Homem quebra dedo e bate com tripé em cinegrafista em Barbacena;

Repórter de afiliada da TV Globo foi atacado por homem que tentava impedir que ele filmasse uma escola de cadetes, em reportagem sobre militares com Covid-19

20/05/2020 – 15:13 / Atualizado em 20/05/2020 – 16:31

O repórter cinematográfico Robson Panzera, da equipe da TV Integração, afiliada da Rede Globo em Barbacena (MG), foi agredido verbal e fisicamente no fim da manhã esta quarta-feira enquanto fazia imagens da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), na cidade.

A repórter Thais Fulin, colega de Robson, filmou a agressão, feita por um homem identificado e já detido, Leonardo Rivelli.

Rivelli está na delegacia da cidade.

“O agressor passou de carro xingando e filmando o cinegrafista. Até estamos acostumados com os xingamentos, infelizmente. Mas em seguida ele desceu do carro e começou a briga. Ele bateu com o tripé no dedo do cinegrafista, chutou a câmera no chão, e foi embora, antes da chegada da polícia. Depois, passou de carro novamente pelo local e o indicamos para os policiais. Ele foi detido e tentou justificar as agressões, dizendo: ‘Agredi mesmo”, afirmou a repórter à coluna.

Quando Panzera estava fazendo imagens da escola para uma reportagem, o agressor se aproximou e começou a ofender a equipe de jornalistas. Ele tentou pegar a câmera de Panzera para impedi-lo de filmar, e o cinegrafista tentou impedi-lo, protegendo o equipamento.

Rivelli começou a bater em Panzera, tentando tomar o equipamento. As imagens de Fullin mostram Panzera tentando se desvencilhar e apanhando com socos. Em um determinado momento, o agressor pega o tripé de Panzera e desfere golpes contra ele.

A polícia foi chamada e prendeu em flagrante o agressor.

Panzera teve a mão fraturada e foi encaminhado ao Hospital Regional de Barbacena para receber atendimento médico.

A reportagem era sobre uma denúncia publicada nesta terça na imprensa local de que sete integrantes da Epcar estão com Covid-19.

Assista ao vídeo:
https://www.instagram.com/tv/CAa1L-PJPuw/

Reprodução: https://epoca.globo.com/guilherme-amado/homem-quebra-dedo-bate-com-tripe-em-cinegrafista-em-barbacena-veja-video-1-24436818

Projeto pune com até quatro anos de prisão quem divulga mentira sobre saúde ou segurança pública

19/05/2020 – 10:06 – Fonte: Agência Câmara de Notícias – Reportagem – Murilo Souza – Edição – Alexandre Pôrto

O Projeto de Lei 1394/20 altera o Código Penal para punir a criação e a propagação, por qualquer meio, de informação falsa referente à saúde ou à segurança públicas. O texto em análise na Câmara dos Deputados prevê que o autor do crime será punido com pena de um a quatro anos de reclusão e multa.

Autor, o deputado Zé Vitor (PL-MG) afirma que as incertezas geradas no País por conta da pandemia da Covid-19 deveriam estimular solidariedade por parte de todos e não o desejo de enganar por meio da divulgação de informações falsas.

“Essa conduta tem o poder de gerar desestabilização social e pânico na coletividade. Cabe ao Congresso, então, promover as modificações legais necessárias para impor a devida censura penal ao criminoso que põe em risco a paz pública”, defende.

Reprodução: https://www.camara.leg.br/noticias/652589-projeto-pune-com-ate-quatro-anos-de-prisao-quem-divulga-mentira-sobre-saude-ou-seguranca-publica/

AGU defende convivência com ‘interpretações divergentes’ sobre a ditadura

Poder360 19.maio.2020 (terça-feira) – 18h12

A AGU (Advocacia Geral da União) encaminhou manifestação à Justiça Federal afirmando que é necessário “conviver com as possíveis ou pontuais interpretações” de acontecimentos da ditadura militar no Brasil (1964-1985). A informação foi divulgada pelo portal G1  nesta 3ª feira (19.mai.2020).

O parecer é uma resposta a uma ação que pede a remoção de postagens da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) de redes sociais. Em uma delas, a Secom homenageou militar que admitiu envolvimento na morte de 41 pessoas durante a Guerrilha do Araguaia.

De acordo com a denúncia, o militar, “coordenando ações finalisticamente dirigidas à produção do resultado, com o auxílio de outros militares, ocultou os cadáveres das vítimas, os quais ainda permanecem ocultos, a fim de apagar os vestígios do crime de homicídio e se manter impune”.

Documentos manuscritos do próprio Curió revelam que muitos dos guerrilheiros do Araguaia se entregaram nas casas de moradores da região ou foram rendidos em situações em que não ofereciam riscos às tropas do Exército.

Em sua manifestação, a AGU diz que “não há que se conjecturar” sobre violações de direitos humanos nas publicações da Secom, e que o Brasil vem adotando “todas as providências” para cumprir a sentença referente à guerrilha.

Eis os trechos do documento que foram disponibilizados:

“Há uma diversidade de métodos de análise de historiografia brasileira do período compreendido entre 1964 a 1985 [ditadura militar]. Portanto, ainda que diante das diretrizes de reconciliação e pacificação nacional, que norteiam o direito à memória e à verdade, considerando que é metodologicamente possível se analisar os fatos do passado de forma diferenciada, não há possibilidade de se manter uma única percepção histórica no espaço público.

Deve-se reconhecer, lamentar e reparar as atrocidades que foram praticadas, de qualquer natureza ou viés (conforme ampla e formalmente reconhecido pelo Estado Brasileiro, entre outros, por força das Leis Federais 9.140/1995 e 12.528/2011); mas também, no limite, conviver com as possíveis ou pontuais interpretações outras da cadeia de acontecimentos do mesmo período, que nem sempre vão revelar somente uma versão de aniquilação de direitos”.

Reprodução: https://www.poder360.com.br/justica/agu-defende-convivencia-com-interpretacoes-divergentes-sobre-a-ditadura/

MPF diz que Lula não cometeu crime ao chamar Bolsonaro de miliciano

Moro pediu enquadramento do petista na Lei de Segurança Nacional depois de Bolsonaro citar regra da ditadura

Mônica Bergamo – 18.mai.2020 às 23h16

O Ministério Público Federal propôs o arquivamento do inquérito em que Sergio Moro, quando comandava o Ministério da Justiça, pediu que Lula fosse investigado com base na Lei de Segurança Nacional por crime contra a honra do presidente Jair Bolsonaro.

QUERIDO CHEFE

O petista disse, em um discurso, que não era possível que o Brasil tivesse “o desprazer de ter no governo um miliciano”, responsável pela violência “do povo pobre”e “pela morte da [ex-vereadora] Marielle ”.

QUERIDO CHEFE 2 

Moro fez o pedido logo depois que Bolsonaro afirmou que usaria a lei, da época da ditadura, contra Lula. Em sua defesa, o ex-presidente disse que não se referia a Bolsonaro ou a qualquer pessoa específica.

RISCO ZERO 

O MPF considerou que a fala de Lula não ameaçava a integridade nacional, a soberania, a democracia, nem o chefe do Executivo —que são os crimes previstos na Lei de Segurança Nacional.

NA BOCA… 

O procurador Mario Alves Medeiros afirmou ainda que as falas de Lula fizeram “mera menção a fatos amplamente noticiados pela imprensa brasileira, a respeito de supostas ligações entre a família do presidente [Bolsonaro] e integrantes de grupos de milícia” do Rio.

… DO POVO 

“Simples pesquisa na internet revela um sem-número de publicações alusivas a esses possíveis vínculos”, diz o procurador. Para investigar Lula, seria necessário fazer o mesmo com todas as outras pessoas autoras das mesmas menções a Bolsonaro.

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/05/mpf-pede-arquivamento-de-inquerito-de-moro-para-investigar-lula-sob-lei-de-seguranca-nacional.shtml

Deputados denunciam presidente da Fundação Palmares ao Ministério Público

Por Flávia Said Em 18 maio, 2020 – 13:41

Deputados federais do PT e do Psol apresentaram nesta segunda-feira (18) à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão uma representação contra o jornalista Sérgio Camargo, atual presidente da Fundação Cultural Palmares. Os parlamentares pedem apresentação de denúncia criminal do jornalista por declarações incompatíveis com o cargo que ocupa.

Segundo o grupo, “o país tem acompanhado estarrecido as reiteradas declarações fascistas, ofensivas e criminosas” de Camargo, que tenta  implantar um cultura negacionista quanto a história do povo negro no Brasil.

Leia aqui a íntegra da representação.

A Fundação Palmares é subordinada à Secretaria Especial de Cultura, comandada pela atriz Regina Duarte. O órgão faz alusão a Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência na luta contra a escravidão, figura que Camargo já depreciou reiteradas vezes. A última ocorreu no dia 13 de maio, quando, a pretexto de comemorar o aniversário da Lei Áurea de 1888, Camargo publicou no site oficial da instituição artigos depreciativos a Zumbi, além de um artigo do deputado Hélio Lopes.

Criada em 1988, a fundação  tem como missão os preceitos constitucionais de reforços à cidadania, à identidade, à ação e à memória dos segmentos étnicos dos grupos formadores da sociedade brasileira, além de fomentar o direito de acesso à cultura e à indispensável ação do Estado na preservação das manifestações afro-brasileiras.

Declarações

Segundo os autores da representação, as declarações do presidente da fundação configuram violações aos princípios constitucionais da legalidade e da moralidade e extrapolam os limites da liberdade de expressão.

Entre as declarações de Camargo estão a classificação do racismo no Brasil como “nutella”, ao afirmar que os negros no Brasil vivem melhor que os negros da África. Ele também disse que o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, deveria ser abolido, sob a justificativa de que ele incentivaria o vitimismo.

“Não se tem dúvidas sobre o impacto que o conteúdo de declarações como estas podem ter na naturalização, legitimação e perpetuação da violência contra grupos em situação mais vulnerável, e,
justamente originadas, repise-se, do Presidente de um órgão que tem como missão institucional a promoção dos valores culturais, sociais, econômicos, de preservação da história brasileira, de reconhecimento da influência deste povo na construção da sociedade e do país”, escrevem os deputados.

A nomeação de Camargo, em novembro de 2019, é cercada de polêmicas. Em dezembro, a Justiça Federal do Ceará suspendeu Camargo do cargo, mas em fevereiro o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha reverteu a decisão, atendendo a pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU).

Reprodução: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/deputados-denunciam-presidente-da-fundacao-palmares-ao-ministerio-publico/

Servidora do governo, apoiadora de Bolsonaro diz que bandeirada em jornalista foi acidente

Repórter registrou boletim de ocorrência após agressão em manifestação em Brasília

18.mai.2020 às 12h17 – Atualizado: 18.mai.2020 às 13h07 – Renato Onofre – BRASÍLIA

​Apoiadora de Jair Bolsonaro, a servidora Angela Telma Alves Berger afirmou à Folha que não quis agredir a jornalista Clarissa Oliveira, da Band, com uma bandeirada na manifestação deste domingo (17), em frente ao Palácio do Planalto.

“A bandeirada na repórter foi um acidente. Eu estava olhando os paraquedistas e me descuidei…acontece, né? Já levei tantas bandeiradas. Quebraram até meu óculos. Porém, entendo que foi um acidente”, disse à reportagem.

Angela Berger é servidora do Enap (Escola Nacional de Administração Pública), vinculada ao Ministério da Economia, e ingressou no serviço público em 1986, de acordo com dados do portal da Transparência.

Ela agrediu a repórter da Band com o mastro de uma bandeira do Brasil na cabeça durante o ato de domingo, que teve a presença de Bolsonaro.

A jornalista aguardava para gravar quando foi atingida pela bandeira. De acordo com Clarissa, outros manifestantes a socorreram após o episódio.

No boletim de ocorrência registrado no domingo, a repórter relatou que a manifestante, com uma bandeira do Brasil na mão, “vinha andando, xingando, gritando com todos”. De acordo com ela, “sem mais nem menos ela chegou perto e bateu com o pau da bandeira”.

Ainda de acordo com Clarissa, a agressora riu, falou que “foi sem querer” e continuou andando.

Folha presenciou a exaltação da agressora contra a imprensa em dois momentos antes da agressão. A todo momento ela gritava “Globo lixo” e “jornalistas lixos”.

A segurança do Planalto chegou a pedir para que manifestantes acalmassem a agressora, que chegou a sair do local do ato, mas voltou para o local até a chegada de Bolsonaro.

Angela justificou a exaltação à Folha. “To com medo de ser escrava de chinês. Tenho me do comunismo nos dominar. Muito medo”, afirmou.

“Vejo notícias que estão vendendo as riquezas do Brasil. Que vêm um bando de chinês em setembro comprar tudo. Eu estou com medo. Fico em pânico. Ando depressiva. Nervosa. Nervos a flor da pele”, disse. “Eu quero que esses chineses comunistas saiam do Brasil”.

Em nota, a Band chamou a agressão de “prova de desrespeito ao trabalho da imprensa”.

Segundo a emissora feito o boletim de ocorrência. A Band diz que “exige que haja punição exemplar a esse ato inaceitável de selvageria”.

“A agressão à nossa repórter, Clarissa Oliveira, durante manifestação em frente ao Palácio do Planalto, ofende a liberdade de imprensa e a todos os jornalistas”.

Procurada, a Enap ainda não se manifestou sobre o caso. ​

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/05/servidora-do-governo-apoiadora-de-bolsonaro-diz-que-bandeirada-em-jornalista-foi-acidente.shtml

O dilema de Celso de Mello, segundo um dos seus colegas

Por Míriam Leitão18/05/2020 12:07

Um ministro do STF acredita que o ministro Celso de Mello tem um caminho legal para qualquer uma das decisões: divulgar em partes, ou no todo o conteúdo do vídeo da reunião ministerial.

A fonte acha que ele deve divulgar apenas os trechos que servirem ao que é objeto do inquérito. Mas o decano permanece com a sua atitude de sempre se fechar em copas. Inclusive lá dentro do Tribunal.

Essa é a grande expectativa da semana: se será ou não divulgado o vídeo da reunião. Esse ministro explica que um caminho pode ser aplicar o artigo 9 da Lei 9.296 de 1996, “que estabelece que feita uma interceptação telefônica será aproveitado apenas o que servir à persecução criminal”, desprezando o restante que, assim, terá o sigilo preservado.

A diferença é que, desta vez, não é uma interceptação telefônica. E, além disso, envolve a administração pública “que tem como princípio básico a publicidade, pelo artigo 37 da Constituição”, enfatizou a fonte.

Se Celso de Mello fizer a distinção, então ele divulgará integralmente. “A privacidade do cidadão é mais larga do que a do servidor público”. A reunião ocorreu — acrescenta — para tratar de coisas do interesse público.

Reprodução: https://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/o-dilema-de-celso-de-mello-segundo-um-dos-seus-colegas.html

Sancionada a lei que pune produtores e divulgadores de “fake news” em MT

A multa varia de acordo com índice do governo e pode chegar a R$ 30 mil

14 de maio de 2020 às 17h32

Está em vigor desde a última terça-feira (13), a Lei 11.128/2020, de autoria do deputado estadual Valdir Barranco (13), que prevê multa para quem divulgar notícias falsas (Fake News) sobre epidemias, endemias, pandemias em Mato Grosso.

A multa varia de 20 a 200 UPFs (Unidade Padrão Fiscal) e pode ultrapassar R$ 30 mil. De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), em maio, o valor da UPF é de R$ 151,58. O dinheiro arrecadado será revertido para prevenção e contenção de epidemias no estado.

“A divulgação de informações falsas ou distorcidas tem provocado grandes prejuízos à sociedade, principalmente em tempos de pandemia pelo coronavírus. Esta Lei pune de forma pecuniária os infratores com vistas a evitar este tipo de atitude. Contudo, ressalto, que não se trata de tolher a liberdade de expressão individual ou de imprensa, mas de preservar e valorizar informações verdadeiras para o bem de todos nós. Espero, sinceramente, que as pessoas se conscientizem e que o Estado não precise punir ninguém”, disse o deputado.

Reprodução: https://primeirahora.com.br/sancionada-a-lei-que-pune-produtores-e-divulgadores-de-fake-news-em-mt/

Homens que protestaram contra Alexandre de Moraes são presos em SP

Manifestantes bolsonaristas foram levados para o 15º DP. Juíza justificou a prisão sob o argumento de “garantir a ordem pública”

Por Eduardo Gonçalves – Atualizado em 16 maio 2020, 20h44 – Publicado em 16 maio 2020, 19h29

Dois manifestantes bolsonaristas que participaram de um protesto em frente ao prédio do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em São Paulo, foram presos preventivamente neste sábado, dia 16. A decisão foi tomada pela juíza plantonista Ana Carolina Mascarenha sob o argumento de “garantir a ordem pública”.

O mandado de prisão expedido contra Jurandir Alencar e Antonio Bronzieri diz que eles desrespeitaram o benefício de liberdade provisória ao qual eles haviam sido submetidos. Os dois manifestantes já haviam sido presos em flagrante no último dia 2 de maio, quando fizeram o ato contra o ministro do Supremo.

Eles são investigados num inquérito da Polícia Civil por crimes de desobediência, infração de medida sanitária e incitação ao crime. A prisão teria sido efetuada após “investigação criteriosa, campana e infiltração de agentes em acampamento em acampamento do movimento por eles liderado”, situado na frente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), conforme ofício do delegado Fernando Cesar de Souza.

Na última terça-feira, 12, eles se tornaram réus na Justiça paulista pelos delitos de ameaça, difamação, injúria e perturbação do sossego mediante uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo.

“O encarceramento dos representados é medida que se impõe, tanto porque desrespeitaram o benefício da liberdade provisória concedido, bem como para a garantia da ordem pública, imprescindível neste momento vivido”, diz o mandado de prisão.

Os dois foram levados hoje ao 15º Distrito Policial de São Paulo e devem ser encaminhados em seguida a um presídio.

Reprodução: https://veja.abril.com.br/brasil/dois-homens-que-protestaram-contra-alexandre-de-moraes-sao-presos/

“Com veto a jogos violentos, Senado quer regulamentar esportes eletrônicos”

“Por Roger Pereira [09/05/2020] [21:54]”

“O mercado de games vem crescendo exponencialmente no Brasil e no mundo, já superando a soma do que é movimentado pela indústria da música e do cinema, por exemplo. E as competições de esportes eletrônicos, os e-sports, contribuem, e muito para esse crescimento. Milhões de pessoas estão envolvidas em competições profissionais ou amadoras, equipes e, até torcidas. E o Senado está de olho neste público. Tramita, desde 2017, projeto de lei para regulamentar os e-sports no Brasil, reconhecendo-os como um esporte tradicional e seus praticantes, como atletas. Entre as questões polêmicas, o veto a jogos considerados violentos e a criação de federações.

De iniciativa do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), a proposta prevê, ainda, o reconhecimento de federações e confederações como organizadoras das competições. Emenda apresentada ao projeto ainda veda o status de esporte para jogos considerados violentos, como os de tiro. A proposta aguarda apenas a aprovação de emenda de redação nas comissões para ser apreciada pelo plenário, mas a senadora Leila Barros (PSB-DF), que se tornou uma porta-voz da comunidade gamer durante a tramitação, tenta fazer com que a Comissão de Assuntos Econômicos discuta o projeto.

Em 2018, os games se tornaram globalmente mais lucrativos que a indústria cinematográfica e a indústria musical combinadas: foram US$ 138 bilhões em receita ao redor do mundo naquele ano, segundo a Newzoo, instituto global de pesquisa focado em games e e-sports. De acordo com esses dados, o cinema alcançou a marca de US$ 42 bilhões, enquanto a indústria musical obteve uma receita de US$ 19 bilhões no mesmo período.

Ex-atleta de vôlei, Leila Barros afirma que é preciso aprofundar o debate antes que qualquer regulamentação do esporte eletrônico seja feita no Brasil. “Em geral, a comunidade gamer desaprova qualquer tentativa de regulamentação. Eles entendem que o Estado quer interferir em uma atividade que está consolidada e funcionando muito bem. Não podemos criar algo que engesse o crescimento do setor. Ele gera empregos e aquece a economia”, sustenta.

Burocracia e federações

O ponto principal do projeto é o reconhecimento das competições de jogos eletrônicos como uma modalidade esportiva e de seus praticantes como atletas. Mas mesmo essa medida, que poderia ser benéfica à comunidade gamer, por facilitar, por exemplo, patrocínios e acesso a leis de incentivo ao esporte, por exemplo, não é consenso entre jogadores, produtores de jogos e organizadores de competições. Assim, vincularia o esporte ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, por exemplo, e imporia a contratação dos atletas pelas equipes via Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), com amarras burocráticas incompatíveis com os e-sports.

Já a proposição mais polêmica da proposta inicial, e que ganhou ainda mais repercussão pelo fato de o vice-presidente da Confederação Brasileira de Desporto Eletrônico, Roberto Rocha Junior, ser filho do senador Roberto Rocha, autor da proposta, é a que estabelece a Confederação e as Federações como organizadoras das competições. A comunidade gamer é contra essa vinculação a uma entidade organizadora de competições. Empresas desenvolvedoras de jogos, publicadoras, times e organizadores de campeonatos sustentam que, diferentemente do que ocorre com os esportes tradicionais, os eletrônicos são jogados numa plataforma que é um produto cuja propriedade intelectual pertence a empresas, sendo delas a responsabilidade pela organização das competições. Eles também contestam a legitimidade das confederações e federações existentes no Brasil.

Jogos violentos

Ao tramitar pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte, o projeto ainda recebeu uma emenda do senador Eduardo Girão (Podemos-CE) para impedir que jogos violentos sejam considerados como e-sport. Jogos táticos de tiro, como Rainbow Six e Counter-Strike são algumas das principais modalidades de esportes eletrônicos. Ao propor a emenda, Girão ligou a prática de jogos violentos a casos de massacres cometidos por adolescentes.

Em audiência pública, jogadores apresentaram diversos estudos mostrando não haver relação entre jogos e atos de violência. Além disso, os jogadores mostraram que jogos de tiro só podem ser praticados por maiores de 18 anos. A emenda foi mantida.

Antes de começar a pandemia, o senador Roberto Rocha deu entrevista à Gazeta do Povo para explicar melhor o projeto:

Qual o objetivo do senador em apresentar a proposta?

Roberto Rocha: Estabelecer uma segurança de integridade para o mercado institucional do e-sports, muito em especial para o atleta e os times que entendam que deverão estar incluídos no e-sports institucional, e isso não os impedirá de maneira alguma continuarem nos seus eventos privados.

As emendas apresentadas não desvirtuam a proposta inicial?

Roberto Rocha: Algumas emendas apresentam propostas que interferirão possivelmente num melhor aproveitamento do status do atleta no esporte eletrônico institucional, mas estamos trabalhando para resolver de maneira melhor esse ponto. Ressalto que o projeto original é completamente democrático, estava aí desde 2017 e todos tinham ciência e isso foi noticiado nas mídias desde aquele ano. Ele é neutro, não favorecendo de maneira alguma essa ou aquela entidade, atleta ou time.

Como vê a tentativa de restringir os jogos de tiro, por exemplo?

Roberto Rocha: Esse é um assunto bastante polêmico entre alguns senadores. Existem estudos, inclusive de mais de década de acompanhamento de jovens feita pela Universidade de Oxford, que comprovam a não influência negativa de jogos na formação do caráter dos jogadores. Estamos falando de regulamentação do esporte eletrônico de alto rendimento e não da liberação ou não de jogo A ou B. Existe uma confusão em relação ao que é jogo e ao que é e-sport. Estamos trabalhando para elucidar qualquer dúvida que algum parlamentar possa ter em relação a isso.

A regulamentação não burocratiza demais uma atividade que vem funcionando bem autorregulamentada? Mesmo questões simples do projeto inicial como o reconhecimento como esporte e o dos praticantes como atletas, não podem causar situações como a submissão ao STJD, vinculação á CLT?

Roberto Rocha: O ponto de vista da autorregulamentação é para qualquer categoria, e não há burocratização, pois nada muda para quem já pratica. Pelo contrário, tanto os praticantes que serão federados, quanto os que não desejam se federar ganham com isso, pois são assim reconhecidos como atletas. Não há burocracia em se reconhecer alguém pelo que ele faz por direito. E muito menos cria qualquer vínculo com o reconhecimento. Há uma tremenda desinformação quanto a essa questão. Se submete ao STJD e à Câmara de Resolução de Litígios e o que mais existir em qualquer categoria desportiva somente e tão somente aqueles que pertencem ao sistema Federativo e em especial e exclusivamente quando atuantes nos eventos dessas instituições federativas. Os eventos privados, sejam eles quais forem, permanecem como são – privados – e não se submetem a ninguém ou qualquer órgão se não aqueles já submetidos da justiça normal.

E a exigência à submissão a federações e confederações? Não seria mais natural que as empresas produtoras dos games organizem as competições?

Roberto Rocha: Como poderia haver submissão? Outra desinformação ou omissão de fatos. E os fatos são: constitucionalmente há livre associação, afilia-se ao sistema confederativo/federativo quem desejar. Qualquer Confederação ou entidade dessa categoria de qualquer esporte somente tem autonomia perante seus afiliados, membros e eventos. Assim como qualquer outra empresa de eventos e não necessariamente a produtora. Correto? Além das desenvolvedoras/publicadoras, outras empresas diversas, shopping centers, programas de tv e centenas de empresas diversas fazem eventos de e-sports, as federações/confederações farão e já fazem o mesmo, estão na mesma seara.

O fato de o filho do senador ser vice-presidente da confederação não tira a credibilidade da proposta?

Roberto Rocha: Felizmente como se vê, o “filho do senador” em nada teve a ver com o projeto de Lei que foi iniciado em 2015 em um estado de nossa federação, e diga-se de passagem já temos o projeto de lei, sancionado em 6 estados diferentes, portanto o nosso é a nível federal. Certamente é uma alegria tê-lo dentro de uma confederação, legítima, legalizada, dentro do que é necessário e exigido no sistema nacional do desporto brasileiro e com total infraestrutura, e em nada interfere, só agrega ao PL mais conteúdo e propriedade. Orgulho para mim como pai e para ele como filho. E esse senador jamais carregou para qualquer evento, menos ainda em espaço público do legislativo, uma única entidade, e, se assim quiséssemos, iriamos convidar a todos igualitariamente, mesmo sabendo distinguir as diferenças entre uma confederação devidamente formada e legitimada de outras que ainda caminham nesse sentido.”

Reprodução: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/com-veto-a-jogos-violentos-senado-quer-regulamentar-esportes-eletronicos/