Sargento da Marinha cumpre prisão disciplinar na Escola Naval do Rio após investigação por críticas a Bolsonaro

24/03/2021 17:53 – João Paulo Saconi

A Escola Naval do Rio de Janeiro, instituição de ensino superior da Marinha, manteve em prisão disciplinar nesta quarta-feira o terceiro sargento Michel Uchiha, alvo de duas sindicâncias internas na instituição após ter sido denunciado por críticas ao presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais durante a campanha eleitoral do ano passado. O primeiro procedimento investigava, segundo a Marinha, “eventuais declarações ofensivas em redes sociais” e o segundo, no qual se insere a punição, concluiu que o militar mentiu em uma audiência disciplinar sobre o caso, realizada em janeiro deste ano. Um habeas corpus expedido pela Justiça Federal do Rio interrompeu o cumprimento da detenção, que poderia ter durado dois dias. 

A investigação sobre Uchiha se relaciona ao episódio em que Bolsonaro se irritou com um questionamento de um repórter do GLOBO sobre os R$ 89 mil repassados, em cheques à primeira-dama Michelle Bolsonaro por Fabrício Queiroz, ex-assessor parlmentar do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), e pela mulher dele. A pergunta viralizou nas redes sociais em agosto após o presidente tê-la ignorado e respondido que estava “com vontade de encher a tua boca (do profissional) na porrada”. Uchiha teria publicado sobre o tema e, então, começou a ser investigado.

O militar foi filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), durante a eleição, e se licenciou da atuação como militar para se candidatar a uma vaga na Câmara dos Vereadores do Rio. Ele ficou detido na própria Escola Naval por cerca de 12 horas, detido em um alojamento e impedido de deixar a unidade durante o período da punição. A sanção foi confirmada pela Marinha que, por meio de nota, ressaltou que o caso é acompanhado pelo Ministério Público Militar (MPM) e a Defensoria Pública da União (DPU).

Ainda de acordo com a Marinha, os conteúdos das publicações sobre Bolsonaro foram considerados “justificados”, mas, ainda assim, foi aplicada a prisão disciplinar “em função do militar ter faltado com a verdade durante o procedimento”.

A defesa de Uchiha, liderada pelos advogados Bianca Figueira e Alfredo Júnior, sustentou ao longo da investigação que não havia comprovação da veracidade das publicações atribuídas a ele. A Escola Naval considerou que essa linha de argumentação foi uma tentativa de embaraçar a apuração.

Antes da prisão, iniciada por volta de 10h, a defesa de Uchiha entrou com um pedido de habeas corpus junto à Justiça Federal do Rio de Janeiro. A ação foi analisada no fim da tarde desta quarta, pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio, e o militar deixou o alojamento após às 21h. A juíza Caroline Vieira Figueiredo não analisou o mérito da punição, mas verificou que Uchiha não havia sido recebido espaço suficiente para se defender na segunda sindiância e, por isso, determinou que ele permaneça em liberdade.

Ao GLOBO, o terceiro sargento afirmou na terça-feira, antes de se apresentar à Escola Naval, que sua punição viola direitos fundamentais garantidos pela Constituição, como a liberdade de expressão. Uchiha também disse ser vítima de perseguição e reclamou por não ter sido ouvido sobre ter faltado com a verdade na audiência disciplinar, já que a audiência da qual participou se referiu apenas às mensagens:

— Fui perseguido dentro da Escola Naval, certamente por minhas convicções ideológicas ou mesmo por eu ser homossexual declarado, o que incomoda muitos oficiais mais antigos — disse o militar, completando: — Como não conseguiram comprovas as infrações para a punição, abriram uma segunda sindicância na qual nem mesmo tive direito a defesa, algo extremamente inconstitucional. É normal alguém ser punido sem direito a ampla defesa e ao contraditório? Eu sofri por omissão, sem tomar ciência desta segunda sindicância. Fui punido sem ao menos ter tido uma audiência específica sobre esse caso.

Os R$ 89 mil de Michelle

De acordo a defesa, o procedimento sobre as publicações, instaurado em 28 de agosto de 2020, surgiu a partir de uma denúncia feita por outro oficial com base em capturas de tela, feitas em um celular, com registros de mensagens públicas atribuídas a Uchiha. O terceiro sargento e os advogados afirmam que as capturas não são suficientes para comprovar infrações, uma vez que não estão disponíveis as URLs das publicações, e negam que elas tenham sido feitas pelo militar ou pela equipe de campanha dele. 

Uma das mensagens incluiria um questionamento sobre o motivo de Michelle Bolsonaro ter recebido R$ 89 mil de Queiroz e da mulher dele. 

Ao afirmar que desconhecia as publicações, na audiência disciplinar de 21 de janeiro deste ano, Uchiha passou a ser alvo da segunda sindicância, que o fez ser preso hoje. Para a Escola Naval, as alegações do militar eram contraditórias porque, ainda que tenha negado a autoria das mensagens, ele chegou a se justificar anteriormente, ao se defender por escrito no primeiro procedimento: “Não há como ser eleito sem expor suas opiniões políticas e ideológicas que incluem criticar atos e atitudes de outros candidatos, bem como dos atuais ocupantes de cargos e funções públicas”, declarou Uchiha.

As conclusões da segunda sindicância consideraram também a análise de uma notícia publicada pelo portal UOL, que inclui o registro da publicação sobre Michelle Bolsonaro, e a página do militar no Instagram.

Denunciante também é alvo de procedimento

Na audiência disciplinar em que se defendeu das acusações, Uchiha e a defesa disponibilizaram à Escola Naval uma série de publicações feitas pela pessoa que o denunciou por críticas a Bolsonaro.

O oficial em questão ocupa o posto de Capitão de Fragata (uma patente equivalente à de tenente-coronel no Exército) e teria publicado uma foto ao lado de Bolsonaro e conteúdos com ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma delas, cinco magistrados da Corte aparecem puxados por uma coleira pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com a Marinha, um procedimento instaurado em janeiro apura a veracidade dessas informações.

— Denunciamos durante a audiência o conteúdo das publicações desse oficial, mas o procedimento a respeito dele é sigiloso. No caso do sargento Michel, é notório que houve perseguição. Ele é punido enquanto supõem que ele criticou o presidente e mentiu sobre isso, mas não há provas de ambas as acusações. E ele sequer foi ouvido sobre a segunda — finaliza a advogada Bianca Figueira. 

Reprodução: https://blogs.oglobo.globo.com/sonar-a-escuta-das-redes/post/amp/sargento-da-marinha-cumpre-prisao-disciplinar-na-escola-naval-do-rio-apos-investigacao-por-criticas-bolsonaro.html

Exército livra Pazuello de punição por presença em ato politico com Bolsonaro

Órgão não viu ‘transgressão disciplinar’ por parte do ex-ministro e arquivou procedimento
O Globo 03/06/2021 – 15:58 / Atualizado em 03/06/2021 – 16:09

BRASÍLIA — O Centro de Comunicação Social do Exército informou nesta quinta-feira que arquivou o procedimento administrativo que havia sido instaurado contra o ex-ministro e general da ativa Eduardo Pazuello por participar de um ato ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Em nota, o Exército informou que “não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar por parte do general”.

No dia 23 de maio, Pazuello participou e discursou de um ato feito por Bolsonaro após um passeio de moto no Rio de Janeiro. O procedimento administrativo foi aberto porque militares da ativa não podem se manifestar politicamente.

Na semana passada, Pazuello apresentou sua justificativa oficial e afirmou que ato não era político-partidário porque que Bolsonaro não é filiado a nenhum partido e que não há campanha em andamento no país. O argumento foi reforçado pelo presidente, que, sem referir-se ao procedimento, disse que o ato não tinha “viés político”.

Nesta semana, Pazuello foi nomeado para um cargo na Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE), vinculada diretamente à Presidência. No Palácio do Planalto, a nomeação do militar foi entendida como um recado ao Exército de que o ex-ministro tem seu respaldo da Presidência.

Reprodução: https://oglobo.globo.com/brasil/exercito-livra-pazuello-de-punicao-por-presenca-em-ato-politico-com-bolsonaro-25046164

Usuária receberá indenização de R$ 20 mil por censura do Facebook

big tech derrubou a página de uma psicoterapeuta por discordar de uma das postagens do perfil, com a imagem de uma silhueta feminina

quarta-feira, 02 de junho de 2021.

A plataforma poderá recorrer da decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

A plataforma poderá recorrer da decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro | Foto: Reprodução/Internet

Facebook foi condenado a pagar R$ 20 mil por danos morais a uma psicoterapeuta usuária da rede social. A mulher teve a conta comercial suspensa durante seis meses, em 2019. Cerca de 10 mil seguidores acompanhavam o trabalho da profissional, voltado a tratar a depressão, a ansiedade e as dificuldades em relacionamentos.

Contudo, os followers deixaram de “existir” depois de a big tech considerar que uma das postagens da página, com a imagem de uma silhueta feminina, “não estava em conformidade com os padrões da rede”. Ainda cabe recurso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, noticiou o jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira, 31.

Leia também: “As redes sociais e a ‘censura do bem’”, artigo de J.R. Guzzo publicado na Edição 30 da Revista Oeste

Por: Cristyan Costa

Publicado no portal de notícias Revista Oeste no dia 31 de maio de 2021 às 08:49.

Reprodução: https://revistaoeste.com/tecnologia/usuaria-recebera-indenizacao-de-r-20-mil-por-censura-do-facebook/

Liberdade de expressão pertence a progressistas e conservadores

Jornalista sofreu atentado por defender Israel: democratas sabem que liberdade de opinião não é exclusividade de um grupo político

quarta-feira, 02 de junho de 2021.

Pilar Rahola teve sua casa atacada por grupo da esquerda espanhola
Pilar Rahola teve sua casa atacada por grupo da esquerda espanhola
REPRODUÇÃO/FACEBOOK

Liberdade de expressão é um direito universal. Atende a todos os cidadãos que pertençam a um regime democrático neste planeta. Quando esse princípio era exortado, por cacoete, logo associávamos essa reivindicação a setores de esquerda (ou progressistas). O jogo virou recentemente – e discursos considerados de direita (ou conservadores) passaram a ser alvo de retaliações jurídicas e, quem diria, de punições vindas de instituições públicas e privadas.

Complicou, mas é bem fácil de resolver.

Seria bom ressaltar – até para ser possível prosseguir no raciocínio – que o conceito de liberdade de expressão não comporta (nem poderia) a propagação de atividades criminosas, calúnias, desinformação consciente ou atentados ao estado de direito e à democracia (únicos garantidores de que as pessoas possam continuar a se expressar, sem receio de serem punidas).

Posto isso, precisamos nos reeducar e atualizar o entendimento do que é pensar diferente. E se há algo pouco difícil de identificar, para qualquer ser humano, é um pensamento contrário ao nosso. Ao receber opinião ou informação verificável que cause desconforto, revolta, constrangimento ou sentimento de derrota, aí sim, acione o alerta mental: é exatamente neste momento que a liberdade pede licença para se expressar.

Portanto, está vetado aos democratas, aos “defensores da liberdade de expressão”, reagir com fúria física, criar patrulhas violentas ou conclamar a repressão a atos, manifestações e ideias  que pertençam a bolhas, grupos e indivíduos com os quais discordamos. Moleza.

Aos que quiserem ser vistos como seres humanos educados e elegantes, por convicção e estilo, a dica é seguir a etiqueta e os bons manuais: respeite seu oponente, não o trate como inimigo e desenvolva a capacidade privilegiada de ouvir quem pensa diferente. Ao final, todos saíremos vitoriosos.

Só a título de exemplo, tomara pedagógico, não foi o que aconteceu com a jornalista espanhola Pilar Rahola. Ela foi demitida do diário La Vanguardia, após expressar suas posições em defesa do “direito à autodefesa do Estado de Israel contra o terrorismo do Hamas”. Não bastasse, foi atacada em sua residência pelo grupo Arran, da esquerda independentista catalã.

Há os que concordam com as posições de Rahola. E os que discordam. Há sionistas e antissionistas. E existe um espaço em que esses dois grupos podem conviver harmonicamente, sem patrulhas ou retaliações que destroem vidas: na democracia.

Por: Marco Antonio Araujo, do R7

Reprodução: https://noticias.r7.com/prisma/r7-planalto/liberdade-de-expressao-pertence-a-progressistas-e-conservadores-02062021

China: Dirigente de sindicato independente é condenado à prisão por cinco anos

quarta-feira, 02 de junho de 2021.

O dirigente da Aliança dos Motoristas de Entrega, Chen Guojiang, conhecido como “Mengzhu”, está detido desde 25 de fevereiro por seu papel na organização de trabalhadores de entregas para pressionar por melhores condições.

Em 25 de fevereiro deste ano, o conhecido ativista de entregadores de comida, Chen Guojian (também conhecido como “Mengzhu”), foi detido pela polícia de Pequim em uma batida no apartamento onde morava com outros entregadores e condenado a cinco anos de prisão. Quatro deles também foram detidos.

Enquanto dois dos trabalhadores foram libertados após interrogatório na delegacia, Mengzhu e dois de seus amigos próximos ainda estão detidos, ele foi acusado pelo Estado fascista chinês de “arranjar brigas e provocar problemas”. Tal incriminação é muito utilizada contra ativistas independentes e combativos na China social-imperialista.

Várias organizações da mídia chinesa relataram a detenção de Chen, mas as reportagens foram bloqueadas ou apagadas pelos censores estatais até o início de março.

Ativistas na internet tentaram várias maneiras de tornar pública uma carta aberta do pai de Chen. Diferentes tentativas foram feitas buscando auxílio financeiro para o pagamento da assistência legal de advogados, tendo sido doados mais de 120.000 yuan (cerca de 94 mil reais) dentro de 10 horas.

Em 16 de março, a página de Chen no WeChat (rede social chinesa), onde a carta aberta havia sido postada por sua irmã, foi permanentemente banida pelo Departamento de Informática e Supervisão da Internet.

As forças de repressão chinesas chegaram a questionar vários usuários de mídias sociais que haviam encaminhado mensagens em grupos do WeChat. Alguns advogados e estudantes envolvidos no contato com a família de Chen foram investigados.As amplas ações policiais indicam que as “autoridades” chinesas atribuem grande importância ao caso de Chen.

Uma das principais preocupações do governo chinês é impedir o desenvolvimento de qualquer movimento de trabalhadores independentes da tutela do Estado fascista social-imperialista. Na maioria dos casos, quando surgem protestos dos trabalhadores, algumas concessões são dadas temporariamente enquanto os líderes são presos e o movimento é disperso.

TRABALHADORES SE ORGANIZAM APESAR DA REPRESSÃO

O pseudônimo de Chen “Menghzu” (盟主) é a abreviação de “Líder da Aliança dos Motoristas de Entrega” (外送江湖骑士联盟盟主). Ele fundou a Aliança com um amigo em Pequim em 2019. Chen publicava pequenos vídeos sobre as experiências de trabalho diário dos entregadores, pedindo-lhes que aprofundassem a solidariedade e lutassem contra condições injustas.

Chen criou 16 grupos de conversa no aplicativo WeChat, alcançando cerca de 15.000 trabalhadores entregadores durante os últimos dois anos. Um canal público da Aliança dos Motoristas de Entrega (AME) que ele operava no aplicativo fornecia consultas legais gratuitas e vários tipos de assistência aos trabalhadores de entregas. Isto incluía a mediação de processos legais com restaurantes, reboques e reparos de motocicletas, negociações com companhias de seguro, e até mesmo o fornecimento de acomodações gratuitas ou baratas para motoristas recém-chegados em Pequim.

A AME se tornou uma verdadeira organização sindical para os trabalhadores de entregas de alimentos em Pequim e tinha conexões com trabalhadores de entregas auto-organizados em outras cidades.

Além da plataforma online, Chen se conectou com os trabalhadores de entregas offline. Ele aparecia nos seus locais de trabalho para oferecer ajuda quando os entregadores encontravam problemas no local de trabalho. Em alguns casos, ele ia pessoalmente ao local de um acidente para ajudar um motorista ferido. Eram organizados jantares coletivos mensais com os entregadores. No final de 2020, o 20º jantar solidário contou com 200 trabalhadores.

EXPOSIÇÃO DE CORRUPÇÃO NAS GRANDES EMPRESAS

Pouco antes de ser detido, Chen lançou uma campanha online para denunciar o programa de bônus do Festival da Primavera da Ele.me. Em seu último vídeo, publicado no dia 19 de fevereiro, ele gravou vários trabalhadores da Ele.me em greve para protestar contra as regras de bônus para os trabalhadores estabelecidas pela empresa. Os trabalhadores expuseram os planos da empresa de reter o bônus prometido.

Este vídeo foi visto 9,6 milhões de vezes online e o tópico (semelhante a uma hashtag no Twitter) foi visto mais de 200 milhões de vezes no Weibo, uma das maiores plataformas de mídia social da China. Isto provocou grandes críticas públicas contra a Ele.me, que é de propriedade da Alibaba, a maior empresa de comércio eletrônico da China. A Ele.me teve de responder às críticas públicas, pedir desculpas abertamente aos trabalhadores de entregas e prometer compensá-los.

Fugindo da tentativa de corporativização, a entidade classista contou com apoio por todo país, dentro e fora da internet, mesmo apesar das “promessas” de mais campanhas de recompensa para os entregadores. A AME criticou todas essas tentativas da empresa, caracterizando-as como “compensação com mais exploração”.

Um dia antes de ser levado pela polícia, Chen advertiu que, se não ouvissem mais dele, seria porque ele teria sido detido.Chen já havia sido detido em 2019, quando ele chamou os entregadores da Ele.me e da Meituan, outra grande empresa, a se rebelar e protestar contra os cortes nos salários.

Em uma entrevista recente, Chen disse que as empresas notaram suas atividades no WeChat e chamaram a polícia para detê-lo, para impedir que ele ganhasse uma influência ainda mais ampla.

Em 2019, Chen foi detido por 26 dias. Poucas pessoas o conheciam na época e ele passou todos os 26 dias sem solidariedade organizada ou apoio público. Mas, dessa vez, sua detenção provocou grande revolta entre os trabalhadores de entregas e o povo.

AÇÕES DE SOLIDARIEDADE A MENGZHU SÃO REALIZADOS NA EUROPA

Ações de solidariedade a Mengzhu foram realizados na Europa: Reino Unido e Alemanha.

Trabalhadores de entrega realizam manifestação em solidariedade à Mengzhu no Reino Unido.
Manifestação em solidariedade à Mengzhu na Alemanha

Por: Giovanna Schaidauer

Reprodução: https://anovademocracia.com.br/noticias/15897-china-lideranca-de-sindicato-independente-e-preso-por-cinco-anos

Colégio gera onda de críticas ao ‘alertar’ como mulheres devem se vestir: ‘o pecado da sedutora é muito maior que o da pessoa seduzida’

Diante da repercussão negativa, a instituição apagou a postagem e pediu desculpas

quarta-feira, 02 de junho de 2021.

Post de colégio em Minas Gerais foi bastante criticado Foto: Instagram / Reprodução
Post de colégio em Minas Gerais foi bastante criticado Foto: Instagram / Reprodução

RIO — Uma escola particular em Minas Gerais foi alvo de duras críticas nas redes sociais nesta terça-feira, dia 1º, após fazer uma postagem atribuindo à roupa da mulher a culpa por “seduzir’ um homem.

“Quando a mulher decide expor partes do corpo que deveriam estar cobertas se torna uma sedutora, partilhando assim a culpa do homem. De fato, os Teólogos ensinam que o pecado da sedutora é muito maior que o da pessoa seduzida”, dizia a publicação original, cuja fonte é o “Guia Mariano de Modéstia”, caracterizado como a “cruzada de Maria Imaculada pela Pureza”.

Nesse livro, o trecho usado foi retirado de uma parte que começa com a seguinte pergunta: “A mulher é, então, considerada como algo mau e que deve ser evitado?”. A resposta é dada de imediato: “Não!”, e prossegue: “Mas esta questão está inteiramente relacionada com o assunto”.

Chama atenção ainda que o guia culpa apenas o homem por “cair nas tentações da carne” se a mulher for “modesta”. Embora esteja assim descrito, a legislação brasileira contrapõe esta questão e um autor de assédio sexual ou estupro deve responder criminalmente por seus atos independentemente de qual vestimenta a vítima usou.

A declaração polêmica havia sido colocada nos Stories do Instagram do Colégio Recanto do Espírito Santo, @colegiores, e inicialmente despertou indignação de moradores da cidade de Itaúna, a cerca de 85 quilômetros de Belo Horizonte.

Diante da repercussão negativa, o post foi excluído. O perfil também incluiu um pedido de desculpas por abrir margem para interpretações com as quais não concorda.

“Olá, paz e alegria! Foi feita uma postagem indevida por quem administra nossas redes sociais. Apesar de concordarmos com a modéstia no vestir, o texto em questão deixou margem para interpretações que não são as do colégio. Pedimos desculpa. O post foi excluído. #nãoaoestupro #aculpanuncaédavítima”, afirma o comunicado, sem deixar claro se houve alguma medida tomada internamente a respeito do erro.

Escola pediu desculpas por fazer post indevido sobre roupas de mulheres Foto: Instagram / Reprodução
Escola pediu desculpas por fazer post indevido sobre roupas de mulheres Foto: Instagram / Reprodução

Por: Louise Queiroga

01/06/2021 – 22:46 / Atualizado em 01/06/2021 – 23:37

Reprodução: https://oglobo.globo.com/sociedade/colegio-gera-onda-de-criticas-ao-alertar-como-mulheres-devem-se-vestir-pecado-da-sedutora-muito-maior-que-da-pessoa-seduzida-25044051

GO: PM que prendeu petista que exibia faixa ‘Bolsonaro genocida’ é afastado

Carro do secretário estadual do PT de Goiás, Arquidones Bites, durante protesto contra Jair Bolsonaro - Reprodução/Twitter
Carro do secretário estadual do PT de Goiás, Arquidones Bites, durante protesto contra Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução/Twitter

Beatriz Gomes – Do UOL, em São Paulo 01/06/2021 13h40 Atualizada em 01/06/2021 13h41

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) do estado de Goiás confirmou ao UOL que o policial militar responsável por prender um dirigente do PT (Partido dos Trabalhadores) ontem foi afastado de suas atividades operacionais. O caso aconteceu em Trindade, Goiás, e Arquidones Bites, secretário estadual de Movimentos Populares do PT de Goiás, foi detido por usar uma faixa no capô de seu carro com os dizeres “fora, Bolsonaro genocida”, em referência ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“O policial militar, envolvido nesse fato lamentável, foi afastado de suas funções operacionais. Ele responderá a inquérito policial e procedimento disciplinar para apuração de sua conduta”, declarou a pasta ao UOL.

A SSP ainda comunicou que, por meio dela, o Governo de Goiás não apoia nenhum tipo de abuso de autoridade

“O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Segurança, informa que não coaduna com qualquer tipo de abuso de autoridade, venha de onde vier. Assim sendo, todas as condutas que extrapolem os limites da lei são apuradas com o máximo rigor, independentemente do agente ou da motivação de quem a pratica.”

A prisão

Em um vídeo publicado nas redes sociais do partido, a presidente do PT de Goiás, Kátia Maria, afirmou que a justificativa usada para prender Arquidones foi a Lei de Segurança Nacional. Esta, entre outros, determina os crimes que põe em risco a soberania nacional e chefes dos poderes da União.

Segundo a dirigente do partido, Arquidones Bites foi detido e levado para uma delegacia da Polícia Civil de Trindade, que teria se recusado a registrar a ocorrência. Os policiais que detiveram o secretário então o encaminharam para a Superintendência Regional da PF, em Goiás, onde ele prestou depoimento. Ele foi liberado por volta das 22h (horário de Brasília).

*Com informações de Sara Baptista, do UOL, em São Paulo

Reprodução: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/06/01/go-pm-prisao-faixa-bolsonaro-afastamento.htm

Record não deve indenizar torcedor que assediou russa na Copa do Mundo

1 de junho de 2021, 13h11 – Por Tábata Viapiana

Diante da ausência de abuso no dever de informar, a 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou pedido de indenização por danos morais contra a TV Record. O pedido foi feito por um homem que foi filmado, junto com outros brasileiros, assediando uma jornalista russa na Copa do Mundo de 2018.

Os homens foram gravados enquanto constrangiam uma russa com “cânticos” machistas e palavras de baixo calão em português. As imagens foram reproduzidas em programas da TV Record no portal R7. Um dos torcedores ajuizou a ação, alegando violação de sua imagem. Ele pediu indenização de R$ 75 mil, negada em primeiro e segundo graus.

A relatora, desembargadora Maria Salete Corrêa Dias, destacou a participação do autor, “de forma ostensiva”, no assédio à jornalista russa. Ela também ressaltou que, antes mesmo da veiculação do vídeo pela Record, as imagens já tinha “viralizado” nas redes sociais, além da publicação de de reportagens em jornais estrangeiros.

“E do que se pôde verificar do material probatório fornecido pelo próprio autor, a requerida ocupou-se de realizar o trabalho típico de um órgão de imprensa, com abordagem jornalística acerca do ocorrido, inclusive informando que tentou contato com os torcedores a fim de garantir o direito de resposta”, afirmou a magistrada com relação à conduta da Record.

Segundo a relatora, diante do contexto fático exposto nos autos, nem a reportagem da TV Record, nem a notícia publicada no R7 apresentaram qualquer conteúdo ofensivo à honra ou à imagem do autor, limitando-se a identificá-lo e, no máximo, criticar sua conduta. Além disso, foi informado, ao final do texto, que o torcedor foi contatado, mas não quis se posicionar.

“Ou seja, mesmo quando teve a oportunidade de responder à matéria (o que lhe é garantido, como prática básica do jornalismo sério e responsável), o autor evitou os contatos dos prepostos da requerida, preferindo o silêncio”, completou Dias.

Cultura do cancelamento
A desembargadora concordou com o argumento da defesa de que, atualmente, há um “reprovável fenômeno sociológico” chamado de “cultura do cancelamento”, em que as pessoas se inflamam nas redes sociais para criticar de forma efusiva e “submeter a uma verdadeira execração pública determinadas personalidades, famosas ou não”.

Contudo, no caso em discussão, mesmo que algo semelhante tenha ocorrido com o autor, a magistrada disse que tal fato não poderia, de maneira nenhuma, ser imputado à TV Record: “Não se verificou qualquer ilegalidade na conduta da empresa de comunicação demandada, a qual atuou sob a égide de seu direito/dever de informar, mesmo porque veiculou apenas fatos verdadeiros”. A decisão foi unânime.

Clique aqui para ler o acórdão
1023087- 95.2018.8.26.0564

Reprodução: https://www.conjur.com.br/2021-jun-01/record-nao-indenizar-torcedor-assediou-russa-copa

Ataques de ódio após morte do filho de Whinderson. Onde vamos parar?

Durante a gravidez, pessoas desejaram que noiva do humorista perdesse o filho. Agora, internautas ameaçam e culpam Luísa Sonza pela morte precoce do bebê

terça-feira, 01 de junho de 2021.

Depois da veiculação da triste notícia da morte do filho de Whinderson Nunes e Maria Lina, João Miguel, que nasceu prematuro com apenas 22 semanas, os fãs do casal fizeram comentários maldosos e com tons de ameaça à ex-esposa do humorista, Luísa Sonza.

As mensagens, com muitos xingamentos, culpavam a cantora pela morte do bebê. Isso se deve ao fato de que a separação deles não foi bem aceita pelo público e gerou muita polêmica.

Depois da repercussão, Luísa chegou a publicar um vídeo chorando e pedindo para as pessoas “pararem”, mas apagou pouco tempo depois.

O próprio Whinderson Nunes, há três semanas, desabafou após ser atacado nas redes sociais e revelou que sua noiva, Maria Lina, recebeu mensagens desejando que ela perdesse o bebê. “O povo vai no insta da Maria dizer que ela vai perder o bebê, não sai nada que preste desse assunto, é incontrolável”, escreveu.

O filho recém-nascido do humorista Whindersson Nunes e Maria Lina faleceu na segunda-feira
Montagem R7 / Reprodução Instagram

Ataques que geram consequências

O fato é que, independentemente do que tenha acontecido entre Whinderson e Luísa, os internautas perderam a noção do bom senso, acham que a internet é uma terra sem lei e que podem xingar, julgar e ameaçar sem que isso traga consequências. Mas, a verdade é que eles podem sim ser processados e penalizados por isso.

Usar recursos online, ou qualquer outra ferramenta, para incitar a violência e difundir o discurso do ódio não é aceitável, muito menos tolerável. “Ah, mas e a liberdade de expressão e de opinião?”, talvez você questione.

Sim, ela é essencial. Mas, a partir do momento que essa “manifestação do pensamento” é usada para prejudicar ou atacar a imagem, a honra ou a privacidade do outro, o caso muda de figura. E, esse tipo de conduta é passivo de processo judicial, onde a pessoa pode até mesmo ser condenada.  

Vencendo os traumas

Uma perda é sempre dolorosa. Não há como culpar os haters por ela. Mas, com certeza, a repercussão da partida de João Miguel traz à tona, mais uma vez, a importância de entender que essa raiva destilada é prejudicial e deve ser combatida.

Maria Lina, sofreu ataques durante a gestação. Agora, fãs culpam ex-esposa do humorista pela morte
Reprodução / Instagram

Whindersson lamentou as perseguições e também escreveu sobre a perda: “(…)E você saiu, não pra casa, mas pra melhor casa, ao lado do melhor. Te amo filho”, declarou.

Maria Lina também se pronunciou após a morte de João Miguel, disse que está despedaçada, criticou a imprensa por ter noticiado de forma irresponsável o nascimento e a morte do filho e também falou dos ataques recebidos.

“Vocês, sites de fofoca e jornalistas que passam por cima de qualquer coisa em nome de audiência e divulgam as notícias antes dos envolvidos, vocês são nojentos, todo mal que causamos nessa vida nos retorna. Nunca se esqueçam disso. Que você receba de volta tudo aquilo que desejou e causou na vida alheia”, finalizou.

Para a psicóloga Osmarina Vyel, o casal precisa se blindar desse tipo de discussão para cuidar da recuperação emocional de ambos. “Quando alguém que amamos morre, dói demais, e, quando se trata de um filho, um bebê recém nascido, a dor é muito intensa. Isso porque, além do amor, existe uma expectativa que é criada e, com a partida, frustrada. Por isso, é essencial que o casal se una, se permita viver o período de tristeza e, posteriormente, transforme o luto em força. É preciso aprender, neste momento, a olhar para dentro de si e ter fé para seguir em frente”, detalha.

As pessoas precisam ter mais respeito e parar de julgar o próximo que mal conhecem. Se cada um se preocupasse em cuidar da sua vida, dos seus defeitos e problemas, o mundo seria um lugar muito melhor, não tenho dúvidas disso.

Por: Ana Carolina Cury

Reprodução: https://noticias.r7.com/prisma/refletindo-sobre-a-noticia-por-ana-carolina-cury/ataques-de-odio-apos-morte-do-filho-de-whinderson-onde-vamos-parar-01062021?amp

Professor é preso após se negar a retirar adesivo contra Bolsonaro do carro, em Trindade (GO)

Arquidones Bites Leão foi levado para a sede da Polícia Federal; segundo policial prisão se baseia na Lei de Segurança Nacional

terça-feira, 01 de junho de 2021.

Professor é preso após se negar a retirar adesivo contra Bolsonaro do carro, em Goiânia Foto: Reprodução
Professor é preso após se negar a retirar adesivo contra Bolsonaro do carro, em Goiânia Foto: Reprodução

O professor e secretário estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) de Goiás Arquidones Bites Leão foi preso nesta segunda-feira por se recusar a retirar uma faixa do capô do carro com a mensagem “Fora Bolsonaro Genocida”. No momento da prisão, os policiais explicaram que o professor ia ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional (LSN). O professor foi levado para a sede da Polícia Federal em Goiânia, onde prestou depoimento e foi liberado à noite.

Ao sair da sede da PF, o professor se emocionou, lebrando a morte do irmão caçula por covid-19.

—  Eu tenho nove irmãos e perdi o caçula porque o governo não se empenhou na compra das vacinas. Fora Bolsonaro genocida!

Segundo Arquivaldo Bites, o irmão do professor, ele foi abordado por policiais militares próximo de casa, em Trindade, na Região Metropolitana. O carro estava com a namorada do professor, que chegou a começar a retirar o adesivo, mas em seguida Arquidones chegou e se negou a cumprir as ordens do agente. Os policiais considerara que a mensagem era caluniosa contra o presidente Jair Bolsonaro e, por isso, se enquandraria na LSN.

O professor, que ajudou a organizar a manifestação no sábado contra o governo federa, filmou a abordagem do policial militar, que não usava máscara.

Nas imagens, o militar pede para Arquidones retirar o adesivo. Após o professor se negar a cumprir a ordem, o policial recita o artigo 26 da Lei 7.170, a Lei de Segurança Nacional, de 1983.

“Caluniar ou difamar o presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal, imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação”.

Por: O Globo com G1

Reprodução: https://oglobo.globo.com/brasil/professor-preso-apos-se-negar-retirar-adesivo-contra-bolsonaro-do-carro-em-trindade-go-25042443