removesse as acusações de pedofilia postadas em suas redes sociais contra o cantor, em 2017, e pelas quais acabou condenado.

Se não houver o pagamento voluntário, haverá acréscimo de multa de 10%, bem como protesto de título judicial, informou o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

A liminar para a remoção das postagens nas redes sociais foi deferida em novembro de 2017. A ordem deveria ser cumprida em 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Mas, apesar de ter sido pessoalmente intimado em sua casa, nos Estados Unidos, em fevereiro do ano passado, o escritor não apagou as publicações.

A ação movida por Caetano Veloso foi julgada procedente em setembro do ano passado. O chamado “guru da direita brasileira”, que ganhou maior notoriedade pela proximidade com a família do presidente Jair Bolsonaro, foi condenado a retirar as postagens ofensivas e a pagar, na época da sentença, R$ 40 mil por danos morais. A ação já transitou em julgado – não cabendo mais recursos quanto ao seu mérito.

O valor da ação referente à condenação pelos danos morais foi atualizado e depositado judicialmente em agosto, no valor de R$ 65.966,78. Mas Carvalho ainda tenta impugnar o valor da multa e interpôs um agravo de instrumento que será julgado pela 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, ainda sem data prevista.

Lewandowski pede informações antes de decidir se Globo pode noticiar processo contra Flávio Bolsonaro

 6 DE OUTUBRO DE 2020

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Marcos Brandão/Agência Senado
O SENADOR FLÁVIO BOLSONARO (REPUBLICANOS-RJ). FOTO: MARCOS BRANDÃO/AGÊNCIA SENADO

Emissora alega ofensa à liberdade de imprensa, por meio de censura prévia

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu explicações sobre a decisão que proibiu a empresa Globo Comunicação e Participações S/A, detentora da emissora TV Globo, a divulgar informações, exibir documentos e expor o andamento do processo que apura a suposta prática de rachadinhas por Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Lewandowski encaminhou o pedido de informações à 33ª Vara Cível do Rio de Janeiro e ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

A decisão que proibiu a Globo de noticiar o caso é de setembro. À época, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) comemorou e acusou “parte da imprensa” de promover “narrativas criminosas”.

Do outro lado, a Globo alegou ofensa à liberdade de imprensa, por meio de censura prévia. A empresa entrou com um recurso no STF em que pede a suspensão da proibição.

O prazo é de 10 dias para que as autoridades prestem as informações ao STF. Só depois disso é que Lewandowski examinará o pedido da emissora.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/justica/lewandowski-pede-informacoes-antes-de-decidir-se-globo-pode-noticiar-processo-contra-flavio-bolsonaro/

Facebook deleta post em que Trump comparava letalidade da Covid-19 à da gripe

 6 DE OUTUBRO DE 2020

Presidente americano Donald Trump (Foto: WIN MCNAMEE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP)
PRESIDENTE AMERICANO DONALD TRUMP (FOTO: WIN MCNAMEE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP)

Twitter mantém publicação, mas comunica que texto ‘infringe regras sobre desinformação’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma publicação removida do Facebook após dizer que a Covid-19 seria “muito menos letal” do que uma gripe convencional.

Trump é uma das mais de 7 milhões de pessoas diagnosticadas com Covid-19 nos EUA. O presidente americano foi levado a um hospital na sexta-feira 2 e muito se especulou na imprensa sobre seu real estado de saúde. Ao receber alta, Trump pediu nas redes sociais que os americanos “não temessem a Covid”.

O Facebook removeu a publicação do presidente americano, de acordo com informação transmitida pelo porta-voz da rede, Andy Stone, à CNN dos Estados Unidos. Já o Twitter manteve o texto publicado, mas fora da página de tuítes de Trump e com um aviso de que o conteúdo “infringiu regras do Twitter sobre desinformação e notícias potencialmente perigosas sobre COVID-19”.

“A temporada de gripe está chegando! Muitas pessoas todos os anos, às vezes mais de 100.000, e apesar da vacina, morrem de gripe. Vamos fechar o nosso país? Não, aprendemos a conviver com isso, assim como estamos aprendendo a conviver com Covid, na maioria das populações muito menos letal!!!”, escreveu Trump.

(FOTO: REPRODUÇÃO/TWITTER)

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/mundo/facebook-deleta-post-em-que-trump-comparava-letalidade-da-covid-19-a-da-gripe/

PT acusa Covas de disseminar fake news e irá à Justiça por declaração sobre contas da gestão Haddad

LEONARDO MIAZZO 6 DE OUTUBRO DE 2020

JILMAR TATTO E BRUNO COVAS EM DEBATE PROMOVIDO PELA TV BAND. CRÉDITO: DIVULGAÇÃO
JILMAR TATTO E BRUNO COVAS EM DEBATE PROMOVIDO PELA TV BAND. CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

Jilmar Tatto chama Covas de ‘mentiroso’; prefeito diz que orçamento deixado por Haddad era ‘maquiado’

debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo promovido pela TV Band na última quinta-feira 1 terminará na Justiça. O PT anunciou que acionará judicialmente o prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), sob a acusação de que o tucano disseminou fake news ao dizer que o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) teria deixado “um grande rombo de 7 bilhões de reais” em 2017, ao fim de sua gestão.

“O que vocês deixaram foi um grande rombo nas contas públicas municipais. O orçamento de 2017 tinha um rombo de 7 bilhões de reais. Nós tivemos que organizar a casa”, disse Covas no debate em resposta ao candidato do PT, Jilmar Tatto.

Em contato com a reportagem de CartaCapital, Tatto justificou a decisão do partido de ir à Justiça contra Covas. “[Haddad] deixou um saldo em caixa de 5,35 bilhões de reais, segundo relatório do próprio Tribunal de Contas do Município (TCM). E as finanças de São Paulo no nosso governo ganharam prêmios internacionais. Tanto é que, a partir da renegociação da dívida e desse dinheiro em caixa, a Prefeitura pode buscar financiamentos”, disse o petista.

É totalmente o contrário. Fake News. Mentiroso. O prefeito Bruno Covas está mentindo para a população.

“O que o Haddad fez, inclusive, foi provisionar 5 bilhões caso viessem recursos do PAC [Plano de Aceleração do Crescimento], que acabaram não vindo em função do golpe que deram na Dilma, e acabou assumindo o Temer. Portanto, o Haddad, do PT, deixou 5,35 bilhões de reais em caixa, isso está provado. A própria agência da Folha de S.Paulo provou isso”, completou o candidato.

Pelas redes sociais, Fernando Haddad criticou Bruno Covas pela declaração:

Segundo o Relatório Anual de Fiscalização de 2016, produzido pelo TCM, a gestão Haddad deixou 5,3 bilhões de reais nas contas da Prefeitura. “(…) As disponibilidades financeiras da Prefeitura em 31.dez.16 eram suficientes para saldar as obrigações de curto prazo. Se todas essas obrigações fossem pagas, restaria um saldo da ordem de 3 bilhões de reais”, informa o documento.

Procurado pela reportagem de CartaCapital, o prefeito Bruno Covas se manifestou em nota oficial: “O orçamento deixado pela gestão Haddad para o ano de 2017, primeiro do atual governo, era irrealista e maquiado. Exagerava as receitas em 5 bilhões de reais e subestimava as despesas em 2,5 bilhões de reais. Ou seja, tinha um buraco de mais de 7 bilhões de reais.  A quase totalidade dos recursos deixados em caixa no fim do exercício de 2016 estavam comprometidos com pagamentos de curto prazo. Eram insuficientes, portanto, para cobrir o rombo decorrente do descasamento entre receitas superestimadas e despesas subestimadas expressas no orçamento legado pela gestão petista”.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/politica/pt-acusa-covas-de-disseminar-fake-news-e-ira-a-justica-por-declaracao-sobre-contas-da-gestao-haddad/

Facebook e Instagram bloqueiam contas ligadas a movimento QAnon

AFP 6 DE OUTUBRO DE 2020

'Discípulos' do QAnon protestam em Hollywood. Foto: KyleGrillot/AFP
‘DISCÍPULOS’ DO QANON PROTESTAM EM HOLLYWOOD. FOTO: KYLEGRILLOT/AFP

Medida acelera esforços para reprimir campanhas de desinformação, algumas endossadas pelo presidente dos EUA Donald Trump

O Facebook determinou nesta terça-feira 6 o bloqueio de todas as contas ligadas ao movimento conspiracionista QAnon, tanto na rede social, quanto em sua comunidade de compartilhamento de imagens, Instagram.

“Nós vamos remover quaisquer páginas do Facebook, grupos e contas no Instagram representando o QAnon, mesmo que não contenham conteúdo violento”, anunciou o gigante das redes sociais em uma postagem em seu blog. A medida acelera os esforços da empresa para reprimir campanhas de desinformação, algumas endossadas pelo presidente Donald Trump, semanas antes das eleições presidenciais de 3 de novembro.

As ações, tanto do Facebook, quanto do Instagram, visaram contas vinculadas a “grupos anarquistas ‘offline’ que apoiam atos violentos em meio a protestos, organizações de milícias com sede nos Estados Unidos e QAnon”, informou a plataforma. Em agosto, a rede havia eliminado centenas de grupos vinculados à teoria da conspiração de extrema-direita QAnon e impôs restrições a cerca de outras 2 mil como parte de uma ofensiva contra um aumento da violência.

O Facebook informou ter endurecido seu bloquei ao QAnon após notar que, apesar de eliminar publicações que promoviam a violência diretamente, as mensagens dos seguidores do movimento foram adaptadas para evitar as restrições – o grupo usou a plataforma para afirmar que certos grupos iniciaram incêndios florestais que devastaram a costa oeste, desviando a atenção da polícia e dos bombeiros, por exemplo.

“As mensagens do QAnon mudam muito rapidamente e vemos que as redes de seguidores criam uma audiência com uma mensagem e depois mudam rapidamente para outra”, informou o Facebook. “Nosso objetivo é combater isto de forma mais efetiva com esta atualização que fortalece e expande nossos esforços contra o movimento de teoria conspiratória”.  A rede social já proíbe conteúdos que incitam a violência e organizações que a promovem.

Teorias da conspiração

Os seguidores do QAnon têm usado páginas e grupos públicos e privados no Facebook para difundir “desinformação, racismo e incitação à violência apenas velada”, segundo a Liga Antidifamação. A teoria da conspiração, popular entre diferentes grupos de extrema-direita, sustenta que há uma elite global que opera como uma força controladora por trás de governos, bancos e outras instituições.

Em julho, o Twitter tomou medidas enérgicas contra o QAnon quando o grupo aumentou seu alcance na principal corrente da política americana. A partir de uma publicação anônima de 2017, que alega exploração infantil e conspirações estatais, o movimento sem líderes ganhou espaço no próprio escopo do Twitter de Trump.

No ano passado, o FBI informou em um relatório que o QAnon era um dos vários movimentos que poderiam impulsionar “tanto grupos quanto extremistas individuais a realizar atos criminosos ou violentos”.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/mundo/facebook-e-instagram-bloqueiam-contas-ligadas-a-movimento-qanon/

Eleições: TSE tem canal para denúncia de disparos em massa no WhatsApp

AGÊNCIA BRASIL 3 DE OUTUBRO DE 2020

Disparo de mensagens em massa foi expressamente proibido pela Justiça Eleitoral - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
DISPARO DE MENSAGENS EM MASSA FOI EXPRESSAMENTE PROIBIDO PELA JUSTIÇA ELEITORAL – FOTO: MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL

Qualquer pessoa pode preencher e enviar o formulário online

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta semana um formulário online para receber denúncias de disparos de mensagens em massa por meio do WhatsApp durante as eleições municipais. de 2020.

Pela primeira vez, nas eleições deste ano, o disparo de mensagens em massa foi expressamente proibido pela Justiça Eleitoral na norma sobre propaganda eleitoral. Os termos de uso do WhatsApp também não permitem a prática.

As mensagens do tipo em geral são impessoais e costumam trazer conteúdos alarmistas e acusatórios. A Justiça Eleitoral incentiva que o eleitor faça a denúncia se receber mensagens suspeitas provenientes, por exemplo, de contatos desconhecidos ou de vários grupos ao mesmo tempo.

O próprio WhatsApp se comprometeu, junto ao TSE, a investigar as denúncias e inativar contas suspeitas, encaminhando as informações pertinentes às autoridades. Segundo a plataforma, trata-se de “iniciativa inédita no mundo”.

Comportamento inautêntico

O formulário de denúncia faz parte de uma série de medidas anunciadas nesta semana pela Justiça Eleitoral para combater o que chama de “comportamentos inautênticos” relacionado às eleições na internet, em especial nas redes sociais. Um exemplo que costuma ser dado é o uso de robôs e contas falsas para promover artificialmente campanhas de ódio contra candidatos e instituições.

Tais comportamentos são “muitas vezes provenientes de verdadeiras milícias digitais, organizadas hierarquicamente, com financiamento privado e atuação concertada para a difusão de mentiras e ataques às instituições”, disse o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso.

Durante o lançamento do formulário de denúncias, o diretor de políticas públicas para o WhatsApp no Brasil, Dario Durigan, fez um apelo para que também os candidatos denunciem empresas e indivíduos que ofereçam o serviço de disparo de mensagens.

“Sabemos que existem empresas que oferecem serviços ilegais de disparo em massa de mensagens, por isso o WhatsApp solicita aos candidatos que rejeitem essas propostas e façam as devidas comunicações às autoridades constituídas”, disse ele.

Ainda tramitam no TSE diferentes investigações que apuram eventuais desvios às normas eleitorais no pagamento por disparos de mensagens em massa na eleição presidencial de 2018 ] .

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/politica/eleicoes-tse-tem-canal-para-denuncia-de-disparos-em-massa-no-whatsapp/

Justiça manda Twitter apagar post de Bolsonaro que cita documentário sem permissão

21 DE SETEMBRO DE 2020

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, JAIR BOLSONARO. FOTO: CAROLINA ANTUNES/PR

‘O Processo’ apresenta bastidores do impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT)

A Justiça do Rio de Janeiro ordenou que o Twitter retire do ar uma publicação do presidente Jair Bolsonaro, de 13 de julho de 2019, em que ele cita um trecho do documentário O Processo (2018).

O documentário apresenta bastidores do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), durante a tramitação do processo de impeachment em 2016. Bolsonaro publicou uma cena de cerca de dois minutos, em que membros do PT comentam sobre a relação das gestões petistas e os meios de comunicação.

Na legenda, Bolsonaro chamou os integrantes da sigla de “inimigas da democracia e da liberdade”.

“Esse vídeo não vazou por acaso. Nele nunca se viu tantas pessoas do mal, inimigas da democracia e liberdade, juntas. É O JOGO DO PODER. A vitimização do PT é uma das últimas cartas do Foro de São Paulo em Caracas/Venezuela (24 a 28/julho)”, escreveu.

Na decisão, a juíza Maria Cristina de Brito Lima, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, julgou procedente a queixa da cineasta  Maria Augusta Freire de Carvalho Ramos, que disse que a postagem utiliza indevidamente a obra, sem sua permissão.

“Julgo procedente o pedido autoral, para o fim de determinar ao Réu que se abstenha de utilizar qualquer obra das Autoras, integral ou parcialmente, sem sua autorização, sob pena de multa diária por utilização indevida, que fixo em R$ 10.000,00 (dez mil reais)”, determinou a juíza.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/justica/justica-manda-twitter-apagar-post-de-bolsonaro-que-cita-documentario-sem-permissao/