O observatório da liberdade de expressão é um projeto de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto cujo objetivo é colecionar e divulgar direitos e conflitos que envolvam a liberdade de expressão.
Ministro da Secretaria de Comunicação Social Paulo Pimenta| Foto: Câmara dos Deputados
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Paulo Pimenta participa, nesta quarta-feira (24), de uma audiência pública nas comissões de Comunicação Social e de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados.
Pimenta foi convidado pelos deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e Kim Kataguiri (União-SP) para prestar esclarecimentos sobre o plano do governo e ações sobre a liberdade de expressão e de imprensa. O convite veio após uma série de ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra as redes sociais, especialmente o Telegram.
Segundo Gayer, a presença do ministro será importante para esclarecer o papel da Secretaria de Políticas Digitais e do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão. “A população esta coagida a não se manifestar contra qualquer política publica do governo ou contra atitudes de alguns políticos por receio de ser perseguida”, diz o parlamentar.
Polícia deteve 4 pessoas suspeitas ligadas ao boneco que representava o atacante Vinícius Jr. enforcado sob uma ponte de Madri, em janeiro de 2023. Os outros 3 são suspeitos de proferir insultos racistas contra o jogador durante partida no último domingo.
Por g1
23/05/2023 05h00 Atualizado há 5 dias
Diante da onda de indignação com os insultos racistas proferidos contra o jogador Vinicius Jr. em um jogo na Espanha no último domingo (21), a polícia espanhola deteve nesta terça-feira sete pessoas suspeitas de crimes de injúria racial e ódio contra o brasileiro.
Poucas horas depois, policiais prenderam três torcedores do Valencia identificados pelo clube como os autores dos insultos feitos ao brasileiro durante o jogo do clube valenciano contra o Real Madrid no domingo (leia mais abaixo).
Segundo mídias locais como a “EFE” e a “ABC”, os três envolvidos no incidente de domingo foram soltos após prestar depoimento. Eles agora responderão em liberdade pelo crime de ódio – na Espanha não há uma tipificação específica para racismo.
Boneco enforcado
Desde janeiro, a polícia buscava os responsáveis por pendurar um boneco preto enforcado e vestindo uma camisa do Real Madrid com o número 20, a que Vinicius Jr. veste. O boneco foi pendurado em uma ponte em frente ao campo de treinamento do Real Madrid.
Uma faixa estava grudada no boneco, com a seguinte inscrição: “Madrid odeia o Real”. Uma investigação por injúria racial foi aberta.
Segundo a polícia, três dos detidos são integrantes da Frente Atlética, torcida organizada do Atlético de Madrid. Todos os detidos são espanhóis e têm 19, 21, 23 e 24 anos.
A prisão dos suspeitos pelo crime ocorreu por volta das 7h desta terça. Um dos detidos já tinha passagem na polícia por crime de lesão corporal.
Imagem da faixa com boneco com camiseta de Vinicius Jr. em Madri — Foto: Reprodução/@JanaDahoui
Presos por insultos raciais no domingo
Poucas horas depois, a Polícia Nacional anunciou a prisão de outros três homens, torcedores do Valencia, suspeitos de terem proferido insultos racistas contra o brasileiro no jogo de domingo (21), no Mestalla, o estádio do Valencia.
“A polícia deteve três jovens em Valência por comportamentos racistas ocorridos no domingo passado no jogo entre Valencia CF e Real Madrid”, informou a Polícia Nacional.
Os torcedores foram identificados pela direção do Valencia, segundo informou o clube, e detidos em suas residências, na cidade do sudeste da Espanha, a terceira maior do país.
A identidade deles ainda não havia sido divulgada até a última atualização desta reportagem.
Em comunicado, o Valencia disse que está cooperando com a polícia para “eliminar o racismo no Mestalla” e que está buscando identificar mais torcedores.
“O clube reitera sua condenação mais enérgica e sua posição enfática contra o racismo e a violência em todas as suas formas e atuará com a mesma contundência com todas as pessoas identificadas, aplicando sua medida mais severa: expulsando-os do estádio pelo resto da vida”, diz o comunicado.
Na nota, o clube nega ainda que todo o estádio tenha proferido insultos racistas e disse que “houve muita confusão e desinformação nos últimos dias”. “Não podemos tachar o Valencianismo como uma torcida racista. Não é verdade, pedimos respeito”.
Vini Jr. jogava pela 35ª rodada do Campeonato Espanhol, contra o Valencia. O jogo foi interrompido no segundo tempo, após parte da torcida do time adversário chamar Vini de “macaco”.
Durante a partida, o brasileiro apontou para os torcedores que o insultavam, levando o jogo a uma pausa de 10 minutos. Depois, se envolveu em uma briga com os jogadores do Valencia que levou a sua expulsão no segundo tempo. O Real Madrid perdeu o jogo por 1 a 0.
Ao menos 10 ataques racistas
“Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga”.
Esta foi a manifestação de Vinícius Jr. no domingo (21), após ser novamente alvo de ataques racistas em um jogo da La Liga, o campeonato espanhol, desta vez em um jogo entre seu clube, o Real Madrid, e o Valencia.
Antes e durante a partida, a torcida do Valencia cantou músicas que chamam Vini de “macaco”. Durante a partida, ele se dirigiu a torcedores do Valencia que o estavam xingando.
A partida foi interrompida por alguns minutos pelo árbitro, e o sistema de som do estádio transmitiu um pedido para que os torcedores evitassem xingamentos racistas.
Após o jogo, houve uma troca de críticas entre Vinícius Junior e o presidente da LaLiga (o campeonato espanhol), Javier Tebas, nas redes sociais.
O Real Madrid informou que está pedindo que as autoridades espanholas investiguem o caso. E o Valencia prometeu expulsar para sempre de seu estádio os torcedores que proferiram insultos racistas.
Este foi o décimo episódio noticiado como racismo contra Vinícius Junior na Espanha. E esse levantamento mostra que os episódios de racismo contra o jogador estão se intensificando: houve um caso em 2021, três em 2022 e seis neste ano.
Vinícius Junior acusa a LaLiga de ser conivente com o racismo. Já a entidade espanhola diz que não tem autoridade para punir clubes ou jogadores — e que encaminha todos os casos para as autoridades espanholas.
Até agora, as punições se restringiram a multas e suspensões temporárias de torcedores.
O atacante brasileiro Vinícius Junior, do Real Madrid, aponta para torcedor do Valencia que proferiu insultos racistas contra ele no Estádio de Mestalla — Foto: José Jordan/AFP
Confira abaixo o que aconteceu em cada episódio:
1) 24 de outubro de 2021 – Barcelona 1 x 2 Real Madrid
O episódio mais antigo de racismo contra Vinícius Junior na Espanha foi noticiado em 24 de outubro de 2021, um ano depois de ele chegar ao clube madrilenho.
O incidente aconteceu no estádio Camp Nou, durante um clássico contra o Barcelona vencido pela equipe de Vinícius. Um torcedor fez ataques considerados racistas ao brasileiro e o incidente chegou a ser denunciado às autoridades espanholas.
No entanto, o caso foi arquivado porque as autoridades disseram que não conseguiram identificar o agressor.
2) 14 de março de 2022 – Mallorca 0 x 3 Real Madrid
Vinícius marcou um dos gols na vitória do Real Madrid e voltou a ouvir xingamentos racistas da arquibancada.
Novamente o caso foi denunciado às autoridades, que arquivaram as acusações, afirmando que não constataram crime de ódio.
Meses depois, o capitão do Mallorca, Antonio Raíllo, acusou Vinícius Junior de provocar seus adversários com danças. “Quando é chamado de provocador, ele usa o coringa do racismo”, disse Raíllo à imprensa espanhola.
3) 18 de setembro de 2022 – Atlético Madrid 1 x 2 Real Madrid
Vídeos circularam mostrando torcedores do Atlético chamando Vinícius Junior de macaco antes da partida, nas proximidades do estádio.
O caso foi investigado por autoridades que chegaram a conclusão que as provocações entre torcedores aconteceram dentro da normalidade da rivalidade esportiva — e que os insultos racistas duraram “apenas alguns segundos”.
Naquela semana Pedro Bravo, presidente da Associação Espanhola de Empresários de Jogadores, havia dito que Vinícius Junior precisava parar de provocar os adversários e deixar de “fazer macaquices”.
“Você tem que respeitar o rival. Se quer dançar, que vá ao sambódromo no Brasil”, disse ele.
4) 30 de dezembro de 2022 – Valladolid 0 x 2 Real Madrid
Vinícius havia sido substituído na partida e estava passando em frente a torcedores do Valladolid quando o Real Madrid fez um gol. Ele comemorou diante dos torcedores do Valladolid e foi alvo de xingamentos racistas.
Autoridades espanholas investigaram o caso e propuseram uma multa de 4 mil euros e o banimento dos torcedores envolvidos.
O próprio Valladolid baniu 11 torcedores pelo resto da temporada.
Vinícius criticou a La Liga por não agir contra o racismo.
“Os racistas seguem indo aos estádios e assistindo ao maior clube do mundo de perto e a LaLiga segue sem fazer nada… Seguirei de cabeça erguida e comemorando as minhas vitórias e do Madrid. No final a culpa é minha”, escreveu o jogador no Twitter.
O presidente da La Liga, Javier Terbas, respondeu também na rede social: “A LaLiga combate o racismo há anos. Vini Jr, é muito lamentável e não é verdade publicar que a LaLiga não faz nada contra o racismo. Se informe melhor. Estamos à sua disposição para que todos juntos, possamos caminhar na mesma direção”
5) 26 de janeiro de 2023 – Real Madrid 3 x 1 Atlético Madrid
Na véspera do jogo, torcedores do Atlético Madrid penduraram em uma ponte da cidade um boneco vestido com a camiseta de Vinícius Junior, simulando enforcamento do jogador.
O boneco estava com mensagens de ódio contra o atacante e o clube.
A atitude despertou mensagens de repúdio da Confederação Brasileira de Futebol e dos dois clubes. Na internet, a hashtag #BailaViniJr viralizou.
6) 5 de fevereiro de 2023 – Mallorca 1 x 0 Real Madrid
Um torcedor de 20 anos proferiu ofensas racistas contra Vinícius Junior durante a partida. O homem foi identificado pela polícia e o clube proibiu seu acesso a jogos no estádio.
Ele está sendo processado pelas autoridades espanholas, já que é reincidente de abusos racistas contra outro jogador.
As autoridades espanholas estudam aplicar uma multa de 3 mil euros e um banimento de seis meses nos estádios de futebol.
7) 18 de fevereiro de 2023 – Osasuna 0 x 2 Real Madrid
Vinícius Junior foi alvo de xingamentos racistas. Ele foi agredido verbalmente até mesmo durante o minuto de silêncio realizado em homenagem às vítimas dos terremotos na Turquia e na Síria.
8) 5 de março de 2023 – Betis 0 x 0 Real Madrid
Novamente Vinícius Junior foi chamado de macaco por torcedores em Sevilha quando cobrava um escanteio na partida.
A LaLiga encaminhou o caso para as autoridades espanholas.
9) 19 de março de 2023 – Barcelona 2 x 1 Real Madrid
Pela segunda vez, torcedores do Barcelona foram denunciados por insultos racistas a Vinícius Junior durante a partida.
A LaLiga emitiu uma nota: “Em vista dos eventos que aconteceram durante o jogo Barcelona x Real Madrid, no qual um intolerável comportamento racista foi novamente observado contra Vinícius Junior, a LaLiga reportou os insultos racistas à Corte de Instrução de Barcelona. Esta é a oitava queixa feita pela LaLiga às autoridades correspondentes por abusos racistas contra Vinícius Junior.”
10) 21 de maio de 2023 – Valencia 1 x 0 Real Madrid
Antes da partida, vídeos mostram torcedores do Valencia cantando músicas em que chamam Vinícius Junior de macaco.
Durante a partida, o jogador brasileiro confrontou torcedores que o xingavam na arquibancada. O árbitro chegou a interromper a partida por alguns minutos e foi feito um aviso contra racismo no alto-falante.
Após o jogo, Vinícius criticou a LaLiga e foi rebatido pelo presidente da entidade.
Luciano Hang, o dono e empresário da cadeia de lojas Havan, está processando a banda Punkzilla devido à música “Eu Odeio o Véio da Van”, que foi lançada em 2020. Ele protocolou o processo no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, na cidade de Brusque, em 11 de maio.
Segundo a ação, o título da canção pode sugerir o apelido pelo qual o empresário é conhecido nas mídias sociais, Véio da Havan. O documento declara: “Apesar do nome do autor não aparecer no título da música, seu conteúdo e sua ilustração indicam claramente que se trata dele”.
O processo descreve a letra da canção como “excessivamente ofensiva” e “desrespeitosa”, sendo “inteiramente direcionada” a Hang. A defesa de Hang destaca a existência de 21 insultos diretos na canção, incluindo “senil”, “caloteiro”, “caduco”, “besta” e “brocha”, além da imputação de características criminosas, que, segundo o processo, “mancham a honra e imagem do autor, depreciando sua respeitabilidade social”. Além disso, o texto cita que a letra é “profundamente injuriosa e humilhante, profere insultos e palavras vulgares, além de atribuir ao autor a prática de crimes”.
A ação ainda argumenta que a capa do single, criada pelo ilustrador Jean Etienne, faz referência direta ao empresário, como a representação da Estátua da Liberdade, ícone da Havan, além de “um homem careca vestindo roupas amarelas, assim como o Sr. Luciano comumente aparece”. Na verdade, Luciano Hang se vestia de verde como o vilão Charada. A defesa do empresário ainda chama atenção para a ilustração do “avião carregando uma faixa com o título da música, prática que era muito utilizada pelo autor na época do lançamento da canção”.
Hang requer uma indenização de R$ 100 mil por danos morais e a remoção da música de circulação.
A banda ironizou o processo com uma postagem no Instagram. “Fomos processados pelo Luciano Hang pela música ‘Eu Odeio o Véio da Van’. Não sabíamos que ele dirigia vans”. “Ficamos sabendo pelos jornais, mas ainda não recebemos a intimação. Acreditamos que o Sr. Hang se enganou”, completa a legenda. Nos comentários, muitos expressaram seu apoio à banda.
Formada em 2014, em Porto Alegre, Punkzilla é composta por Francis Fussiger (vocalista), Diego Aires de Freitas (baixista), Northon Amaral (guitarrista) e Lucas Costa de Souza (baterista). Com letras políticas e irônicas, a banda é influenciada por bandas de punk e hardcore clássicas como as brasileiras Os Replicantes e Garotos Podres, além das americanas Black Flag, Minor Threat e Dead Kennedys.
Ministro disse que big techs devem ser enquadradas e ameaçou: ‘Eu comando a Polícia Federal’
REDAÇÃO OESTE
–17 MAIO 2023 19:19
Dino falou sobre a autorregulação feita pelas plataformas como forma de garantia de liberdade de expressão, e chamando o método de “fraude” e “falcatrua” | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Em um vídeo gravado durante a reunião com representantes do Twitter, da Meta (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp), do TikTok, do Kwai, do WhatsApp, do Google e do YouTube, realizada em 10 de abril, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou, em tom de ameaça, que a “liberdade de expressão foi sepultada no Brasil”. O arquivo foi obtido pelo site Metrópoles, por meio da Lei de Acesso à Informação.
Durante a reunião, Dino falou sobre a autorregulação feita pelas plataformas como forma de garantia de liberdade de expressão, e chamando o método de “fraude” e “falcatrua”, declarando que esse período acabou no Brasil.
Em outro momento da reunião, Flávio Dino diz que, caso não sigam as determinações feitas pelo Ministério da Justiça, os representantes das big techs estarão se “expondo a que nós adotemos as providências”. Nesse sentido, ele insinuou que, em caso de não cumprimento, se tornem investigados da Polícia Federal ou até réus.
Ameaças de Flávio Dino
“Eu tenho certeza que essa colaboração ocorrerá. Em não ocorrendo, é claro que quem se opuser a essa ideia de colaboração obviamente está se expondo a que nós adotemos as providências. Nós não queremos que os senhores passem à condição de investigados da Polícia Federal ou de réus. Nós não queremos isso.”, afirmou o ministro da Justiça.
O torcedor do Altos-PI, Francisco das Chagas, foi solto sem precisar pagar fiança. Ele havia sido preso em flagrante depois de xingar o goleiro do Ypiranga-RS durante uma partida da série C no campeonato brasileiro numa partida em Teresina-PI.
Por Andrê Nascimento, g1 PI
22/05/2023 11h39 Atualizado há 6 dias
Preso por injúria racial contra goleiro no Piauí é solto e proibido de frequentar estádios por 6 meses — Foto: Pablo Cavalcante/ ge PI
Francisco das Chagas foi preso no sábado (20), e solto ainda no domingo (21) após passar por audiência de custódia, sem precisar pagar fiança. A Justiça determinou as medidas cautelares que ele deve respeitar, sob pena de ser preso novamente.
Ele deve estar recolhido em casa durante a noite e nos dias de folga, e não pode frequentar estádios. Ele ainda deve responder criminalmente. Além disso, deve comparecer a cada dois meses na Central Integrada de Alternativas Penais (Ciap).
O caso ocorrido na partida entre Altos e Ypiranga ainda não foi a julgamento. O tempo de proibição determinado na audiência de custódia é uma medida cautelar, e não a pena definitiva. A determinação deve ser respeitada enquanto o caso não é julgado.
Segundo o relato de Caíque, o goleiro estava sendo constantemente incomodado pelo homem na geral, que o chamava de “uva preta”. A arbitragem acionou o delegado da partida, que chamou os policiais militares.
Policlínica de Poços de Caldas — Foto: Prefeitura de Poços de Caldas
De acordo com o Boletim de Ocorrências, o caso foi registrado como injúria racial. A vítima estava analisando os documentos da autora para encaminhá-la à consulta médica.
Enquanto isso, Lazarina da Silva Oliveira, de 64 anos, teria a ofendido, afirmando que não gostava da raça dela e “não queria ser atendida por uma pessoa preta”. Ela também teria insultado a profissional e a chamado de “lerda”.
Enfermeira vítima de injúria racial em MG desabafa nas redes sociais: ‘preconceito e humilhação’ — Foto: Reprodução/Redes sociais
Nas redes sociais, a vítima desabafou.
“Um ser desprezível por nome de Lazarina da Silva Oliveira foi passar por uma consulta; a mesma dizendo que não queria ser atendida por mim por eu ser preta, que não foi com minha cara, não gostava da minha raça e que eu estava no lugar errado. Palavras de baixo nível, humilhante e dizendo que a polícia não ia aparecer por conta de umas idiotices daquela.”
“A mesma me ofendeu, humilhou ainda achou que ficaria impune por ser branca. Pasmem você que esse ser só parou com insulto quando a polícia chegou [e] disse que tinha vizinhos assim: ‘de cor’”.
Segundo ela, esta é a terceira vez que é vítima de ofensas raciais em menos de um ano. A enfermeira trabalha há 38 anos na Prefeitura de Poços de Caldas.
“Pra você que não passa por isso, não sabe a dor do preconceito, da injúria e da humilhação. Se tivéssemos a presença de um segurança no local poderia ser menos doloroso e as pessoas desse tipo teriam mais respeito conosco. Ainda estou muito mal psicologicamente”.
Mesmo diante do ocorrido, ela ainda agradeceu aos amigos de trabalho, aos familiares e pacientes que aguardaram a chegada da viatura para testemunhar a favor dela.
“Cada abraço, cada carinho, cada palavra amiga de consolo me fez sentir forte e me deu forças pra continuar”.
Suspeita liberada
De acordo com a Polícia Militar, Lazarina da Silva Oliveira, de 64 anos, foi presa por injúria racial. Para a PM, ela alegou que não ofendeu ninguém e não fez ofensas racistas. Ela disse que preferia falar direto com o médico, pois já tinha uma consulta agendada e estava incomodada com a demora no atendimento.
Mulher é presa após dizer que ‘não queria ser atendida por enfermeira preta’ em policlínica de MG — Foto: Redes sociais
Lazarina foi levada ao presídio de Poços de Caldas. No sábado (20), ela recebeu liberdade provisória após uma reunião de custódia e deixou o sistema prisional por volta de 22h50.
A advogada que representa Lazarina de Oliveira Silva não quis se manifestar sobre o assunto e disse que só vai falar em juízo.
A Secretaria de Saúde informou em nota que está oferecendo suporte médico e psiquiátrico à vítima e que medidas estão sendo tomadas.
Caique, goleiro do Ypiranga-RS, foi vítima de racismoImagem: Enoc Júnior/Ypiranga
Um suposto caso de injúria racial ocorreu na partida entre Altos e Ypiranga no último sábado, pela Série C do Campeonato Brasileiro, em Teresina.
O que aconteceu
O goleiro Caíque, do Ypiranga, acionou a arbitragem no primeiro tempo para relatar gritos racistas de um torcedor que estava atrás do seu gol.
O homem, de acordo com Caíque, o chamou de “uva preta”. A arbitragem passou o caso para o delegado do jogo, que chamou a polícia.
O torcedor foi retirado do estádio e encaminhado à Central de Flagrantes de Teresina. O homem foi autuado por injúria racial depois da prisão em flagrante.
Após a paralisação, a partida ocorreu normalmente. O Altos venceu o Ypiranga por 3 a 2.
O que diz a súmula
“Aos oito minutos do primeiro tempo, quando o jogo se encontrava parado para a cobrança de um tiro livre indireto a favor da equipe do Ypiranga, fui informado pelo goleiro Caique Luiz dos Santos da Purificação, número 97, que um torcedor que encontrava-se na arquibancada atrás do gol o havia chamado de ‘uva preta’. Informei ao quarto árbitro da partida, o senhor Fabio Gomes de Sousa, para relatar ao delegado da partida, o senhor Jaime das Chagas Oliveira, que acionou o Major Wilton José de Sousa Silva, que identificasse o infrator. O torcedor foi identificado com o nome de Francisco das Chagas Sousa e retirado do estádio, sendo levado para a delegacia. Desta forma, após a identificação do torcedor, a partida foi reiniciada normalmente.”
“Informo que o quarto árbitro da partida, Fabio Gomes de Sousa, o goleiro Caique Luiz Santos da Purificação e o major Wilton José de Sousa Silva foram até a delegacia após o término da partida e prestaram depoimento para o ato de prisão em flagrante. Informo que a cópia do ato de prisão em flagrante não foi enviado a tempo da publicação da súmula devido a troca de plantão do major que estava na partida. Informo que a cópia do ato de prisão em flagrante será anexado em adendo na segunda-feira.”
Posicionamento do Altos
“A Associação Atlética de Altos vem a público repudiar e lamentar o caso de injúria racial envolvendo o atleta Caíque, goleiro do Ypiranga. É inadmissível que cenas como essa ainda se repitam nos dias atuais. O preconceito, seja ele por raça, orientação sexual ou qualquer outra “diferença”, precisa ser combatido e seus autores punidos com veemência.”
Posicionamento do Ypiranga
“O Ypiranga Futebol Clube vem a público externar seu apoio ao Atleta Caíque L. S. da Purificação, que foi vítima de ato de racismo por parte de um torcedor da equipe do Altos. O clube Ypiranga repudia veementemente este comportamento que não se alinha aos valores esportivos e humanos da nossa sociedade. Por um mundo mais fraterno, igualitário e sem discriminação”.
O UOL procurou a Polícia Militar do Piauí, mas não teve retorno até a publicação da reportagem.
Jogador brasileiro é constantemente vítima de racismo em jogos na Europa; personalidades comentam o caso nas redes sociais e comentam a hashtag #LaLigaRacista
Vini Jr. recebe mensagens de apoio de personalidades políticas(foto: Getty Images)
O jogo entre o Real Madrid e o Valencia neste domingo (21/5) precisou ser paralisado após torcedores entoarem gritos racistas direcionados ao brasileiro Vinícius Júnior. Nas redes sociais, personalidades políticas brasileiras repercutem o caso, prestando apoio.
Aos 15 minutos do segundo tempo, 10 minutos após os inícios dos ataques racistas dos torcedores do Valencia, o árbitro paralisou a partida por aproximadamente 5 minutos. Os gritos de “mono”, que significa “macaco” em inglês ganharam força nos momentos em que Vini Jr. esteve perto da lateral. O locutor do estádio precisou pedir para que os torcedores parassem, ou então a partida poderia ser encerrada.
O jogador brasileiro reagiu às ofensas, começou a discutir com os torcedores do Valencia e foi expulso durante os acréscimos após uma confusão generalizada entre jogadores das duas equipes, quando recebeu, inclusive, um mata-leão.
A partida foi reiniciada pelo árbitro e o Real Madrid perdeu por 1 a 0. O técnico do time, Carlo Ancelotti, defendeu Vini Jr. durante a coletiva de imprensa após a partida, afirmando que mesmo se tivessem vencido o Valencia por 3 a 0, o jogo deveria ser anulado.
“Não quero falar de futebol. Vocês querem falar de futebol? Foi mais que uma derrota. Não parece? Eu sou muito calmo, mas aconteceu algo que não pode acontecer. Um estádio gritando “macaco” a um jogador, e um treinador pensar em ter que tirá-lo por isso. Algo está muito errado nesta liga. Houve neste ano uma dezena de denúncias pelos insultos ao Vinicius. E daí? O que aconteceu? Nada”, disse Ancelotti.
Reação nas redes
Com o escândalo dos gritos racistas, além de uma publicação de Vini Jr. pedindo por justiça na La Liga e afirmando não terem sido poucas às vezes em que foi vítima de racismo na Europa, personalidades e entidades políticas mandaram recados de solidariedade.
Os ministros da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e da Igualdade Racial, Anielle Franco; e deputados federais, como Guilherme Boulos, Gleisi Hoffmann e o Pastor Henrique Vieira foram alguns que demonstraram apoio a Vini Jr. nas redes sociais. Confira:
Minha solidariedade ao jogador brasileiro Vinicius Júnior, mais uma vez vítima de racismo na Espanha. Isso é deplorável, inaceitável e deve ter consequências.
Minha solidariedade ao @vinijr, mais uma vez vítima de agressões racistas. Independente de brilhar como Vini brilha, o racismo não dá sossego. Vamos trabalhar para superar todo o odioso racismo que jogadores brasileiros ainda sofrem dentro e fora dos campos e das quadras.
Repudiamos mais uma agressão racista contra o @vinijr. Notificaremos autoridades espanholas e a La Liga. O Governo brasileiro não tolerará racismo nem aqui nem fora do Brasil! Trabalharemos p/ que todo atleta brasileiro negro possa exercer o seu esporte sem passar por violências.
— Ministério da Igualdade Racial 🇧🇷 (@igualracial_gov) May 21, 2023
"Antes do Vini não havia problemas de racismo dessa magnitude”. Essa é a fala de um jornalista espanhol depois dos ataques racistas contra Vini Júnior. Quem inventou 4 séculos de escravidão e o racismo foram nossos craques??? Toda solidariedade ao Vini. Punição para os racistas.
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) May 21, 2023
Já perdemos as contas de quantos ataques racistas Vini Júnior sofreu na Espanha. Todo jogo ele sofre racismo. Até boneco dele já colocaram "enforcado" em uma ponte. Hoje Vini identificou os racistas na arquibancada. Até quando vão ficar impunes? É muito absurdo! Minha…
Vini Jr. reclamou de ataques racistas, recebeu um mata-leão, foi ofendido por jogadores do Valencia e ainda foi expulso pelo juíz. Revoltante! A La Liga é uma vergonha! pic.twitter.com/414Tyt7Q0I
— Pastor Henrique Vieira (@pastorhenriquev) May 21, 2023
Tomas Michael Silva Adewoye, de 26 anos, ficou com hematomas no pescoço após “mata-leão”
O representante de vendas Tomas Michael Silva Adewoye, de 26 anos, relatou ter sido expulso do Shopping Benfica, em Fortaleza, no último sábado (13), e denunciou o estabelecimento por racismo. De passagem na cidade, durante passeio com amigos e familiares no shopping ele aponta ter sofrido discriminação e chegou a ser retirado por seguranças do local com um golpe de “mata-leão”. Tomas mora em São Paulo.
O caso está sob investigação da Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE), segundo nota da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), por recebimento de denúncia de preconceito de raça ou cor.
Já em posicionamento divulgado no domingo (14), o shopping negou conduta discriminatória, alegando ter retirado o rapaz do local após recebimento de denúncia por importunação sexual, o que ele nega (leia o posicionamento do shopping abaixo, na íntegra).
Segundo Tomas Michael, que concedeu entrevista ao Diário do Nordeste, a postura dos seguranças teria se iniciado já na chegada dele ao shopping, quando ele começou a ser acompanhado de perto.
“Estava minha mãe, as duas esposas dos meus amigos, as mães deles e depois eu fui com mais dois. Enquanto elas faziam compras na parte de baixo, fomos tomar um chopp e comer um lanche. Desde quando entramos no shopping de chinela, bermuda e camiseta, os seguranças já vieram atrás de nós. Quando a gente estava bebendo, três seguranças ficaram parados na mesma mesa ao lado da gente”, relatou ele.
Segundo o rapaz, ele não chegou a filmar o local, apesar de ter como hábito gravar para as redes sociais, por exemplo. Ele refutou a posição do Shopping Benfica, que diz ter recebido informações de que o rapaz estava filmando mulheres. “Eu gravei o momento que eu estou no shopping e ele estava perto de mim, só isso. Não gravei mais ninguém. Eu estava em uma praça de alimentação, então se eu estivesse gravando o ambiente isso não configuraria importunação sexual, por exemplo”, disse.
Após pedido para que os seguranças se afastassem, a discussão teria se iniciado. Tomas conta que cerca de 20 minutos se passaram entre os pedidos feitos e a abordagem dos responsáveis pela segurança.
“Eles começaram a dizer que não era para eu estar lá, que não era meu lugar, começaram a me xingar, a me diminuir. Até que, em um momento, um deles se exaltou e me pegou por trás, em um golpe de mata-leão, e me tirou do shopping. Todos os que estavam por lá me deram razão, viram que eu não agredi ninguém”, pontua.
HEMATOMAS
Nos vídeos da ação, divulgados após repercussão do caso, é possível visualizar o momento em que Tomas questiona os seguranças. “Senhor, é só a cor? Com certeza“, disse.
O jovem conta ter ficado com marcas físicas, o que pode provar a agressão sofrida. “Fiquei machucado na garganta, fiquei com falta de ar. Não agredi ninguém e nem mexi com ninguém. Acabei foi perdendo um brinco, o que me causou um hematoma na orelha. Estou com dores nas costas… Fora o transtorno. Acordo assustado e não consigo sair de casa”, completou ele.
Agora, ele diz, a intenção é percorrer as instâncias necessárias para provar o que acredita. “Eu espero que os seguranças sejam punidos por isso, e a mulher que está me acusando de importunação também quero processá-la, já que não mexi com ninguém”, finaliza.
O QUE DIZ A POLÍCIA MILITAR
Segundo Tomas, equipes da Polícia Militar compareceram ao local, mas não teriam dado atenção ao relato dele. Também em nota, a PM confirmou que atendeu ocorrência sobre o caso e aconselhou as partes envolvidas igualmente.
“A PMCE ressalta que repudia qualquer tipo de discriminação e que pauta suas ações na legalidade e imparcialidade, tratando todos os cidadãos de forma igualitária sempre que acionada. A corporação ressalta ainda que, em sendo constatado qualquer tipo de transgressão disciplinar ou cometimento de crime, haverá apuração de maneira imparcial e transparente, a fim de que haja os esclarecimentos dos fatos”, completa o posicionamento.
O QUE DIZ O SHOPPING
Em nota, o Shopping Benfica informou que o jovem estava fazendo filmagens na praça de alimentação, onde consumia bebida alcoólica. Por conta disso, diz o posicionamento, clientes teriam se sentido incomodadas e reclamaram aos seguranças.
“O supervisor de segurança dirigiu-se à mesa dos clientes para conversar e relatar o que disseram. O cliente não gostou, exaltou-se e agrediu o supervisor. A primeira agressão foi verbal e, logo após, física. Depois deste momento, quando houve flagrante exaltação e agressões por parte do cliente, e identificando que a ocasião poderia tomar proporção maior e colocar em risco os demais presentes no espaço, a segurança precisou intervir e tomou a medida de levá-lo da praça de alimentação para a saída e chamou a Polícia Militar para administrar a situação”, diz a nota.
O shopping diz que a apuração deve continuar, mas que a reação teria sido “necessária para controlar as agressões, a fim de preservar a integridade de todos”.
Leia a nota na íntegra:
O Shopping Benfica está apurando todas as informações e imagens acerca do caso ocorrido no último sábado (13/05). Está em contato com todos para que essa análise seja feita na íntegra, como deve ser. Enquanto empresa, entende ser seu papel, também, orientar, bem como preparar colaboradores e prestadores de serviços para atendimento com respeito, cordialidade e preservar a segurança de todos. Sempre. Sabe-se que pessoas são suscetíveis a falhas. Todas são. Quando essas ocorrem, deve desculpar-se, corrigir os erros e trabalhar mais para que não se repitam. Assim o shopping acredita e está fazendo.
Até o momento, de acordo com imagens e relatos de pessoas que acompanharam o episódio, o cliente estava em consumo de bebida alcoólica, em uma mesa, na companhia de outros dois rapazes. Ele estava com o celular na mão, fazendo filmagens. De acordo com testemunha, estaria gravando mulheres. Clientes se sentiram incomodadas e reclamaram para segurança. Uma senhora, em mesa próxima, percebeu que ele estaria gravando as filhas dela e também pediu ajuda à segurança para que ele parasse.
O supervisor de segurança dirigiu-se à mesa dos clientes para conversar e relatar o que disseram. O cliente não gostou, exaltou-se e agrediu o supervisor. A primeira agressão foi verbal e, logo após, física. Depois deste momento, quando houve flagrante exaltação e agressões por parte do cliente, e identificando que a ocasião poderia tomar proporção maior e colocar em risco os demais presentes no espaço, a segurança precisou intervir e tomou a medida de levá-lo da praça de alimentação para a saída e chamou a polícia militar para administrar a situação.
O Shopping Benfica reitera que a apuração continua sendo feita. Irá conversar com o cliente do caso. Contudo, infelizmente, foi necessária a reação para controlar agressões, a fim de preservar a integridade de todos: envolvidos e os demais que não tinham participação no fato ocorrido. Agiu-se, por necessário. O Shopping Benfica tem responsabilidade social e não pratica ou apoia qualquer discriminação.
15/05/2023 às 19:46 | Atualizado 15/05/2023 às 20:46
A sessão extraordinária que vai julgar o pedido de cassação do vereador Sandro Fantinel (sem partido) está marcada para iniciar às 9h30 de terça-feira (16), no plenário da Câmara dos Vereadores de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.
Fantinel é acusado de quebra de decoro parlamentar após falas preconceituosas contra trabalhadores baianos durante discurso. Além disso, o vereador também foi indiciado pela Polícia Civil por crime de racismo e o inquérito enviado ao Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Quatro denúncias foram feitas pela casa legislativa contra Sandro Fantinel. Para que o político seja cassado, são necessários, no mínimo, 16 votos favoráveis a uma das denúncias, ou seja, dois terços da composição do plenário.
De acordo com a assessoria da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, a sessão iniciará com a leitura das denúncias e cada um dos vereadores terá até 15 minutos para justificar o próprio voto.
O acusado poderá utilizar até duas horas para a defesa oral. Por isso, o julgamento deverá se estender durante toda terça-feira e até no restante da semana.
Em 28 de fevereiro de 2023, Sandro Fantinel usou a tribuna para comentar a respeito da polêmica envolvendo denúncias sobre trabalho escravo em fazendas de produtores de vinho do Rio Grande do Sul.
“Agricultores, produtores, empresas agrícolas que estão neste momento me acompanhando, eu vou dar um conselho para vocês: não contratem mais aquela gente lá de cima. Conversem comigo, vamos criar uma linha e vamos contratar os argentinos, porque todos os agricultores que têm argentinos trabalhando hoje só batem palmas.”
“[Os argentinos] São limpos, trabalhadores, corretos, cumprem o horário, mantêm a casa limpa e, no dia de ir embora, ainda agradecem o patrão pelo serviço prestado e pelo dinheiro recebido”, afirmou.