Segundo pais do adolescente de 14 anos, ataques foram em março deste ano e, como solução, escola realizou palestra. Em nota, colégio Sigma disse que suspendeu aluno responsável.
Por Gabriel Buosi, Amanda Sales, TV Globo
27/05/2024 08h59 Atualizado há 9 horas
A família de um adolescente de 14 anos afirma que ele foi vítima de racismo durante uma partida de futebol em um colégio particular na Asa Sul, em Brasília. Segundo os pais do menino, um colega da mesma sala o chamou de “macaco”. “Volta pra África, pra senzala”, também teria dito o estudante.
Ainda de acordo com os pais da vítima, o ataque foi em março deste ano. Na época, eles resolveram não divulgar o caso, acreditando que alguma atitude efetiva seria tomada por parte do colégio Sigma. Mas, segundo a família, até agora, a escola realizou apenas uma palestra para os estudantes.
Em nota, o Sigma disse que suspendeu o aluno responsável pelos ataques, mas que ele segue estudando no colégio. Afirmou ainda que “reforça seu compromisso com a educação antirracista, atuando de forma educativa e disciplinar”.
De acordo com o colégio, em episódios como esse, são aplicadas sanções, como a suspensão do aluno das atividades regulares e da realização de trabalhos pedagógicos e que entra em contato com os responsáveis, que assinam um termo de ajuste de conduta.
Esse é o 5ª caso de racismo em escolas no Distrito Federal em pouco mais de um mês (veja detalhes mais abaixo).
Relato

O pai do jovem conta que descobriu os ataques após notar uma mudança de comportamento dele. “Eu trabalho no aeroporto e chego por volta de 22h30 e ele sempre me aguarda, só vai dormir quando eu chego. Aí um dia eu cheguei e ele já estava dormindo, achei estranho e conversei com minha esposa”, diz Luiz Claudio (veja vídeo acima).
“Durante a partida, gratuitamente, o colega do mesmo ano, mas de sala diferente, o chamou de ‘macaco’, ‘volta pra África, pra senzala que lá era o lugar dele’, e a todo momento que ele pegava na bola, era o mesmo ataque. No segundo dia, novamente. Na entrada da escola, eles se cruzaram e teve o mesmo ataque racista, passou por ele e xingou de macaco”, relata o pai do adolescente.
Segundo a mãe do menino, após os ataques, a escola apresentou uma palestra. “Não sei que efetividade tem isso dentro do contexto para solucionar a situação”, diz Sabryna Alves Melo.
“É muito fácil você colocar um menino que ofende para fazer uma redação ou ver uma palestra, enquanto o outro que é a vítima está dentro da escola tendo que viver e conviver com aquela pessoa todos os dias”, afirma a mãe.
Outros casos
O caso do adolescente de 14 anos não é isolado. Neste ano, o DF registrou outros quatro casos de racismo em escolas em pouco mais de um mês:
- No dia 3 de abril, alunos de outro colégio particular na Asa Sul, também sofreram ataques racistas durante uma partida de futsal. Foi no Colégio Galois. Segundo as vítimas, durante o jogo, os estudantes do Colégio Nossa Senhora de Fátima foram alvos de ataques. O Galois fez uma apuração do caso e, de 10 alunos notificados, 6 deixaram a escola (“voluntária ou compulsoriamente”), três cumpriram medidas “éticas e pedagógicas” e um estudante o conselho entendeu que não estava envolvido.
- Em 19 de abril, ataques racistas aconteceram na quadra de esportes do colégio Pódion, na Asa Norte. Segundo a polícia, alunos do 9º ano estavam jogando queimada quando uma aluna ofendeu uma estudante com xingamentos racistas.
- Em 26 de abril, uma estudante da rede pública de ensino disse ter sido vítima de racismo dentro de uma escola particular em Taguatinga, durante uma partida de futebol.
- Em 9 de maio, a família de uma criança de oito anos disse que a menina foi vítima de ofensas racistas na Escola Classe 42, em Taguatinga. Segundo a mãe da menina, Tatiane Souza, a filha contou que foi chamada de “sujinha” e de “piche” pelos colegas
Reprodução: https://g1.globo.com/google/amp/df/distrito-federal/noticia/2024/05/27/macaco-volta-pra-senzala-familia-de-aluno-denuncia-racismo-em-colegio-particular-de-brasilia.ghtml. Acesso: 27, maio, 2024
