O observatório da liberdade de expressão é um projeto de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto cujo objetivo é colecionar e divulgar direitos e conflitos que envolvam a liberdade de expressão.
Réu no Supremo pelo crime de calúnia contra o ministro, senador propôs uma conciliação para ‘compor amigavelmente’ o litígio
Por João Pedroso de Campos Atualizado em 15 Maio 2023, 15h23 – Publicado em 15 maio 2023, 11h 30
O senador Magno Malta (PL-ES) e o ministro do STF Luís Roberto Barroso (Mateus Bonomi/AGIF; Carlos Alves Moura/SCO/STF)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso apresentou ao seu colega Alexandre de Moraes as condições para que seja encerrada uma ação penal aberta na Corte a partir de uma queixa-crime movida por ele contra o senador bolsonarista Magno Malta (PL-ES), pelo crime de calúnia.
Depois de marcada uma audiência para ouvir Malta e testemunhas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, para o próximo dia 19, sexta-feira, o senador pediu a Moraes que fosse designada uma audiência de conciliação com Barroso, “com a intenção de compor amigavelmente o presente litígio”.
Luís Roberto Barroso, que já havia se manifestado anteriormente rejeitando uma conciliação com o bolsonarista, apresentou, então, uma proposta de transação penal com duas condições para que a ação seja encerrada, sem a necessidade de uma audiência conciliatória
O ministro quer que Magno Malta se retrate formalmente, no âmbito do processo, quanto às ofensas à sua honra. Conforme a defesa de Barroso, “os termos da retratação devem ser objeto de prévia concordância entre as partes”. A manifestação pede ainda que Malta se comprometa a “não mais divulgar informações sabidamente falsas” a respeito do ministro, sob pena de reabertura da ação penal.
Senador caluniou ministro
O senador se tornou réu no STF após Luís Roberto Barroso mover contra ele uma queixa-crime, depois de Malta ter atribuído ao ministro agressões contra uma mulher.
A fala do senador ocorreu em 11 de junho de 2022, durante um evento conservador no interior de São Paulo. Sem apresentar provas, o ex-parlamentar declarou que o ministro do STF respondia a duas ações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com base na Lei Maria da Penha, referentes às supostas agressões.
Em 2013, então procurador do estado do Rio de Janeiro, Barroso, assim como uma procuradora, um desembargador, dois juízes, uma delegada e um inspetor da Polícia Civil do Rio, foram alvo de uma queixa-crime movida por uma advogada, que lhes atribuía crimes de calúnia, difamação, injúria, violência contra a mulher, formação de quadrilha, prevaricação e advocacia administrativa. A ação, no entanto, foi rejeitada liminarmente e arquivada pela ministra Eliana Calmon, por não haver absolutamente nenhuma prova nem justa causa para seu prosseguimento.
Uma funcionária pública estadual foi presa após chamar uma família, que passeava pelo Parque Municipal, em Belo Horizonte, Minas Gerais, de “pretos fedidos e feios”. Segundo a denúncia, a mulher, que teria 51 anos de idade, disse que “ali não era lugar para gente como eles”.
A ocorrência foi registrada pela Guarda Municipal no fim da tarde do último domingo (14). O caso foi identificado pelos agentes após terem avistado um menino chorando em uma avenida que fica em frente ao parque. O garoto pediu ajuda dos guardas, relatando que uma mulher havia xingado sua mãe.
Os guardas municipais acompanharam o garoto e se depararam com a mulher, de 41 anos, chorando, ao lado do outro filho, de 11 anos, que também estava igualmente nervoso. Enquanto isso, o pai tentava acalmar o bebê, de apenas um ano.
A suspeita de ter cometido os atos racistas nega o crime e disse que apenas chamou a atenção dos garotos, pois um deles teria tentado arremessar uma pedra em sua direção.
Os envolvidos foram conduzidos à Central de Flagrantes da Polícia Civil, no bairro Santa Tereza, na Região Leste de BH, após os guardas municipais terem dado voz de prisão à acusada.
Google falta a seminário, e relator das Fake News cobra que empresa participe de debates
Deputado Orlando Silva (PCdoB) afirmou que vai alinhar proposta com o Senado antes de levar a votação
Por Agência O Globo15 MAI 2023 às 14h19
Fábio Coelho, do Google – Google/Divulgação
O relator do PL das Fake News na Câmara dos Deputados, Orlando Silva (PCdoB) criticou a ausência do CEO do Google em um seminário para discutir mídias digitais. Fabio Coelho, executivo da plataforma digital, estava previsto para participar do debate organizado pelo Grupo Esfera, nesta segunda-feira em São Paulo, mas cancelou a ida de última hora.
O evento contou com a presença do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, do relator do projeto no Senado, Angelo Coronel, e da diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer.
— Defendo que o Google faça debate em um espaço como este, ou no Congresso Nacional. Não pode haver abuso do poder econômico da sua estrutura, que é neutra, para enviesar o debate — declarou o deputado.
Em coletiva de imprensa após o seminário, Silva cobrou que o Google indique qual artigo do PL abriria brechas para censura, em referência ao discurso defendido pelos opositores ao projeto segundo o qual a proposição limitaria a liberdade de expressão no país. O texto, na verdade, impõe maior transparência em conteúdo impulsionado e corresponsabilização em casos de cometimentos de crimes.
Uma das empresas-alvo da proposta, o Google é cobrado por maior transparência e responsabilização na circulação de conteúdo, principalmente no YouTube e nos algoritmos de busca.
Alinhamento entre as Casas Silva também afirmou que vai alinhar a proposta com o Senado antes de levá-lo a votação no plenário da Câmara. No mês passado, ele pediu a retirada do PL da pauta com a iminência de uma derrota na votação, o que foi considerado uma derrota para o governo, que defende a ideia.
— Vamos pactuar com o Senado antes de a Câmara votar o texto — afirmou o deputado.
Pouco antes, Coronel usou seu discurso para criticar as alterações feitas no projeto original, oriundo do Senado, e acenou para a não aprovação de algumas mudanças. Ele disse ver com bons olhos o fatiamento da proposta, com a votação independente das propostas de remunerar conteúdo jornalístico e referente a direitos autorais.
A proprietária do bar confirmou ter testemunhado as ofensas proferidas, porém, a agressora negou ter cometido o crime, alegando ter usado apenas o termo “mentirosa”
Por: João Victor Rodrigues
16/05/2023 7h00
Foto: Reprodução
Uma mulher de 29 anos foi detida sob acusação de cometer injúria racial contra outra mulher, de 34 anos, durante uma discussão ocorrida em um bar localizado na Avenida Presidente Kennedy, na Vila Caiçara, litoral de São Paulo.
Após ser acionada, a Polícia Militar enviou uma equipe para o estabelecimento comercial em questão. Ao chegarem ao local, os policiais foram informados pela vítima que, durante a discussão, a acusada a insultou com termos como “preta nojenta e mentirosa”.
As mulheres envolvidas foram conduzidas pela equipe policial até a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande. Durante o interrogatório, a acusada confessou ter proferido as palavras “preta mentirosa”. Com base nos depoimentos e evidências apresentadas, o delegado de plantão confirmou a ocorrência do crime e decidiu autuar a mulher de 29 anos em flagrante.
Segundo a vítima, gerente afirmou que “pessoas do tipo dele” estavam realizando furtos no local
Por Lucas Porfírio
O jovem Bernardo Vilas Boas denuncia ter sofrido racismo em um supermercado localizado no bairro Barra, em Ouro Preto. Por causa da proximidade de sua residência, desde 2019, ele tinha o hábito de realizar compras no local. De acordo com ele, na sexta-feira, dia 5 de maio, ele foi até o supermercado comprar alguns produtos quando notou que estava sendo seguido e vigiado por um funcionário do supermercado.
A princípio, Bernardo não imaginou que o funcionário estava desconfiado dele, mas que se tratava apenas de uma troca de olhares. “Eu não me toquei que poderia ser algo sobre racismo. […] Eu passei minhas compras no caixa e paguei. Aí o embalador reteve a minha compra e me mandou levantar a camisa. Eu fiquei sem entender e ele repetiu. Eu fiquei sem reação. Quando levantei a camisa ele me entregou a compra. Todo mundo olhou para mim, saí do supermercado morrendo de vergonha pelo constrangimento”, contou o jovem emocionado.
Segundo Bernardo, após sair do supermercado, ele foi para casa desnorteado sem acreditar no que havia acontecido e relatou o acontecido para amigos: “Cheguei em casa e chorei. Fui conversar com meus amigos e eles disseram que isso implicava em injúria racial. Um desses amigos falou para voltarmos ao supermercado para saber em que se basearam para me mandarem levantar a blusa”, explicou.
Quando retornou ao supermercado acompanhado de seu amigo, Bernardo pediu para conversar com o gerente. “A moça do caixa que me atendeu ainda estava lá. O gerente perguntou se ela viu o embalador pedindo para eu levantar a camisa e ela confirmou que sim. O embalador ficou quieto, não quis se manifestar, inclusive, ele ficou de cabeça baixa. Uma outra caixa se levantou e chegou até o embalador e disse ‘eu falei para você que isso ia dar ruim’”, afirmou a vítima.
Bernardo relatou que após a confirmação com a moça do caixa, ele e seu amigo foram atendidos pelo gerente em sua sala. No local, ele percebeu que o supermercado era monitorado por um sistema de câmeras que dava para ver todo o estabelecimento. “Eu contei para o gerente o que aconteceu. Ele me respondeu que foi instruído aos funcionários que realizassem essa abordagem para aquelas pessoas que eles desconfiassem e tivessem 100% de certeza de que estavam furtando e que isso já tinha acontecido com pessoas do meu tipo. Ele falou que na semana anterior duas pessoas negras tinham furtado o supermercado” disse Bernardo.
O jovem então questionou o gerente se todas as pessoas negras eram iguais. O funcionário do supermercado afirmou que poderia apenas pedir desculpas pelo constrangimento causado. Bernardo procurou informações sobre como proceder e descobriu que poderia registrar o boletim de ocorrência sem o flagrante. Assim, no dia 08 de maio, ele fez o registro junto à Delegacia de Polícia Civil de Ouro Preto, que investiga o caso.
O Jornal O Liberal procurou o supermercado, que a princípio disse que se pronunciaria sobre a acusação, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.
Injúria racial é equiparada ao crime de racismo
Conforme divulgado pela Agência Senado, no dia 12 de janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14,532, que tipifica como crime de racismo a injuria racial, com pena aumentada de um (1) a três (3) anos de prisão para de dois (2) a cinco (5) anos de reclusão.
Para a lei, o crime de racismo é entendido como um crime contra a coletividade, enquanto a injúria é direcionada a um indivíduo. A paridade entre injúria racial e racismo já havia sido reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro de 2021, que entende que o crime é imprescritível e inafiançável.
Bruno Spada/Câmara dos Deputados Gustavo Gayer denunciou a “institucionalização da censura no Brasil”
A Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados promove audiência pública nesta quinta-feira (11) para debater “medidas implementadas pelo Poder Judiciário para restringir o direito à liberdade de expressão”.
O pedido para realização da audiência foi apresentado pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO). Ele criticou medidas como a proibição de conteúdos considerados “ofensivos”, a censura de palavras e temas considerados “inadequados” e a proibição de veículos de comunicação de transmitir determinados assuntos.
“Essas medidas têm sido impostas ao povo brasileiro e aos deputados e senadores em razão de suas opiniões e palavras, afrontando o artigo 53 da Constituição [Liberdade de expressão], sem qualquer debate público ou diálogo com a sociedade civil e os demais Poderes da República”, afirmou. Para Gayer, está ocorrendo a “institucionalização da censura no Brasil”.
O debate ocorre às 14 horas, no plenário 11. Foram convidados, entre outros, representantes do Judiciário, Google, Twitter, e jornalistas.
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a retirada do Youtube do especial de comédia “Perturbador”, do humorista Léo Lins. A produção estava disponível desde dezembro do ano passado no Youtube.
No vídeo, que foi feito de show em Curitiba, que contava com mais de 3 milhões de visualizações, ele fez piadas com temas como escravidão, pessoas com deficiências e outras minorias. A decisão da Justiça foi provocada por um pedido do Ministério Público.
Na última quinta-feira (16), Leo Lins compartilhou no Instagram um texto falando sobre a decisão, além de ter feito uma contagem regressiva até o dia que a medida começou a valer.
“O show está fora do ar, este processo tem consequências absurdas. Há muito mais em jogo. A justificativa para remover meu show de stand-up, pode ser usada basicamente para remover 95% dos especiais de humor. Fora pedidos, a meu ver, desproporcionais por contar piadas num palco de teatro. Igualando uma expressão artística a um ato criminoso .Meu advogado já está entrando com uma defesa e pretendo fazer um vídeo relatando o que está acontecendo”, disse.
Em entrevista à CNN, Lins afirmou que sofreu censura e que seu vídeo não violou nenhuma norma do Youtube, inclusive estava recebendo dinheiro do Youtube pelo vídeo.
“O Ministério Público passou por cima da plataforma e considerou o show como um ato criminoso. Vou aguardar meu julgamento. Espero não ser preso. Mas, caso seja, com a superlotação das cadeias, meu show vai continuar lotado”, disse o comediante, que continuou.
“A propósito, isso foi uma piada. Utilizei um caso hipotético e uma figura de linguagem para isso. Estou explicando, para não acharem que foi um crime de ódio. E como fiz a piada comigo e sou um homem branco hétero, creio que não tem problema, pois é um dos únicos temas permitidos segundo o processo”, afirmou Lins.
Assim que a decisão da Justiça foi noticiada, outros humoristas demonstraram apoio a Lins, como o apresentador e também comediante Fábio Porchat., que usou o Twitter para se manifestar contra a decisão judicial.
“Fiquei feliz em ver o apoio de muitos colegas, até porque precisa ser muito burro ou mal caráter pra ser a favor de algo que será usado contra você. Mas sempre tem um ou outro assim”, disse ele após ver a repercussão.
“Humor não tem limite, o ambiente sim. Todas as polêmicas que já me envolvi são por piadas contadas em um palco. Proibir piadas no palco é o equivalente a proibir socos no ringue de boxe”, completou o humorista.
Viralizou nas redes
Fábio Porchat e Antonio Tabet estão entre os comediantes que saíram em defesa de Leo Lins. “Isso aqui é uma vergonha! Inaceitável!”, disse Porchat, que completou com um texto afirmando que o humorista tem direito de ofender.
Não gosta de uma piada? Não consuma essa piada. Se a piada não incitou o ódio e a violência ela é só uma piada. Tem piada de todos os tipos, de pum e de trocadilho, ácida e bobinha. Tem piada de mau gosto? Tem também. Tem piada agressiva? Opa. Mas aí é só não assistir. Quem foi…
Tabet também usou a rede social para dizer que “piadas são só piadas”.
Um absurdo! Não cabe à Justiça – e nem a ninguém – aprovar ou censurar piadas alheias. Pode-se gostar, detestar ou criticar a comédia ou o comediante, mas piadas são só piadas. Piadas não matam mais que dramas, jornalismo, publicidade ou a realidade. https://t.co/lI7jUiZDbR
Também teve quem defendeu afirmando que isso é censura.
Ser comediante é difícil. Todos acham que sabem mais do que eu da minha própria profissão. Pessoas apoiando a censura do Léo Lins e querendo me explicar os motivos HAHAHAHA vtnc A censura foi feita. Início do fim. Quando chegar na tua porta. Você vai lembrar desse dia.
Fábio Porchat se pronunciou nesta quarta-feira (17/5) sobre a repercussão do tuíte feito por ele em apoio a Léo Lins. Na publicação controversa, o apresentador do Que História É Essa, Porchat demonstra indignação com a decisão judicial que obrigou Lins a apagar um especial de comédia e se abster de fazer piadas preconceituosas. O posicionamento de Fábio dividiu opiniões e foi alvo de críticas.
“Não gosta de uma piada? Não consuma essa piada. Se a piada não incitou o ódio e a violência ela é só uma piada. Tem piada de todos os tipos, de pum e de trocadilho, ácida e bobinha. Tem piada de mau gosto? Tem também. Tem piada agressiva? Opa. Mas aí é só não assistir. Quem foi lá assistir ao Leo Lins adorou. Riram muito. Quem não gostou das piadas são os que não foram. Pronto, assim que tem que ser”, iniciou ele em um post no Instagram.
Em um dos trechos de seu texto, Fábio diz que humoristas têm o direito de ofender.
“Ah, mas faz piada com minorias… E qual o problema legal? Nenhum. Dentro da lei pode-se fazer piada com tudo tudo tudo. Não gostar de uma piada não te dá o direito de impedir ela de existir. Ainda mais previamente. Impedir o comediante de pensar uma piada é loucura. Mesmo que você não goste desse comediante, mesmo que você despreze tudo o que ele diz, ele tem o direito de dizer. Ele tem o direito de ofender. Não existe censura do bem”, argumetou Porchat.
Fábio Porchat
“Se cada pessoa que se ofender com uma piada resolver tirar ela do ar não sobra um Joãozinho, um papagaio, um argentino. Pra mim democracia não é um regime pra você defender as suas ideias, mas pra quem você não concorda poder defender as delas. Não confundam ‘não gosto dele’ com ‘ele não pode falar’. Não entrem nessa conversa com a emoção, entrem com a razão”, finalizou ele.
Entenda
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que proibiu Léo Lins de fazer piadas com minorias atende a um pedido do Ministério Público de São Paulo, sob o argumento de que o o humorista estaria “reproduzindo discursos e posicionamentos que hoje são repudiados”, como piadas sobre escravidão, perseguição religiosas e pessoas com deficiência.
O tribunal ainda determinou que Lins apague de seu canal no Youtube um vídeo publicado no final de 2022 que contava com mais de 3 milhões de acessos.
Solidário a Leo Lins, Fábio Porchat compartilhou reportagem sobre o processo e disparou: “Isso aqui é uma vergonha! Inaceitável!”.
O posicionamento dividiu opiniões. “Achei foi pouco. Piada com minorias nos dias em que vivemos não dá pra aturar mais. É sempre um hetero branco defendendo essas coisas. Achei bem feito! Kd aquele seu discurso sobre “não precisamos rir das minorias”? Foi pra parecer legal? Decepção, Fabio”, escreveu a drag queen Pietra Parker.
“O ano é 2023. Tem piada que hj em dia é inaceitável. Dá pra ser engraçado sem ofender ninguém. A ofensa e o palavrão são muletas fáceis para humoristas ou comediantes sem talento, apelativos”, opinou uma internauta.
Também teve internauta que resgatou vídeos em que Fábio Porchat critica piadas preconceituosas. “Tua cara nem treme né?”, questionou um usuário do Twitter. Veja:
Durante entrevista no ano passado, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) fez menção a uma suposta relação de petistas com o assassinato do prefeito de Santo André (SP), em 2002
O então prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT) foi assassinado em 2002Itamar Miranda/Estadão Conteúdo – 28.mai.1997
A Corte determinou pagamento de multa individual de R$ 10 mil.
O conteúdo discutido foi uma entrevista de Gabrilli à rádio Jovem Pan, durante o período eleitoral de 2022, em que a congressista fez menção a uma suposta relação entre Lula e o PT com o assassinato do prefeito de Santo André (SP) em 2002, Celso Daniel.
Os congressistas compartilharam o material em seus perfis nas redes sociais. Uma decisão liminar (provisória) do TSE no final de setembro de 2022 determinou a remoção do conteúdo.
Segundo a coligação do então candidato Lula nas eleições do ano passado, a senadora divulgou “alegações infundadas” sobre o caso e o vídeo da entrevista foi “amplamente divulgado” nas redes sociais dos demais congressistas.
Julgando o mérito do caso, nesta quinta-feira (18), venceu a divergência aberta pela ministra Maria Claudia Bucchianeri. Acompanharam o entendimento os ministros Benedito Gonçalves, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes.
O relator, ministro Carlos Horbach, ficou vencido. Acompanharam o ministro Nunes Marques e Raul Araújo.
O relator votou para excluir Flávio Bolsonaro do rol de condenados, que teria se limitado a compartilhar o vídeo da entrevista, condenando e determinando multa aos demais.
“Da leitura da entrevista, vê-se que a senadora Mara Gabrilli afirmou textualmente que o então pré-candidato [Lula] teria efetuado pagamento para que a história do assassinato não fosse vinculado a sua imagem”, disse o relator.
Conforme o relator, o TSE já firmou entendimento sobre o assunto. Em caso semelhante, a Corte seguiu voto do ministro Alexandre de Moraes:
“É de conhecimento público e notório, o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel se trata de caso encerrado perante o Poder Judiciário, com os responsáveis devidamente processados e julgados, estando cumprindo pena. Também é fato conhecido e amplamente divulgado que o Ministério Público de São Paulo encerrou definitivamente as apurações, não havendo notícia do envolvimento do Partido dos Trabalhadores ou de seus membros. Esse contexto evidencia, com clareza e objetividade, a divulgação de fatos sabidamente inverídicos”.
Em seu voto, acompanhando a divergência, Moraes disse que a mídia tradicional também pode ser instrumentalizada e “se permitir instrumentalizar” em um procedimento praticado por “milícias digitais” para compartilhar desinformação.
“Lamentavelmente, isso é fato notório, a Jovem Pan se deixou e quis ser utilizada como verdadeiro braço de um partido político”, declarou. “Essa entrevista, que de entrevista não tem nada, foi uma propaganda política negativa, em 10 minutos já toda a rede das milícias digitais propagavam essa notícia.”
No julgamento, os advogados de Flávio e Zambelli disseram que o conteúdo compartilhado deveria ser entendido como protegido pela imunidade parlamentar.
“A manifestação da então senadora teve base em elementos, em grande parte, recentes, como a divulgação à época de novos elementos sobre o caso, da delação do Marcos Valério, de envolvimento do PT e isso gerou uma série de repercussões contemporâneas e que os representados sentiram a necessidade de compartilhar”, disse o advogado Thiago Rocha Domingues, responsável pela defesa de Zambelli.
Em nota, a deputada Carla Zambelli informou que vai recorrer da decisão.
“Se admitirmos a aplicação de multas e determinação de remoções de conteúdo dessa natureza, estaremos aceitando que somente as versões das autoridades sejam permitidas de serem propagadas. Nesse contexto, a busca pela verdade perde sua relevância.”, afirmou.
A CNN buscou as assessorias de Gabrilli e Flávio Bolsonaro, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
O que diz a defesa de Mara Gabrilli
“O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou todos os requeridos (por maioria de votos), ao pagamento de multa de 10 mil reais, não tendo tratado expressamente da ilegitimidade passiva da Senadora Mara Gabrilli (PSD-SP).
Neste caso, cabe informar que a ilegitimidade passiva deve ser respeitada, uma vez que a senadora concedeu entrevista, não repercutiu seu conteúdo.
À época, a própria entrevista ensejou um pedido de direito de resposta, onde a Senadora Mara foi excluída do processo.No caso de hoje (18/5), a Procuradoria Geral Eleitoral manifestou-se no mesmo sentido, ou seja, pela exclusão da Senadora Mara do processo por ilegitimidade passiva.
Por conta dessa omissão, vamos opor embargos de declaração para pronunciamento expresso daquele Tribunal acerca deste tema, na linha da anterior decisão do próprio TSE, proferida em direito de resposta que surgiu da mesma entrevista”, concluiu a nota assinada pelo advogado Alexandre Rollo.
Atacante do Real Madrid deixa em aberto a hipótese de sair da Espanha por causa dos seguidos casos de racismo nos estádios
Por Redação do ge — Valencia, Espanha
21/05/2023
16h47 Atualizado há uma hora
Vinicius Junior desabafou nas redes sociais após ser vítima de racismo durante o jogo do Valencia contra o Real Madrid, pelo Campeonato Espanhol. Ele foi chamado de “macaco” por parte da torcida presente no estádio Mestalla, neste domingo, e ainda foi expulso nos acréscimos da partida.
— Vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui — afirmou Vinicius Junior.
Valencia x Real Madrid é interrompido após racismo contra Vinicius Junior
Logo após o jogo, o atacante do Real Madrid postou um story no Instagram com a seguinte mensagem.
– O prêmio que os racistas ganharam foi a minha expulsão! ‘Não é futebol, é LaLiga'” – disse o jogador, em referência ao slogan usado pela liga espanhola em campanhas publicitárias.
Minutos depois, Vinicius fez um post mais longo sobre o assunto. Pela primeira vez, deixou em aberto a possibilidade de deixar a Espanha por causa dos seguidos casos de racismo.
– Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas. Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhóis que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país de racistas. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui.
Vinicius Junior é alvo de racismo durante o jogo entre Valencia e Real Madrid — Foto: Getty Images
Na partida deste domingo, vencida pelo Valencia por 1 a 0, aos 24 minutos do segundo tempo, numa jogada pela esquerda, Vinicius Junior foi atrapalhado por uma segunda bola em campo (supostamente jogada pela torcida). O atacante do Real reclamou, e parte dos torcedores mais próximos o xingaram de “macaco” — algo que já tinha sido observado na partida.
Vinicius puxou o árbitro Ricardo De Burgos Bengoetxea para denunciar um determinado torcedor. O árbitro então conversou com jogadores e com os técnicos dos dois times, além do quarto oficial.
Courtois e Rüdiger tentam acalmar Vinicius Junior durante jogo contra o Valencia — Foto: Reuters
O sistema de som do Mestalla emitiu dois avisos: um de que a partida tinha sido paralisada por causa desse episódio de racismo, e o segundo de que ela só voltaria caso os xingamentos e cânticos fossem encerrados.
Foram cerca de oito minutos entre o início da confusão da segunda bola em campo, passando pela denúncia de racismo, até a retomada do jogo.
O segundo tempo continuou, e por volta dos 48 minutos, começou mais uma confusão na área do Valencia. O goleiro Mamardashvili partiu para cima de Vinicius Junior — ambos receberam cartão amarelo inicialmente —, e outros atletas foram envolvidos.
No meio do empurra-empurra, o atacante Hugo Duro deu um mata-leão no brasileiro, segurando-o pelo pescoço. Ao se desvencilhar, Vinicius acertou o rosto do adversário. Acalmados os ânimos, o VAR chamou Burgos Bengoetxea, que reviu o lance e decidiu expulsar o brasileiro.
Hugo Duro segura Vinicius Junior pelo pescoço durante confusão em Valencia x Real Madrid — Foto: Reprodução / Internet
Após ser expulso da partida, Vinicius Junior saiu de campo aplaudindo, fazendo comentários e gesticulando “2” com as mãos (provocação em referência à briga do Valencia contra a segunda divisão). Integrantes da comissão técnica do time adversário e jogadores que estavam no banco de reservas foram tirar satisfação.
Vinicius Junior provoca torcida do Valencia com referência à Segunda Divisão da Espanha — Foto: Getty Images
O brasileiro precisou ser escoltado por colegas de Real Madrid.
Em nota divulgada após a partida deste domingo, LaLiga declarou que vai investigar os “incidentes” ocorridos no estádio Mestalla. A liga também informou que já solicitou todas as imagens disponíveis para investigar o caso e, caso necessário, vai tomar “todas as medidas cabíveis”.
O Valencia, por sua vez, emitiu comunicado condenando “qualquer tipo de insulto, ataque no futebol”. O clube se declarou contrário à violência física e verbal nos estádios e lamentou o ocorrido no jogo contra o Real Madrid. Porém, classificou o caso como “episódio isolado” e prometeu tomar “as medidas mais severas” após investigação. Além disso, condenou qualquer ofensa e pediu “respeito máximo” à sua torcida.