TJ-BA aplica lei de racismo para condenar evangélica por ataques ao candomblé

6 de junho de 2021, 7h48

A liberdade de expressão, mesmo a religiosa, ainda que protegida constitucionalmente, não é absoluta de modo a permitir o aviltamento a culto distinto. Com essa decisão, o Tribunal de Justiça da Bahia confirmou a condenação uma evangélica por racismo, na modalidade preconceito religioso. Ela hostilizava adeptos do candomblé gritando “sai satanás” e jogando sal grosso na frente de um terreiro.

Mãe Dedé de Iansã, morta em 2015

Os reiterados ataques da ré ao credo alheio começaram em agosto de 2014 e atingiram o ápice no ano seguinte, ganhando repercussão nacional. No dia 1º de junho de 2015, a yalorixá Mildredes Dias Ferreira, a Mãe Dede de Iansã, de 90 anos, líder do Terreiro Oyá Denã, morreu de infarto. Familiares e companheiros de candomblé da idosa atribuíram o falecimento ao desgosto dela pelos atos de intolerância religiosa.

Não houve como estabelecer nexo de causalidade entre a conduta de Edneide Santos de Jesus e a morte de Mãe Dede de Iansã para processá-la por homicídio. Porém, em setembro de 2015, o Ministério Público denunciou a acusada por infração ao Artigo 20, da Lei 7.716/1989. A regra pune com reclusão, de um a três anos, quem pratica, induz ou incita a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Sal grosso
Edneide é fiel da Igreja Casa de Oração Ministério de Cristo. Esta congregação se estabeleceu na rua da Mangueira, em Camaçari, município da região metropolitana de Salvador, em julho de 2013. Segundo o MP, naquela época, do outro lado da mesma via pública, já funcionava o Terreiro Oyá Denã há 45 anos, sempre sob a direção de Mãe Dede de Iansã — liderança de comunidades tradicionais de matriz africana na Bahia.

Os primeiros atos de intolerância religiosa atribuídos à ré ocorreram durante cultos e vigílias dentro da igreja. Com o uso de microfone e potente equipamento de som, Edneide incitava os fiéis a expulsar o “satanás”, apontando para a direção do terreiro de candomblé. Depois, com o direito a arremessos de sal grosso, os insultos ganharam a rua, passaram a ser praticados em frente ao Oyá Denã e avançaram pelas madrugadas.

Testemunhas detalharam as afrontas, mas a defesa da acusada requereu a sua absolvição. Para o advogado Paulo Alberto Carneiro da Costa Filho, ficou provado que a cliente não praticou o crime. No dia 5 de setembro de 2019, a juíza Bianca Gomes da Silva, da 2ª Vara Criminal de Camaçari, condenou Edneide: “o conjunto probatório é harmônico, não pairando quaisquer dúvidas acerca da materialidade e autoria delitivas”.

Serviço à comunidade
Carneiro da Costa interpôs recurso da apelação ao TJ-BA. Ele pleiteou a extinção da punibilidade da acusada pela prescrição retroativa de pena, devido ao transcurso de quatro anos entre o recebimento da denúncia e a sentença. Na hipótese deste pedido ser rejeitado, o advogado requereu a absolvição por insuficiência de prova. Em decisão unânime, a 2ª Turma da 1ª Câmara Criminal do TJ-BA, negou provimento ao apelo.

O colegiado manteve a condenação de Edneide, bem como a sanção fixada pela magistrada. A juíza sentenciou a ré a um ano de reclusão em regime aberto, mas substituiu esta reprimenda por duas restritivas de direito: comparecimento mensal em juízo para informar as atividades e prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas pelo mesmo prazo da pena privativa de liberdade.

Menosprezo intencional
O desembargador Nilson Soares Castelo Branco, relator de recurso, rejeitou a tese de prescrição. Ele enfatizou que o racismo é crime inafiançável e imprescritível, de acordo com o Artigo 5º, inciso XLII, da Constituição, e os tribunais superiores tratam a matéria de forma pacífica, em conformidade com a Carta Magna. Quanto à alegada insuficiência de prova, ele disse que a materialidade e a autoria do crime ficaram comprovadas.

“A conduta da denunciada representa injustificável menosprezo e preconceito dirigido, intencionadamente, contra toda a coletividade praticante do candomblé, havendo suficiente comprovação de que as expressões utilizadas pela apelante, tais como “sai satanás” (sic), ‘queima satanás’ (sic), implicam na exortação de indiscutível carga negativa quanto à referida religião de matriz africana”, destacou o relator.

Castelo Branco acrescentou que a ré cometeu o racismo diante de várias pessoas, “em contexto vexatório e de forma agressiva”, repetindo que “o pessoal do terreiro não pode ficar ali, que eles, da igreja evangélica, vão vencer” (sic). O seu voto, seguido pelos demais desembargadores, concluiu que o Poder Judiciário deve reprimir tal conduta para o alcance da convivência harmônica dos credos e a proteção da dignidade humana.

O advogado de Edneide informou que tem ciência do acórdão, mas ainda não lhe foi dado acesso aos autos físicos. A partir daí, segundo ele, começará a fluir o prazo para a interposição de eventuais recursos especial e extraordinário ao Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. Carneiro da Costa disse que analisará se recorrerá às cortes superiores, porque nelas não se discute mais matéria de mérito.

Titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia (Sepromi), Fabya Reis enalteceu a decisão do TJ-BA por meio de nota ao Vade News. “Trata-se do cumprimento do papel da Justiça e da materialização de uma medida de valor simbólico e até didático, diante da necessidade de sensibilizarmos a sociedade para o respeito à diversidade”.

Reprodução: https://www.conjur.com.br/2021-jun-06/tj-ba-aplica-lei-racismo-condenar-evangelica-ataques
Acesso em 06 de junho de 2021

Facebook é condenado a apagar postagens sobre Chico Buarque receber uma ‘Bolsa Ditadura’

Por Ana Cláudia Guimarães • 04/06/2021 • 06:00

Chico BuarqueChico Buarque | Fe Pinheiro / Divulgação

A juíza Fernanda Rosado de Souza, do 6º Juizado Especial Cível da Lagoa, determinou que o Facebook retire a postagem e todos os comentários subsequentes sobre a notícia de que Chico Buarque, assim como outras pessoas, recebiam a chamada “Bolsa Ditadura”.

O processo foi aberto pelo cantor depois que a página Brasil Resiliente começou a veicular fotos e textos contendo frases como ´Sentindo falta do dinheiro público né, meu filho?’ e gerando uma série de comentários pejorativos e difamatórios.

A magistrada considerou que foi extrapolado o direito de expressão, e que a postagem atingiu a honra de Chico Buarque. 

Reprodução: https://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/facebook-e-condenado-apagar-postagens-sobre-chico-buarque-receber-uma-bolsa-ditadura.html

Facebook decide manter suspensão de Trump e reavaliá-la quando completar dois anos

domingo, 06 de junho de 2021.

Imagem: Gage Skidmore (Flickr)

Donald Trump permanecerá banido do Facebook por pelo menos dois anos. Nick Clegg, vice-presidente de relações globais da empresa de mídia social, comunicou a decisão na sexta-feira (4). Além disso, a rede passará a tratar políticos da mesma forma que outros usuários, aplicando a eles as mesmas regras.

Trump, então presidente dos EUA, foi banido do Facebook em 7 de janeiro de 2021, um dia após seus apoiadores invadirem o Capitólio em Washington, D.C., sede do poder legislativo estadunidense. Desde então, Trump perdeu acesso a praticamente todas as suas redes sociais.

No caso do Facebook, a questão foi parar no Comitê de Supervisão, uma espécie de “suprema corte” formada por especialistas em internet, direitos humanos e liberdade de expressão para decidir de maneira independente sobre casos controversos. A instância manteve a suspensão, mas recomendou que o Facebook revisasse o caso e deixasse suas regras e penalidades mais explícitas.

A empresa, então, decidiu que o ex-presidente dos EUA permanecerá suspenso até 7 de janeiro de 2023, quando avaliará se o risco à segurança pública diminuiu para decidir o que fazer com a conta do político. Caso se Trump volte a ter acesso ao Facebook e descumpra as regras mais uma vez, a rede promete implementar um “conjunto rígido de sanções de rápida progressão”.

Políticos não terão mais tratamento especial

O anúncio de Clegg também foi acompanhado por uma mudança marcante nas políticas de conteúdo do Facebook.

A rede tratava praticamente todo conteúdo produzido por políticos como “relevante para o noticiário” e evitava ao máximo exclui-los, mesmo que estivessem violando as regras.

A partir de agora, a empresa promete pesar essa relevância em contraposição os danos das violações. Assim, ela vai manter no ar as publicações apenas em casos excepcionais. Quando isso acontecer, a rede também deixará explícito que abriu uma exceção por causa da relevância pública daquele conteúdo.

O Facebook também revelou que usa um sistema de “strikes” antes de decidir suspender uma conta — a empresa diz não ter feito isso anteriormente para evitar que usuários tentassem burlar esse sistema.

No entanto, a rede não forneceu detalhes como qual o número de violações que leva a uma suspensão. Mesmo assim, o Facebook deu alguns exemplos de condutas proibidas, como aprovar conteúdo violento em uma página administrada, e explicou que todos os “strikes” expiram após um ano.

Por Giovanni Santa Rosa

Publicado em 5 de junho de 2021 e atualizado em 5 de junho de 2021 às 15:45

Reprodução: https://gizmodo.uol.com.br/facebook-decide-manter-suspensao-de-trump-e-reavalia-la-apos-dois-anos/

Facebook mudará regras para políticos e poderá banir perfis com discurso de ódio

Medida poderá ser anunciada nesta sexta-feira (4)

Da CNN, em São Paulo

04 de junho de 2021 às 15:26

Facebook deve anunciar nesta sexta-feira (4) uma mudança nas regras da plataforma para líderes mundiais. 

Uma das principais atualizações é um sistema de strikes para os perfis de políticos. Caso os líderes violem as regras da empresa continuamente, eles poderão ter a conta suspensa ou até banida da plataforma. Este procedimento será aplicado, principalmente, em contas que propaguem discurso de ódio e de incentivo à violência.

A mudança nas diretrizes do Facebook surge após uma longa discussão sobre o perfil do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Em janeiro, a rede social deu um passo inédito, logo após eleitores republicanos invadirem o Capitólio, ao suspender a conta de Trump, por considerar que comentários do ex-presidente incitaram os atos de vandalismo e violência.

Facebook anunciará nesta sexta-feira mudança em perfis de líderes mundiais (04-0
Facebook anunciará nesta sexta-feira mudança em perfis de líderes mundiais (04-06-2021)

Facebook anunciará nesta sexta-feira mudança em perfis de líderes mundiais (04-06-2021)

Foto: Reprodução / CNN

Reprodução: https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/06/04/facebook-mudara-regras-para-politicos-e-podera-banir-perfis-com-discurso-de-odio

Twitter é banido na Nigéria após plataforma excluir tweet do presidente Buhari

Governo acusa Twitter de usar a plataforma em “atividades capazes de minar a existência corporativa da Nigéria”

domingo, 06 de junho de 2021.

presidente da Nigéria Muhammadu BuhariGoverno do presidente Muhammadu Buhari acusou Twitter “atividades capazes de minar a existência corporativa da Nigéria”

Foto: Olivier Douliery/Pool/Getty Images

O governo nigeriano afirma que “suspendeu indefinidamente” as operações do Twitter no país, conforme anunciou o Ministério da Informação e Cultura em um comunicado emitido nesta sexta-feira (4).

“O Governo Federal suspendeu, indefinidamente, as operações do serviço de ‘microblogging’ e rede social Twitter, na Nigéria”.

O comunicado, que foi postado no Twitter oficial do ministério na noite de sexta-feira, acusou a empresa americana de mídia social de permitir que a plataforma fosse usada “para atividades capazes de minar a existência corporativa da Nigéria”.

A suspensão ocorre dois dias depois que o Twitter excluiu um tweet do presidente Muhammadu Buhari, ato que foi considerado amplamente ofensivo.

Em um tweet na terça-feira, o líder nigeriano ameaçou lidar com pessoas no sudeste do país, a quem ele culpa pelos ataques recorrentes à infraestrutura pública da região.

“Muitos daqueles que se comportam mal hoje são muito jovens para estarem cientes da destruição e perda de vidas que ocorreram durante a Guerra Civil da Nigéria. Aqueles de nós que ficaram nos campos por 30 meses, que passaram pela guerra, vão tratá-los na língua que eles entendam”, escreveu Buhari no tweet que foi excluído, referindo-se à brutal guerra de dois anos entre a Nigéria e Biafra, que matou de um a três milhões de pessoas, principalmente da tribo Igbo na parte oriental do país entre 1967-1970 .

O tweet foi excluído na quarta-feira depois que muitos nigerianos o sinalizaram no Twitter.
O ministro da Informação, Lai Mohammed, criticou a ação do Twitter e acusou o gigante da mídia social de “padrões duplos”.

Por Nimi Princewill, da CNN

Publicado no dia 04 de junho de 2021 às 16:43

Reprodução: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021/06/04/twitter-e-banido-na-nigeria-apos-plataforma-excluir-tweet-do-presidente-buhari

Influenciadora que criticou versão em quadrinhos de Anne Frank vende obra em sua livraria

Ex-DJ Pietra Bertolazzi diz que vende outros autores que abomina

domingo, 06 de junho de 2021.

A ex-DJ e influenciadora digital Pietra Bertolazzi, que criticou a escola Móbile, de São Paulo, por usar a versão em quadrinhos em inglês do “Diário de Anne Frank”, na qual vê erotização da personagem, vende a obra em sua livraria na internet.

No post da semana passada, Bertolazzi disse que o livro é nojento, tem trechos sobre mulher pelada e tamanho de vagina, e que o uso dele em sala de aula causou indignação entre os pais.

Procurada pelo Painel S.A., Bertolazzi afirma que tem em sua livraria inúmeros autores dos quais discorda.

“Sempre bato na tecla de que você precisa conhecer os seus inimigos melhor do que os seus aliados. Na minha livraria, vendo livros de Karl Marx, Engels, Simone de Beauvoir, e já vendi vários outros autores que eu abomino”, diz. ​

Fachada da casa de Anne Frank, reinaugurada no dia 22 de novembro, depois de dois anos em obras de modernização.

A influenciadora afirma que a livraria dela não é infantil. “É uma livraria destinada a um público adulto e politizado. Se um adulto quer ler essa versão de Anne Frank, é um direito dele. Não sou uma escola entuchando esse livro em menores de idade, instigando a pornografia e a sexualização precoce”, diz.

Ela ressalva que sua livraria tem uma parceria com o Cedet (Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico).

“Eu faço a seleção de livros que faço questão de vender na minha livraria, e o resto eles selecionam por conta própria. Esse é um dos casos que eles colocaram por conta própria”, afirma Bertolazzi.

“Não somos uma instituição de ensino. Não estamos obrigando crianças a lê-lo e muito menos a passar pelo constrangimento de fazê-lo em voz alta na classe. E quero deixar bem claro que sou totalmente contra essa versão na história em quadrinhos e considero um erro gigantesco da parte do Cedet o ter colocado lá”, afirma a influenciadora.

A livraria online de Bertolazzi recomenda livros contra o feminismo e vende cópias da camiseta usada por Bolsonaro na campanha no dia da facada em 2018, inclusive com um desenho da mancha vermelha de sangue na altura da barriga. ​

A escola diz que a obra é usada na disciplina de inglês para alunos do 7º ano do ensino fundamental e integra um projeto de debate sobre o holocausto. A versão em quadrinhos é autorizada pela Fundação Anne Frank e pela Unicef, e, segundo a instituição, indicada para a faixa etária entre 8 e 12 anos de idade.

“A Móbile salienta que todo o conteúdo textual da edição consta no diário original redigido por Anne Frank, inclusive os trechos pontuais que suscitaram a referida discussão”, diz a escola, que afirma ter conversado com os pais que levantam dúvidas sobre o conteúdo.

com Mariana Grazini Andressa Motter

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2021/06/influenciadora-que-criticou-versao-em-quadrinhos-de-anne-frank-vende-obra-em-sua-livraria.shtml

Pais de escola particular em SP veem erotização de Anne Frank em livro usado em aula de inglês

Colégio Móbile afirma que material traz conteúdo oficial do diário da judia vítima do Holocausto

domingo, 06 de junho de 2021.

Pais de alunos da escola Móbile, em São Paulo, procuraram a direção da instituição indignados com o uso de uma versão em quadrinhos do “Diário de Anne Frank” no qual veem erotização da personagem.

Eles se referem a páginas da obra, em inglês, na qual Anne Frank fala, em tradução livre, “toda vez que vejo um nu feminino, vou a êxtase” e “esse buraco é tão pequeno que mal consigo imaginar como um homem entra aqui dentro […] já é difícil enfiar o meu dedo indicador dentro”.

A insatisfação de pais com o uso desse material em sala de aula foi exposta pela DJ Pietra Bertolazzi em sua conta no Instagram, na qual ela compartilha imagens e texto do livro.

A Escola Móbile afirma que o livro “Anne’s Frank Diary: The Graphic Adaptation”, é uma versão oficial da história da jovem judia e que a obra foi referendada pela Unicef e pela Fundação Anne Frank.

Anne, cujo diário foi declarado patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), morreu em 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen e deixou duas versões de seu diário.

Casa de Anne Frank

Fotos da jovem Anne Frank expostas no museu dedicado à sua história, em Amsterdã.

Segundo a escola, o material foi usado como atividade de aula de inglês para o sétimo ano do Ensino Fundamental. “A leitura integra um projeto amplo para o debate e reconhecimento dos horrores do Holocausto, estimulando a reflexão sobre seu contexto histórico”, diz a direção, em nota, apontando que o conteúdo é indicado para faixa etária de 8 a 12 anos.

“A Móbile salienta que todo o conteúdo textual da edição consta no diário original redigido por Anne Frank, inclusive os trechos pontuais que suscitaram a referida discussão. Por fim, a escola tem conversado com alguns pais que levantam dúvidas sobre o conteúdo do livro.”

Publicado no portal de notícias Folha de São Paulo no dia 02/06/2021 e atualizado no dia 03/06/2021 às 11h53.

Por: Mônica Bergamo.

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2021/06/pais-de-escola-particular-em-sp-veem-erotizacao-de-anne-frank-em-livro-usado-em-aula-de-ingles.shtml

“Jogadores da Seleção não podem desafiar o presidente”, diz integrante do Planalto

“Jogadores da Seleção não podem desafiar o presidente”, diz integrante do Planalto

Um dos mais próximos assessores do presidente Jair Bolsonaro não esconde a indignação ante a possibilidade de os jogadores da Seleção Brasileira boicotarem a Copa América. “Os jogadores da Seleção não podem desafiar o presidente”, diz, mesmo ciente de que os atletas nada devem ao governo e a Copa América é um evento privado.

No entender desse assessor, Bolsonaro, ao aceitar que o Brasil sediasse a Copa América, cujos jogos começam em 13 de junho, quis dar uma forte “demonstração de seu compromisso com o pais”, diante da importância da competição e do impacto econômico que ela vai proporcionar, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus.

Nunca uma Seleção Brasileira se recusou a participar de qualquer torneio. O Palácio do Planalto admite que, caso se confirme o que está sendo ventilado nos bastidores da equipe técnica, o boicote à Copa América será uma desmoralização para Bolsonaro. Assessores do presidente correm para evitar o vexame.

Tanto os jogadores quanto a equipe técnica não gostaram da forma como foi feita a negociação entre o governo e a CBF para que a Copa América fosse realizada no Brasil. E ressaltam que o momento é muito delicado no país, com a pandemia matando, em média, quase duas mil pessoas por dia.

Brasília, 16h01min

Reprodução: https://blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/jogadores-da-selecao-nao-podem-desafiar-o-presidente-diz-integrante-do-planalto/amp/ Acesso em 06 de junho de 2021

Aras pede ao STF que rejeite ação de advogados contra LSN

Alegou falhas processuais

“Inexiste flagrante ilegalidade”

Paulo Roberto Netto

03 de Junho de 2021 (quinta-feira) – 11h09

O procurador-geral da República Augusto Aras durante sessão plenária do STF. Sérgio Lima/Poder 360. Nov. 2019.

O procurador-geral da República Augusto Aras pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que rejeite um pedido de habeas corpus coletivo apresentado por um grupo de advogados contra a LSN (Lei de Segurança Nacional). O PGR afirmou que há falhas processuais e afirmou que “inexiste flagrante ilegalidade” que autorize a concessão de liminar (decisão provisória).

habeas corpus foi movido em março por 9 advogados. Pedem a concessão de um salvo-conduto para evitar prisões e abertura de ações penais contra cidadãos que criticassem o presidente Jair Bolsonaro, chamando-o de “genocida”. A ação foi apresentada após o então ministro da Justiça, André Mendonça, solicitar a abertura de inquéritos contra críticos do Planalto com base na LSN.

Para Aras, há diversas falhas processuais que impedem o prosseguimento da ação. Ele cita que o grupo de advogados não tem legitimidade para propor o habeas corpus e que não foram apresentados “fatos concretos praticados por autoridade supostamente responsável pela ilegalidade” que demonstrariam risco aos cidadãos.

Sob outra perspectiva, inexiste flagrante ilegalidade ou teratologia capazes de autorizar, em caráter excepcional, a concessão da ordem de ofício”, disse Aras.

O PGR afirmou que eventual pedido de instauração de inquérito por parte do Ministério da Justiça é um “ato político-administrativo” e que cabe à autoridade policial avaliar quais diligências acredita serem necessárias.

Assim, em caso de ilegalidade durante a investigação, caberia ao juízo de origem, e não a esse Supremo Tribunal Federal, sanar eventuais violações dos direitos do investigado”, disse.

O STF avalia ao menos outras 5 ações sobre o tema da LSN. Além deste habeas corpus coletivo, a Defensoria Pública da União apresentou pedido semelhante para evitar investigações contra críticos de Bolsonaro com base no dispositivo. O PTB, o PSDB, o PSB e um processo conjunto do PT, PSOL e PC do B pedem que a lei seja revogada, integralmente ou parcialmente. O relator das ações é o ministro Gilmar Mendes.

Reprodução: https://www.poder360.com.br/justica/aras-pede-ao-stf-que-rejeite-acao-de-advogados-contra-lsn/. Acesso em 04 jun. 2021.

MPF defende direito de criticar Bolsonaro e arquiva inquérito contra chargista que associou presidente a símbolo nazista

Procuradora Marina Selos Ferreira apontou que presidente da República está sujeito a ‘maior análise crítica por parte da população’ e entendeu que não houve crime de chargista Renato Aroeira e do jornalista Ricardo Noblat

Aguirre Talento 19/03/2021 – 17:10 / Atualizado em 19/03/2021 – 18:37

Em junho de 2020, ministro da Justiça acionou PGR e PF contra charge Foto: Reprodução/Aroeira Cartum

Em junho de 2020, ministro da Justiça acionou PGR e PF contra charge Foto: Reprodução/Aroeira Cartum

BRASÍLIA — O Ministério Público Federal arquivou um inquérito aberto pela Polícia Federal contra o jornalista Ricardo Noblat e contra o chargista Renato Aroeira, pela divulgação de uma charge na qual o presidente Jair Bolsonaro era associado a uma suástica nazista, símbolo do regime do ditador alemão Adolf Hitler. A PF havia aberto investigação contra eles a pedido do ministro da Justiça André Mendonça para apurar se eles cometeram crime contra a segurança nacional ao fazer essa crítica ao presidente. Aroeira era o autor da charge, e Noblat a compartilhou em uma rede social.

A charge de Aroreira chegou a motivar a prisão de manifestantes que a colocaram em uma faixa na Praça dos Três Poderes na quinta-feira, em frente ao Palácio do Planalto. Um dos manifestantes acrescentou à charge a frase “Bolsonaro genocida”.

Essa charge foi confeccionada na época em que o presidente chegou a incentivar a invasão a hospitais para verificar se as pessoas realmente estavam morrendo da Covid-19.

Em sua manifestação de arquivamento, a procuradora Marina Selos Ferreira, da Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF), escreveu que a charge estava dentro da liberdade de expressão e do direito de criticar o presidente por suas políticas na pandemia. Ela escreveu que a manifestação não pode ser enquadrada na Lei da Segurança Nacional, como queria André Mendonça, e também não configura crime contra a honra.

“Dos elementos coligidos nos autos, tem-se não ter restado caracterizada intenção de ofender, por parte dos investigados, com motivação e objetivos políticos, tampouco se podendo vislumbrar sequer indícios mínimos de que a conduta poderia provocar lesão real ou potencial à integridade territorial e à soberania nacional; ao regime representativa e democrático, à Federação e ao Estado de Direito; ou ao Chefe dos Poderes da União”, escreveu.

Prosseguiu a procuradora: “A aplicação da Lei de Segurança Nacional deve ser reservada àqueles casos em que se façam presentes o propósito de se atentar contra a segurança do Estado e a potencialidade lesiva, o que inocorre no caso presente”.

Sobre a liberdade de expressão, a procuradora ressalta que o presidente da República é uma pessoa pública e, por isso, está submetido “a uma maior análise crítica por parte da população (e, por que não, da imprensa)”.

“Sem descurar da compreensão de que o direito à manifestação não se reveste de caráter absoluto, tem-se que a librdade de expressão, concretizada através da produção e publicação de charge devidamente contextualizada, e como fundamento do pluralismo de ideias, deve se sobrepor a interpretações punitivistas que buscam por meio da sanção penal intimidar ou mesmo suprimir a força do pensamento crítico e da oposição, os quais são indispensáveis à dialética do regime democrático”, escreveu.

Reprodução: https://oglobo.globo.com/brasil/mpf-defende-direito-de-criticar-bolsonaro-arquiva-inquerito-contra-chargista-que-associou-presidente-simbolo-nazista-1-24933088