Facebook e Instagram derrubam live em que Bolsonaro associou Aids a vacina da Covid

Pela primeira vez empresa remove live semanal do presidente

Na noite deste domingo (24), o Facebook derrubou a live semanal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) transmitida na última quinta-feira (21).

O vídeo não está mais disponível nem no Facebook nem no Instagram.

De acordo com porta-voz da companhia, o motivo para a exclusão foram as políticas da empresa relacionadas à vacina da Covid-19. “Nossas políticas não permitem alegações de que as vacinas de Covid-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas.”

Bolsonaro durante live em 21 de outubro, na qual disse que “vacinados [contra a Covid] estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida [Aids]” – Reprodução/Jair Messias Bolsonaro no Facebook

Em sua live semanal, Bolsonaro leu uma suposta notícia que alertava que “vacinados [contra a Covid] estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida [Aids]”.

Médicos, no entanto, afirmam que a associação entre o imunizante contra o coronavírus e a transmissão do HIV, o vírus da Aids, é falsa, inexistente e absurda.

Jamal Suleiman, infectologista do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, destaca que as vacinas da Covid não utilizam nenhum fragmento de HIV em sua composição.

Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin (EUA), reforça: “Não tem nenhuma possibilidade ou plausabilidade dessas vacinas fazerem isso. A afirmação é absurda e anticientífica.”

Esta é a primeira vez que a empresa remove uma live semanal do presidente. Até hoje o Facebook só tinha derrubado um post de Bolsonaro relacionado à pandemia: um vídeo de março de 2020 em que ele citava o uso de cloroquina para o tratamento da doença e defendia o fim do isolamento social.

Apesar de o presidente reiteradamente espalhar desinformação em suas lives, as demais não foram excluídas pelo Facebook. Segundo a Folha apurou, a exclusão desta vez ocorreu porque a fala do presidente foi considerada taxativa pela empresa.

Em março, reportagem da Folha mostrou que Bolsonaro violou a política do Facebook sobre Covid-19 ao menos 29 vezes até então, apenas em 2021. Em 22 dos casos, isso ocorreu em suas lives às quintas-feiras.

Neste domingo (25), o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) fez requerimento em que pede à CPI da Covid que envie o inteiro teor desses fatos ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O parlamentar quer que o assunto seja incluído no inquérito das fake news, tocado por Moraes.

“Trata-se de uma das diversas ocasiões em que o chefe do executivo federal vem espalhando notórias fake news, criando grandes obstáculos ao enfrentamento da pandemia”, diz o requerimento.

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/10/facebook-e-instagram-derrubam-live-em-que-bolsonaro-associou-aids-a-vacina-da-covid.shtml

Justiça manda presidente da Fundação Palmares apagar posts contra decisão que o proíbe de nomear e exonerar funcionários

Sérgio Camargo foi afastado dos atos de gestão após denúncia do Ministério Público que o acusa de perseguição político-ideológica, discriminação e tratamento desrespeitoso.

O juiz Gustavo Carvalho Chehab, da 21ª Vara do Trabalho de Brasília, determinou, nesta sexta-feira (22), que o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, retire de suas redes sociais postagens que sejam contrárias à sua decisão, que o afastou dos atos de gestão na fundação. Desde 11 de outubro, Camargo está proibido de nomear ou exonerar funcionários.

A determinação atendeu, parcialmente, a um pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), que solicita o afastamento de Camargo da presidência. De acordo com a ação, o gestor é responsável por “perseguição político-ideológica, discriminação e tratamento desrespeitoso com os funcionários”.

Conforme a determinação, os atos de gestão podem ser feitos apenas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou por alguma autoridade indicada por ele. O g1 pediu à fundação uma posição sobre a decisão do juiz Gustavo Carvalho Chehab, mas até a publicação desta reportagem não havia tido resposta.

Multa e prazo para esclarecimentos

Na determinação para que retire as postagens contrárias à decisão, o magistrado aponta que Camargo está sujeito à multa, caso não cumpra a ordem.

“INTIME-SE, ainda, o 2º réu para que, sem prejuízo da cobrança da multa imposta por esse juízo se for o caso (e de outras medidas assecuratórias que se fizerem necessárias para garantir o resultado útil equivalente, na forma do art. 536 do NCPC), proceda a imediata exclusão de suas redes sociais das postagens contrárias à ordem judicial que lhe foi dirigida”, diz o juiz.

Chehab também quer que Camargo esclareça, em 5 dias, se uma declaração no Twitter representa uma confissão pública dele de coação e continuidade de práticas irregulares. Na postagem, o presidente da Fundação Palmares escreveu – e apagou – “Vou torturar sim, já que não posso nomear. Black Ustra!”.

A Justiça quer saber se o post “constitui confissão pública de coação moral (e/ou física) e de continuidade das práticas imputadas pelo autor mesmo após a concessão da tutela inibitória e se, diante de tal declaração, há necessidades de serem produzidas outras provas neste feito em face do disposto no art. 374, II, do Código de Processo Civil”.

O juiz determinou ainda que o Instagram forneça mensagens de Camargo e da Fundação, inclusive as que foram excluídas, desde novembro de 2019 (saiba mais abaixo). Diz o documento:

“OFICIE-SE ao Instagram para que: i) tome ciência da decisão proferida por esse Juízo em Tutela Antecipada; ii) forneça a esse juízo todas as mensagens postadas por quaisquer dos réus (Fundação Cultural Palmares e Sérgio Nascimento de Camargo) desde 26/11/2019, inclusive as que tiverem sido excluídas, especialmente da conta @sergiodireita; iii) informe ou disponibilize acesso a este juízo para, se necessário em face da tutela cautelar imposta, permitir o envio imediato de eventuais ordens judiciais que se fizerem necessárias; iv) avalie a necessidade de marcar ou de excluir mensagens e manifestações de terceiros (inclusive de mero apoio), anteriores, atuais ou futuras, de contas dos réus que violem os direitos fundamentais da pessoa humana, ofendam à dignidade da Justiça, de qualquer dos sujeitos desse processo ou de órgãos ou profissionais de Imprensa, constituam, em tese, ilícito penal, assédio moral, cyberbullying, intimidação, ofensa ou ameaça ou quebrem as regras de uso da sua rede”.

Segundo o magistrado, as audiências de instrução do caso serão realizadas no começo de dezembro.

Gestão polêmica

A nomeação de Sérgio Camargo para a presidência da Fundação Cultural Palmares foi oficializada em 27 de novembro de 2019 e gerou uma série de críticas e indignação. Em uma publicação, antes de ser nomeado para o cargo, o jornalista classificou o racismo no Brasil como “nutella”.

“Racismo real existe nos Estados Unidos. A negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda”, disse Camargo na ocasião.

Ele também postou, em agosto de 2019, que “a escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes”. “Negros do Brasil vivem melhor que os negros da África”, completava a publicação.

Sobre o Dia da Consciência Negra, Sérgio Camargo afirmou que o “feriado precisa ser abolido nacionalmente por decreto presidencial”. Ele disse que a data “causa incalculáveis perdas à economia do país, em nome de um falso herói dos negros (Zumbi dos Palmares, que escravizava negros) e de uma agenda política que alimenta o revanchismo histórico e doutrina o negro no vitimismo”.

O presidente da fundação também postou em uma rede social que “sente vergonha e asco da negrada militante”. “Às vezes, [sinto] pena. Se acham revolucionários, mas não passam de escravos da esquerda”, escreveu.

Em 13 de maio, aniversário da Lei Áurea, Sérgio Camargo publicou artigos depreciativos a Zumbi no site oficial da instituição. Em redes sociais, disse que Zumbi é “herói da esquerda racialista; não do povo brasileiro. Repudiamos Zumbi!”.

Reprodução: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2021/10/23/justica-manda-sergio-camargo-retirar-das-redes-sociais-postagens-contrarias-a-decisao-que-o-proibe-de-nomear-ou-exonerar-funcionarios-da-fundacao-palmares.ghtml

CNJ defende “limite” à liberdade de expressão e diz que não pode ser confundida com discurso de ódio

Fachada do CNJ
CNJ defende “limite” à liberdade de expressão| Foto: Gil Ferreira/CNJ

No Dia da Liberdade de Expressão – lembrado em 28 de setembro -, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fez uma postagem nas redes sociais em que abordou questões como liberdade de expressão e discurso de ódio. Seguindo a mesma retórica do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o CNJ afirmou que na hipótese de a liberdade de expressão servir para ferir o outro e se ela incluir algum tipo de discriminação, então, passará a ser discurso de ódio. De acordo com órgão, nesse caso também feriria o artigo 3, inciso IV da Constituição

“Muito se tem falado sobre a liberdade de expressão, mas até onde ela vai? A liberdade é o direito de se manifestar ou expressar atividades intelectuais, artísticas, científicas e de comunicação, sem qualquer censura, como diz o artigo 5º da Constituição. No entanto, se essa liberdade é para ferir o outro e vai contra o artigo 3, inciso IV da Constituição Federal, que diz que é objetivo fundamental da República promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, passa a ser discurso de ódio”, disse o CNJ na postagem.

Postagem do CNJ. Reprodução / Instagram
Postagem do CNJ. Reprodução / Instagram

Redes sociais veem censura do STF contra apoiadores de Bolsonaro; entenda por quê
Esse debate, porém, tem outras nuances que não foram mencionadas pelo CNJ no post. Matéria publicada pela Gazeta do Povo apresentou a preocupação de juristas com a máxima de que a liberdade de expressão não é um direito absoluto. Eles explicaram que a ideia em si está certa, mas alertaram para o fato de que essa repetição tem servido como argumento para se avançar sobre uma das garantias fundamentais.

“Você não pode dizer o que quiser, e existem os instrumentos para efetivamente defender alguém porque você atingiu a honra, ou ofendeu fulano etc. Mas isso não pode justificar o “novo Código Penal” que foi criado pelo Supremo Tribunal Federal, com prisões preventivas contra a liberdade de expressão. Em vez de se fazer o devido processo legal para uma ação de indenização por danos morais etc., fazem uma prisão preventiva pelo fato de que o cidadão disse tal coisa que desagradou”, criticou o jurista Ives Gandra em entrevista à Gazeta do Povo.

Reprodução: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/breves/cnj-defende-limite-liberdade-de-expressao/

CPI: empresário que faz campanha antivacina alega “liberdade de expressão” para dizer que máscara não funciona

Diante de afirmações de Otávio Fakhoury, vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, interveio: “Brasileiros, não façam como o sr. Fakhoury”

Manoela Alcântara

30/09/2021 14:01, atualizado 30/09/2021 às 15:29

Oscar Fakhoury

Sentado no banco da CPI da Covid-19 para explicar suas relações com financiamento de fake news e discurso de ódio, o empresário Otávio Fakhoury revoltou senadores já na primeira hora de depoimento.

O dono do site Crítica Nacional e vice-presidente do Instituto Força Brasil, logo de início disse ser contra a vacina, contra o uso de máscara e defendeu fortemente o tratamento precoce com hidroxicloroquina e ivermectina.

“Quatorze pessoas da minha família pegaram Covid. Ninguém morreu. Todos fizeram tratamento. Meus filhos usam ivermectina para piolho, então é tranquilo”, disse aos senadores na CPI.

O empresário ainda disse não acreditar no uso de máscaras para proteção contra a Covid. “É só para quem está doente”, disse. Diante de todas as afirmações, que contrariam estudos científicos, Fakhoury alegou que é a opinião dele. O pano de fundo é o mesmo usado por outros depoentes bolsonaristas: “É meu direito à liberdade de expressão”, afirmou.

Neste momento, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o interrompeu: “Liberdade de opinião é torcer para o Flamengo, para o Ceará ou ser de esquerda ou de direita. Quando a liberdade de opinião atinge a saúde, a vida de outros, não é liberdade de opinião”, advertiu o senador.

“A todos os brasileiros: não façam como o sr. Fakhoury. Vacinem-se, usem máscara”, concluiu Randolfe.

Reprodução: https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/cpi-empresario-que-faz-campanha-antivacina-alega-liberdade-de-expressao-para-dizer-que-mascara-nao-funciona

“Muito Prazer”: Pocah tem vídeo censurado no YouTube

Cantora se disse revoltada em declaração exclusiva ao POPline

quarta-feira, 04 de agosto de 2021.

Pocah. Foto: Instagram

Pocah teve o clipe de “Muito Prazer“ censurado no YouTube, nesta sexta-feira (30/07). Com menos de 24h de lançamento, o vídeo, que retrata e empodera ainda mais a liberdade sexual da mulher, como entregou a própria cantora, foi classificado como conteúdo adulto pela plataforma. A notícia foi confirmada pela funkeira ao POPline, relatando que, em seu ponto de vista, a produção, que leve assinatura do diretor Rafael Costakent, “não tem nada de mais”.

“Censura. O vídeo foi classificado como conteúdo adulto. Não tem nada de mais”, declarou ela. Com isso, o novo trabalho da artista fica proibido para menores de 18 anos no YouTube, o que reduz o alcance e a divulgação de “Muito Prazer”. No Instagram, Pocah aparece visivelmente abalada, e relata o ocorrido.

Muito Prazer
Foto: Ernna Cost

“Eu estou muito arrasada e muito triste. E assim a música se perder e se perde a mensagem principal que é a liberdade da mulher. Que ironia, não? É o clipe meias caro da minha carreira, trabalho lindo do qual eu estou muito orgulhosa e falo sobre o prazer feminino. Em 2021, e uma mulher não pode falar sobre seus prazeres, porque assusta. E não é com todo mundo que isso acontece. É bem seletivo”, declarou ela.

Ela ainda ressaltou que se depara todo dia com conteúdos impróprios e bem perigosos para a democracia circulando livremente na plataforma de vídeos “Mais do que tristeza é revolta. Lá no YouTube tem uma monte de canais preconceituosos e racistas, propagando fake news e não são censurados”, disse ela.

Para trazer essa experiência, o cenário escolhido é mais limpo, ressaltando a beleza e os movimentos corporais de Pocah e das dançarinas que estão com ela. Os figurinos também chamam atenção, elaborados pelo stylist João Ribeiro.

É tudo muito diferente do que já fiz, com cenários e cores mais cleans. Eu queria algo mais elegante e que chamasse mais atenção para os movimentos e a beleza de todos os elementos que compõem o clipe”, ressalta Pocah.

Publicado em 30/07/2021 às 20:33

Reprodução: https://portalpopline.com.br/muito-prazer-pocah-tem-video-censurado-no-youtube/

Anthony Wong, cantor de Hong Kong, é preso acusado de ‘conduta corrupta’ por cantar em ato pró-democracia

Ativista teria cantado duas músicas em uma manifestação há três anos. Segundo o jornal The Guardian, Wong foi liberado após pagamento de fiança.

quarta-feira, 04 de agosto de 2021.

Anthony Wong, cantor de Hong Kong, é preso acusado de 'conduta corrupta' por cantar em ato pró-democracia  — Foto: Reprodução/Instagram
Anthony Wong, cantor de Hong Kong, é preso acusado de ‘conduta corrupta’ por cantar em ato pró-democracia — Foto: Reprodução/Instagram

Anthony Wong, cantor e ativista de Hong Kong, foi preso nesta segunda-feira (2) acusado de “conduta corrupta”. Segundo o jornal The Guardian, ele é acusado de violar as leis por cantar em uma manifestação pró-democracia há três anos.

A prisão do artista é a mais recente ação oficial contra aqueles que se posicionam por uma maior democracia em território chines. O governo tem usado a lei de segurança nacional de 2020 para ampliar o controle sobre a cidade, que foi até 1997 uma colônia britânica.

A comissão independente de Hong Kong contra a corrupção afirmou em comunicado que Wong cantou duas músicas em uma manifestação de 2018 e incentivou os participantes a votarem no candidato pró-democracia Au Nok-hin em uma eleição.

O orgão de fiscalização disse ainda que fornecer bebidas e entretenimento aos eleitores em um evento eleitoral é “uma conduta corrupta e uma ofensa grave” contra o decreto eleitoral.

Segundo o The Guardian, alguns veículos locais informaram que o artista foi liberado após pagamento de fiança.

Repressão chinesa

Há três teve início uma uma onda de manifestações em Hong Kong que reivindicavam mais liberdade política e menos intervenção chinesa.

Como resposta, o governo chinês aprovou em 2020 uma lei de segurança nacional que tem sido usada para reprimir opositores ao regime comunista. Sem aval do parlamento de Hong Kong, ela foi incorporada à “Lei Fundamental” da cidade.

A lei, que visa reprimir o “separatismo”, o “terrorismo”, a “subversão” e o “conluio com forças externas e estrangeiras”, criminalizou grande parte da oposição e deu às autoridades amplos poderes de investigação.

A China afirma que a lei de segurança nacional é necessária para devolver estabilidade a Hong Kong. Críticos dizem que a repressão acabou com a promessa de que a cidade permaneceria com certas liberdades e autonomia após a sua devolução.

Em junho, o governo concedeu a um comitê de censura o poder de proibir qualquer filme que seja considerado uma ofensa à segurança nacional – um novo golpe para a liberdade política e cultural no território.

Publicado em 02/08/2021 08h37 – Atualizado há 2 dias

Reprodução: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/08/02/anthony-wong-cantor-de-hong-kong-e-preso-acusado-de-conduta-corrupta-por-cantar-em-ato-pro-democracia.ghtml

Olimpíada de Tóquio: as medalhistas chinesas investigadas por usar broches de Mao no pódio

quarta-feira, 04 de agosto de 2021.

Bao Shanju e Zhong Tianshi
Legenda da foto,A dupla chinesa venceu a Alemanha e a Rússia na disputa pelo ouro olímpico

O Comitê Olímpico Internacional (COI) diz que investiga duas ciclistas chinesas que, durante a cerimônia de premiação, usaram broches com a imagem de Mao Tsé-Tung, líder da Revolução Chinesa e fundador da República Popular da China.

Um porta-voz do COI disse que contatou o Comitê Olímpico Chinês para obter um relatório sobre o incidente.

Bao Shanju e Zhong Tianshi venceram uma prova de duplas de ciclismo na segunda (02/08). O uso do broche por elas pode significar uma violação das regras olímpicas, que vetam demonstrações políticas no evento internacional.

O Artigo 50 da Carta Olímpica diz que “nenhum tipo de protesto ou propaganda política, religiosa ou racial é permitida em qualquer dos recintos olímpicos ou em outras áreas”.

As regras foram flexibilizadas no mês passado para permitir que os atletas “expressassem suas opiniões” antes e depois de competirem, o que abriu caminho para atletas ajoelharem, em crítica ao racismo, sem sofrer sanções.

Mas a proibição continua para gestos e demonstrações durante as competições e nas cerimônias de entrega de medalhas.

broche de Mao
Legenda da foto,Uso dos broches pelas duas ciclistas pode ser considerado uma violação regras olímpicas.

Mao Tsé-Tung governou a China com mão de ferro de 1949 até a sua morte, em 1976. Ele é apontado como responsável por um dos maiores desastres humanitários da história, quando a campanha Grande Salto para Frente, que tinha o objetivo de modernizar a agricultura chinesa e a indústria, gerou um estado generalizado de fome e causou a morte de até 45 milhões de pessoas.

Questionado sobre os broches das ciclistas chinesas, o porta-voz do COI Mark Adams disse que o comitê está “avaliando a questão”.

O COI também está investigando a atleta americana de arremesso de peso Raven Saunders, que fez um X com os braços quando recebeu a medalha de prata.

Saunders, que é negra e gay, disse que o gesto representa a “intersecção onde todos os oprimidos se encontram”.

O COI pediu mais detalhes sobre o episódio ao time dos Estados Unidos. Saunders recebeu amplo apoio por seu gesto, inclusive dos organizadores do Comitê Olímpico dos EUA. O COI disse que levaria isso em consideração na sua decisão.

Broches de Mao

Bilhões de broches de Mao foram produzidos na China nos anos 1960. O volume era tão grande que eventualmente a sua fabricação teve que ser restrita porque estava consumindo importantes suprimentos de metal.

Eles eram usados durante a Revolução Cultural da China, para demonstrar lealdade a Mao, mas continuam sendo populares. O atual líder da China, Xi Jinping, tentou evocar a imagem de Mao usando um terno cinza que ganhou fama com ex-líder, num evento em comemoração ao centenário de fundação do Partido Comunista.

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Imprensa estatal chinesa destaca fervor por Mao – e depois deleta postagem

Por Kerry Allen, analista sobre China da BBC News

Na segunda, o veículo de imprensa estatal chinês Global Times postou uma foto no Twitter das duas ciclistas que ganharam o ouro. O tuíte dizia que “Zhong Tianshi e Bao Shanju estavam usando broche de Mao durante a cerimônia de entrega da medalha”.

Após uma hora, o post foi apagado. Ativistas logo começaram a criticar o jornal e as atletas, acusando-as de promover simbolismo político na Olimpíada.

Um post parecido na conta do Weibo (rede social chinesa) do mesmo jornal dizia: “Vejam! Mao está no peito das campeãs”. Ele também foi deletado, mas só depois de ficar no ar por seis horas e atrair mais de 10 mil likes.

O Global Times tem mais de 30 milhões de seguidores no Weibo. Portanto, muitos na China logo ficaram sabendo do uso do broche.

Isso acendeu muitos debates. Alguns disseram ser admirável que jovens atletas chineses queiram reconhecer a história do país. Outros afirmaram ser uma “benção” que a nova geração queira homenagear seus predecessores.

O legado de Mao Tsé-Tung é tão fortemente sedimentado na China e encapsulado na educação, cultura e filmes que alguns disseram que as duas ciclistas seriam “as guerreiras nacionais” da atualidade.

No entanto, diante da herança controversa de Mao, outros comentários foram bem mais críticos. Alguns expuseram que o jornal deletou os posts e perguntaram se o veículo de imprensa estava “com medo” de que houvesse consequências para as atletas.

Vários fizeram referência à Revolução Cultural e uma pessoa chamou o gesto das atletas de “ignorante”, o que mostra que nem todos têm uma visão favorável da era Mao.

Reprodução: https://www.bbc.com/portuguese/geral-58079432

Polícia investiga pastora que disse ‘parem de postar coisa de preto, de gay’

Vídeo com a pregação repercutiu nas redes sociais

quarta-feira, 04 de agosto de 2021.

Karla Cordeiro
Vídeo de Karla Cordeiro repercutiu nas redes sociais – Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio abriu um inquérito para investigar a fala da pastora Karla Cordeiro, conhecida como Kakau, durante uma pregação em Nova Friburgo que repercutiu nas redes sociais nesta semana. Nas imagens, Kakau, que integra a igreja Sara Nossa Terra, diz que os fiéis devem parar de levantar bandeiras políticas, de pessoas pretas e gays. 

“A nossa bandeira é Jeová Nissi, é Jesus Cristo, ele é a nossa bandeira. Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay. Para. Posta a palavra de Deus que transforma vidas”, diz a mulher durante a pregação.

Em entrevista ao G1, o delegado Henrique Pessoa, da 151ª DP, disse que há um teor “claramente racista e homofóbico” na fala de Kakau. O crime de intolerância tem pena de 3 a 5 anos de reclusão.

Após a repercurssão do vídeo, Karla Cordeiro se manifestou nas redes sociais e pediu desculpas pelos termos usados durante a pregação.

“Fui infeliz nas palavras escolhidas e quero afirmar que não possuo nenhum tipo de preconceito contra pessoas de outras raças, inclusive meu próprio pastou é negro, e nem contra pessoas com orientações sexuais diferentes da minha, pois sou próxima de várias pessoas que fazem parte do movimento LGBTQIA+”, afirmou.

Na nota, Karla diz que a intenção era afirmar a necessidade de focar em Jesus Cristo e reproduzir seus ensinamentos. Ela reforçou que os termos que usou não expressam a opinião de seu pastor nem da igreja.

Reprodução: https://www.otempo.com.br/brasil/policia-investiga-pastora-que-disse-parem-de-postar-coisa-de-preto-de-gay-1.2522044

Apple remove “Tinder dos antivacina” da App Store


PORLUIZ GUSTAVO RIBEIRO
02/08/2021 • 09:17

Apple removeu da App Store um aplicativo destinado aos chamados antivacina (antivaxx), em uma tentativa de impedir a disseminação de informações incorretas sobre o novo Coronavírus (COVID-19). As informações são da Bloomberg.

O app Unjected foi lançado em maio e promove encontros entre usuários que apoiam a “autonomia médica e a liberdade de expressão” — por isso ele é chamado de “Tinder dos antivacina”.

Mais recentemente, o app implantou um feed — semelhante ao do Facebook — o qual permitia que usuários publicassem conteúdos próprios, o que se tornou uma dor de cabeça para o desenvolvedor do aplicativo, Shelby Thomson.

Uma análise conduzida pelo Google considerou que o app “policiava de forma insuficiente” o conteúdo gerado pelos usuários. De acordos com emails vistos pela Bloomberg, o Google citou publicações sobre as vacinas contra a COVID-19 — incluindo alegações de que eram “modificadores do gene mRNA experimental” —, bem como menções a microchips e rastreamento.

Depois da pressão do Google, o desenvolvedor removeu o feed do aplicativo. No entanto, outros elementos do aplicativo permaneceram inalterados, incluindo salas de bate-papo e um banco de dados de tipos sanguíneos de usuários.

Depois de ser contatada pela Bloomberg, a Apple retirou o aplicativo da App Store. Em um email para o desenvolvedor, a Maçã disse que o aplicativo “refere-se inadequadamente à pandemia da COVID-19 em seu conceito ou tema”.

A Apple originalmente desaprovou o Unjected durante o processo de revisão inicial e aprovou o aplicativo depois que ele fez alterações para cumprir as políticas da COVID-19. Desde então, os desenvolvedores fizeram declarações externas para seus usuários, bem como atualizações que mais uma vez o deixaram fora de conformidade. Isso é uma violação de nossas diretrizes, que deixam claro: “Se você tentar enganar o sistema, seus aplicativos serão removidos da loja.”

Ícone do Unjected

O Unjected é pequeno em comparação às redes sociais mais populares — com cerca de 18.000 downloads, de acordo com a Apptopia. No entanto, essa situação mostra que a Apple e o Google não tolerarão aplicativos que intencionalmente aceitem e encorajem conteúdos falsos — mesmo que não estejam produzindo esse material diretamente.

Reprodução: https://macmagazine.com.br/post/2021/08/02/apple-remove-tinder-dos-antivacina-da-app-store/

Polícia de Hong Kong prende homem por vaiar hino chinês nos Jogos Olímpicos

segunda-feira, 02 de agosto de 2021.

A polícia de Hong Kong informou, nesta sexta-feira, a detenção de um homem depois que espectadores vaiaram o hino chinês e entoaram palavras de ordem a favor de Hong Kong, enquanto assistiam aos Jogos Olímpicos de Tóquio em um shopping no início da semana.

“Quando tocou o hino nacional no shopping, teve gente que ergueu aberta e deliberadamente a bandeira colonial de Hong Kong, e até encorajou outras pessoas a vaiarem, gritarem slogans e insultarem o hino”, disse uma porta-voz da polícia à imprensa.

Segundo a polícia, um homem de 40 anos foi detido. Essas ações foram uma “incitação ao ódio e uma politização do esporte”, acrescentou a porta-voz.

Espectador erguendo a bandeira colonial de Hong Kong. (Foto: Isaac Lawrence/AFP)

Hong Kong tem seu melhor desempenho em Jogos Olímpicos com a conquista da medalha de ouro na esgrima por Edgar Cheung, e as duas pratas, na natação de Siobhan Haughey.

O sucesso esportivo coincide com tempos difíceis para a ex-colônia britânica que foi reintegrada à China em 1997. A potência asiática colocou em prática uma violenta repressão aos dissidentes políticos em resposta às gigantescas, e muitas vezes violentas, manifestações pró-democracia de dois anos atrás.

“Somos Hong Kong”

Centenas de torcedores se reuniram em um shopping na noite da última segunda-feira para assistir à vitória de Cheung. Na cerimônia da medalha, alguns torcedores vaiaram o hino nacional chinês e gritaram “Somos Hong Kong”, o que foi transmitido pela televisão.

“Somos Hong Kong” é uma canção comumente cantada pelos torcedores de futebol de Hong Kong. Muitos deles se identificam com a cultura cantonesa, em oposição ao mandarim falado na China continental.

As autoridades promulgaram novas leis no ano passado, proibindo qualquer insulto ao hino nacional e à bandeira chinesa, justificando-as com a atitude dos torcedores de futebol de Hong Kong.

A ex-colônia foi devolvida por Londres a Pequim em 1997. O acordo pretendia garantir por 50 anos no território liberdades desconhecidas no restante da China. Graças a essa semiautonomia, a cidade foi durante muito tempo um símbolo da liberdade de expressão, ao contrário do restante do país.

AFP – São Paulo,SP

30-07-2021 13:39:58

Reprodução: https://www.gazetaesportiva.com/olimpiadas/policia-de-hong-kong-prende-homem-por-vaiar-hino-chines-nos-jogos-olimpicos/