Secretário de Direitos Humanos da PGR, Aílton Benedito quer impedir Facebook de banir mensagens de ódio

Leandro Prazeres 24/11/2019 – 04:30

BRASÍLIA — O secretário de Direitos Humanos da Procuradoria Geral da República ( PGR ), Aílton Benedito, está numa cruzada pessoal contra o Facebook desde o início do ano. Por duas vezes, o procurador tentou impedir que a rede social banisse, de forma independente, postagens contendo mensagens de ódio, violência, exploração sexual e conteúdo cruel. As tentativas aconteceram antes de Benedito assumir o cargo na PGR. No Twitter , o procurador é conhecido por criticar políticos de esquerda, a quem frequentemente chama de “esquerdopatas”, e por defender o presidente Jair Bolsonaro .

O procurador não está sozinho na sua batalha contra as gigantes da internet. O procurador-geral da República, Augusto Aras , seguiu a mesma linha em um processo envolvendo o Google . Na semana passada, Aras encaminhou parecer referente a uma ação sobre ofensas proferidas na rede social Orkut contra uma professora. No documento, o procurador-geral disse que não cabe às empresas de tecnologia fazer o controle prévio das postagens sob pena de a prática implicar em censura.

Leia: Procurador-geral defende que Google exclua mensagens ofensivas mesmo sem ordem judicial

Conteúdos impróprios

A disputa está em torno daquilo que as plataformas consideram conteúdo impróprio. Na sua primeira ofensiva contra o Facebook, em fevereiro, Benedito propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) à rede social — os TACs funcionam como um acordo para evitar um processo judicial. Uma cláusula do termo proposto por Benedito previa que o Facebook deveria deixar de aplicar sanções por iniciativa própria contra usuários que tivessem publicado qualquer postagem classificada pela rede social como “conteúdo questionável”.

Reprodução: https://oglobo.globo.com/brasil/secretario-de-direitos-humanos-da-pgr-ailton-benedito-quer-impedir-facebook-de-banir-mensagens-de-odio-24097555

Marco Feliciano quer processar Humberto Costa por “incitar golpe” contra Bolsonaro

Por Edson Sardinha Em 03 nov, 2019 – 12:05 Última Atualização 03 nov, 2019 – 12:06

Vice-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, o deputado Pastor Marco Feliciano (Podemos-SP) quer processar o líder do PT no Senado com base na Lei de Segurança Nacional por incitar, segundo ele, um golpe contra o presidente da República. Em documento que será enviado à Procuradoria-Geral da República, Feliciano acusa o senador Humberto Costa (PT-PE) de conclamar a população a derrubar o presidente em uma publicação feita por ele no último dia 19 nas redes sociais.

“A paciência do povo com a direita ultraliberal, fascista e entreguista está acabando em diversos lugares do mundo. Jair Bolsonaro está com os dias contados. É questão de tempo. A hora do Brasil vai chegar. Anotem aí”, publicou o senador ao compartilhar notícia do estado de emergência no Chile, com a imagem de um prédio em chamas.

Feliciano alega que Humberto incitou a subversão da ordem política ou social e a luta violenta entre a população, as Forças Armadas e o governo. De acordo com a representação do deputado à PGR, a tentativa de subversão já configura crime e é passível de punição com pena de um a quatro anos de reclusão. Caberá ao procurador-geral da República, Augusto Aras, dar encaminhamento ou arquivar o pedido.

Procurado pelo Congresso em Foco para comentar o assunto, o senador pernambucano não se manifestou até o momento.

O ato de Feliciano se contrapõe ao pedido de abertura de processo movido pela oposição contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Jair Bolsonaro, por ter defendido a volta do Ato Institucional 5 (AI-5). Lideranças oposicionistas solicitaram no Supremo Tribunal Federal (STF) que Eduardo seja processado por improbidade, incitação e apologia ao crime, além da cassação de seu mandato pela Câmara.

Marco Feliciano defende Eduardo ao justificar sua investida contra Humberto Costa. “Não entendi o porquê da oposição protocolar notícia-crime contra o Eduardo no Supremo, pois o Ministério Público tem o monopólio da iniciativa da ação penal pública. Então, ou não tem assessoria ou foram fazer politicagem com o Judiciário”, disse. O deputado ressalta que o procurador-geral da República é a única autoridade com competência legal para denunciar parlamentar junto ao Supremo.

“Se Eduardo Bolsonaro tem que ser cassado, senador Humberto Costa também tem! Defesa da democracia não pode ser seletiva, caros Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, pois senão é demagogia pura!”, escreveu Feliciano em seu Twitter na manhã desse sábado.

Eduardo Bolsonaro respondeu poucos minutos depois, sinalizando que essa estratégia também poderá ser usada contra outros parlamentares de oposição a Bolsonaro. “Parabéns ao Feliciano. Também estou coletando posts e falas de parlamentares para representar no conselho de ética por conta de incitação a desordem e quebra da democracia. Acredito na imunidade parlamentar de todos nós, mas pau que dá em Chico também tem que dar em Francisco”,  publicou o filho do presidente.

Feliciano também vai pedir ao comando de seu partido, o Podemos, que entre com pedido de cassação do mandato de Humberto Costa. Para isso, no entanto, terá de convencer a deputada Renata Abreu (SP), presidente da legenda, e o senador Alvaro Dias (PR), líder da bancada no Senado, a comparem a briga com o PT.

Uma tarefa que não deverá ser tão simples, segundo parlamentar ouvido pelo Congresso em Foco de maneira anônima. O Podemos é a sigla que mais cresce no Senado com novas filiações – já é a segunda maior da Casa. Eventuais disputas dessa natureza não são bem avaliadas por um interlocutor de Alvaro Dias. O paranaense é crítico de Bolsonaro e postula o apoio da maioria dos senadores para concorrer à presidência do Senado em 2021.

Marco Feliciano diz que o comentário de Humberto Costa desperta maior preocupação devido à posição de destaque do próprio senador. “O acusado tem 129 mil seguidores na rede social Twitter, o que nos faz divisar a divulgação em massa da incitação ao ódio e à guerra civil por ele cometida, com seus naturais efeitos subversivos e deletérios junto ao seio da sociedade brasileira”, alega.

O deputado destaca que, além de líder de um dos maiores partidos do país e ex-ministro da Saúde, Humberto é membro da comissão executiva nacional do PT. “Logo, a capacidade de mobilização social do acusado, e consequente potencial de subversão social, é insofismável, motivo pelo qual deve ser punido. Ademais, dado o poder de mando que possui nos oferta a possibilidade de estar em conluio com outros agentes”, ressalta. “Defluindo-se que é mera questão de tempo dar um golpe de Estado no presidente Jair Bolsonaro”, acrescenta.

Em abril Feliciano também pediu o impeachment do vice-presidente Hamilton Mourão por “conduta indecorosa, desonrosa e indigna” e conspiração contra o presidente da República. O caso, no entanto, foi arquivado.

Na semana passada seis partidos de oposição (Psol, PDT, Rede, PCdoB, PT e PSB) recorreram ao Supremo contra Eduardo Bolsonaro. Caberá ao relator sorteado para o caso enviar a notícia-crime para a PGR, a quem cabe definir se apresenta denúncia contra o parlamentar.

Os deputados querem que Eduardo Bolsonaro seja acusado e processado por improbidade administrativa, por praticar atos que atentam contra moralidade e que podem levar à perda do cargo público; incitação e apologia ao crime. Segundo a oposição, ao dizer que o AI-5 poderá ser uma resposta de governo caso a esquerda radicalize, Eduardo incita as práticas de tortura e os abusos cometidos na ditadura.

“Pretender sua volta incita a prática dos mesmos crimes antes cometidos como a tortura, o abuso de poder, as lesões corporais, os homicídios e numerosos outros tipos penais todos atentando contra a sociedade, a democracia, as organizações, a liberdade e a vida das pessoas”, diz o pedido da oposição.

A declaração de Eduardo “causou espanto e reação” na sociedade porque o AI-5 foi “a expressão mais acabada da ditadura militar”, destaca o documento. “A declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro é extremamente grave e atenta contra a Constituição, o ordenamento vidente e diversos tratados e acordos internacionais”, ressalta o grupo, que lembra que a Constituição obrigou o Estado brasileiro a reconhecer a prática de tortura e outras graves violações durante a ditadura, que foram mostradas durante a Comissão da Verdade.

Reprodução: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/marco-feliciano-quer-processar-humberto-costa-por-incitar-golpe-contra-bolsonaro/

Twitter anuncia que vai banir publicidade política.

30.10.19 17:54

O CEO do Twitter, Jack Dorsey, anunciou nesta quarta-feira que a plataforma vai banir publicidade política a partir do dia 22 de novembro.

“Acreditamos que o alcance da mensagem política deve ser conquistado, e não comprado”, tuitou Dorsey em sua conta na rede social. “Embora a publicidade na internet seja incrivelmente poderosa e muito eficaz para anunciantes comerciais, esse poder traz riscos significativos para a política.”

Segundo ele, “uma mensagem política ganha alcance quando as pessoas decidem seguir uma conta ou retuitar”.

“Pagar pelo alcance remove essa decisão, forçando mensagens políticas altamente otimizadas e direcionadas. Acreditamos que essa decisão não deve ser comprometida por dinheiro.”

Reprodução: https://www.oantagonista.com/internet/twitter-anuncia-que-vai-banir-publicidade-politica/

YouTube censura vídeos da Ponte que denunciavam aulas de tortura

28/10/19 por Arthur Stabile, Fausto Salvadori e Jeniffer Mendonça

A AlfaCon, escola para concursos que tem como acionista a Somos Educação, da Kroton, maior grupo de educação privado do país, iniciou uma operação para remover vídeos do YouTube em que o fundador e presidente da escola, o ex-agente penitenciário federal Evandro Bitencourt Guedes, e um de seus professores, o ex-policial militar Norberto Florindo Júnior, ensinam técnicas de tortura e execução de suspeitos para aspirantes a policiais.

A existência desse conteúdo no YouTube foi revelada pela Ponte em reportagens publicadas na quinta (24/10) e sexta-feira (25/10). No dia seguinte, a AlfaCon emitiu nota afirmando que “não compactua e repudia qualquer tipo de violência” e que, “após receber relato do ocorrido, o curso informa que analisou os vídeos, bem como outras aulas ministradas pelo professor, e decidiu removê-las de sua plataforma”. A nota não menciona qualquer punição aos professores nem alteração no conteúdo das aulas: o problema apontado pela empresa é a existência de vídeos dessas aulas.

Ainda no sábado, a AlfaCon pediu ao YouTube a censura a dois vídeos da Ponte que mostravam cenas de aulas de Evandro e Norberto, alegando que as publicações violavam os direitos autorais da Complexo Educacional Agora Eu Passo, empresa pertencente à empresa e responsável pela postagem das aulas. Atendendo ao pedido, o YouTube, que nunca havia retirado os conteúdos da Alfa Concursos, nem mesmo os vídeos que celebravam torturas e até execução de bebês em chacinas, removeu os vídeos publicados pela Ponte, ameaçando eliminar nosso canal na plataforma caso voltasse a postar novos vídeos com violações de direitos autorais. A Ponte repostou os mesmos vídeos no Facebook.

Questionado sobre a retirada dos vídeos do ar, o Google, dono do YouTube, se recusou a comentar a censura à Ponte e se limitou a mandar um texto com uma descrição dos procedimentos do YouTube. Já a Somos Educação sustenta ser sócia minoritária da AlfaCon e que, “a médio e longo prazo” pretende encerrar sua participação como acionista (leia o posicionamento completo abaixo).

Nessas aulas, postadas entre 2018 e este ano, Evandro se gabava de ter atirado uma bomba numa cela fechada cheia de presos, sugeria aliciar testemunhas para mascarar execuções como legítima defesa – “Você pega uma criança: ‘fala que o cara estava armado que eu dou um doce’” – e afirmava que “matar travesti sem peru não é feminicídio”. Já Norberto, que foi demitido da Polícia Militar em 2009, após um processo por posse de cocaína no alojamento da Diretoria de Ensino da PM, ensina métodos para matar um suspeito baleado e se diz orgulhoso de ter respondido 28 processos por homicídios e de ter outras 30 mortes “não assinadas”.

Para Bruno Langeani, gerente de sistemas de justiça e segurança pública do Instituto Sou da Paz, “parece simbólico que a dimensão específica de direito autoral tenha sido colocada [pelo Youtube] acima de outros direitos humanos como direito à vida e tratamento digno”.

“Os vídeos trazem uma série de relatos de violações e apologia à crimes mais graves que a questão de direito autoral. Além disso o vídeo foi editado pelos jornalistas com o intuito de permitir a denúncia das violações e a simples remoção do vídeo da Ponte, sem consequências aos vídeos originais nos parece totalmente injusta”, avalia.

“Diante da repercussão se viram impelidos a retirar os vídeos do ar. Se o próprio autor e o YouTube retiraram do ar é porque reconheceram a inadequação dos vídeos, o cometimento de práticas criminosas, incitações e apologias à crimes, como torturas, abusos de autoridade e assassinatos”, avalia Ariel Castro Alves, advogado e conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana). “Também podem ter sido pressionados pelo grupo Kroton, que não quis sua marca vinculada as violações de direitos humanos. Também é uma forma de censurar a matéria e a visualização dos vídeos. Eles apostam no abafamento e no esquecimento para continuarem com o mesmo tipo de conteúdo do curso”, prossegue.

A questão de censura é apontada por Bia Barbosa, jornalista e integrante do Conselho Diretor do Intervozes. Segundo a especialista, o YouTube abusa da lei dos direitos autorais ao tirar do ar vídeos jornalísticos que tragam trechos de obras publicadas, o que não é considerado uma ofensa aos direitos autorais de acordo com a lei de direitos autorais (Lei 9610/98).

“O YouTube está abusando, porque a própria lei de direitos autorais permite esse uso que a Ponte fez, mesmo usando trechos deles [AlfaCon]”, diz, revelando que o Intervozes está com ação judicial contra a plataforma pela retirada de vídeos com base na lei de direitos autorais. “Nós entendemos que nosso caso foi de censura. O da Ponte também é, mesmo que seja com base nos direitos autorais”, segue.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) reprovou a decisão do Google e cobrou respostas. “Diante do evidente interesse jornalístico em torno dos casos expostos pela Ponte, a Abraji apela ao YouTube que republique os vídeos removidos e não puna o veículo de mídia. Um direito individual como o direito de autor não deve prevalecer sobre o direito coletivo de acesso a informações de interesse público. Do contrário, as liberdades de expressão e de imprensa ficam em risco”, posicionou-se, em nota no seu site.

Somos Educação promete desligamento

Fundada em 2009, a AlfaCon foi comprada em 2012 pela Abril Educação, atual Somos Educação, que pagou R$ 5,5 milhões por 51% da participação na escola de concursos. Em abril de 2018, a Somos Educação foi comprada pela Kroton, maior empresa de educação no Brasil.

Atualmente a Somos Educação, dona da escola de inglês Red Balloon e das editoras Ática, Scipione e Saraiva, permanece como sócia da AlfaCon, com participação de 49%, conforme formulário de referência de 2018 entregue em maio deste ano à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), quando a empresa ainda era uma companhia aberta. Desde outubro do ano passado, o representante da organização na escola de concursos é Mario Ghio Júnior, presidente da Saber Educacional, companhia da Kroton que administra as escolas do grupo Somos.

Segundo o professor de Políticas Educacionais da Universidade Federal do ABC, Fernando Cássio, há duas formas de atuação dos grandes grupos econômicos relacionados à educação: ou de forma filantrópica, tentando participar da construção da agenda da política educacional ou, então, atuando na comercialização de produtos lucrativos: ensino privado, livros e materiais instrucionais, assessoria pedagógica, etc.

“Há hoje no Brasil um oligopólio formado por três ou quatro grandes grupos educacionais. A Kroton recentemente se dividiu em quatro marcas para atuar em diferentes nichos sem competições internas, o que nos mostra o volume de dinheiro e a quantidade de setores em que esse grupo atua”, diz. “Não espero da Somos nada diferente disso: é uma empresa cujo único objetivo é ganhar dinheiro. Se preocupam com sua imagem pública apenas naquilo que ameaça diretamente os seus objetivos lucrativos, e só por isso seriam capazes de fazer alguma coisa. Se acham que pega mal, se desligam e pronto”, diz.

Em nota enviada à Ponte, a Somos Educação reforça a informação de ser sócia minoritária da AlfaCon e, “portanto, sem nenhum controle sobre a operação, corpo docente e executivos da AlfaCon Concursos Públicos”. Desde outubro 2018, Mario Ghio Júnior representa a Somos Educação na AlfaCon.

“A Somos repudia veementemente qualquer prática discriminatória e de violação aos direitos humanos praticados por quaisquer pessoas. Como em qualquer modelo societário, é necessário ter um representante no Conselho. Por ser acionista minoritário, o conselheiro não possui nenhuma autonomia para a tomada de decisão no que tange à gestão da empresa, ao conteúdo das aulas ou aos executivos, apenas, parcialmente no que diz respeito a parte financeira da Alfa”, explica a empresa, antes de revelar que pretende encerrar sua parceria com a AlfaCon.

Eles reiteram, ainda, “que não possui interesse em médio/longo prazos nesta parceria e, diante da impossibilidade de tomar as providências necessárias, reforçamos junto à liderança da AlfaCon Concursos Públicos o repúdio e a importância de que a instituição providencie a resolução imediata com relação às questões levantadas”, finaliza a Somos Educação.

A Ponte solicitou entrevista com Mario Ghio Júnior, mas a empresa disse que, pelo fato de a Somos ser “sócio minoritário” da AlfaCon, não iria comentar o conteúdo relacionado a torturas, homicídio e transfobia presente nas aulas da escola. A AlfaCon também não respondeu aos pedidos de entrevista com o fundador, Evandro Guedes.

Novas gravações

Há outro vídeos de profissionais da AlfaCon em que ensinam aspirantes a PM a matarem se, de fato, entrarem nas tropas. Em uma das gravações deletadas do YouTube, o professor Norberto Florindo Júnior critica o fato de mulheres grávidas não poderem ser transportadas algemadas e conta ter matado bebês em chacinas. “Por isso quando eu entrava chacinando eu matava todo mundo: mãe, filho, bebê, foda-se! Eu já elimino o mal na fonte”.

Júnior foi expulso da corporação em 2009 após responder processo por posse de drogas dentro do alojamento Diretoria de Ensino da PM. Naquela época, o agora professor da AlfaCon dava aulas de Direito aos militares, entre eles sargentos. Ele segue a aula: “Ninguém trabalhou mais na polícia nessa AlfaCon do que eu. Quem mais tempo sou eu, quem mais matou fui eu, quem mais torturou fui eu, quem mais conhece vagabundo aqui sou eu. Trabalhei 20 anos em periferia, boca do porco, do sapo”, se vangloria o professor.

Norberto exalta ter recebido elogios do deputado federal por São Paulo Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro. “[Eduardo] Passou um zap [WhatsApp]. ‘Capitão, fiquei sabendo que o senhor matou um monte de gente?! Queria agradecer suas matanças’”, diz Júnior.

Por outro lado, o professor Evandro Guedes vai da teoria violenta para a prática. Em gravação durante aula de direitos humanos para a Polícia Rodoviária Federal, o fundador da AlfaCon joga um apagador em um aluno que mexia em seu celular. “Solta essa porra de celular. Não vou falar mais só por essa falta de respeito”, diz, jogando também o microfone para o lado e parando a aula online ao vivo. “Enfia essa porra de celular no cu, porra. A porra da prova é dia 3, caralho. Eu passei 12 vezes, sou milionário nessa porra, meu carro vale a tua vida. Eu estou preocupado: se não passar ninguém, fudeu!”, desabafa.

Reprodução: https://ponte.org/youtube-censura-videos-da-ponte-que-denunciavam-aulas-de-tortura/

Criminalizar fake News não é a solução, dizem participantes de audiência na CPI

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada em setembro para investigar a distribuição de notícias falsas realizou na terça-feira (22) a primeira de uma série de audiências marcadas para o semestre. Os convidados disseram que criminalizar as chamadas fake news não é o caminho para combater esse fenômeno.

Publicado na internet em 23/10/2019

Comissão de Cultura aprova projeto que impede censura de manifestações artísticas

Pelo texto, representações de arte não poderão ser consideradas apologia ao crime

23/10/2019 – 15:10   Vinícius Loures/Câmara dos Deputados

Erika Kokay: não faz sentido que manifestações artísticas sejam alvo de ação penal

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (23), proposta que deixa claro que manifestações artísticas não podem ser tipificadas como apologia ao crime. O Projeto de Lei 3291/15, do deputado Bacelar (Pode-BA), acrescenta a excludente ao Código Penal (Decreto Lei 2.848/40).

A relatora na comissão, deputada Erika Kokay (PT-DF), recomendou a aprovação da matéria, com o argumento de que a Constituição garante a expressão artística, independentemente de censura ou licença.

Para Kokay, não faz sentido que manifestações artísticas sejam “ameaçadas” com ação penal. “A multiplicidade das representações, muitas delas concretizadas em forma de protesto, discordância ou mesmo inaceitáveis para os valores dominantes, não deve ser censurada, sob pena de se impedir a circulação das ideias e implodir a base democrática do Estado”, afirmou a relatora.

Atualmente, a pena para quem fizer publicamente apologia de fato criminoso ou de autor de crime é detenção de três a seis meses ou multa.

Tramitação
O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e pelo Plenário.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Pierre Triboli

Reprodução: https://www.camara.leg.br/noticias/603478-comissao-de-cultura-aprova-projeto-que-impede-censura-de-manifestacoes-artisticas/

CPMI das Fake News vai ouvir Gleisi, Joice, Delegado Waldir, Luciano Hang e outros

Brasil 23.10.19 14:32

A CPMI das Fake News conseguiu aprovar 66 requerimentos na sessão de hoje.

Foram aprovadas, por exemplo, as convocações da deputada e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, do médico Dráuzio Varella; do empresário Luciano Hang; do empresário e suplente de Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho; do assessor internacional da Presidência, Filipe Martins; do secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten; de Otávio Fakhoury, do blog bolsonarista Crítica Nacional; dos blogueiros Bernardo Kuster, Tercio Arnaud Tomaz, José Matheus Salles Gomes, Mateus Matos Diniz e Allan dos Santos.

A comissão também aprovou convites — quando o comparecimento não é obrigatório — dos deputados Delegado Waldir e Joice Hasselmann; de Felipe Moura Brasil, diretor do jornalismo da Jovem Pan e colunista da Crusoé; do general Carlos Alberto dos Santos Cruz; do jornalista Luís Nassif.

O requerimento de convocação de Carlos Bolsonaro, apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues, da Rede, deverá ser analisado nas próximas semanas.

Reprodução: https://www.oantagonista.com/brasil/cpmi-das-fake-news-vai-ouvir-gleisi-joice-delegado-waldir-luciano-hang-e-outros/

Terreiro de umbanda é atacado e incendiado em São Gonçalo

A mãe de santo e uma filha acabaram se ferindo
Enviado Direto da Redação 16/10/2019 às 14:41h

Um terreiro de umbanda e magia cigana, localizado no Colubandê, em São Gonçalo, foi incendiado na tarde do último domingo (13), após uma sessão de Cosme e Damião. Esse é um dos primeiros casos de intolerância religiosa registrados na cidade.

A mãe de santo do terreiro, Alba de Oxóssy, teria iniciado uma reunião conhecida como gira, às 10h. Houve um café da manhã para a comunidade e distribuição de brinquedos para as crianças. Por volta das 15h, ela foi com os filhos de santo para uma varanda aos fundos do terreiro, momento em que o local foi incendiado. 

“Uma criança correu para contar para a mãe de santo o que fizeram com o terreiro. Quando ela chegou lá, em poucos segundos, já tinha queimado tudo.Toda a decoração da casa dela foi perdida, cortinas, além das imagens sacras do barracão, tudo foi perdido”, explicou o presidente da Comissão de Matrizes Africanas de São Gonçalo (Comasg), pai Gilmar Hughes, conhecido como Gilmar de Oya. 

Artesã, Alba ainda perdeu peças da sua principal fonte de renda. Ela faz ciganas para vender, decoradas com lantejoulas e tecidos finos, que se perderam no incêndio. A perda, segundo a mãe de santo, é mais sentimental. 

“A perda é mais sentimental, pelo amor e pelo carinho que coloco ali no terreiro. Quem me acompanha, sabe que desde que minha yao faleceu, assumi o lugar dela, mas não quis ficar com o terreiro, então resolvi montar o meu. Estou há cinco anos montando o meu terreiro, mas não estava nem na metade do que queria. Agora, estou quase na estaca zero, porque a perda mesmo foi só no salão”, declarou.

A mãe de santo ainda foi eletrocutada quando, acidentalmente, colocou a mão em um fio desencapado ao tentar apagar o incêndio. Uma filha santo também acabou se ferindo no incêndio. Ambas passam bem.

“Tudo foi muito rápido. Já tinha acabado a gira, a festa foi linda e tinha muitos convidados. A maioria das pessoas não presenciaram o fato, foram mais as pessoas do meu dia a dia, que me ajudam a arrumar o centro e estavam comigo na área ao lado. No momento que vi o fogo, que ouvi a gritaria, fui entrar para tentar apagar, e foi nesse momento que o fio desencapado embolou no meu pé. Minha filha de santo, muito assustada porque eu gritei que estava queimando, jogou um balde de água em mim. Ela também se queimou superficialmente, mas graças a Deus estamos todos bem”, contou Alba. 

O acusado, um adolescente evangélico de 17 anos, contou que ele não teria colocado fogo no local, apesar de testemunhas terem flagrado. Ele explicou que entrou no terreiro apenas para retirar uma cafifa que caiu no local. 

O crime está sendo acompanhado pela Comasg, pelo Setor de igualdade racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Gonçalo, pelo Conselho Tutelar de São Gonçalo e pela Secretaria de Desenvolvimento de Direitos Humanos do Estado. O caso será registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), no Centro do Rio.

Reprodução: https://www.osaogoncalo.com.br/seguranca-publica/64135/terreiro-de-umbanda-e-atacado-e-incendiado-em-sao-goncalo?fbclid=IwAR0z8Dx0_zl4GSKwgJeZZ4TVypEpoo_-fUmtz2RxU24MAU7cXLh9Eb8gKec

Gilmar suspende lei que proíbe ensino sobre orientação sexual em Ipatinga

Em despacho, o ministro do STF citou apreensões de livros na Alemanha nazista e falou em “censura e patrulha ideológica”

Por Estadão 19 out 2019, 10h31

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu uma lei de Ipatinga (MG) que exclui da política municipal referências a diversidade de gênero e orientação sexual na rede de ensino. Em despacho de 22 páginas, ele cita apreensões de livros na Alemanha nazista e também fala em ‘censura e patrulha ideológica’. A decisão acolhe pedido de 2017 do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

A Lei é de 2015 e prevê que a administração não poderá ‘adotar, nem mesmo sob a forma de diretrizes, nenhuma estratégia ou ações educativas de promoção à diversidade de gênero, bem como não poderá implementar ou desenvolver nenhum ensino ou abordagem referente à ideologia de gênero e orientação sexual, sendo vedada a inserção de qualquer temática da diversidade de gênero nas práticas pedagógicas e no cotidiano das escolas”‘.

O ministro afirma que ‘as restrições às liberdades de expressão e de ensino são características típicas de Estados totalitários ou autoritários’.”A título elucidativo, ressaltei, no julgamento da medida cautelar na ADPF 548 – caso das buscas e apreensões em universidades públicas -, o caso da grande queima de livros realizada em diversas cidades da Alemanha em 10 de maio de 1933, em perseguição a autores que se opunham ou que não se alinhavam às diretrizes do regime nazista”.

“Segundo o poeta nazista Hanns Johst, a medida decorria da “necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã”. Hoje, diante do episódio, costuma-se rememorar a célebre frase de Heinrich Heine, que ainda em 1820 escreveu: “onde se queimam livros, no final, acaba-se queimando também homens””, cita.

De acordo com o ministro, ‘busca-se evitar a censura e a patrulha ideológica, uma vez que tais condutas acabariam por esterilizar o debate sobre questões polêmicas e relevantes, que devem ser apresentadas e discutidas entre professores e alunos, com a finalidade de formação de um pensamento crítico’.

“É certo que a atividade de ensino e a aprendizagem deve se basear em estudos científicos e abordagens acadêmicas e pedagógicas. A par dessa exigência, professores e alunos devem ter autonomia para desenvolver os conteúdos abordados em sala de aula”, anota.

Em ação, o procurador-geral Rodrigo Janot afirmou que o ‘ato normativo impugnado viola a laicidade, porque impõe concepção moral de marcado fundo religioso’. “A proibição de vincular conteúdos referentes à diversidade sexual, a rejeição à categoria gênero e o entendimento de que há ideologia na compreensão de que a sexualidade não se define biologicamente são posições usualmente identificadas com comunidades religiosas e por elas defendidas”.

“Ao excluir ensino sobre temas ligados ao gênero, a norma atacada afronta não apenas o direito fundamental à educação de estudantes e professores, como viola os direitos de quem esteja fora do padrão heteronormativo (como a população LGBT) de terem seus corpos, sua sexualidade, sua realidade e seus dilemas representados nos livros e abordados nas escolas. A norma é obscurantista, porque almeja proscrever o próprio debate sobre uma realidade humana”, anotou.

Reprodução: https://exame.abril.com.br/brasil/gilmar-suspende-lei-que-proibe-ensino-sobre-orientacao-sexual-em-ipatinga/

Debatedores apontam relação das fake news com disputa política

22/10/2019 – 18:56  

Especialistas ouvidos nesta terça-feira (22) pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News foram unânimes em apontar que a disseminação das notícias falsas está ligada à disputa política.

Doutor em Filosofia e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Wilson Gomes avalia que as fake news se tornaram um fenômeno mundial a partir de 2016, em um ambiente de “hiperpolarização política” e com o avanço da direita conservadora e digital.

O coordenador-geral do curso de extensão em Direito Eletrônico da Escola de Magistratura do Rio de Janeiro, Walter Capanema, define fake news como a desinformação com a intenção de prejudicar alguém, mecanismo facilitado pela concentração do debate político e da troca de informações na internet.

O comandante de Defesa Cibernética do Exército, general Guido Amin Naves, reconhece que quando as fake news contagiam uma eleição, o equilíbrio de poder fica prejudicado. Ele sugere o enfrentamento do problema desde cedo, nas escolas, com educação para uso das tecnologias.

Checagem
Editor do Estadão Verifica e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Daniel Bramatti prefere evitar o uso do termo fake news. Ele apontou, por exemplo, o uso do termo por políticos “de linha autoritária, que chamam de fake news todo o noticiário que o desagrada”.

Para Bramatti, porém, o problema das fake news não será resolvido com leis ou na Justiça, mas com iniciativas como os serviços de checagem criados por vários órgãos da imprensa, que ajudam o leitor a identificar uma notícia falsa. “Criminalizar as fake news é um absurdo. Há muitos ditadores usando esse recurso para prender jornalistas”, alertou.

Democracia
A relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), disse que as fake news têm um caráter de malignidade e representam uma ameaça para a democracia. Já a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) declarou que a CPMI não tem objetivo de prejudicar o governo, afirmando que as notícias falsas vêm de todos lados e não só da direita.

O presidente da CPMI, senador Angelo Coronel (PSD-BA), negou que a comissão tenha o objetivo de “perseguir” o presidente da República, Jair Bolsonaro, ou de limitar a liberdade de expressão. “Vamos trabalhar com total isenção e contribuir com a sociedade para evitar que as pessoas usem perfis falsos e depreciem seus desafetos”, assegurou.

Ele convocou uma nova reunião da comissão para esta quarta-feira (23), às 12h, quando serão apreciados mais de 100 requerimentos.

Da Redação – GM
Com informações da Agência Senado

Reprodução: https://www.camara.leg.br/noticias/602961-debatedores-apontam-relacao-das-fake-news-com-disputa-politica/