O observatório da liberdade de expressão é um projeto de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto cujo objetivo é colecionar e divulgar direitos e conflitos que envolvam a liberdade de expressão.
Homem, que possui outras quatro passagens policiais por difamação, pagou fiança de R$ 3 mil e foi liberado.
Homem é preso por difamação após divulgar notícia falsa envolvendo secretário de Saúde de Salto de Pirapora (SP) — Foto: Reprodução
Um homem de 41 anos foi preso na quarta-feira (27) por difamação após divulgar notícias falsas nas redes sociais a respeito do secretário municipal de Saúde de Salto de Pirapora (SP), Beto Jordão (PSD).
Segundo a polícia, a publicação continha informações falsas sobre um contrato assinado pelo secretário na área da Saúde, que teria “valor absurdo” e “instaurado caos na cidade”. Após a divulgação nas redes sociais, o gestor registrou um boletim de ocorrência.
Após a queixa na delegacia, o suspeito teria alterado a publicação incluindo a informação de que tratava-se de uma fake news, mantendo as críticas ao político nos comentários.
O homem foi localizado na casa dele pela Guarda Civil Municipal e levado até a delegacia, onde foi preso em flagrante por difamação majorada. Ele pagou fiança de R$ 3 mil e foi liberado.
Secretário de Saúde de Salto de Pirapora (SP), Beto Jordão (PSD), foi alvo de divulgação de notícia falsa — Foto: Beto Jordão/Instagram/Reprodução
De acordo com o boletim de ocorrência, o homem possui outras quatro passagens por difamação ao divulgar informações falsas nas redes sociais, sendo que a última ocorreu no mês passado.
A prefeitura confirmou que o secretário registrou boletim de ocorrência logo após saber da publicação, que foi feita por volta das 11h30 de quarta-feira.
“A Prefeitura de Salto de Pirapora reitera seu repúdio a qualquer forma de crime, especialmente à disseminação de informações falsas. Mantemos nosso compromisso com a verdade e a transparência em todas as nossas ações”, concluiu.
Omorodion em atuação pela Espanha contra o Egito ainda pela fase de grupos da Olimpíada
Omorodion em atuação pela Espanha contra o Egito ainda pela fase de grupos da Olimpíada – (crédito: Foto: Philippe Lopez/AFP via Getty Images)
A seleção masculina da Espanha festejou a vaga em uma decisão no futebol. A Fúria venceu, de virada, o Marrocos por 2 a 1, na última segunda-feira (5). Porém, a celebração saiu de cena rapidamente com ataques racistas ao atacante Omorodion.
Tal cenário teve início depois de o jogador de 20 anos do Atlético de Madrid comemorar a vaga na decisão da Olimpíada. O atleta fez uma postagem no X, antigo Twitter, com emojis de pinguim. A atitude foi uma provocação ao lateral-direito titular do Marrocos, Hakimi, que tem essa celebração como marca registrada.
Posteriormente, alguns torcedores marroquinos não aprovaram a provocação de Omorodion. Com isso, responderam a publicação na rede social com emojis de macaco.
Deste modo, o atacante do Atlético de Madrid preferiu excluir a postagem no X. Mesmo assim, as manifestações preconceituosas passaram a ser com emojis de macaco em publicações na sua conta do Instagram.
A comemoração imitando um pinguim de Hakimi ganhou repercussão exatamente em confronto anterior entre Marrocos e Espanha, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Ele foi responsável por bater o última penalidade na disputa da vaga por penalidades. O lateral-direito demonstrou frieza ao converter, de cavadinha, e carimbar a classificação dos africanos. A ideia da comemoração é uma piada interna entre ele e seu amigo, além de ex-companheiro de PSG, o francês Mbappé.
Espanha encara os anfitriões na decisão da Olimpíada
A seleção espanhola vai disputar a medalha de ouro olímpica com a França, na próxima sexta-feira (9), às 13h (de Brasília), no Parque dos Príncipes, em Paris.
A propósito, é a segunda decisão de Olimpíada consecutiva da Espanha. Na edição passada, em Tóquio, perdeu a final exatamente para o Brasil.
Senador Eduardo Gomes defende discussão “técnica” e “sem os olhos da polarização”
Comissão interna do Senado para o marco foi prorrogada por mais 60 dias Geraldo Magela/Agência Senado
Relator do marco da inteligência artificial no Senado Federal, Eduardo Gomes (PL-TO) pediu que a tramitação do texto não se misture com o debate sobre fake news e desinformação no Congresso Nacional. O parlamentar participou de evento que abordou o tema nesta segunda-feira (5).
“Existe permanentemente esta tentativa de colocar no texto assuntos de legislação paralela”, disse o senador no evento, que aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.
A comissão interna do Senado para o marco foi, antes do recesso parlamentar, prorrogada por mais 60 dias. Para a sequência dos debates, Gomes pediu uma discussão “técnica” e “sem os olhos da polarização”, para que o tema possa avançar e o país consiga competir neste ramo.
“Não tem sido fácil para nós pontuar esta regulação da tecnologia e ao mesmo tempo conviver com a necessidade de uma legislação, que não digo que é irmã, mas é prima desta matéria”, completou.
Gomes mencionou iniciativas internacionais, como dos Estados Unidos, para regular IA. Segundo o parlamentar, aprovar a legislação é escolher desenvolver tecnologia no Brasil e não consumir risco de outras nações.
Na última semana, o governo apresentou seu Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, que prevê R$ 23 bilhões de investimentos no quadriênio, sendo a ampla maioria de origem estatal, cabendo R$ 1,06 bi para a iniciativa privada.
A comissão analisa relatório de Gomes sobre o PL 2.338/2023, que tem contribuições de outras nove propostas e sugestões feitas pelos parlamentares.
Pai da lutadora veio a público apresentar certidão de nascimento da filha, explicando que Imane nasceu mulher e foi criada como mulher. Além dela, Yu-Ting Lin, de Taiwan, também está sofrendo acusações de ser homem lutando entre mulheres após a Associação Internacional de Boxe ter retirado as atletas de uma competição em 2023.
Lin Yu-ting (esq.) e Imane Khelif, boxeadoras liberadas para participar do torneio feminino dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 — Foto: Montagem/Reprodução/Instagram
Em uma luta que transcendeu o ringue, a estreia nos jogos da argelina Imane Khelif e da italiana Angela Carini foi marcada por controvérsias. No primeiro minuto do primeiro round, Angela foi atingida e pediu tempo.
Após uma breve pausa, a luta recomeçou e Imane acertou outro golpe. Angela, novamente, foi para o corner e desistiu definitivamente, com o apoio do técnico, aos 46 segundos de combate.
Antes do anúncio oficial da vitória da argelina, era possível ouvir Angela gritando: “Não é justo, não é justo”. Por duas vezes, Imane Khelif se aproximou, mas Angela Carini não cumprimentou a adversária.
Depois da luta, a italiana pediu desculpas, mas para começar a entender essa história, é preciso voltar no tempo.
No ano passado, no Mundial de Boxe, Imane Khelif chegou à final, mas foi desclassificada horas antes da luta. A decisão foi feita pela Associação Internacional de Boxe, conhecida como IBA.
Segundo a associação, Imane e outra pugilista de Taiwan, Yu Ting Lin, passaram por dois testes de gênero. Um em Istambul, em 2022, e outro em Nova Delhi, em 2023. Segundo um comunicado, os testes identificaram que as duas tinham vantagens competitivas sobre outras atletas femininas.
Juntando esse comunicado com a atitude da pugilista italiana, as redes sociais foram tomadas por uma onda de fake news. As informações falsas apontavam Imane Khelif como sendo homem, ou sendo uma mulher trans, abusando da própria força contra lutadoras indefesas. O pai da lutadora teve que vir a público e apresentar a certidão de nascimento da filha na Argélia, explicando que Imane nasceu mulher e foi criada como mulher.
O Comitê Olímpico Internacional não reconhece os testes da IBA. Segundo o porta-voz do COI, faltou transparência e um cuidado básico com a dignidade das atletas.
Imane Khelif foi derrotada diversas vezes, como em Tóquio 2020 contra a irlandesa Kellie Harrington. — Foto: Getty Images via BBC
O presidente do COI, o alemão Thomas Bach, disse que não há nenhuma dúvida sobre as boxeadoras serem mulheres. E prosseguiu: “O que se vê agora é que alguns querem ser donos da definição de quem é uma mulher”.
Em meio a essa luta de gigantes, estão seres humanos. Tão pequenos e tão perdidos que, mesmo na hora de maior alegria, não conseguem nem sorrir.
A vitória garantiu a medalha de bronze para a Argélia, mas para a torcida já deu o direito ao hino nacional. Apesar das conquistas, Imane Khelif nem era uma atleta tão conhecida pela torcida argelina. Mas o que ela passou nos últimos dias despertou um povo que tem muito orgulho do próprio país.
Jagunços avançaram sobre os indígenas com camionetes, tratores e armas. Provocaram incêndios e destruíram tudo o que viram pela frente na retomada.
Camionetes, tratores e armas foram usados para atacar a retomada Yvy Ajere na noite deste domingo (4). Foto: Reprodução/vídeo da comunidade Guarani e Kaiowá
No final da tarde deste domingo (4), perfis ruralistas nas redes sociais começaram a divulgar notícias falsas, as fake news (veja print abaixo), afirmando que os Guarani e Kaiowá “invadiram” mais fazendas em Douradina (MS), indo além das sete retomadas em que já se encontram dentro dos limites da Terra Indígena Lagoa Panambi. Esta foi a senha para no começo da noite, entre 18 e 19 horas, mais um ataque contra os indígenas ter início, desta vez na retomada Yvy Ajere. Sequer a presença de órgãos de governo intimidou os criminosos.
“Vão cavar covas aqui pra jogar a gente tudo dentro. Pode fazer isso. Se querem Guarani e Kaiowá fora daqui, matem a gente. Enterrem aqui e aí podem plantar soja por cima. Essa é a vontade do governo? Isso que quer a Justiça? Então façam isso logo, matem a gente tudo. Jagunçada atira na gente, destrói o pouco que temos e a Força Nacional só olha, governo vem aqui e não faz nada. Saiam daqui, desgraçados! É a nossa terra e tão caçando a gente feito animal. Só quero fazer saber que vamos morrer aqui”, declarou um indígena.
Ao menos um indígena foi ferido com disparos de balas de borracha. A Força Nacional está no local, mas conforme observadores externos e os próprios indígenas, os agentes se mantiveram atrás da linha de ataque dos jagunços sem esboçar qualquer reação para impedir as agressões aos indígenas. A nova investida violenta ocorreu pouco mais de 24 horas depois do ataque da tarde deste sábado (3) às retomadas Kurupa’yty e Pikyxyin, quando dez Guarani e Kaiowá terminaram feridos – três com mais gravidade.
O perfil sos.agro.ms divulgou inúmeras notícias falsas para arregimentar jagunços. O incêndio foi ateado pelos próprios agressores dos Guarani e Kaiowá. Imagem: Reprodução/Instagram
Com tratores e camionetes, os jagunços avançaram na noite deste domingo do acampamento em que estão para a área retomada, a poucos metros, sobreposta pela fazenda de Cleto Spessato, e arrendada para um homem conhecido como ‘Baiano’, apontado pelos indígenas como um dos mais agressivos contra a comunidade. Barracos, pertences e símbolos da cosmologia Guarani e Kaiowá foram destruídos e incendiados, parte também da tática de ataque da jagunçada mobilizada.
Além da Força Nacional presente, pela manhã uma comitiva composta por representantes do Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos (PPDH) esteve nas retomadas Kurupa’yty e Pikyxyin para a realização de uma oitiva e iniciou a investigação do crime sofrido pelos Guarani e Kaiowá na tarde deste sábado.
Aparelhos serão periciados pela Polícia Científica
Dois adolescentes, de 15 e 17 anos, tiveram seus computadores e aparelhos celulares apreendidos pela Polícia Civil após suspeitas de que estariam praticando racismo e terrorismo pela internet. A ação foi realizada na quarta-feira (31), pela delegacia de Sooretama, no Norte do Estado.
Segundo a polícia, a denúncia foi recebida há cerca de duas semanas e as investigações revelaram que os adolescentes estavam fazendo publicações nazistas na internet. A delegacia de Sooretama representou pela busca e apreensão nas casas dos adolescentes, onde foram apreendidos dois computadores e dois celulares, que serão encaminhados para a Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) para serem periciados.
“Os adolescentes, de 15 e 17 anos, foram ouvidos e confessaram que fizeram as postagens via internet. Em interrogatório, disseram que era uma brincadeira. Os dois responderam pela prática de fato análogo ao crime de racismo e de terrorismo”, disse o delegado Fabricio Lucindo, chefe da 16ª Delegacia Regional de Linhares.
O caso será encaminhado para a Vara da Infância e da Juventude de Linhares. Segundo a polícia, os adolescentes foram liberados após assinarem um Boletim de Ocorrência Circunstanciado por ato infracional análogo aos crimes previstos no artigo 20: Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Eles foram reintegrados às famílias após os familiares assumirem o compromisso de comparecer ao Ministério Público Estadual (MPES) quando solicitado. “O caso serve de alerta para todos os pais, para que estejam atentos e vigiem as atividades de seus filhos nas redes sociais e na internet”, ressaltou o delegado Fabrício Lucindo.
O presidente do CCS, Miguel Matos, entre Angela Baeta Neves, Patrícia Blanco e Marina Pita (D).
Iniciativas educacionais para eleitores identificarem uso de inteligência artificial (IA) em notícias falsas podem ser uma das soluções para contornar os desafios que a nova tecnologia impõe às eleições municipais de 2024. A constatação é de integrantes do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional que participaram de audiência pública nesta segunda-feira (05).
Destinada a debater o uso da tecnologia no processo eleitoral, a reunião foi presidida pelo advogado e editor-chefe do portal jurídico Migalhas, Miguel Matos. Assunto presente em todos as reuniões do Conselho neste ano, a IA teve seu uso nas eleições municipais de 2024 regulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em fevereiro. Entre outras regras, o tribunal vedou o uso de deepfakes — vídeo ou imagem gerada por IA que falsifica ações de determinadas pessoas com alto grau de realismo — e restringiu o uso de robôs na comunicação das campanhas.
Segundo o representante do Senado no Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Fabrício da Mota Alves, a conscientização acerca da IA deve abordar a identificação do eleitor e sua reação quanto ao conteúdo falso.
— A gente espera que campanhas [de sensibilização] e a própria Justiça Eleitoral tragam iniciativa para educar os eleitores sobre os impactos da IA nas eleições. Conscientizar sobre como identificar e reagir a conteúdo gerado por IA é fundamental para auxiliar de forma complementar o combate contra desinformação e fake news.
Fabrício apontou que o uso indevido de dados de usuários pela empresa Cambridge Analytics nas eleições americanas em 2016 evidenciam os riscos que as novas tecnologias apresentam à integridade do processo eleitoral. Segundo ele, um dos principais aspectos das discussões sobre a regulamentação da IA é a proteção de dados pessoais. Essas informações são utilizadas massivamente, por exemplo, no aperfeiçoamento dos conteúdos gerados por IA ou no enviesamento das informações que são entregues nas redes sociais com base nas preferências de cada perfil — as chamadas “bolhas” de informação.
Educação midiática
Para a advogada e conselheira Angela Cignachi, a regulação das tecnologias está sempre atrasada com relação à inovação. Como solução, ela propôs a educação sobre o tema desde a infância como forma sustentável de combater a desinformação.
— Estamos sempre enxugando gelo. As crianças deveriam ter aulas sobre educação midiática, sobre o que as tecnologias são capazes de produzir e saber que tem muitos aspectos positivos. Temos que ter capacidade de conhecer para protegermos nossa liberdade de conhecimento e de escolha — disse.
A conselheira Patrícia Blanco afirmou que informações simplificadas sobre como identificar fake news são insuficientes para combater o problema. Ela compartilhou a experiência do projeto Fake To Fora, conduzido pelo Instituto Palavra Aberta, do qual é presidente.
— Quando a gente começou, viu que não adianta dar cinco passos para checar a informação. Precisa dar um passo atrás e dar ao aluno de ensino médio um repertório para que ele pudesse desenvolver sua autonomia na hora de fazer sua escolha informada.
A conselheira Ana Flávia Cabral, representante dos artistas no CCS, indagou se há ações do tipo promovidas pelo Ministério da Educação com a Secretaria da Comunicação (Secom), representada por sua coordenadora-geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação, Marina Giancoli Cardoso Pita.
Fiscalização
Para Marina Pita, o poder público deveria, durante as eleições, ter acesso aos mecanismos de publicidade das plataformas digitais. A intenção, segundo ela, é contornar as “bolhas” e equalizar a visibilidade de todos os candidatos.
— Uma regulação é fundamental para garantir repositório de publicidade em que tanto o governo, a Justiça, mas também a sociedade civil possam acompanhar o que está acontecendo.
Ela apontou que as plataformas digitais devem seguir as normas que já são previstas em lei e, assim, “demonstrar um esforço contínuo e suficiente de garantir que esse ecossistema seja íntegro”.
Conceitos distintos
Doutora em direito administrativo, a convidada Marilda Silveira afirmou que a regulamentação da IA deveria abranger também a regulamentação das plataformas digitais. Essas empresas, de acordo com a debatedora, não devem ter as mesmas regras baseadas no impacto que jornais, rádios e televisões possuem na formação da opinião do eleitor.
— A gente tem jurisprudência sólida de que veículos de acesso ao conhecimento impresso [jornais] podem tomar posição [político-partidária], mas rádio e TV não. A gente criou a narrativa de dizer que é porque eram concedidos e escassos, e por isso tinham que ser limitados. Essa construção de mundo não faz mais sentido. A gente precisa repensar essa forma de impor a obrigação de não tomar partido para grandes plataformas que têm capacidade de induzir visão de mundo, como fazer para fiscalizar essa forma de interferir eventualmente no processo eleitoral e que não retire da Justiça Eleitoral sua competência [de fiscalizar].
Poderes
Jornalista do Senado, o conselheiro Davi Emerich questionou a falta de sintonia entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em suas decisões sobre regulamentação de IA. O governo federal lançou no final de julho o Plano Brasileiro de IA 2024-2028. Já o Senado analisa o Projeto de Lei (PL) 2.338/2024, do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente da Casa, que aborda a regulamentação de IA de modo principiológico e geral. O texto é analisado em comissão temporária, sob relatoria do senador Eduardo Gomes (PL-TO).
— Ao que me parece, cada um está atirando para um lado. Se esses três Poderes não criarem um fórum próprio para equalizar ações da IA, acho que lá na frente vai ser uma “bateção de cabeça” incrível. Há alguma iniciativa nesse sentido? — questionou Emerich.
O conselheiro Marcus Bennett, representante da sociedade civil, também indagou sobre ações integradas do governo federal com o TSE.
Segundo Marina Pita, que representou o governo federal, não há um espaço oficial entre os Poderes, ainda que haja diálogos. Mas, para ela, no momento o esforço maior é de garantir um diálogo dentro do governo federal em prol do Plano Brasileiro de IA.
CCS
Órgão específico auxiliar do Congresso para tratar de assuntos relacionados à comunicação e à liberdade de imprensa, o CCS está previsto na Constituição Federal de 1988. Foi instituído pela Lei 8.389, de 1991, mas só foi instalado efetivamente em 2002.
O CCS tem como atribuição a realização de estudos, pareceres, recomendações e outras solicitações que lhe forem encaminhadas pelo Congresso Nacional. É composto por membros da sociedade civil e representantes de setores da comunicação, como televisão e jornalismo.
Cenas horrorizantes foram registradas em dezenas de cidades ao redor do Reino Unido
Ao longo da última semana, cenas de violência generalizada têm se estendido ao redor de dezenas de cidades do Reino Unido. A extrema direita, motivada por fake news disseminadas nas redes sociais, tem organizado saques e atos de vandalismo ao redor do país.
As cenas de protestos violentos tem se espalhado ao redor do país e tem como foco atingir a comunidade muçulmana e os imigrantes que vivem no país. Um hotel que recebia refugiados que procuravam asilo no Reino Unido foi incendiado e diversos confrontos entre policiais, fascistas e movimentos antifascistas foram registrados nos últimos dias.
O que motivou os protestos?
A violência eclodiu após um esfaqueamento em massa em uma festa de dança com o tema Taylor Swift em 29 de julho de 2024, onde um suspeito de 17 anos, nascido na Grã-Bretanha, Axel Rudakubana, matou três crianças de seis a nove anos – Alice, Elise e Bebe – e feriu outras dez.
Nas redes sociais, em especial no X, foram divulgadas informações de que se tratava de um imigrante ilegal muçulmano. Rudakubana, na verdade, é um cidadão britânico, nascido em Cardiff, no País de Gales, de família cristã e filho de imigrantes legais ruandeses.
Os fascistas, derrotados nas últimas eleições, exploraram essa tragédia, espalhando desinformação que vinculava falsamente o ataque a questões de imigração.
Isso incitou protestos e tumultos, particularmente contra hotéis que abrigam solicitantes de asilo e em mesquitas.
A contraofensiva antifascista
Apesar das manifestações de extrema direita, a esquerda democrática tem ocupado as ruas junto de imigrantes para tentar manter os seus direitos e barrar a ofensiva fascista na Inglaterra.
Confrontos diretos ocorreram, com feridos em diversas cidades, e os fascistas parecem reduzir o tom de suas ameaças após intensa repressão policial e confrontos com os antifascistas;
A reação do establishment político
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, condenou a violência, rotulando-a como “banditismo de extrema-direita” e alertando os participantes de que eles “lamentariam” seu envolvimento.
Ele enfatizou que “não há justificativa” para tais ações e prometeu que os responsáveis enfrentarão a justiça. O governo de Starmer está sob pressão para restaurar a ordem, com discussões sobre aumentar os poderes policiais para lidar eficazmente com os distúrbios.
O Secretário do Interior do Reino Unido e outros oficiais também expressaram seu compromisso em enfrentar a violência, afirmando que o banditismo não será tolerado. Eles implementaram uma estratégia de “prender rápido”, visando prender rapidamente aqueles envolvidos nos tumultos para deter novos distúrbios. Até o momento, mais de 100 fascistas foram presos.
Para senador Eduardo Gomes, regulamentação da IA é desafio e Brasil precisa definir se quer assumir protagonismo no tema
O relator do Marco da Inteligência Artificial (IA) no Senado Federal, Eduardo Gomes (PL-TO) disse nesta segunda-feira (5/8) que é preciso separar a tramitação do texto com o debate a respeito das fake news e desinformação no Congresso Nacional. Em sua fala, durante a abertura do evento que debate o tema na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o senador classificou a regulamentação como um grande desafio.
“Estamos diante de um grande desafio e de uma matéria que não pode ser analisada com os olhos da polarização política do país. Não tem sido fácil pontuar a regulação da tecnologia. Impossível discutir inteligência artificial sem a confusão da justiça eleitoral, da fake news, do ambiente de segurança cibernética, do ambiente da proteção de dados e da regulação da tecnologia em si”, pontuou o senador.
Semana passada, o governo apresentou seu Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028, que prevê R$ 23 bilhões de investimentos no quadriênio, sendo a ampla maioria de origem estatal, cabendo R$ 1,06 bi para a iniciativa privada.
Ainda na avaliação de Eduardo Gomes, o Brasil precisa decidir que papel terá no tema. Se seguirá o decidido pelos Estados Unidos e União Europeia ou se assumirá a vanguarda.
“A partir da semana que vem devemos ter uma análise mais técnica e pontual sobre desenvolvimento da inteligência artificial. Vamos consumir o que os outros países decidirem ou vamos desenvolver uma política que coloque, aos poucos, o país em uma posição de vanguarda no debate do tema”, concluiu.
Uma publicação anônima nas redes sociais afirmou que Rayssa Leal fez dedicatória ao ex-presidente Jair Bolsonaro em entrevista à CazéTV após receber sua medalha de bronze nas Olimpíadas de Paris 2024.
Rayssa Leal e CazéTV são vítimas de fake news envolvendo Bolsonaro. Entenda a polêmica!. Foto: Getty Images, /Agência Brasil Antonio Cruz / Purepeople
Rayssa Leal e a CazéTV foram envolvidos em uma fake news sobre Jair Bolsonaro. Uma publicação nas redes sociais afirma que durante uma entrevista ao canal do YouTube, a skatista fez uma homenagem ao ex-presidente.
De acordo com o post falso, a adolescente de 16 anos, que acabou de conquistar a medalha de bronze nas Olimpíadas de Paris 2024, teria dedicado o prêmio ao político.
Além da dedicatória, Rayssa ainda teria declarado que seu maior desejo seria conquistar o ouro olímpico na edição de 2028, em Los Angeles, e que Bolsonaro volte a ser presidente. Mas o político está inelegível até 2030, por decisão do STF.
Rayssa Leal nunca fez menção a Jair Bolsonaro Acontece que a gravação completa da entrevista que a atleta concedeu à CazéTV está disponível no YouTube, e em nenhum momento, Rayssa faz menção ao ex-presidente.
Depois de conquistar o terceiro lugar no pódio da competição de skate street, a maranhense conversou com a repórter Day Natale e com o humorista Diogo Defante, que estão colaborando com o canal de Casimiro Miguel na cobertura dos Jogos Olímpicos.
Rayssa não só não mencionou Bolsonaro na entrevista, como nunca fez nenhum tipo de declaração relacionada a ele durante toda sua carreira. A adolescente, inclusive, só pode tirar seu título de eleitora a partir deste ano, de forma facultativa.
Rayssa Leal fez gesto religioso nas Olimpíadas de Paris