MP denuncia mulher por iniciar filha no candomblé; defesa aponta intolerância religiosa

Promotor denunciou moradora de Campinas (SP) pelo crime de lesão corporal; advogado defende que mãe exerceu direito previsto no ECA, de transmissão familiar de crença.

segunda-feira, 12 de julho de 2021.

A sede do Ministério Público, em Campinas — Foto: Fernando Pacífico / G1
A sede do Ministério Público, em Campinas — Foto: Fernando Pacífico / G1

Uma moradora de Campinas (SP) foi denunciada pelo Ministério Público (MP-SP) à Justiça pelo crime de “lesão corporal com violência doméstica agravada” após um ritual que iniciou a filha no candomblé. A promotoria defende que a mulher de 33 anos ofendeu a integridade física da criança, então com 10 anos, ao participar do rito que inclui a escarificação (incisões na pele). A defesa aponta sinais de intolerância religiosa na denúncia e pede extinção do processo.

Por conta do mesmo ritual religioso, levado à Polícia Civil pelo ex-marido, a mãe conta que não vê a filha há quase seis meses. “Meu mundo caiu. Eu lutei para criar minha filha nesses 11 anos. Sou uma boa mãe, amo minha filha. Minha vida é ela. Estou lutando para ficar de pé na esperança que esse pesadelo acabe”, diz.

O ritual de filiação ao candomblé, em um terreiro na cidade de Vargem (SP), ocorreu em 9 de outubro de 2020. O registro do boletim de ocorrência do pai contra a mãe da menina foi feito em 17 de janeiro de 2021. Já a denúncia do promotor Gustavo Simioni Bernardo foi oferecida em maio deste ano, mas o G1 teve acesso às peças neste domingo (11).

A denúncia

Na denúncia recebida pela Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Campinas, o promotor do MP defende que a mãe levou a criança “a um ritual religioso no qual a vítima sofreu cortes provocados por gilete ou navalha, causando-lhe lesões corporais de natureza leve”.

Bernardo argumenta ainda que a denunciada teria agido por ação e também por omissão, “pois devia e podia agir para evitar resultado danoso à filha”.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) anexado à denúncia, realizado em 22 de janeiro de 2021, três meses e 13 dias depois do ritual, aponta que a criança tinha “oito cicatrizes lineares hipercrômicas, na região do ombro direito”, e “cicatriz linear hipercrômica na região lateral do braço esquerdo”, todas com “aproximadamente 0,5 centímetro”.

A conclusão da perita é de que a menina apresentou “lesões corporais de natureza leve”.

O que diz a defesa?

O advogado Hédio Silva Jr., que representa a mãe no processo, argumenta que o fato é penalmente irrelevante e que “há sinais inequívocos que apontam para intolerância religiosa”.

Hédio defende que a cliente exerceu direito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que assegura aos pais o direito de transmissão familiar de suas crenças e culturas, e que a prática da escarificação religiosa é menos invasiva que outros rituais comuns em outras religiões, como a circuncisão praticada por judeus e muçulmanos, por exemplo.

“É um caso que entendemos ser ideológico. É fato e notório a extração do prepúcio em bebês de outras religiões, feitas por sacerdotes, e não médicos, e que não configuram lesão corporal. Seria o mesmo que dizer que práticas cotidianas, como a colocação de brincos em crianças, configuram lesão. A escarificação é um ritual religioso”, explica.

Ainda segundo o advogado, a escarificação realizada na cerimônia de iniciação no candomblé, religião de matriz africana, consiste em uma “microincisão que atinge a superfície da derme, equiparável à tatuagem”.

“Simples observação do resultado da escarificação no corpo da filha da denunciada comprova a flagrante inexistência de qualquer violência, ofensa à integridade corporal, alteração anatômica ou lesão física, porquanto reduzido à hipercromia atestada em laudo, similar à microscópica tatuagem, localizada em parte do corpo ocultada por vestuário casual”, pontua o advogado na defesa enviada à Justiça.

O que diz a mãe?

A mãe denunciada à Justiça contou ao G1 que frequenta o terreiro de candomblé em Vargem (SP) há cinco anos, sendo que nos últimos dois a filha a acompanhava, tinha amizade com outras crianças e teria sido informada sobre o ritual de iniciação.

“Ela fez comigo (o ritual). Quando falei que iria fazer, expliquei e perguntei se ela queria fazer. Ela nunca foi obrigada ao terreira, nunca houve resistência, sempre era uma alegria. Era uma coisa normal, como um batismo nas igrejas. E meu ex-marido sabia da crença, ela contava”, diz.

Para a moradora de Campinas, o que tem sido mais complicado não é enfrentar o processo, mas estar distante da filha e sem contato com ela por tanto tempo.

“Desde janeiro eu não vejo, não posso falar, ninguém da minha família fala com ela. Minha vida é ela, somos só nos duas há 11 anos. Uma mãe ser impedida ter contato com seu filho, isso é um absurdo. Tento ser forte para não me entregar a uma depressão. Mas tenho fé, esperança que as coisas vão reverter. Nunca faria mal a minha filha. Fiz o bem para ela, como todo pai e mãe que frequenta uma religião faz ao iniciar seus filhos”, completa.

De acordo com a mãe e o advogado de defesa, a menina ficou sob a tutela do pai, que busca na Justiça a guarda da filha. Ainda segundo a mulher, o casal se separou quando a criança tinha seis meses de idade, e ela foi responsável pela criação.

G1 tentou contato com o pai da criança, por telefone, mas não teve sucesso até esta publicação. O texto será atualizado assim que ele se manifestar.

Por G1 Campinas e Região

11/07/2021 17h05  Atualizado há 17 horas

Reprodução: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2021/07/11/mp-denuncia-mulher-por-iniciar-filha-no-candomble-defesa-aponta-intolerancia-religiosa.ghtml

“É viado?”: Escola é condenada por expor aluno a situação vexatória

De acordo com o aluno, a professora teria dito, na frente dos demais alunos, que “a sua prima pediu para eu te perguntar se você é viado”.

segunda-feira, 12 de julho de 2021.

Uma escola do DF terá de indenizar aluno que foi exposto a situação vexatória ao ser questionado pela professora sobre sua sexualidade na frente dos colegas de sala. De acordo com o aluno, a professora teria dito a ele: “sua prima pediu para eu te perguntar se você é viado”. A 2ª turma Cível do TJ/DF concluiu que houve violação aos direitos de personalidade do aluno. 

(Imagem: Freepik)
Aluno afirmou que, após o ocorrido, deixou de frequentar as aulas por vergonha. (Imagem: Freepik)

O aluno relata que, durante uma aula de produção de texto, a professora o questionou acerca da sua sexualidade. De acordo com ele, a docente teria dito, na frente dos demais alunos, que “a sua prima pediu para eu te perguntar se você é viado.” O estudante afirmou que, após o ocorrido, deixou de frequentar as aulas por vergonha.

Decisão da 3ª vara Cível de Taguatinga condenou a instituição de ensino ao pagamento de indenização por danos morais. A escola recorreu sob o argumento de que a advertência aplicada à professora não comprova a existência de suposto dano. Defende ainda que o documento apresentado pelo aluno foi produzido de forma unilateral e não pode ser utilizado como prova. 

Ao analisar o recurso, os desembargadores observaram que as provas são aptas a comprovar que o estudante foi questionado sobre a sexualidade na frente dos colegas de sala. Para os magistrados, “não há dúvidas que a situação vivenciada pelo autor é passível de configuração de danos morais”, uma vez que houve violação aos direitos de personalidade. 

“Nesse contexto, ante a gravidade da situação, que expôs o aluno (ainda adolescente) de maneira vexatória perante seus colegas, constitui circunstância que extrapola o mero aborrecimento. Assim, in casu, é evidente o dano à personalidade causado pela apelante ao apelado, sendo de rigor a sua condenação ao pagamento de indenização por danos morais.”

Dessa forma, por unanimidade, a turma concluiu que o colégio deve ser responsabilizado pelo ato praticado pela professora e manteve a sentença que o condenou ao pagamento de R$ 10 mil a título de danos morais.

Informações: TJ/DF.

Por: Redação do Migalhas

Atualizado em: 8/7/2021 às 18:44

Reprodução: https://www.migalhas.com.br/quentes/348264/e-viado–escola-e-condenada-por-expor-aluno-a-situacao-vexatoria

Jogador de futebol indenizará mesária por chamá-la de “sapatão”

Na contagem de uma penalidade aplicada pelo árbitro, o jogador teria dito à assistente: “Sapatão, sua sapatão, vai procurar uma mulher para você!”.

segunda-feira, 12 de julho de 2021.

Um jogador de futebol terá de pagar indenização por danos morais a mesária da partida por chamá-la de “sapatão”. Na decisão, o juiz leigo do 5º JEC de Goiânia, ressaltou que “é inconteste que atos homofóbicos devem ser denunciados, diante de uma sociedade ainda resistente em respeitar a diversidade de raça, cultura, ideologia, crença, gênero e sexualidade, direitos fundamentais garantidos pela Constituição do Brasil”.

A sentença foi homologada pela juíza de Direito Roberta Nasser Leone.

(Imagem: Freepik)
Mesária foi agredida verbalmente durante uma partida de futebol enquanto estava desempenhando sua função. (Imagem: Freepik)

Ao propor a ação, a mesária sustentou ter sido agredida verbalmente pelo promovido durante uma partida de futebol enquanto estava desempenhando sua função. Na contagem de uma penalidade aplicada pelo árbitro a um terceiro jogador, este a ofendeu nos seguintes termos: “Sapatão, sua sapatão, vai procurar uma mulher para você!”.

A mulher alegou ter explicado ao jogador que estava cumprindo sua função, conforme o regulamento. Afirmou, ainda, que tais agressões em voz alta foram presenciadas por várias pessoas que estavam no local e que, pelo ato praticado, houve um ataque à sua opção ou orientação sexual. Disse, ainda, que sofreu grave constrangimento e que tal atitude feriu sua dignidade e integridade, inclusive, degradando seu clima de trabalho.

Ao analisar o caso, o juiz leigo Fernando Luiz Dias Morais Fernandes salientou que a parte autora logrou êxito em demonstrar a veracidade de suas alegações, ao anexar Boletim de Ocorrência e Termo Circunstanciado de Ocorrência, estando ali identificados tanto o autor do fato delituoso, como a vítima e testemunhas que estavam presentes no dia dos fatos.

De acordo com a decisão, o conteúdo dos documentos deixa claro que os eventos se sucederam da forma narrada na inicial, inclusive o reclamado reconheceu em seu depoimento prestado no TCO que “sentiu-se injustiçado sobre as regras aplicadas por ela, mesária em campeonato de futebol que o suposto autor jogava”.

Situação constrangedora e humilhante

O juiz ressaltou não ter dúvidas, com base em tais elementos, de que o promovido procedeu de forma inadequada para com a promovente, colocando-a em situação extremamente constrangedora e humilhante, sem qualquer justificativa possível.

“A meu ver, na situação narrada nos autos supera os meros dissabores da vida cotidiana, atingindo o íntimo da personalidade da requerente (honra subjetiva), bem como sua valoração no meio social (honra objetiva), principalmente se considerarmos o alcance que qualquer informação atinge através das redes sociais, trazendo maiores prejuízos ainda, àquela que vive de profissão atrelada a atividades desportivas que, incontestavelmente, atrai grande atenção do público.”

Ainda em relação a atos homofóbicos, foi observado na decisão que “estes devem ser inclusive criminalizados, consoante recente decisão do Pretório Excelso, que reconheceu a mora do Congresso em incriminar atos atentatórios a direitos fundamentais dos integrantes da comunidade LGBTQIA+, autorizando seu enquadramento na lei de racismo (lei 7.716/86), até que o parlamento edite lei específica”.

Diante disso, foi julgado procedente o pedido para condenar o jogador ao pagamento de R$ 6 mil a título de danos morais. A sentença foi homologada pela juíza de Direito Roberta Nasser Leone.

  • Processo: 5594546-22.2020.8.09.0051

Veja a sentença.

Por: Redação do Migalhas

Publicado na data de 09/07/2021 e atualizado em 09/7/2021 às 08:56

Reprodução: https://www.migalhas.com.br/quentes/348299/jogador-de-futebol-indenizara-mesaria-por-chama-la-de-sapatao

Preso por chamar Bolsonaro de genocida, Rodrigo Pilha é solto

Por Marília Senasobre Brasília 

Em 11 jul, 2021 – 11:09

Rodrigo Pilha. Foto: Arquivo pessoal/ Instagram

O ativista Rodrigo Grassi, conhecido como Rodrigo “Pilha”, preso desde o dia 18 de março por protestar na Esplanada dos Ministérios com um cartaz chamando o presidente Jair Bolsonaro de “genocida”, foi solto na noite deste sábado (10). Ele estava detido em Brasília, no complexo da Papuda.

De acordo com o portal UOL, Pilha cumpria a pena em regime semiaberto, apesar de uma decisão da Justiça para que ele fosse ao regime aberto. A audiência que confirmaria a mudança do cumprimento de pena estava marcada para sexta-feira (9), mas foi remarcada para o próximo dia 16.

Ontem, Pilha enviou uma carta aos amigos e familiares informando que estava iniciando uma greve de fome para protestar contra as más condições da cadeia e a demora da decisão judicial.

“”Tendo em vista que o Judiciário segue me proibindo de falar, conceder entrevistas, e agora me mantém preso, mesmo eu tendo conquistado o direito ao regime aberto, optei por usar meu corpo e a resistência pacífica para protestar contra estes e diversos outros absurdos que seguem ocorrendo no sistema penitenciário do DF, por conta do autoritarismo policial e judicial”, disse na carta.

Mas, de acordo com as redes sociais da família e de Rodrigo Pilha, o ativista foi para casa na noite de ontem. “VALEU A PRESSÃO! Saiu o alvará de soltura do Rodrigo Pilha!!!”, publicou um familiar em seu twitter.

VALEU A PRESSÃO!
Saiu o alvará de soltura do @RODRIGOPILHA!!!
A família e os advogados estão tratando dos trâmites burocráticos.
Ainda não sabemos se ele irá hoje ou amanhã p/ casa!#PilhaLivre!!

Erico Grassi (@ericograssi) July 10, 2021

Uma foto também foi publicada nas redes sociais com Pilha em liberdade. “#PilhaLivre! “Vamos p/ cima desse sistema medieval” A família agradece cada mensagem de apoio e carinho!”.

Reprodução: https://congressoemfoco.uol.com.br/midia/preso-por-chamar-bolsonaro-de-genocida-rodrigo-pilha-e-solto/

Bolsonaro ataca liberdade de expressão para minar democracia, dizem participantes de debate online

Evento da OAB e da Comissão Arns discutiu ameaças a jornalistas e autoritarismo do presidente

SÃO PAULO 8.jul.2021 às 14h41

Os ataques à liberdade de imprensa são parte de uma estratégia mais ampla do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores para minar a democracia brasileira e manter o atual grupo político no poder.

Este foi o diagnóstico a que chegaram os participantes do debate online “Erosão da Liberdade de Expressão no Brasil”, realizado nesta quinta-feira (8) como um evento paralelo da sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Participantes do evento Erosão da Liberdade de Expressão no Brasil; a partir da esquerda, no alto: o escritor Paulo Coelho, a jornalista Patrícia Campos Mello e o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz; no centro: o advogado Pierpaolo Bottini, o youtuber Felipe Neto e o presidente da Comissão Arns, José Carlos Dias; embaixo: a mediadora, Laura Greenhalgh – YouTube OAB Nacional

Participaram da discussão o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, o presidente da Comissão Arns, José Carlos Dias, o escritor Paulo Coelho, o youtuber Felipe Neto, o advogado Pierpaolo Bottini e a repórter Patrícia Campos Mello, da Folha.

A mediação foi da jornalista Laura Greenhalgh, diretora-executiva da Comissão Arns, que organizou o evento em parceria com a OAB.

De acordo com os debatedores, há um ataque organizado contra a imprensa sem precedentes desde o final da ditadura militar, com aval explícito do presidente da República.

“Quando o presidente ataca a imprensa, cria um movimento perverso contra jornalistas”, afirmou Bottini.

Segundo ele, Bolsonaro não planeja dar um golpe tradicional, mas sim promover um processo mais sutil de cerco à imprensa, com intimidação física, retórica e financeira contra jornalistas.

“Precisamos ser intransigentes ao defender a liberdade de expressão, revolucionários ao defender a lei e a Constituição”, afirmou ele, para quem o Supremo Tribunal Federal tem sido um aliado importante nesse processo.

Para Campos Mello, os apoiadores de Bolsonaro sentem que têm “luz verde para atacar jornalistas”. “A retórica agressiva do presidente tem levado violência às ruas”, afirmou ela, que citou diversos episódios de agressão física e verbal contra jornalistas, sobretudo mulheres.

A jornalista publicou reportagens na Folha denunciando o disparo ilegal de mensagens por apoiadores de Bolsonaro na campanha de 2018, e sofreu diversas ameaças por isso.

Para Santa Cruz, “a liberdade de usar palavras e expressões, um direito fundamental conquistado duramente”, está sob ataque no Brasil atual.

Ele previu que nos próximos meses a situação deverá se tornar ainda mais tensa, à medida em que a popularidade de Bolsonaro cai e a eleição presidencial se aproxima.

“Quando um rato tem medo, ele é mais agressivo. Precisamos estar atentos, porque os próximos meses serão decisivos para as instituições brasileiras”, afirmou o presidente da OAB.

Dias, da Comissão Arns, alertou que a liberdade de imprensa é a “grande arma para lutarmos nesse momento tão doloroso que estamos vivendo”.

Segundo ele, que presidiu a Comissão Justiça e Paz e foi ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), há um risco real de vermos o retorno de um clima de intimidação como o que existia durante a ditadura.

“Precisamos usar nossas vozes para que aquilo não se repita. Mais do que nunca, temos um dever com a democracia, uma obrigação com nossos filhos, nossos netos e nossos pais”, declarou.

Os debatedores foram unânimes em ressaltar que uma das estratégias para restringir a liberdade de imprensa é a busca por deslegitimar o papel de jornalistas, frequentemente com uso de redes sociais como ferramentas.

Para Felipe Neto, há uma “inversão de narrativas”.

“Temos uma situação muito alarmante. Bolsonaro e seus apoiadores gostam de inverter a narrativa e dizer que são eles os perseguidos e os grandes defensores da liberdade de imprensa. E as pessoas que não estudam isso a fundo acham que eles são os verdadeiros heróis”, afirmou o influenciador digital.

Ele alertou para o risco de uma proposta em gestação na Secretaria Especial da Cultura para tentar proibir plataformas de comunicação de excluir conteúdo que propague o ódio e a desinformação.

Neto disse que tem 33 anos, a “idade da Constituição”, e que sempre ouviu relatos sobre a censura e a perseguição do regime militar à imprensa. “Não vivi a ditadura militar no Brasil, nasci no mesmo ano da Constituição de 1988.

“Cresci ouvindo coisas sobre a ditadura de uma forma muito alarmante, e sempre tive medo de que isso pudesse se repetir”, afirmou.

Já o escritor Paulo Coelho alertou para o que considera o risco de que a vitimização por parte da imprensa cause paralisia na luta contra atos do atual governo.

“Não podemos aceitar o papel de vítimas, senão daremos a eles [bolsonaristas] o poder de serem nossos mestres, nossos executores”, afirmou o romancista.

Coelho pediu que jornalistas, comunicadores e artistas reajam à ofensiva contra a liberdade de expressão sem medo. “Não somos pessoas em extinção, como Bolsonaro disse. Estamos aqui e vamos resistir”, afirmou.

Ele deu como exemplo a atitude de Felipe Neto de ter distribuído 10 mil livros com temática LGBT em 2019, em resposta a uma tentativa do então prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), de censurar uma história em quadrinhos em que havia a ilustração de dois homens se beijando.

“Eu tive inveja de você, Felipe, eu gostaria de ter tido aquela ideia”, disse Coelho.

Outra constatação do debate foi o fato de que o presidente muitas vezes extrapola seus poderes, por maiores que sejam. “Às vezes parece que Bolsonaro acha que foi eleito para ser um tirano, não para ser um presidente”, afirmou Greenhalgh.

Campos Mello concordou. “Não é porque ele foi eleito que pode atacar um jornalista, deslegitimar seu trabalho”, afirmou a repórter, que se mostrou pessimista sobre alguma mudança de curso na atitude do presidente e de seus apoiadores. “Não tenho ilusão de que isso vá parar, é a natureza desse governo”, declarou.

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/07/bolsonaro-ataca-liberdade-de-expressao-para-minar-democracia-dizem-participantes-de-debate-online.shtml. Acesso em 09 jul. 2021.

Juiz determina que lei de mídia social da Flórida provavelmente viola liberdade de expressão

01/07/2021 10h50

Por Kanishka Singh

(Reuters) – Um juiz federal bloqueou na quarta-feira uma lei recentemente promulgada na Flórida que autorizaria o Estado a penalizar empresas de mídia social que vetem candidatos políticos, afirmando que provavelmente viola os direitos de liberdade de expressão.

O juiz distrital dos EUA, Robert Hinkle, em Tallahassee, emitiu uma liminar bloqueando a aplicação da lei, que estava programada para entrar em vigor nesta quinta-feira.

“Esta ordem limita preliminarmente a aplicação de partes da legislação que limitam ou violam a Primeira Emenda”, disse o juiz na ordem apresentada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Flórida.

“Os querelantes provavelmente terão acolhidas suas alegações sobre no que diz respeito ao mérito, de que essas determinações violam a Primeira Emenda”, escreveu Hinkle. A Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos garante aos cidadãos o direito à liberdade de expressão.

Dois grupos de comércio de tecnologia entraram com um processo contra a Flórida em maio por causa da nova lei.

No processo alegam que o projeto de lei assinado em maio pelo governador da Flórida, Ron DeSantis, um republicano, é inconstitucional. A ação foi apresentada pelos grupos de lobby da Internet NetChoice e Computer & Communications Industry Association (CCIA). Os membros dos grupos incluem Facebook, Twitter e Google, da Alphabet.

A Flórida seria o primeiro Estado a regulamentar como as empresas de mídia social moderavam o discurso online. A nova lei teria tornado mais fácil para o procurador-geral da Flórida e outros no Estado processar as empresas de tecnologia por alegações de que as plataformas impuseram moderação de conteúdo aos usuários de forma injusta ou inconsistente.

(Reportagem de Kanishka Singh em Bengaluru)

Reprodução: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/reuters/2021/07/01/juiz-determina-que-lei-de-midia-social-da-florida-provavelmente-viola-liberdade-de-expressao.htm. Acesso em 05 jul. 2021.

Bolsonaro é denunciado na ONU por ataques à liberdade de expressão

Entre os denunciantes estão a OAB, a Comissão Arns, e nomes como Felipe Neto, Paulo Coelho e Patrícia Campos Mello

 por CARTA CAPITAL 2 DE JULHO DE 2021 – 10:38

Bolsonaro na ONU (Foto: Johannes EISELE/AFP)

BOLSONARO NA ONU (FOTO: JOHANNES EISELE/AFP). Reprodução: Carta Capital.

Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns denunciaram o presidente Jair Bolsonaro na ONU.

As denúncias tratam dos ataques à liberdade de imprensa e foram feitas nesta sexta-feira 2. Elas serão ampliadas na semana seguinte e um evento com a participação de nomes como o youtuber Felipe Neto e do escritor Paulo Coelho. A informação é do jornalista Jamil Chade, no UOL.

A denúncia ocorreu durante o evento do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e foi feita por Claudia Costin, ex-ministra da Administração de FHC e representante da Comissão Arns. Costin relembrou dos inúmeros episódios de ataques do presidente Bolsonaro a jornalistas brasileiros, relatando episódios de perseguição política contra divulgadores de informação no País.

Irene Kahn, relatora da ONU sobre Liberdade de Expressão, foi quem recebeu as denúncias durante o encontro.

Sem citar o caso específico do Brasil, Kahn tratou da desinformação que vem ocorrendo em muitos países. A relatora alertou que as nações não estão tratando o assunto com a devida importância, o que traz sérios riscos aos estados.

“A desinformação está minando a liberdade de expressão, polarizando os debates públicos, alimentando a desconfiança pública e pondo em perigo os direitos humanos, as instituições democráticas, a saúde pública e o desenvolvimento sustentável”, disse Khan.

Denúncias serão ampliadas em evento dedicado ao Brasil

No próximo dia 8 de julho, as denúncias feitas por Costin serão debatidas em um evento dedicado exclusivamente ao Brasil, paralelo a 47ª Sessão no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A organização é da OAB e da Comissão Arns e terá a participação de nomes como o youtuber Felipe Neto, o escritor Paulo Coelho e a jornalista Patrícia Campos Mello. Todos foram vítimas de episódios de ataques e perseguições por parte do atual governo.

Do campo jurídico estarão presentes o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, além do ex-ministro de FHC, José Carlos Dias, e do professor de Direito da USP, Pierpaolo Cruz Bottini.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/bolsonaro-e-denunciado-na-onu-por-ataques-a-liberdade-de-expressao/. Acesso em 05 jul. 2021.

Ministro Paulo Guedes é condenado por chamar servidores públicos de “parasitas, assaltantes e preguiçosos”

quarta-feira, 30 de junho de 2021.

Crédito: Evaristo Sá/AFP

Na interpretação da Justiça, Guedes incitou ódio contra categoria, além de ofender a honra e a imagem dos servidores

A Justiça Federal condenou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a pagar uma indenização de R$ 50 mil por ofender e agredir verbalmente a categoria de servidores públicos. Em fevereiro de 2020, Guedes comparou servidores a parasitas em uma palestra na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

“O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático”, afirmou na ocasião. Ele também pediu que eles “não assaltem o Brasil, quando o gigante está de joelhos e eles em casa com geladeira cheia”.

A sentença foi proferida pela juíza Cláudia da Costa Tourinho Scarpa, da 4ª Vara Federal da Bahia, que acatou o pedido do Sindicato dos Policiais Federais do Estado (Sindipol-BA). Em sua análise, a magistrada afirmou que Guedes havia violado “os direitos da personalidade dos integrantes da categoria profissional representada por este ente sindical, por meio dos seus pronunciamentos”.

Claudia Tourinho destacou, ainda, que o ministro “atacou – despropositadamente – a categoria dos servidores públicos” e que suas manifestações “excederam os limites estabelecidos pelos bons costumes, pois não se espera que um Ministro de Estado ofenda os próprios agentes estatais”. Ela reforça que “tais pronunciamentos violaram a honra e a imagem dos servidores públicos, que – por meio de eufemismos – foram rotulados de parasitas, assaltantes e preguiçosos.

Publicado no dia 24 de junho por Luísa Dantas

Reprodução: http://sindilegis.org.br/ministro-paulo-guedes-e-condenado-por-chamar-servidores-publicos-de-parasitas-assaltantes-e-preguicosos/

Governo paga R$ 268 mil para apresentadores falarem bem de Bolsonaro

Governo federal distribuiu dinheiro para aliados e emissora de TV

30/06/2021 – 11:33

Apresentadores de TV receberam R$ 268 mil do governo federal por meio da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social). O dinheiro foi enviado para que eles falassem bem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de suas decisões no comando do Brasil.

Os dados foram divulgados pela “Folha de S.Paulo”. Veja algumas das personalidades que receberam o cachê:

Sikêra Jr.

Bolsonaro Sikera JrCrédito: ReproduçãoBolsonaro posa para foto com Sikêra Jr. e ironiza mortos pela covid-19 com CPF cancelado

apresentador, que já recebeu Bolsonaro e seus filhos no programa televisivo, levou R$ 120 mil para fazer propaganda de posições do governo.

Tino Júnior

Apresentador do “Balanço Geral RJ” ficou com R$ 45, 7 mil em repasses feitos à empresa Que isso Fera!!!.

Luís Ernesto Lacombe

Crédito: Reprodução/BandYoutube tirou do ar canal do bolsonarista Ernesto Lacombe

jornalista ganhou R$ 20 mil por meio da empresa Lala Produções.

Nelson Rubens 

O ex-apresentador do TV Fama, em 2019, recebeu “míseros” R$ 3.474 para fazer propaganda do governo.

Luciana Gimenez

bolsonaro racismoCrédito: ReproduçãoBolsonaro diz que racismo “é coisa rara no Brasil”, em entrevista à Luciana Gimenez

Apresentadora do SuperPop e Luciana By Night recebeu o R$ 51 mil por meio do Magic Lu Produções.

Reprodução: https://catracalivre.com.br/cidadania/governo-paga-r-268-mil-para-apresentadores-falarem-bem-de-bolsonaro/

Venezuela ‘não melhorou’ em liberdade de expressão, diz relator da CIDH

quarta-feira, 30 de junho de 2021.

A Venezuela “não melhorou” suas condições para garantir a liberdade de expressão e o acesso à informação, o que a mantém como um dos países “mais adversos” para exercer o jornalismo, afirmou nesta segunda-feira (28) o relator especial da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

“Não melhorou, no relatório de 2019 da CIDH se encontrava no capítulo (…) reservado para as situações mais críticas, e se manteve no ano 2020”, disse Pedro Vaca, relator especial para a liberdade de expressão da CIDH, em uma videoconferência com correspondentes internacionais em Caracas.

Por “vários anos consecutivos”, a Venezuela permaneceu nessa seção dos relatórios anuais da CIDH, reflexo de ser “um dos contextos mais adversos para o exercício do jornalismo no continente”, afirmou Vaca.

A CIDH publicou em março um relatório sobre o status da liberdade de imprensa na América, no qual denuncia que “graves violações ao direito à liberdade de expressão na Venezuela continuaram sendo a regra durante 2020”.

Isso ocorreu mesmo em meio à pandemia de covid-19, lembrou Vaca, que chegou a um país “com uma deterioração muito acentuada nas garantias da liberdade de expressão”.

“A Venezuela é um dos Estados mais opacos do continente (…). O acesso à informação sobre o Estado em geral, mas também em particular sobre a atenção à pandemia, tem sido especialmente sensível”, disse Vaca.

A CIDH destacou em setembro que na Venezuela “o governo deteve jornalistas e médicos que publicaram informações sobre a expansão do vírus ou questionaram a resposta” oficial.

Vaca fez referência à recente operação de busca na sede do jornal crítico El Nacional, depois de ter sido condenado a pagar 30 milhões de dólares a um poderoso líder chavista, que o processou por difamação.

As autoridades venezuelanas confiscaram também neste ano os equipamentos de uma emissora de TV digital, enquanto outros veículos da imprensa denunciaram fechamentos e ataques cibernéticos.

A Venezuela ocupa o 148º lugar de 188 em um índice sobre liberdade de expressão da organização Repórteres Sem Fronteiras.

Segundo o mesmo índice, o Brasil caiu quatro posições e atualmente ocupa o 111º lugar, no quarto ano consecutivo de queda.

Publicado no portal Estado de Minas na data 28/06/2021 às 16:03

Reprodução: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/06/28/interna_internacional,1281315/venezuela-nao-melhorou-em-liberdade-de-expressao-diz-relator-da-cidh.shtml