O observatório da liberdade de expressão é um projeto de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto cujo objetivo é colecionar e divulgar direitos e conflitos que envolvam a liberdade de expressão.
Raven Saunders faz gesto de protesto no pódio do arremesso de pesoImagem: Hannah Mckay/Reuters
Colaboração para o UOL, de São Paulo 02/08/2021 02H09
Raven Saunders, atleta dos Estados Unidos no arremesso de peso, se manifestou no pódio ao erguer os braços em forma de X após receber sua medalha de prata.
Ela já havia chamado atenção, no sábado, por aparecer no estádio com uma máscara do personagem Coringa. Aos jornalistas na zona mista, Saunders afirmou que o gesto foi direcionado a todas as “pessoas oprimidas”.
Saunders não foi a única atleta norte-americana a se manifestar neste domingo. Pouco depois dela, na esgrima, Race Imboden apareceu com um X desenhado na mão direita enquanto segurava a medalha de bronze conquistada por equipes.
O gesto no pódio gerou um impasse entre o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Olímpico dos Estados Unidos (USOC), segundo informa o jornal The New York Times.
Os atletas olímpicos são orientados a não fazer manifestações políticas durante os Jogos, mas as duas instituições têm opiniões conflitantes a respeito do assunto.
O USOC diz que não punirá atletas que exerçam seus direitos de liberdade de expressão, desde que não propaguem discursos de ódio. Já o COI entende o gesto de Sanders como uma violação à proibição de manifestações políticas no pódio ou durante as competições.
Minutos após a manifestação da atleta, o porta-voz do COI Mark Adams declarou que qualquer decisão sobre punição caberá ao comitê olímpico dos Estados Unidos.
Jon Mason, que responde ao USOC, disse depois que o COI assumiu o caso e tratará do assunto na entrevista coletiva diária desta segunda-feira (2).
Ravens Saunders possui um histórico de engajamento social dentro e fora das competições. Ela fala abertamente sobre questões raciais e saúde mental – a atleta já enfrentou a depressão anos atrás.
No sábado (31), ela competiu as qualificatórias do arremesso de peso e posteriormente postou em seu Instagram: “Se você é negro, LGBTQIA+ ou está passando por dificuldades psicológicas, essa é para você!”
Levantamento da Abraji identificou que o presidente da República bloqueou 71 contas de jornalistas no Twitter
segunda-feira, 02 de agosto de 2021.
Internet/Reprodução
A vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, deu 10 dias para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se manifestar sobre o bloqueio contra 71 jornalistas na conta oficial dele no Twitter.
“Notifique-se a autoridade impetrada para que preste informações, no prazo de dez dias, como providência prévia ao exame do pedido de liminar”, assinalou ela, no âmbito do mandado de segurança (MS) 38097, ingressado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) na última terça-feira (27/7).
“À luz da assiduidade com que o presidente da República faz uso do Twitter para informar atos de governo, a sua conta oficial reveste-se de interesse público, devendo ser amplamente acessível, aos membros da imprensa e ao público em geral, sem quaisquer restrições ou embaraços”, assinalou a Abraji, na petição inicial.
Em nota, entidades ressaltaram o trabalho da emissora e classificaram o episódio como uma “afronta à liberdade de expressão”
segunda-feira, 02 de agosto de 2021.
Senador fez pedido de quebra de sigilo bancário da Jovem Pan
A Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (AESP) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) se uniram para repudiar o requerimento de quebra de sigilo bancário da Rádio Jovem Pan, feito pelo senador Renan Calheiros na CPI da Covid-19. A AESP ressaltou que a emissora está há quase 80 anos “cumprindo o papel de informar a população” e que tentativas do gênero vão contra a liberdade de imprensa. “Lembramos que a CPI tem como objetivo investigar ações e eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil, e qualquer tentativa de intimidação ao trabalho da imprensa é uma afronta à liberdade de expressão, direito garantido pela Constituição Brasileira”, afirmou a AESP, que concluiu: “Esperamos que sejam observados a liberdade de imprensa e o Estado Democrático de Direito”.
Determinação provisória prevê retorno dos canais do Terça Livre na plataforma sob multa de R$ 10 mil por dia. Conta no site pertence a Allan dos Santos, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
segunda-feira, 02 de agosto de 2021.
Allan dos Santos (à esquerda), durante operação da Polícia Federal contra fake news em maio de 2020. — Foto: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO
A Justiça de São Paulo determinou na última quarta-feira (21) que o YouTube, plataforma que pertence ao Google, coloque o canal bolsonarista “Terça Livre” de volta ao ar.
A conta no site é mantida por Allan dos Santos, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um inquérito que apura a propagação de fake news.
A decisão tem caráter liminar (provisório) e foi expedida pelo desembargador Mathias Coltro, da 5ª Câmara de Direito Privado do TJ, e deve ser cumpria sob pena de multa de R$ 10 mil por dia.
Na semana passada, uma nova decisão da Justiça retirou o canal do ar outra vez. Agora, o YouTube restabeleceu os acessos e o perfil deve seguir disponível até o julgamento da apelação.
Decisão
Ao determinar a retomada do canal, o desembargador disse que o perfil está no ar há mais de 6 anos, com mais de um milhão de inscritos e 8 mil membros assinantes, “além de contar com uma equipe de 50 funcionários e ter inúmeras contas a pagar” e que mantê-lo indisponível seria “desproporcional”.
A argumentação foi semelhante a da primeira liminar, emitida em fevereiro.
Ao G1, a assessoria de imprensa do YouTube informou na semana passada que, após a eleição do presidente Joe Biden, nos Estados Unidos, o canal publicou um vídeo em que contestava o resultado das urnas. O vídeo foi desativado por violar a política “de integridade das eleições presidenciais” da plataforma.
Após a penalização, o Terça Livre usou um outro canal na rede social para publicação de vídeos e, então, como penalidade, os dois perfis foram desativados da plataforma, disse a assessoria.
Na época, a defesa do blogueiro alegou no processo que a decisão de retirar do ar todos os vídeos dos canais foi “unilateral” e “arbitrária” e que tentou contato com a empresa para obter a restauração dos vídeos, mas não teve retorno.
Procurado pelo G1, o YouTube confirmou que restabeleceu o canal por conta da decisão judicial.
“Continuaremos trabalhando para demonstrar ao Tribunal que as medidas adotadas pelo YouTube estão em linha com nosso esforço em preservar as regras aceitas por todos os nossos usuários e em garantir um ambiente seguro para todos na plataforma”, disse a empresa.
Investigado pela PF
Allan dos Santos é alvo da Suprema Corte que apura ataques ao STF por meio de propagação de conteúdo falso na internet, as chamadas fake news. O outro inquérito em andamento no qual o blogueiro também é alvo apura o financiamento de atos antidemocráticos.
Nos dois casos, Allan dos Santos nega envolvimento em irregularidades. No inquérito das fake news, o blogueiro diz que a investigação é “inconstitucional” e chegará à conclusão que ele “vive dos produtos que vende”.
(CORREÇÃO: ao ser publicada, esta reportagem errou ao afirmar que um novo canal foi criado para publicação de vídeos. Foi usado um canal que já existia. A informação foi corrigida às 17h50 desta sexta-feira, 23)
Pr. Jorge Linhares foi intimado pelo MP de Minas Gerais
segunda-feira, 02 de agosto de 2021.
Pastor Jorge Linhares Foto: Reprodução
Após declarações contra a ideologia de gênero, o pastor Jorge Linhares recebeu uma intimação e terá que comparecer no Ministério Público de Minas Gerais, na próxima segunda-feira (02).
O religioso, que também é diretor geral do Colégio Batista Getsêmani, será investigado por causa de um vídeo que foi caracterizado como “discriminação de identidade de gênero” e enquadrado pela OAB como “discurso de ódio”.
No vídeo, que não foi produzido por alunos da instituição, crianças defendem os gêneros masculino e feminino. O conteúdo foi compartilhado pela escola em 28 de junho e pertence ao canal O Mundo de Otávio, do YouTube.
O Colégio Batista Getsêmani foi acusado de homofobia, conduta que pode ser criminalizada.
Segundo informações do portal G1, o MP disse que as investigações começaram assim que a Promotoria de Direitos Humanos recebeu o vídeo.
Os depoimentos dos responsáveis pela escola serão analisados para identificar se cabe propor medida reparatória.
Na sexta-feira (30), o pastor disse ao Pleno.News que Deus nunca erra.
– A Igreja vai sempre se posicionar porque é o grande baluarte, a grande coluna, e não pode temer nada. (…) A Igreja sempre vai saber defender-se, nunca vai ficar atacando, mas estará sempre pronta a responder à altura. Então, nós nos posicionamos segundo o que a Palavra de Deus diz. Por isso, que reis passaram, dinastias passaram, exércitos caíram, guerras e mais guerras com vitoriosos logo depois se tornaram derrotados. (…) A Palavra de Deus permanece para sempre, então não tem luta que não tenha vitória. E essa é uma grande luta para uma vitória muito maior. Homem é homem, mulher é mulher, menino é menino, menina é menina. Deus nunca erra.
Publicado no portal Pleno.News – 31/07/2021 17h04 | atualizado em 31/07/2021 17h06
Krystsina Tsimanouskaya, uma das esportistas que representam Belarus nos Jogos Olímpicos, foi retirada de seu quarto e enviada ao aeroporto de Tóquio dias após criticar a “negligência” de treinadores de seu país. As informações são de jornais como The Telegraph e The Sun, além da Reuters.
De acordo com os veículos, a corredora foi levada ao local por membros da delegação do país do leste europeu (antiga Bielorrússia), que é comandado pelo ditador Aleksandr Lukashenko desde 1994. Ela tem medo de sofrer um sequestro caso saia da capital japonesa.
O Comitê Olímpico da Bielorrússia disse em um comunicado que os treinadores decidiram retirar Tsimanouskaya dos Jogos por conselho dos médicos sobre seu “estado emocional e psicológico”.
Ao chegar no aeroporto, Krystsina, segundo a Reuters, procurou a polícia e disse que não gostaria de voltar para Belarus de maneira forçada. Ela estaria tentando pedir asilo em meio à polêmica.
Uma fonte da Belarusian Sport Solidarity Foundation, que apoia atletas presos ou marginalizados por suas opiniões políticas, disse que Tsimanouskaya planejava pedir asilo na Alemanha ou na Áustria na segunda-feira.
No Twitter, o jornalista Matthew Luxmoore, da Radio Free Europe, publicou um vídeo da corredora. “Estou pedindo ajuda ao Comitê Olímpico Internacional, eles [membros da delegação de Belarus] estão tentando me tirar do país sem meu consentimento”, disse ela.
Looks like an international scandal is brewing in Tokyo: Belarusian athlete Kryscina Tsimanouskaya publicly appeals for help & says staff from her national Olympic committee are trying to forcibly repatriate her to Belarus after she criticised Belarusian sports officials. pic.twitter.com/70ztwLlD00
A atleta, até o momento, está escalada por seu país para disputar a prova dos 200m, programada para acontecer amanhã.
Em comunicado, os responsáveis pelos Jogos afirmaram estar “cientes dessas notícias e estamos trabalhando com o COI para ver mais esclarecimentos”.
Posteriormente, em publicação nas redes sociais, o COI disse que vai manter as conversas com as autoridades para “determinar os próximos passos.
“O COI e Tóquio-2020 falaram com Krystsina Tsymanouskaya diretamente esta noite. Ela está com as autoridades no aeroporto de Haneda e atualmente está acompanhada por um membro da equipe da Tóquio-2020. Ela nos disse que se sente segura”, diz o comunicado.
“O COI e Tóquio-2020 continuarão suas conversas com Krystsina Tsymanouskaya e as autoridades para determinar os próximos passos nos próximos dias”, acrescenta.
Atleta criticou ‘negligência’ de treinadores nas redes sociais
Tsimanouskaya, de 24 anos, disse que foi afastada da equipe “pelo fato de ter falado no meu Instagram sobre a negligência dos nossos treinadores”.
Ela reclamou no Instagram que foi inscrita no revezamento 4×400 m depois que alguns membros da equipe foram considerados inelegíveis para competir nas Olimpíadas porque não haviam se submetido a uma quantidade suficiente de testes de doping. “Algumas de nossas garotas não voaram aqui para competir no revezamento 4×400 m porque não tinham testes antidoping suficientes”, disse Tsimanouskaya à Reuters do aeroporto.
“E o treinador me adicionou ao revezamento sem meu conhecimento. Falei sobre isso publicamente. O treinador principal veio até mim e disse que havia uma ordem de cima para me remover.”
Tsimanouskaya acrescentou que havia procurado membros da diáspora bielorrussa no Japão para resgatá-la no aeroporto. A líder oposicionista bielorrussa exilada, Sviatlana Tsikhanouskaya, pediu ao COI que aceite o caso do atleta.
*Com informações da Reuters.
Publicado 01/08/2021 11H0- ATUALIZADA EM 01/08/2021 23H50
Juiz de primeira instância havia decretado retirada de painéis após ação de vereador bolsonarista, que alegava que viu “peça de propaganda comunista” em uma imagem de 2003 que mostra FHC e Lula
Desembargador apontou que não houve dano ao patrimônio público e ressaltou que a retirada das imagens “implicará supressão total do direito à manifestação de pensamento e à liberdade de expressão, artística e cultural”
São Paulo – O Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu a decisão de primeira instância que determinava a retirada de painéis da exposição “Democracia em Disputa” da fachada do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, no município de Juiz de Fora, no interior do estado. De acordo com o desembargador Maurício Torres Soares, em decisão divulgada nesta quinta-feira (29), a exposição e as obras devem ser mantidas até a data prevista de término do evento, em 31 de agosto.
Promovida pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, Democracia e Democratização da Comunicação (INCT/IDDC), a exposição estava em cartaz desde o dia 17. Mas foi suspensa, quatro dias depois, pela 1ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias Municipais da Comarca da cidade mineira, após ação do vereador Sargento Mello Casal (PTB), apoiador do presidente Jair Bolsonaro e opositor em Juiz de Fora da prefeita, Margarida Salomão (PT).
O vereador acusava que a instalação não poderia ocorrer na fachada daquele centro cultural, cuja sede é um prédio tombado pelo Patrimônio Histórico. A argumentação foi acolhida pelo juiz de primeira instância Marcelo Alexandre do Valle Thomaz, que deferiu a ação, alegando que os painéis fotográficos constituem “engenhos de publicidade”. Segundo o magistrado, as imagens mostradas “aviltam o patrimônio público”.
Alvo de desinformação
Logo após a primeira decisão, a prefeitura de Juiz de Fora e a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage recorreram. Os órgãos denunciam que a questão do direito urbanístico e de proteção ao patrimônio público, citado pelo vereador na ação, na “realidade não passa de discurso político de repúdio aos movimentos progressistas”. “E, especialmente, ao governo municipal”, citam. De acordo com a prefeitura, a exposição passou a ser alvo por conta de uma foto específica que registra a passagem da faixa presidencial de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2003.
A imagem despertou a ira de bolsonaristas da cidade que passaram a acusar toda a exposição de ser “propaganda comunista financiada por uma prefeitura da PT”. A exposição, contudo, conta com dezenas imagens desde 1964 até 2021, que marcam episódios da história para a construção das instituições políticas brasileiras.
“Em nítido viés artístico e historiográfico” e “não de engenho de publicidade”, segundo a administração municipal. No instrumento de agravo, a prefeitura e a fundação acrescentaram que “não houve dano ao bem tombado com a colocação dos painéis. Inclusive, a escolha da exposição a céu aberto foi de natureza sanitária, para evitar aglomerações em locais fechados em virtude da pandemia”, sustentam.
Liberdade de expressão
Os argumentos foram acolhidos pelo desembargador que deu razão às instituições, apontando que não houve qualquer dano ao patrimônio cultural. “Vez que somente atinge algumas janelas do pavimento superior”, descreveu. Na decisão, o magistrado ressaltou que a exposição possui termo final e que a colocação das fotografias “não importarão em lesão à fachada protegida”.
Por outro lado, a determinação de retirada das imagens, segundo Soares, “implicará supressão total do direito à manifestação de pensamento e à liberdade de expressão, artística e cultural”. “Assim, no exercício de sopesamento entre os direitos fundamentais aqui conflitantes, há que se ressaltar a primordial importância da livre exposição da opinião”, concluiu, sentenciando.
Ainda cabe recurso, mas Margarida Salomão comemorou a manutenção imediata do evento. “A decisão apenas confirma o que afirmamos desde o início: a exposição é de caráter evidentemente democrático, de cunho artístico e não provoca dano ao patrimônio público. Nada justificaria a censura, ameaça que pairou sobre ela.Ao cabo, o caso apenas confirma a própria nomenclatura da exposição. E, para nossa alegria, nessa disputa a democracia sai como vitoriosa”, escreveu a prefeita pelas redes sociais.
A exposição
A exposição “Democracia em Disputa” integra a programação da 73ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. O evento é realizado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A instalação ainda percorrerá diversas cidades do Brasil e do Mundo, com destacada valorização pela sua relevância. Desde 2017, o INCT/IDDC reúne pesquisadores de renome nacional e internacional para aprofundar a discussão sobre a democracia brasileira.
Dezenas de contas de usuários chineses foram banidas sem aviso prévio pela rede social WeChat, uma das maiores plataformas digitais do país. Segundo agências de notícias, todas realizavam publicações a respeito da temática LGBTQIA+.
De acordo com a Associated Press, os perfis eram de estudantes universitários, ativistas e membros de organizações não-governamentais. Os conteúdos publicados não aparentavam violar regras das rede e eram, em sua maioria, tópicos de debate a respeito da causa.
Como os perfis inteiros foram excluídos, fotos e publicações pessoais também foram removidas, mesmo sem referência aos temas. Vários dos estudantes preferiram não se identificar às reportagens por medo de retaliação.
Culpa do governo ou plataforma?
Os usuários atingidos alegam que foram censurados por falarem sobre temas considerados sensíveis na sociedade, acusando tanto o governo quanto a rede social de tentarem silenciar os discursos. E, apesar de não considerar a homossexualidade uma desordem mental desde 2001, a China ainda trata com rigidez falas e movimentos sobre o assunto.
WeChat ainda não se pronunciou sobre o caso.
De acordo com a Reuters, entidades universitárias que debatem e lutam por direitos LGBTQIA+ não recebem apoio das instituições de ensino e são constantemente investigadas pelas autoridades. Entretanto, essa é a primeira vez que algo parecido ocorre com publicações em redes sociais.
O WeChat ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas algumas das contas suspensas agora direcionam para um aviso de que o perfil em questão “violou regulamentos sobre o gerenciamento de contas oferecendo um serviço de informação pública na internet da China”. O serviço, que pertence à gigante Tencent, é também um popular mensageiro e sistema de pagamentos digitais.
O caso aconteceu na tarde de ontem (10), numa choperia; homem desacatou policiais – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS
Por Viviane Oliveira | 11/07/2021 07:49
O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário Cepol (Foto: arquivo / Campo Grande News) – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS
Homem de 41 anos foi preso após insultar um casal gay, ameaçar funcionários e desacatar a Polícia Militar. O caso aconteceu na tarde de ontem (10), numa choperia de hipermercado, na Rua Brilhante, na Vila Bandeirantes, em Campo Grande.
Conforme boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender ocorrência de perturbação de sossego e quando chegou ao local foi recebida pelo funcionário, de 26 anos. Ele relatou aos militares que no local havia um homem que fazia ofensas homofóbicas a um casal gay.
Segundo ele, o autor batia com a mão, chutava a mesa e chamava o casal de “viados, c*”, que os pegariam lá fora. As vítimas reclamaram com a gerência e foram embora para não sofrerem mais constrangimentos. Outro funcionário do estabelecimento, então, foi pedir para o autor parar de incomodar os clientes, porém foi ameaçado. Foi aí que a polícia foi acionada.
O suspeito foi identificado e indagado sobre a situação disse à equipe policial que “poderia até prendê-lo, mas que ele “não gosta de viado” e não os aceita no mesmo ambiente que ele estiver”. Como o casal já tinha ido embora e o funcionário não queria representar contra o autor, a polícia apenas pediu que ele pagasse a conta e fosse embora do estabelecimento devido a confusão que estava provocando ali, conforme solicitado pelo gerente.
O autor não tinha dinheiro para quitar a dívida e combinou com a gerência de voltar outro dia para fazer o pagamento. Porém, quando os policiais falaram mais uma vez para ele ir embora, o autor passou a desacatar a equipe, apontando o dedo e dizendo que os PMs eram fracos e iria arrebentá-los na porrada.
Foi então dada voz de prisão ao suspeito, que se exaltou mais ainda e passou a xingar os policiais e chutar as mesas do estabelecimento. Ele foi contido, algemado e na hora de entrar na viatura chutou o sargento alegando que “não era bicho” para ser levado no compartimento de preso da viatura.
O amigo dele, de 31 anos, que o acompanhava e até então estava quieto, também acabou preso porque, ao defender o colega, também passou a desacatar os militares dizendo que era primo de um coronel da corporação. O caso foi registrado como ameaça, resistência e desacato na Depac / Cepol. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS
Promotor denunciou moradora de Campinas (SP) pelo crime de lesão corporal; advogado defende que mãe exerceu direito previsto no ECA, de transmissão familiar de crença.
segunda-feira, 12 de julho de 2021.
A sede do Ministério Público, em Campinas — Foto: Fernando Pacífico / G1
Uma moradora de Campinas (SP) foi denunciada pelo Ministério Público (MP-SP) à Justiça pelo crime de “lesão corporal com violência doméstica agravada” após um ritual que iniciou a filha no candomblé. A promotoria defende que a mulher de 33 anos ofendeu a integridade física da criança, então com 10 anos, ao participar do rito que inclui a escarificação (incisões na pele). A defesa aponta sinais de intolerância religiosa na denúncia e pede extinção do processo.
Por conta do mesmo ritual religioso, levado à Polícia Civil pelo ex-marido, a mãe conta que não vê a filha há quase seis meses. “Meu mundo caiu. Eu lutei para criar minha filha nesses 11 anos. Sou uma boa mãe, amo minha filha. Minha vida é ela. Estou lutando para ficar de pé na esperança que esse pesadelo acabe”, diz.
O ritual de filiação ao candomblé, em um terreiro na cidade de Vargem (SP), ocorreu em 9 de outubro de 2020. O registro do boletim de ocorrência do pai contra a mãe da menina foi feito em 17 de janeiro de 2021. Já a denúncia do promotor Gustavo Simioni Bernardo foi oferecida em maio deste ano, mas o G1 teve acesso às peças neste domingo (11).
A denúncia
Na denúncia recebida pela Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Campinas, o promotor do MP defende que a mãe levou a criança “a um ritual religioso no qual a vítima sofreu cortes provocados por gilete ou navalha, causando-lhe lesões corporais de natureza leve”.
Bernardo argumenta ainda que a denunciada teria agido por ação e também por omissão, “pois devia e podia agir para evitar resultado danoso à filha”.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) anexado à denúncia, realizado em 22 de janeiro de 2021, três meses e 13 dias depois do ritual, aponta que a criança tinha “oito cicatrizes lineares hipercrômicas, na região do ombro direito”, e “cicatriz linear hipercrômica na região lateral do braço esquerdo”, todas com “aproximadamente 0,5 centímetro”.
A conclusão da perita é de que a menina apresentou “lesões corporais de natureza leve”.
O que diz a defesa?
O advogado Hédio Silva Jr., que representa a mãe no processo, argumenta que o fato é penalmente irrelevante e que “há sinais inequívocos que apontam para intolerância religiosa”.
Hédio defende que a cliente exerceu direito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que assegura aos pais o direito de transmissão familiar de suas crenças e culturas, e que a prática da escarificação religiosa é menos invasiva que outros rituais comuns em outras religiões, como a circuncisão praticada por judeus e muçulmanos, por exemplo.
“É um caso que entendemos ser ideológico. É fato e notório a extração do prepúcio em bebês de outras religiões, feitas por sacerdotes, e não médicos, e que não configuram lesão corporal. Seria o mesmo que dizer que práticas cotidianas, como a colocação de brincos em crianças, configuram lesão. A escarificação é um ritual religioso”, explica.
Ainda segundo o advogado, a escarificação realizada na cerimônia de iniciação no candomblé, religião de matriz africana, consiste em uma “microincisão que atinge a superfície da derme, equiparável à tatuagem”.
“Simples observação do resultado da escarificação no corpo da filha da denunciada comprova a flagrante inexistência de qualquer violência, ofensa à integridade corporal, alteração anatômica ou lesão física, porquanto reduzido à hipercromia atestada em laudo, similar à microscópica tatuagem, localizada em parte do corpo ocultada por vestuário casual”, pontua o advogado na defesa enviada à Justiça.
O que diz a mãe?
A mãe denunciada à Justiça contou ao G1 que frequenta o terreiro de candomblé em Vargem (SP) há cinco anos, sendo que nos últimos dois a filha a acompanhava, tinha amizade com outras crianças e teria sido informada sobre o ritual de iniciação.
“Ela fez comigo (o ritual). Quando falei que iria fazer, expliquei e perguntei se ela queria fazer. Ela nunca foi obrigada ao terreira, nunca houve resistência, sempre era uma alegria. Era uma coisa normal, como um batismo nas igrejas. E meu ex-marido sabia da crença, ela contava”, diz.
Para a moradora de Campinas, o que tem sido mais complicado não é enfrentar o processo, mas estar distante da filha e sem contato com ela por tanto tempo.
“Desde janeiro eu não vejo, não posso falar, ninguém da minha família fala com ela. Minha vida é ela, somos só nos duas há 11 anos. Uma mãe ser impedida ter contato com seu filho, isso é um absurdo. Tento ser forte para não me entregar a uma depressão. Mas tenho fé, esperança que as coisas vão reverter. Nunca faria mal a minha filha. Fiz o bem para ela, como todo pai e mãe que frequenta uma religião faz ao iniciar seus filhos”, completa.
De acordo com a mãe e o advogado de defesa, a menina ficou sob a tutela do pai, que busca na Justiça a guarda da filha. Ainda segundo a mulher, o casal se separou quando a criança tinha seis meses de idade, e ela foi responsável pela criação.
O G1 tentou contato com o pai da criança, por telefone, mas não teve sucesso até esta publicação. O texto será atualizado assim que ele se manifestar.