Liberdade de cátedra: PFDC recomenda ao MEC que não edite atos que visem prevenir ou punir atos supostamente “políticos-partidários”

Procuradores afirmam que permanece situação de perigo a princípios constitucionais apesar do cancelamento de ofício-circular.

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão – órgão do Ministério Público Federal (MPF) – emitiu recomendação, nesta sexta-feira (5), ao Ministério da Educação (MEC) para que se abstenha de editar qualquer ordem que vise prevenir ou punir atos supostamente “políticos-partidários” nas instituições federais de ensino. O documento foi assinado pelo procurador-federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, e pelos coordenadores dos Grupos de Trabalho da PFDC “Educação e Direitos Humanos”, procurador da República Felipe de Moura Palha e Silva, e “Liberdades: Consciência, Crença e Expressão”, procurador da República Enrico Rodrigues de Freitas. A iniciativa atende ainda pedido feito por subprocuradores-gerais da República encaminhado no início da noite de ontem.

Para os procuradores signatários da recomendação, permanece a situação de perigo a princípios constitucionais e legais apesar do cancelamento de ofício-circular do MEC que indicava serem ilícitos atos político-partidários realizados a partir da estrutura de instituições públicas de ensino. Segundo eles, determinação do ministério a instituições federais de ensino, encaminhada em fevereiro deste ano, “negava o pluralismo acadêmico e utilizava-se de discurso falso para atacar as universidades”, o que facilitava eventuais perseguições a professores e alunos.

Os procuradores elencam uma série de dispositivos constitucionais e legais os quais garantem liberdade de expressão e da livre manifestação do pensamento, em especial nos ambientes acadêmicos. Explicam que eventual regulamentação da cessão de bens públicos não pode implicar na restrição indevida de expressão ou cerceamento do debate público. “A quebra de autonomia de ensino abre o espaço para a prática de ´censura de natureza político-ideológica´, especialmente o silenciamento de vozes que divirjam do governo”, traz o documento.

Interesse público – Em resposta endereçada aos subprocuradores-gerais da República, Carlos Alberto Vilhena afirma que nunca houve concordância da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão sobre o teor da recomendação expedida, em 2019, pelo procurador da República Ailton Benedito. Destaca ainda que o documento foi expedido sem tramitar na PFDC, tendo sido endereçada, não ao Ministro de Estado da Educação, mas diretamente ao secretário-executivo da Pasta. Reforça que a matéria já foi inclusive objeto de decisão proferida pelos Supremo Tribunal Federal (ADPF 548), e que cabe à PFDC emitir, quando necessário, posicionamento geral em matéria de direitos do cidadão. “É do interesse público que as ideias circulem livremente nos âmbitos acadêmicos, ainda que sejam ideias que veiculem posicionamentos políticos divergentes”, destaca.

Diálogo – Nesta sexta-feira, a PFDC reuniu-se com representantes do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), que relataram perseguições a professores durante o exercício da função. Na ocasião, os procuradores da República Enrico Freitas e Felipe Palha destacaram que a defesa de liberdade de cátedra consta dos planos de ação dos grupos de trabalho “Liberdades: Consciência, Crença e Expressão” e “Educação e Direitos Humanos” da PFDC – dos quais são os coordenadores, respectivamente. “É fundamental a memória institucional, lembrando que o Sistema PFDC vem atuando há bastante tempo em assuntos de defesa da livre expressão e de cátedra nas universidades”, ressaltou Palha.

Freitas elencou uma série de ações que vêm sendo desenvolvidas pelo Sistema PFDC, como em ações referentes ao projeto Escola Sem Partido, à autonomia universitária, a cortes de funções em instituições federais de ensino e ataques virtuais durante o exercício acadêmico.

Vilhena reforçou o papel da PFDC na interação permanente com a entidades da sociedade civil organizada e de instituições públicas. “Estamos sempre de portas abertas para o diálogo”, pontuou.

Íntegra da recomendação.

Íntegra da decisão PFDC.

Íntegra do ofício ao MEC. 

Reprodução: http://www.mpf.mp.br/pfdc/noticias/liberdade-de-catedra-pfdc-recomenda-ao-mec-que-nao-edite-atos-que-visem-prevenir-ou-punir-atos-supostamente-201cpoliticos-partidarios201d

Cartório oculta dados de Flávio em escritura pública da casa de R$ 6 milhões

March 05, 2021

BRASÍLIA – O cartório onde o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) registrou a compra de uma casa de R$ 6 milhões em Brasília escondeu informações da escritura pública do imóvel, documento com os dados do negócio que deveria ser acessível a qualquer pessoa que o solicitar. O ato, do 4.º Ofício de Notas do Distrito Federal, contraria a prática adotada em todo o País e representa tratamento diferenciado ao filho do presidente Jair Bolsonaro, segundo especialistas consultados pelo Estadão. As leis que tratam da atividade cartorial não preveem o sigilo.

Na cópia da escritura obtida pela reportagem no cartório, que fica em Brazlândia, região administrativa a 45 km de Brasília, há 18 trechos com tarjas na cor preta. Foram omitidas informações como os números dos documentos de identidade, CPF e CNPJ de partes envolvidas, bem como a renda de Flávio e da mulher, a dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.

Para comprar o imóvel, o filho “01” de Bolsonaro financiou R$ 3,1 milhões no Banco de Brasília (BRB), com parcelas mensais de R$ 18,7 mil. Como revelou o Estadão, as prestações representam 70% do salário líquido de Flávio como senador – R$ 24,7 mil. Outras duas escrituras de imóveis em nome da família Bolsonaro obtidas pela reportagem no mesmo dia, mas em cartórios distintos, foram fornecidas sem qualquer tarja. Uma delas do próprio presidente da República.

Procurado, o titular do cartório, Allan Guerra Nunes, disse ao Estadão que tomou a medida para preservar dados pessoais do casal. Em um primeiro contato, ele não soube explicar em qual norma embasou sua decisão. Mais tarde, em nota, Nunes afirmou que as informações são protegidas pela Lei 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras. A regra, porém, não se aplica a cartórios de notas. “Ele (Flávio) não me pediu nada. Quem decidiu colocar a tarja fui eu. Quando eu fui analisar o conteúdo da escritura, acidentalmente tem essa informação da renda”, disse Nunes.

Ele não explicou a razão de também ter omitido números de documentos de identificação pessoal. “Se hoje me pedirem cópia de escritura com financiamento bancário eu vou omitir os dados da pessoa”, afirmou o cartorário, que admitiu nunca ter incluído tarja em escrituras públicas antes. “Não há nenhum tratamento privilegiado, de maneira alguma.”

Nos 299 artigos da Lei de Registro Público, não há previsão de sigilo de informação, seja pessoal, bancária ou fiscal. A advogada Ana Carolina Osório, especialista em direito imobiliário, vê tratamento privilegiado a Flávio neste caso. “Não existe embasamento para se colocar tarja nessas informações. A publicidade é um dos princípios basilares do direito registral. O cartório tem o objetivo claro de proteger, digamos assim, os dados do Flávio Bolsonaro, porque é um documento público e as informações ali são de interesse de quaisquer interessados”, avaliou. “Diferente seria se estivéssemos divulgando a informação de renda prevista no Imposto de Renda, por exemplo.”

Em outra medida que contraria a norma vigente, o 4.º Ofício de Notas ainda requisitou que o pedido da cópia da escritura fosse formalizado por e-mail com a informação sobre o motivo da solicitação do documento. Pela Lei de Registros Públicos, isso não é necessário. “Qualquer pessoa pode requerer certidão do registro sem informar ao oficial ou ao funcionário o motivo ou interesse do pedido”, diz o trecho da lei.

Questionado sobre a omissão das informações, a corregedoria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, a quem cabe fiscalizar a atividade dos cartórios, não se manifestou. Em nota, a Associação dos Notários e Registradores do Brasil afirmou ser “responsabilidade do notário/registrador avaliar no caso concreto os preceitos legais de acesso à informação”.

Nesta semana, Flávio disse que o negócio foi “transparente” e que usou “recursos próprios” e um financiamento para comprar a casa.

Reprodução: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,cartorio-oculta-dados-de-flavio-em-escritura-publica-da-casa-de-r-6-milhoes,70003638122

Felipe Neto move ação e advogado é condenado por difamação e injúria

Adriel Marques Repórter do EM OFF 04/03/2021 22h04

Felipe Neto ganha ação contra advogado após postagem no Twitter. O acusado tentou associar o nome do YouTuber com o massacre de Suzano

Felipe Neto (Foto: Reprodução/Internet)
Felipe Neto (Foto: Reprodução/Internet)

De acordo com a sentença, o advogado Mizael Izidoro, cumprirá pena em regime aberto. Mizael foi condenado pela 3ª Vara Criminal de Campinas a detenção de cinco meses pelo crime de difamação e injúria contra o influenciador digital e YouTuber Felipe Neto. Essa pena em regime aberto poder se tornar também em prestação de serviço a comunidade pelo tempo da condenação. As informações são da UOL.

Felipe Neto moveu uma ação contra o advogado, após o mesmo postar em junho do ano passado, mensagens acusando o YouTuber em seu perfil da rede social Twitter e tentar associar o influenciador ao massacre de Suzano que ocorreu em um colégio. O advogado afirma que Felipe Neto teria orientado seu público para conseguir informações para a prática de crimes.

De acordo com a sentença, houve uma tentativa de conciliação por meio de audiência, sendo que não ocorreu porque não localizaram o advogado. Mizael já concorreu também nas Eleições 2020 em Campinas como vereador e não se elegeu.

Felipe Neto já possui mais de 13 milhões de seguidores e coleciona diversas polêmicas. O YouTuber carioca é conhecido por mostrar suas opiniões fortes, é ator, comediante e também escritor. O rapaz foi um dos primeiros YouTubers do Brasil com mais de 37 milhões de inscritos, teria faturado cerca de R$ 30 milhões só com seu canal no último ano.

Reprodução: https://www.portalemoff.com.br/famosos/felipe-neto-move-acao-e-advogado-e-condenado-por-difamacao-e-injuria/

MEC recua e suspende ofício que barrava atos políticos em universidades

Após forte repercussão negativa, o MEC (Ministério da Educação) recuou sobre um ofício que orientava universidades federais a “prevenir e punir” atos políticos nas instituições.

Em novo documento, que chegou na noite desta quinta-feira (4) aos reitores e foi obtido pela Folha, o MEC argumenta que não havia no ofício original “quaisquer intenção de coibir a liberdade de manifestação e de expressão” nas instituições federais de ensino superior​.

“Informamos o cancelamento do ofício”, diz o texto, “por possibilitar interpretações diversas da mensagem a que pretendia”. O documento diz reforçar que o posicionamento da Secretaria de Educação Superior e do MEC é de “respeito à autonomia universitária preconizada na Constituição”.

O novo comunicado é assinado pelo secretário de Educação Superior, Wagner Vilas Boas de Souza. A mensagem anterior fora enviada por um funcionário de menor escalão, o diretor de desenvolvimento da rede de instituições federais do MEC, Eduardo Gomes Salgado.

Ações judiciais e policiais em universidades públicas do país
Ações judiciais e policiais em universidades públicas do país

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) havia encaminhado às universidades, no dia 7 de fevereiro, ofício em que pedia providências para “prevenir e punir atos político-partidários nas instituições públicas federais de ensino”. O ato foi baseado em recomendação de 2019 do procurador Ailton Benedito de Souza, que se intitula conservador e apoia o presidente.

A iniciativa veio à tona no mesmo momento em que também surgiu a informação de que a CGU (Controladoria-Geral da União) abriu processos de investigação contra professores universitários que criticaram o presidente em eventos transmitidos pela internet.

Os dois docentes da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) tiveram de assinar termos de ajustamento de conduta para encerrar as investigações, baseadas em “manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao Presidente da República”.

O STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu, em ação finalizada em maio de 2020, pela inconstitucionalidade de atos que atentem contra a liberdade de expressão de alunos e professores e tentativas de impedir a propagação de ideologias ou pensamento dentro das universidades.

O ofício gerou reações inclusive dentro do MPF (Ministério Público Federal). Um grupo de subprocuradores pediu, também nesta quinta, que a PGR (Procuradoria-Geral da República) enviasse ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, defesa da liberdade de expressão nas universidades —no entendimento deles, a recomendação original da procuradoria de Goiás era isolada e não representava a integralidade do MPF.

Na quarta (3), a liderança da Minoria na Câmara já havia anunciado representação à PGR para que o ofício fosse revogado. O pedido se baseou no entendimento recente do STF sobre a liberdade de atos políticos nas instituições, assim como a reação dos subprocuradores.

Bolsonaro e aliados mantêm discurso de que as universidades são aparelhadas pela esquerda. O governo tem atuado na escolha de reitores, preterindo os mais votados nas consultas internas em várias universidades.

​Além disso, Bolsonaro patrocinou duas medidas provisórias para tentar mudar o formato de escolha dos reitores e reduzir a autonomia das universidades. Ambas não prosperaram.

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2021/03/mec-recua-e-suspende-oficio-que-barrava-atos-politicos-em-universidades.shtml

Jovem é preso em flagrante após publicação sobre visita de Bolsonaro a Uberlândia

PM considerou postagem em rede social uma incitação à prática de crime contra segurança nacional. Presidente esteve na cidade de passagem antes de compromisso oficial no interior de Goiás.

Por Fabiano Rodrigues, G1 Triângulo e Alto Paranaíba

04/03/2021 16h56 Atualizado há uma hora


Um jovem de 24 anos foi preso em flagrante no início da madrugada desta quinta-feira (4) em Uberlândia, após fazer postagens referentes à visita do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) à cidade. A Polícia Militar considerou que João Reginaldo da Silva Júnior incitou a prática de crime contra segurança nacional ao publicar no Twitter a frase: “Gente, Bolsonaro em Udia amanhã… Alguém fecha virar herói nacional?”‘.

Bolsonaro foi recebido no aeroporto da Uberlândia, onde pousou pouco depois das 9h desta quinta, numa parada que estava fora da agenda oficial. O destino do presidente foi a cidade de São Simão, sudoeste de Goiás, onde participou da inauguração de um trecho da Ferrovia Norte-Sul.

Segundo informações do boletim de ocorrência da PM, João foi encontrado na residência onde mora com os pais e, no momento na abordagem, confirmou a publicação na rede social e foi preso em flagrante. A PM conduziu o jovem até a Delegacia da Polícia Federal em Uberlândia, onde teve a prisão ratificada pelo delegado federal Laerte Vieira Gonçalves Neto e levado para o Presídio Uberlândia 1. Por volta das 18h30 ele foi liberado por alvará de soltura.

A família disse que aguarda a liberação do jovem e a orientação do advogado sobre se darão declaração sobre o caso.

A prisão ocorreu após o serviço de inteligência da PM fazer rastreamento nas redes sociais e identificar a postagem, segundo a corporação “com propaganda e incitação à prática de crimes contra a integridade física e a vida do Exmo. Presidente da República Jair Messias Bolsonaro com promessas de que tais ameaças se concretizariam durante a sua passagem nesta cidade de Uberlândia na data de hoje”.

A publicação de João Reginaldo teve pelo menos três respostas em concordância. Segundo informação do Auto de Prisão em Flagrante da PF, os policiais militares chegaram a ir até a casa das outras três pessoas autoras das respostas, mas não conseguiu localizá-las. A Polícia Federal disse que vai continuar as investigações e todos poderão ser indiciados pelo mesmo crime.

Durante o interrogatório na Polícia Federal, João Reginaldo da Silva Júnior disse que o “tuíte” não teve nenhuma conotação de ameaça, mas apenas humor e que desconhece as pessoas que responderam ao comentário publicado por ele.

Reprodução: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2021/03/04/jovem-e-preso-apos-publicacao-sobre-vinda-de-bolsonaro-a-uberlandia.ghtml

Jovem é preso após publicação sobre visita de Bolsonaro a Uberlândia

João Reginaldo postou: “Gente, Bolsonaro em Udia amanhã… Alguém fecha virar herói nacional?”‘. Texto foi considerado incitação e ameaça

Nathalia Kuhl – 04/03/2021 19:25,atualizado 04/03/2021 19:53O presidente da República
Rafaela Felicciano/Metrópoles

A Polícia Militar prendeu em flagrante, nesta quinta-feira (4/3), um jovem de 24 anos que fez algumas postagens referentes à visita do presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem partido), a Uberlândia (MG). Tudo ocorreu após a corporação considerar que João Reginaldo da Silva Júnior teria incitado a prática de crime contra a segurança nacional.

O jovem publicou, no Twitter, a seguinte frase: “Gente, Bolsonaro em Udia amanhã… Alguém fecha virar herói nacional?” No boletim de ocorrência da PM, consta que João foi encontrado na residência onde mora com os pais e, no momento na abordagem, confirmou a publicação na rede social e foi preso em flagrante.

Após a confirmação, a PM conduziu o jovem até a Delegacia da Polícia Federal em Uberlândia, onde teve a prisão ratificada por um delegado federal e foi levado para o Presídio Uberlândia 1. No final da tarde, a defesa do jovem conseguiu um habeas corpus e ele foi solto.

João Reginaldo da Silva Júnior disse aos agentes que o “tuíte” não teve conotação de ameaça, mas apenas humor, e que desconhecia as pessoas que responderam ao comentário publicado por ele.

Pelo menos outras três pessoas responderam na publicação concordando com João. Os agentes informaram ainda que foram até a casa das outras três pessoas autoras das respostas, mas não conseguiram localizá-las. A Polícia Federal disse que vai continuar as investigações e todos poderão ser indiciados pelo mesmo crime.

Reprodução: https://www.metropoles.com/brasil/jovem-e-preso-apos-publicacao-sobre-visita-de-bolsonaro-a-uberlandia

Entrevista: “Vou continuar emitindo sempre minha opinião científica”, diz professor processado pela CGU

Em entrevista, o epidemiologista Pedro Rodrigues Curi Hallal afirma que “se houve um processo contra mim, isso significa que as minhas críticas estão incomodando”
3 de março de 2021 – 16:25 – Alice Maciel

Crítico contumaz da condução do Governo Federal diante da pandemia de Covid-19 que já matou mais de 255 mil pessoas no Brasil, o ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o epidemiologista Pedro Rodrigues Curi Hallal, e seu colega Eraldo dos Santos Pinheiro, foram alvos de um processo na Controladoria-Geral da União (CGU) por terem se posicionado contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Para Hallal – que coordena a pesquisa Epicovid, referência no mapeamento do avanço da doença em todo o país – existe uma campanha orquestrada para silenciá-lo. “Não vai dar certo porque eu vou continuar emitindo sempre minha opinião científica sobre os assuntos”, afirmou em entrevista à Agência Pública.

“Tenho sido, se não ‘o’, um dos pesquisadores do Brasil mais críticos em relação à condução da pandemia pelo Governo Federal. E obviamente que nem todas as pessoas que criticam o presidente são processadas. Se houve um processo contra mim, isso significa que as minhas críticas estão incomodando”, destacou.

As manifestações contra o presidente que motivaram os processos na CGU ocorreram em uma transmissão ao vivo no dia 07 de janeiro, para discutir a nomeação para o cargo de reitor da universidade para a gestão 2021-2024. Na ocasião, Hallal fez duras críticas a Jair Bolsonaro e ressaltou que ele “tentou dar um golpe na comunidade [acadêmica]” ao escolher o segundo nome mais votado da lista tríplice, Isabela Fernandes Andrade – ela posteriormente decidiu dividir o cargo com o mais votado.

O processo na CGU contra os docentes foi motivado por uma representação do deputado federal bolsonarista Bibo Nunes (PSL-RS), que usou suas redes sociais para atacá-los.

Com objetivo de encerrar o procedimento, os professores optaram por assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), publicados ontem no Diário Oficial da União.

Nele, a CGU diz que Pedro Hallal proferiu “manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao Presidente da República, quando se pronunciava como reitor da UFPel”. O órgão entendeu que ele estava em “local de trabalho”, uma vez que a live foi transmitida nos canais oficiais do Youtube e do Facebook da instituição. O ato é baseado no artigo 117, V, da lei 8.112 que proíbe funcionários públicos de “promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição”.

Hallal contou que teve que se comprometer a não infringir o artigo pelos próximos dois anos.

O que motivou o processo na CGU?

O que motivou na verdade, quem tem que julgar são vocês, os leitores ou os ouvintes. Obviamente, que eu como pesquisador não acredito em coincidências. Tenho sido, se não “o”, um dos pesquisadores do Brasil mais críticos em relação à condução da pandemia pelo Governo Federal. E obviamente que nem todas as pessoas que criticam o presidente são processadas. Se houve um processo contra mim, isso significa que as minhas críticas estão incomodando.

Mas na prática, o que aconteceu foi o seguinte. Quando o presidente não nomeou o primeiro colocado na lista tríplice da UFPel, como ele já o fez em outras universidades – em 19 outras ele já tinha feito a mesma coisa – nós realizamos uma live, eu era o reitor na época, para informar para a nossa comunidade e discutir como nós procederíamos em relação a essa não nomeação do primeiro colocado da lista. E nessa live, eu fiz uma fala de uns 14 minutos que foi bastante crítica ao presidente. Um deputado gaúcho chamado Alcíbio Nunes começou a ameaçar em várias publicações, na mídia, em vários canais e no seu próprio canal, de que ele iria me processar, que é uma vergonha para o serviço público, que eu seria demitido e coisas desse tipo. E aí, ele mandou o processo e a CGU analisou o processo.
Publicação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no Diário Oficial da União

E qual foi o posicionamento da CGU?

A CGU imediatamente descartou qualquer falta funcional grave que poderia ser já pena de suspensão ou demissão, e o que o relatório da CGU diz em tese é que a única infração que poderia ser investigada era essa de desapreço. Já que é uma infração de baixo potencial ofensivo, existem duas possibilidades: ou eles seguem com o processo e no final eu sou ouvido ou punido com advertência; ou eu assino um termo de ajustamento de conduta, sem reconhecimento de culpa e que arquiva imediatamente o processo

Eu conversei com meus advogados – foi umas três semanas atrás – e achei que o melhor foi isso, porque não tem reconhecimento de culpa, arquiva-se o processo e imediatamente eles são impedidos de me investigar novamente pelo mesmo assunto. E é um assunto isolado, ou seja, a tentativa de me censurar, a tentativa de me demitir que o tal do deputado clamou de que faria não funcionou e o processo foi arquivado.

Você acha que essa atitude do deputado foi uma tentativa de censura?

Deixo para os leitores julgarem se é tentativa de censura ou não. Mas não acredito em coincidência.

Você se sente perseguido pelo Governo Federal?

O presidente já tuitou diretamente contra mim. Então assim, é uma série de… Pra quem acredita em coincidência, é uma série de coincidências. Pra quem como eu foi treinado para não acreditar em coincidência como pesquisador, a gente nota que é uma campanha orquestrada e que não vai dar certo porque eu vou continuar emitindo sempre minha opinião científica sobre os assuntos. Três de quatro pessoas que morreram até hoje no Brasil de covid não deveriam ter morrido, se o governo não tivesse cometido tantos erros. E obviamente, tenho que manter a minha posição científica. Não vou mudar minha posição científica por causa desse processo, ou de qualquer outro.

Você também se sente pressionado dentro da universidade?

São ameaças nas redes sociais, algumas delas, inclusive, estão sendo investigadas pela Polícia Federal. É um extremismo radical que infelizmente aflorou novamente no país. Então, sobre isso eu deixo que os leitores, as pessoas, façam o seu julgamento, mas tenho curiosidade para saber se todos os servidores públicos que criticarem o presidente a partir de agora começarão a ser processados. Já houve época no país que isso acontecia.

Os professores têm se unido para combater esses retrocessos?

Sim, estamos unidos e atentos aos ataques contra a educação e contra a democracia.

Tem outro professor, o professor Eraldo, a situação é parecida com a sua. Além de vocês dois, algum outro professor passou por situação parecida?

Não.

Reprodução: https://apublica.org/2021/03/vou-continuar-emitindo-sempre-minha-opiniao-cientifica-diz-professor-processado-pela-cgu/

Procuradoria da Câmara pede prisão de Danilo Gentili e compara tuíte à invasão do Capitólio

March 02, 2021 – Fausto Macedo

A Procuradoria Parlamentar da Câmara dos Deputados pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que decrete a prisão do humorista Danilo Gentili por um tuíte feito na semana passada, quando a Casa discutia a PEC da Impunidade. Na peça, os advogados alegam violação à Lei de Segurança Nacional, comparam a publicação à invasão do Capitólio americano, em janeiro, e pedem abertura de inquérito.

No dia 25, Gentili escreveu nas redes sociais: “Eu só acreditaria que esse País tem jeito se a população entrasse agora na câmara e socasse todo deputado que está nesse momento discutindo PEC de imunidade parlamentar”. Na ocasião, os deputados discutiam proposta que cria novas regras de imunidade parlamentar. A votação acabou sendo adiada e uma comissão especial irá avaliar a medida.

Para a Procuradoria da Câmara o tuíte de Gentili representa ‘grave ameaça à ordem pública’ e um ataque ao Poder Legislativo. Os procuradores ainda comparam o caso com a invasão do Capitólio, feita por extremistas que buscavam anular a nomeação de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos.

“A primeira das postagens do senhor Danilo Gentili Júnior possui indisfarçável vinculação com o referido episódio, representando nítida incitação da população à subversão da ordem político-institucional e gravíssimo atentado contra a manutenção do Estado Democrático de Direito”, escrevem os advogados Patrícia Santiago, Thiago Lima Pessoa e Diana Segatto. “As redes sociais não podem servir de escudo para que os cidadãos possam cometer crimes e ficarem impunes”.

Pelas redes socias, Gentili afirmou que fez um tuíte ‘que foi alvo de justas críticas por alguns deputados’. “Quem me segue sabe que sempre defendi as instituições. Aliás, minha briga com bolsonaristas foi justamente pelo fato de eu ser contrário aos pedidos criminosos de fechamento do STF e do Congresso”, escreveu.

Eu fiz um tuíte que foi alvo de justas críticas por alguns deputados. Quem me segue sabe que sempre defendi as instituições. Aliás, minha briga com bolsonaristas foi justamente pelo fato de eu ser contrário aos pedidos criminosos de fechamento do STF e do Congresso.— Danilo Gentili (@DaniloGentili) March 1, 2021

Além do pedido de prisão do humorista, a Procuradoria da Câmara pede a abertura de um inquérito para apurar o caso e o bloqueio das publicações pelo Twitter.

COM A PALAVRA, DANILO GENTILI
No Twitter, o humorista Danilo Gentili escreveu: “Eu fiz um tuíte que foi alvo de justas críticas por alguns deputados. Quem me segue sabe que sempre defendi as instituições. Aliás, minha briga com bolsonaristas foi justamente pelo fato de eu ser contrário aos pedidos criminosos de fechamento do STF e do Congresso”.

Documento (Petição da Câmara): https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/wp-content/uploads/sites/41/2021/03/gentili1_020320213802.pdf

Reprodução: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/procuradoria-da-camara-pede-prisao-de-danilo-gentili-e-compara-tuite-a-invasao-do-capitolio/

Governo Bolsonaro censura por dois anos professores da Universidade Federal de Pelotas

Quarta-feira 03 março 2021 19:19 Por Euler de França Belém

O ex-reitor da Ufpel Pedro Hallal e o pró-reitor Eraldo dos Santos Pinheiro tiveram de assinar termos de ajustamento de conduta para evitar processo

A Universidade é o local apropriado para produzir ensino, ciência e crítica. A Universidade sem crítica pode ser tudo — menos Universidade. Ela pode ter variadas colorações ideológicas — de centro, de esquerda, de direita, anarquista. Mas precisa ser livre de amarras — quanto mais diversidade de pensamento, o que sugere uma divergência produtiva e enriquecedora, melhor para a sociedade e para o ambiente universitário. O que se espera, claro, é que se trate de uma formulação fundamentada e que se mantenha abertura ao diálogo.

Pedro Hallal: ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas | Foto: Reprodução

Recentemente, Paulo Ferreira Júnior foi eleito reitor da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro, possivelmente por considerá-lo de esquerda — parece avaliar que todo aquele que não é de direita é comunista —, optou por nomear a segunda colocada, Isabela Fernandes Andrade. Apesar de ferir a prática universitária — que, da lista tríplice, sempre opta por dirigir a Universidade o mais votado —, escolher qualquer um dos três candidatos é uma prerrogativa do Ministério da Educação (na verdade, Bolsonaro é quem indica, aparentemente a partir de um “fichário” que examina as ideologias dos mestres). Mesmo tendo sido escolhida pelo Palácio do Planalto, Isabela Fernandes Andrade decidiu compartilhar o poder com Paulo Ferreira Júnior.

Mestres fizeram críticas duras mas verdadeiras

No dia 7 de janeiro deste ano, o ex-reitor da Ufpel Pedro Hallal, usando canais oficiais da Universidade no Youtube e no Facebook, criticou a decisão de Bolsonaro ao escolher a segunda colocada: “Quem tentou dar um golpe na comunidade foi o presidente da República, e eu digo presidente com ‘p’ minúsculo. Nada disso estaria acontecendo se a população não tivesse votado em defensor de torturador, em alguém que diz que mulher não merecia ser estuprada [por ser feia] ou no único chefe de Estado do mundo que defende a não vacinação da população”.

A crítica pode ser “dura”, mas o que há de falso e, portanto, de excessivo na fala de Pedro Hallal? Primeiro, ao optar pela segunda colocada, Bolsonaro não avaliou mérito acadêmico, e sim, por certo, que era menos “perigosa” ideologicamente do que o primeiro colocado. Do ponto de vista estrito do ambiente universitário, indicar o segundo e não o primeiro, pode mesmo ser considerado “golpe”. Segundo, Bolsonaro defende o coronel Brilhante Ustra, que, para a historiografia que analisa a ditadura civil-militar (1964-1985), deve ser visto como torturador. As evidências são fortes e, a rigor, nem mesmo seus aliados não dizem que não torturava. O que dizem é que estava fazendo a “coisa certa”. Terceiro, Bolsonaro disse mesmo que não estupraria a deputada Maria do Rosário, do PT, porque ela era feia. Confira a frase completa: “Ela não merece [ser estuprada] porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”.

Eraldo dos Santos Pinheiro: professor da Universidade Federal de Pelotas | Foto: Reprodução

Pedro Hallal apresentou sua crítica, embasada em fatos, não em suposições. A rigor, não há como desmenti-lo; portanto, não havia e não há como penalizá-lo judicialmente. Nenhum magistrado teria condições técnicas de condená-lo com base nas “acusações”. As palavras de Bolsonaro são “testemunhas” de defesa do professor.

O professor Eraldo dos Santos Pinheiro, pró-reitor de Extensão e Cultura da Ufpel, apresentou sua crítica: “Grupo liderado por um sujeito machista, racista, homofóbico, genocida, que exalta torturadores e milicianos. Que ao longo do tempo vem minando, destruindo as estruturas já precárias de nossas instituições”.

Assim como o reitor, o mestre Eraldo dos Santos Pinheiro fez suas críticas que, a rigor, têm amparo nos fatos, no que Bolsonaro tem dito nos últimos anos. Alguém pode dizer que Bolsonaro não é machista e homofóbico? Sobre o torturador Brilhante Ustra, o presidente disse: “É um herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda hoje em dia quer”. Torturar pessoas que não ofereciam nenhum perigo — a guerra praticamente já havia sido vencida pelo governo militar — não é considerado heroísmo em nenhum país civilizado e democrático. Só ditaduras avaliam como “normal”.

O miliciano Adriano da Nóbrega foi condecorado pelo senador Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual, em 2005. Questionado sobre o assunto, Bolsonaro disse: “Para que não haja dúvida [sobre a condecoração], eu determinei. Manda para cima de mim”.

Isabela Fernandes Andrade (escolhida pelo MEC) e Paulo Ferreira Júnior: reitores da Universidade Federal de Pelotas | Fotos: Reproduções

Quanto ao “genocida”, não sei se o termo é preciso para “qualificar” o presidente. Frise-se que já morreram quase 260 mil pessoas em razão de complicações decorrentes da Covid-19. Qual o grau de responsabilidade de Bolsonaro? É alto. Primeiro, porque, no lugar de seguir a ciência, não incentiva o uso de máscara — pelo contrário, estimula o não uso —, falou em gripezinha, sugeriu medicamentos não adequados para o combate à pandemia e defende, nos piores momentos da crise, que as pessoas saiam às ruas. Segundo, porque não se empenha em organizar a vacinação em massa dos brasileiros. Portanto, a história vai julgar mal — e talvez o termo “genocida” vá caracterizá-lo mais adiante. Talvez. Porque ele ainda tem tempo para, agindo como um estadista — um Rodrigues Alves —, acatando o que os especialistas dizem, contribuir, de maneira célere, para a vacinação das pessoas — que é a única maneira de salvar vidas e, ao mesmo tempo, de colaborar para recuperar a economia.

O fato é que Pedro Hallal e Eraldo dos Santos Pinheiro disseram a verdade — esquentada na frigideira dos tempos covídicos e bolsonarista.

Mesmo não mentindo, os dois mestres foram vítimas da sanha denuncista do deputado federal Bibo Nunes, do PSL do Rio Grande do Sul. O parlamentar denunciou ambos na Controladoria Geral da União. Ele queria a demissão de Pedro Hallal. Possivelmente, para fazer média com o “aliado” Bolsonaro. Estaria “abatendo” um “comunista”.

A CGU examinou os casos, a partir da Lei 8.112, “que proíbe funcionários públicos de ‘promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição” (trecho de reportagem de Daniel Gullino, de “O Globo, publicada na quarta-feira, 3, sob o título de “CGU impõe dois anos de ‘mordaça’ a professores em troca de suspensão de processo por críticas a Bolsonaro”).

Segundo Pedro Hallal, “a CGU fez uma análise técnica do processo, corretamente, muito bem-feita, identificou que nenhuma das faltas graves mencionadas tinha ocorrido e que a única possível infração, em tese, teria sido o desapreço. Eu conversei com os meus advogados e entendemos que esse era um desfecho adequado para nós, porque era um arquivamento sumário do processo. As acusações graves a própria CGU descartou”.

Para evitar um processo judicial, tanto Pedro Hall quanto Eraldo dos Santos Pinheiro assinaram um termo de ajustamento de conduta (TAC) com a CGU. Os dois professores se comprometeram a não repetir as críticas ao presidente Bolsonaro — o “desapreço” — pelos próximos dois anos. Curiosamente, o tempo que Bolsonaro ainda terá na Presidência da República. Quer dizer, trata-se de um presidente que, segundo seus aliados e a CGU, não pode ser criticado.

Por mais que os professores tenham acatado a proposta da CGU, a partir da denúncia meramente ideológica de um deputado federal — que agiu como se fosse uma espécie de SNI —, o que se deve concluir é que o governo Bolsonaro está excedendo. O que está fazendo é censura travestida de acatamento à lei. Na verdade, como não havia nada a apurar e ser denunciado, a CGU deveria ter arquivado, de pronto, a diatribe do parlamentar.

Reprodução: https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/governo-bolsonaro-censura-por-dois-anos-professores-da-universidade-federal-de-pelotas-315099/

Professores são advertidos por “manifestação desrespeitosa” a Bolsonaro

Advertência feita pela Corregedoria – Professores criticaram o presidente

Declarações dos professores foram feitas em live para discutir a nomeação do novo reitor da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) Reprodução/Facebook UFPel

Poder360 03.mar.2021 (quarta-feira) – 9h11
A Corregedoria Geral da União advertiu 2 professores da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), no Rio Grande do Sul, por proferirem “manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao presidente da República”, Jair Bolsonaro.

Os extratos de termos de ajustamento contra Pedro Rodrigues Curi Hallal e Eraldo dos Santos Pinheiro foram publicados na edição de 3ª feira (2.mar.2021) do DOU (Diário Oficial da União). Eis as íntegras aqui (65 KB) e aqui (66 KB).

Em ambos os casos, a justificativa para a advertência é:

Proferir manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao Presidente da República, quando se pronunciava como Reitor da Universidade Federal de Pelotas – UFPel, durante transmissão ao vivo de Live nos canais oficiais do Youtube e do Facebook da Instituição, no dia 07/01/2021, que se configura como “local de trabalho” por ser um meio digital de comunicação online disponibilizado pela Universidade (art. 117, V, da Lei nº 8.112/1990)”.

Em transmissão feita em 7 de janeiro, os docentes discutiam com outros membros da universidade a nomeação do novo reitor. Na época, Pedro Hallal ainda ocupava o cargo. Ele defendeu que o “reitor eleito seja o reitor nomeado”.

Um dia antes da live, Isabela Fernandes Andrade foi nomeada por Bolsonaro como reitora da universidade. Ela, no entanto, não foi a mais votada pela comunidade acadêmica. Isabela ficou atrás do professor Paulo Ferreira Júnior.

Infelizmente, assim como aconteceu em mais de 20 universidades desse Brasil durante o desgoverno Bolsonaro, mais de 20 vezes a escolha das comunidades não foi respeitada”, disse Hallal.

Quem tentou dar um golpe na nossa comunidade foi o presidente da República”, falou. Hallal ainda chamou Bolsonaro de “defensor de torturador” e o “único chefe de Estado do mundo que defende a não vacinação da população”.

Pinheiro disse que o “golpe” foi dado por um grupo que está “devastando” o Brasil. “Grupo liderado por um sujeito machista, racista, homofóbico, genocida, que exalta torturadores e milicianos”, declarou o professor. Ele ainda acusou Bolsonaro de destruir as estruturas “já precárias” das instituições de ensino.

Hallal já foi citado por Bolsonaro. Em 14 de janeiro, o presidente postou em suas redes sociais trecho de entrevista de Hallal para a rádio Guaíba, na qual o professor fala sobre o enfrentamento da pandemia da covid-19. Ao fim da entrevista, um dos apresentadores fala sobre a “ala ideológica” de Hallal.

Reprodução: https://www.poder360.com.br/brasil/professores-sao-advertidos-por-manifestacao-desrespeitosa-a-bolsonaro/