O observatório da liberdade de expressão é um projeto de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto cujo objetivo é colecionar e divulgar direitos e conflitos que envolvam a liberdade de expressão.
Autor: daniaalvim
Facebook mudará regras para políticos e poderá banir perfis com discurso de ódio
Medida poderá ser anunciada nesta sexta-feira (4)
Da CNN, em São Paulo
04 de junho de 2021 às 15:26
O Facebook deve anunciar nesta sexta-feira (4) uma mudança nas regras da plataforma para líderes mundiais.
Uma das principais atualizações é um sistema de strikes para os perfis de políticos. Caso os líderes violem as regras da empresa continuamente, eles poderão ter a conta suspensa ou até banida da plataforma. Este procedimento será aplicado, principalmente, em contas que propaguem discurso de ódio e de incentivo à violência.
A mudança nas diretrizes do Facebook surge após uma longa discussão sobre o perfil do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Em janeiro, a rede social deu um passo inédito, logo após eleitores republicanos invadirem o Capitólio, ao suspender a conta de Trump, por considerar que comentários do ex-presidente incitaram os atos de vandalismo e violência.
Facebook anunciará nesta sexta-feira mudança em perfis de líderes mundiais (04-06-2021)
Facebook anunciará nesta sexta-feira mudança em perfis de líderes mundiais (04-06-2021)
Governo acusa Twitter de usar a plataforma em “atividades capazes de minar a existência corporativa da Nigéria”
domingo, 06 de junho de 2021.
Governo do presidente Muhammadu Buhari acusou Twitter “atividades capazes de minar a existência corporativa da Nigéria”
Foto: Olivier Douliery/Pool/Getty Images
O governo nigeriano afirma que “suspendeu indefinidamente” as operações do Twitter no país, conforme anunciou o Ministério da Informação e Cultura em um comunicado emitido nesta sexta-feira (4).
“O Governo Federal suspendeu, indefinidamente, as operações do serviço de ‘microblogging’ e rede social Twitter, na Nigéria”.
O comunicado, que foi postado no Twitter oficial do ministério na noite de sexta-feira, acusou a empresa americana de mídia social de permitir que a plataforma fosse usada “para atividades capazes de minar a existência corporativa da Nigéria”.
A suspensão ocorre dois dias depois que o Twitter excluiu um tweet do presidente Muhammadu Buhari, ato que foi considerado amplamente ofensivo.
Em um tweet na terça-feira, o líder nigeriano ameaçou lidar com pessoas no sudeste do país, a quem ele culpa pelos ataques recorrentes à infraestrutura pública da região.
“Muitos daqueles que se comportam mal hoje são muito jovens para estarem cientes da destruição e perda de vidas que ocorreram durante a Guerra Civil da Nigéria. Aqueles de nós que ficaram nos campos por 30 meses, que passaram pela guerra, vão tratá-los na língua que eles entendam”, escreveu Buhari no tweet que foi excluído, referindo-se à brutal guerra de dois anos entre a Nigéria e Biafra, que matou de um a três milhões de pessoas, principalmente da tribo Igbo na parte oriental do país entre 1967-1970 .
O tweet foi excluído na quarta-feira depois que muitos nigerianos o sinalizaram no Twitter. O ministro da Informação, Lai Mohammed, criticou a ação do Twitter e acusou o gigante da mídia social de “padrões duplos”.
Ex-DJ Pietra Bertolazzi diz que vende outros autores que abomina
domingo, 06 de junho de 2021.
A ex-DJ e influenciadora digital Pietra Bertolazzi, que criticou a escola Móbile, de São Paulo, por usar a versão em quadrinhos em inglês do “Diário de Anne Frank”, na qual vê erotização da personagem, vende a obra em sua livraria na internet.
No post da semana passada, Bertolazzi disse que o livro é nojento, tem trechos sobre mulher pelada e tamanho de vagina, e que o uso dele em sala de aula causou indignação entre os pais.
Procurada pelo Painel S.A., Bertolazzi afirma que tem em sua livraria inúmeros autores dos quais discorda.
“Sempre bato na tecla de que você precisa conhecer os seus inimigos melhor do que os seus aliados. Na minha livraria, vendo livros de Karl Marx, Engels, Simone de Beauvoir, e já vendi vários outros autores que eu abomino”, diz.
Fachada da casa de Anne Frank, reinaugurada no dia 22 de novembro, depois de dois anos em obras de modernização.
A influenciadora afirma que a livraria dela não é infantil. “É uma livraria destinada a um público adulto e politizado. Se um adulto quer ler essa versão de Anne Frank, é um direito dele. Não sou uma escola entuchando esse livro em menores de idade, instigando a pornografia e a sexualização precoce”, diz. Ela ressalva que sua livraria tem uma parceria com o Cedet (Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico).
“Eu faço a seleção de livros que faço questão de vender na minha livraria, e o resto eles selecionam por conta própria. Esse é um dos casos que eles colocaram por conta própria”, afirma Bertolazzi.
“Não somos uma instituição de ensino. Não estamos obrigando crianças a lê-lo e muito menos a passar pelo constrangimento de fazê-lo em voz alta na classe. E quero deixar bem claro que sou totalmente contra essa versão na história em quadrinhos e considero um erro gigantesco da parte do Cedet o ter colocado lá”, afirma a influenciadora.
A livraria online de Bertolazzi recomenda livros contra o feminismo e vende cópias da camiseta usada por Bolsonaro na campanha no dia da facada em 2018, inclusive com um desenho da mancha vermelha de sangue na altura da barriga.
A escola diz que a obra é usada na disciplina de inglês para alunos do 7º ano do ensino fundamental e integra um projeto de debate sobre o holocausto. A versão em quadrinhos é autorizada pela Fundação Anne Frank e pela Unicef, e, segundo a instituição, indicada para a faixa etária entre 8 e 12 anos de idade.
“A Móbile salienta que todo o conteúdo textual da edição consta no diário original redigido por Anne Frank, inclusive os trechos pontuais que suscitaram a referida discussão”, diz a escola, que afirma ter conversado com os pais que levantam dúvidas sobre o conteúdo.
Pais de escola particular em SP veem erotização de Anne Frank em livro usado em aula de inglês
Colégio Móbile afirma que material traz conteúdo oficial do diário da judia vítima do Holocausto
domingo, 06 de junho de 2021.
Pais de alunos da escola Móbile, em São Paulo, procuraram a direção da instituição indignados com o uso de uma versão em quadrinhos do “Diário de Anne Frank” no qual veem erotização da personagem.
Eles se referem a páginas da obra, em inglês, na qual Anne Frank fala, em tradução livre, “toda vez que vejo um nu feminino, vou a êxtase” e “esse buraco é tão pequeno que mal consigo imaginar como um homem entra aqui dentro […] já é difícil enfiar o meu dedo indicador dentro”.
A insatisfação de pais com o uso desse material em sala de aula foi exposta pela DJ Pietra Bertolazzi em sua conta no Instagram, na qual ela compartilha imagens e texto do livro.
A Escola Móbile afirma que o livro “Anne’s Frank Diary: The Graphic Adaptation”, é uma versão oficial da história da jovem judia e que a obra foi referendada pela Unicef e pela Fundação Anne Frank.
Anne, cujo diário foi declarado patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), morreu em 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen e deixou duas versões de seu diário.
Fotos da jovem Anne Frank expostas no museu dedicado à sua história, em Amsterdã.
Segundo a escola, o material foi usado como atividade de aula de inglês para o sétimo ano do Ensino Fundamental. “A leitura integra um projeto amplo para o debate e reconhecimento dos horrores do Holocausto, estimulando a reflexão sobre seu contexto histórico”, diz a direção, em nota, apontando que o conteúdo é indicado para faixa etária de 8 a 12 anos.
“A Móbile salienta que todo o conteúdo textual da edição consta no diário original redigido por Anne Frank, inclusive os trechos pontuais que suscitaram a referida discussão. Por fim, a escola tem conversado com alguns pais que levantam dúvidas sobre o conteúdo do livro.”
Publicado no portal de notícias Folha de São Paulo no dia 02/06/2021 e atualizado no dia 03/06/2021 às 11h53.
A big tech derrubou a página de uma psicoterapeuta por discordar de uma das postagens do perfil, com a imagem de uma silhueta feminina
quarta-feira, 02 de junho de 2021.
A plataforma poderá recorrer da decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro | Foto: Reprodução/Internet
O Facebook foi condenado a pagar R$ 20 mil por danos morais a uma psicoterapeuta usuária da rede social. A mulher teve a conta comercial suspensa durante seis meses, em 2019. Cerca de 10 mil seguidores acompanhavam o trabalho da profissional, voltado a tratar a depressão, a ansiedade e as dificuldades em relacionamentos.
Contudo, os followers deixaram de “existir” depois de a big tech considerar que uma das postagens da página, com a imagem de uma silhueta feminina, “não estava em conformidade com os padrões da rede”. Ainda cabe recurso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, noticiou o jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira, 31.
Jornalista sofreu atentado por defender Israel: democratas sabem que liberdade de opinião não é exclusividade de um grupo político
quarta-feira, 02 de junho de 2021.
Pilar Rahola teve sua casa atacada por grupo da esquerda espanhola REPRODUÇÃO/FACEBOOK
Liberdade de expressão é um direito universal. Atende a todos os cidadãos que pertençam a um regime democrático neste planeta. Quando esse princípio era exortado, por cacoete, logo associávamos essa reivindicação a setores de esquerda (ou progressistas). O jogo virou recentemente – e discursos considerados de direita (ou conservadores) passaram a ser alvo de retaliações jurídicas e, quem diria, de punições vindas de instituições públicas e privadas.
Complicou, mas é bem fácil de resolver.
Seria bom ressaltar – até para ser possível prosseguir no raciocínio – que o conceito de liberdade de expressão não comporta (nem poderia) a propagação de atividades criminosas, calúnias, desinformação consciente ou atentados ao estado de direito e à democracia (únicos garantidores de que as pessoas possam continuar a se expressar, sem receio de serem punidas).
Posto isso, precisamos nos reeducar e atualizar o entendimento do que é pensar diferente. E se há algo pouco difícil de identificar, para qualquer ser humano, é um pensamento contrário ao nosso. Ao receber opinião ou informação verificável que cause desconforto, revolta, constrangimento ou sentimento de derrota, aí sim, acione o alerta mental: é exatamente neste momento que a liberdade pede licença para se expressar.
Portanto, está vetado aos democratas, aos “defensores da liberdade de expressão”, reagir com fúria física, criar patrulhas violentas ou conclamar a repressão a atos, manifestações e ideias que pertençam a bolhas, grupos e indivíduos com os quais discordamos. Moleza.
Aos que quiserem ser vistos como seres humanos educados e elegantes, por convicção e estilo, a dica é seguir a etiqueta e os bons manuais: respeite seu oponente, não o trate como inimigo e desenvolva a capacidade privilegiada de ouvir quem pensa diferente. Ao final, todos saíremos vitoriosos.
Só a título de exemplo, tomara pedagógico, não foi o que aconteceu com a jornalista espanhola Pilar Rahola. Ela foi demitida do diário La Vanguardia, após expressar suas posições em defesa do “direito à autodefesa do Estado de Israel contra o terrorismo do Hamas”. Não bastasse, foi atacada em sua residência pelo grupo Arran, da esquerda independentista catalã.
Há os que concordam com as posições de Rahola. E os que discordam. Há sionistas e antissionistas. E existe um espaço em que esses dois grupos podem conviver harmonicamente, sem patrulhas ou retaliações que destroem vidas: na democracia.
O dirigente da Aliança dos Motoristas de Entrega, Chen Guojiang, conhecido como “Mengzhu”, está detido desde 25 de fevereiro por seu papel na organização de trabalhadores de entregas para pressionar por melhores condições.
Em 25 de fevereiro deste ano, o conhecido ativista de entregadores de comida, Chen Guojian (também conhecido como “Mengzhu”), foi detido pela polícia de Pequim em uma batida no apartamento onde morava com outros entregadores e condenado a cinco anos de prisão. Quatro deles também foram detidos.
Enquanto dois dos trabalhadores foram libertados após interrogatório na delegacia, Mengzhu e dois de seus amigos próximos ainda estão detidos, ele foi acusado pelo Estado fascista chinês de “arranjar brigas e provocar problemas”. Tal incriminação é muito utilizada contra ativistas independentes e combativos na China social-imperialista.
Várias organizações da mídia chinesa relataram a detenção de Chen, mas as reportagens foram bloqueadas ou apagadas pelos censores estatais até o início de março.
Ativistas na internet tentaram várias maneiras de tornar pública uma carta aberta do pai de Chen. Diferentes tentativas foram feitas buscando auxílio financeiro para o pagamento da assistência legal de advogados, tendo sido doados mais de 120.000 yuan (cerca de 94 mil reais) dentro de 10 horas.
Em 16 de março, a página de Chen no WeChat (rede social chinesa), onde a carta aberta havia sido postada por sua irmã, foi permanentemente banida pelo Departamento de Informática e Supervisão da Internet.
As forças de repressão chinesas chegaram a questionar vários usuários de mídias sociais que haviam encaminhado mensagens em grupos do WeChat. Alguns advogados e estudantes envolvidos no contato com a família de Chen foram investigados.As amplas ações policiais indicam que as “autoridades” chinesas atribuem grande importância ao caso de Chen.
Uma das principais preocupações do governo chinês é impedir o desenvolvimento de qualquer movimento de trabalhadores independentes da tutela do Estado fascista social-imperialista. Na maioria dos casos, quando surgem protestos dos trabalhadores, algumas concessões são dadas temporariamente enquanto os líderes são presos e o movimento é disperso.
TRABALHADORES SE ORGANIZAM APESAR DA REPRESSÃO
O pseudônimo de Chen “Menghzu” (盟主) é a abreviação de “Líder da Aliança dos Motoristas de Entrega” (外送江湖骑士联盟盟主). Ele fundou a Aliança com um amigo em Pequim em 2019. Chen publicava pequenos vídeos sobre as experiências de trabalho diário dos entregadores, pedindo-lhes que aprofundassem a solidariedade e lutassem contra condições injustas.
Chen criou 16 grupos de conversa no aplicativo WeChat, alcançando cerca de 15.000 trabalhadores entregadores durante os últimos dois anos. Um canal público da Aliança dos Motoristas de Entrega (AME) que ele operava no aplicativo fornecia consultas legais gratuitas e vários tipos de assistência aos trabalhadores de entregas. Isto incluía a mediação de processos legais com restaurantes, reboques e reparos de motocicletas, negociações com companhias de seguro, e até mesmo o fornecimento de acomodações gratuitas ou baratas para motoristas recém-chegados em Pequim.
A AME se tornou uma verdadeira organização sindical para os trabalhadores de entregas de alimentos em Pequim e tinha conexões com trabalhadores de entregas auto-organizados em outras cidades.
Além da plataforma online, Chen se conectou com os trabalhadores de entregas offline. Ele aparecia nos seus locais de trabalho para oferecer ajuda quando os entregadores encontravam problemas no local de trabalho. Em alguns casos, ele ia pessoalmente ao local de um acidente para ajudar um motorista ferido. Eram organizados jantares coletivos mensais com os entregadores. No final de 2020, o 20º jantar solidário contou com 200 trabalhadores.
EXPOSIÇÃO DE CORRUPÇÃO NAS GRANDES EMPRESAS
Pouco antes de ser detido, Chen lançou uma campanha online para denunciar o programa de bônus do Festival da Primavera da Ele.me. Em seu último vídeo, publicado no dia 19 de fevereiro, ele gravou vários trabalhadores da Ele.me em greve para protestar contra as regras de bônus para os trabalhadores estabelecidas pela empresa. Os trabalhadores expuseram os planos da empresa de reter o bônus prometido.
Este vídeo foi visto 9,6 milhões de vezes online e o tópico (semelhante a uma hashtag no Twitter) foi visto mais de 200 milhões de vezes no Weibo, uma das maiores plataformas de mídia social da China. Isto provocou grandes críticas públicas contra a Ele.me, que é de propriedade da Alibaba, a maior empresa de comércio eletrônico da China. A Ele.me teve de responder às críticas públicas, pedir desculpas abertamente aos trabalhadores de entregas e prometer compensá-los.
Fugindo da tentativa de corporativização, a entidade classista contou com apoio por todo país, dentro e fora da internet, mesmo apesar das “promessas” de mais campanhas de recompensa para os entregadores. A AME criticou todas essas tentativas da empresa, caracterizando-as como “compensação com mais exploração”.
Um dia antes de ser levado pela polícia, Chen advertiu que, se não ouvissem mais dele, seria porque ele teria sido detido.Chen já havia sido detido em 2019, quando ele chamou os entregadores da Ele.me e da Meituan, outra grande empresa, a se rebelar e protestar contra os cortes nos salários.
Em uma entrevista recente, Chen disse que as empresas notaram suas atividades no WeChat e chamaram a polícia para detê-lo, para impedir que ele ganhasse uma influência ainda mais ampla.
Em 2019, Chen foi detido por 26 dias. Poucas pessoas o conheciam na época e ele passou todos os 26 dias sem solidariedade organizada ou apoio público. Mas, dessa vez, sua detenção provocou grande revolta entre os trabalhadores de entregas e o povo.
AÇÕES DE SOLIDARIEDADE A MENGZHU SÃO REALIZADOS NA EUROPA
Ações de solidariedade a Mengzhu foram realizados na Europa: Reino Unido e Alemanha.
Trabalhadores de entrega realizam manifestação em solidariedade à Mengzhu no Reino Unido. Manifestação em solidariedade à Mengzhu na Alemanha
Diante da repercussão negativa, a instituição apagou a postagem e pediu desculpas
quarta-feira, 02 de junho de 2021.
Post de colégio em Minas Gerais foi bastante criticado Foto: Instagram / Reprodução
RIO — Uma escola particular em Minas Gerais foi alvo de duras críticas nas redes sociais nesta terça-feira, dia 1º, após fazer uma postagem atribuindo à roupa da mulher a culpa por “seduzir’ um homem.
“Quando a mulher decide expor partes do corpo que deveriam estar cobertas se torna uma sedutora, partilhando assim a culpa do homem. De fato, os Teólogos ensinam que o pecado da sedutora é muito maior que o da pessoa seduzida”, dizia a publicação original, cuja fonte é o “Guia Mariano de Modéstia”, caracterizado como a “cruzada de Maria Imaculada pela Pureza”.
Nesse livro, o trecho usado foi retirado de uma parte que começa com a seguinte pergunta: “A mulher é, então, considerada como algo mau e que deve ser evitado?”. A resposta é dada de imediato: “Não!”, e prossegue: “Mas esta questão está inteiramente relacionada com o assunto”.
Chama atenção ainda que o guia culpa apenas o homem por “cair nas tentações da carne” se a mulher for “modesta”. Embora esteja assim descrito, a legislação brasileira contrapõe esta questão e um autor de assédio sexual ou estupro deve responder criminalmente por seus atos independentemente de qual vestimenta a vítima usou.
A declaração polêmica havia sido colocada nos Stories do Instagram do Colégio Recanto do Espírito Santo, @colegiores, e inicialmente despertou indignação de moradores da cidade de Itaúna, a cerca de 85 quilômetros de Belo Horizonte.
Diante da repercussão negativa, o post foi excluído. O perfil também incluiu um pedido de desculpas por abrir margem para interpretações com as quais não concorda.
“Olá, paz e alegria! Foi feita uma postagem indevida por quem administra nossas redes sociais. Apesar de concordarmos com a modéstia no vestir, o texto em questão deixou margem para interpretações que não são as do colégio. Pedimos desculpa. O post foi excluído. #nãoaoestupro #aculpanuncaédavítima”, afirma o comunicado, sem deixar claro se houve alguma medida tomada internamente a respeito do erro.
Escola pediu desculpas por fazer post indevido sobre roupas de mulheres Foto: Instagram / Reprodução
Por: Louise Queiroga
01/06/2021 – 22:46 / Atualizado em 01/06/2021 – 23:37
Durante a gravidez, pessoas desejaram que noiva do humorista perdesse o filho. Agora, internautas ameaçam e culpam Luísa Sonza pela morte precoce do bebê
terça-feira, 01 de junho de 2021.
Depois da veiculação da triste notícia da morte do filho de Whinderson Nunes e Maria Lina, João Miguel, que nasceu prematuro com apenas 22 semanas, os fãs do casal fizeram comentários maldosos e com tons de ameaça à ex-esposa do humorista, Luísa Sonza.
As mensagens, com muitos xingamentos, culpavam a cantora pela morte do bebê. Isso se deve ao fato de que a separação deles não foi bem aceita pelo público e gerou muita polêmica.
Depois da repercussão, Luísa chegou a publicar um vídeo chorando e pedindo para as pessoas “pararem”, mas apagou pouco tempo depois.
O próprio Whinderson Nunes, há três semanas, desabafou após ser atacado nas redes sociais e revelou que sua noiva, Maria Lina, recebeu mensagens desejando que ela perdesse o bebê. “O povo vai no insta da Maria dizer que ela vai perder o bebê, não sai nada que preste desse assunto, é incontrolável”, escreveu.
O filho recém-nascido do humorista Whindersson Nunes e Maria Lina faleceu na segunda-feira Montagem R7 / Reprodução Instagram
Ataques que geram consequências
O fato é que, independentemente do que tenha acontecido entre Whinderson e Luísa, os internautas perderam a noção do bom senso, acham que a internet é uma terra sem lei e que podem xingar, julgar e ameaçar sem que isso traga consequências. Mas, a verdade é que eles podem sim ser processados e penalizados por isso.
Usar recursos online, ou qualquer outra ferramenta, para incitar a violência e difundir o discurso do ódio não é aceitável, muito menos tolerável. “Ah, mas e a liberdade de expressão e de opinião?”, talvez você questione.
Sim, ela é essencial. Mas, a partir do momento que essa “manifestação do pensamento” é usada para prejudicar ou atacar a imagem, a honra ou a privacidade do outro, o caso muda de figura. E, esse tipo de conduta é passivo de processo judicial, onde a pessoa pode até mesmo ser condenada.
Vencendo os traumas
Uma perda é sempre dolorosa. Não há como culpar os haters por ela. Mas, com certeza, a repercussão da partida de João Miguel traz à tona, mais uma vez, a importância de entender que essa raiva destilada é prejudicial e deve ser combatida.
Maria Lina, sofreu ataques durante a gestação. Agora, fãs culpam ex-esposa do humorista pela morte Reprodução / Instagram
Whindersson lamentou as perseguições e também escreveu sobre a perda: “(…)E você saiu, não pra casa, mas pra melhor casa, ao lado do melhor. Te amo filho”, declarou.
Maria Lina também se pronunciou após a morte de João Miguel, disse que está despedaçada, criticou a imprensa por ter noticiado de forma irresponsável o nascimento e a morte do filho e também falou dos ataques recebidos.
“Vocês, sites de fofoca e jornalistas que passam por cima de qualquer coisa em nome de audiência e divulgam as notícias antes dos envolvidos, vocês são nojentos, todo mal que causamos nessa vida nos retorna. Nunca se esqueçam disso. Que você receba de volta tudo aquilo que desejou e causou na vida alheia”, finalizou.
Para a psicóloga Osmarina Vyel, o casal precisa se blindar desse tipo de discussão para cuidar da recuperação emocional de ambos. “Quando alguém que amamos morre, dói demais, e, quando se trata de um filho, um bebê recém nascido, a dor é muito intensa. Isso porque, além do amor, existe uma expectativa que é criada e, com a partida, frustrada. Por isso, é essencial que o casal se una, se permita viver o período de tristeza e, posteriormente, transforme o luto em força. É preciso aprender, neste momento, a olhar para dentro de si e ter fé para seguir em frente”, detalha.
As pessoas precisam ter mais respeito e parar de julgar o próximo que mal conhecem. Se cada um se preocupasse em cuidar da sua vida, dos seus defeitos e problemas, o mundo seria um lugar muito melhor, não tenho dúvidas disso.
Arquidones Bites Leão foi levado para a sede da Polícia Federal; segundo policial prisão se baseia na Lei de Segurança Nacional
terça-feira, 01 de junho de 2021.
Professor é preso após se negar a retirar adesivo contra Bolsonaro do carro, em Goiânia Foto: Reprodução
O professor e secretário estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) de Goiás Arquidones Bites Leão foi preso nesta segunda-feira por se recusar a retirar uma faixa do capô do carro com a mensagem “Fora Bolsonaro Genocida”. No momento da prisão, os policiais explicaram que o professor ia ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional (LSN). O professor foi levado para a sede da Polícia Federal em Goiânia, onde prestou depoimento e foi liberado à noite.
Ao sair da sede da PF, o professor se emocionou, lebrando a morte do irmão caçula por covid-19.
— Eu tenho nove irmãos e perdi o caçula porque o governo não se empenhou na compra das vacinas. Fora Bolsonaro genocida!
Segundo Arquivaldo Bites, o irmão do professor, ele foi abordado por policiais militares próximo de casa, em Trindade, na Região Metropolitana. O carro estava com a namorada do professor, que chegou a começar a retirar o adesivo, mas em seguida Arquidones chegou e se negou a cumprir as ordens do agente. Os policiais considerara que a mensagem era caluniosa contra o presidente Jair Bolsonaro e, por isso, se enquandraria na LSN.
O professor, que ajudou a organizar a manifestação no sábado contra o governo federa, filmou a abordagem do policial militar, que não usava máscara.
Nas imagens, o militar pede para Arquidones retirar o adesivo. Após o professor se negar a cumprir a ordem, o policial recita o artigo 26 da Lei 7.170, a Lei de Segurança Nacional, de 1983.
“Caluniar ou difamar o presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal, imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação”.