Ofensiva contra Sleeping Giants Brasil pode criar precedente perigoso

Conhecido por disseminar desinformação, Jornal da Cidade Online entra na Justiça para obter violação da proteção de dados de administradores

INTERVOZES 24 DE NOVEMBRO DE 2020

Ofensiva contra Sleeping Giants Brasil pode criar precedente perigoso

Por Bruno Marinoni e Marina Pita*

Em maio de 2020, um perfil no Twitter denominado Sleeping Giants (“Gigantes Adormecidos”) surgiu como novo personagem do realismo fantástico brasileiro e desferiu um duro golpe contra a indústria da desinformação. O recém-criado passou a cobrar publicamente a responsabilidade de empresas anunciantes no combate às chamadas “fake news”, pressionando para que não financiassem através de publicidade canais de circulação desses conteúdos.

A contraofensiva não tardou e, logo, o Jornal da Cidade Online, veículo que tem sido sistematicamente questionado acerca da qualidade das apurações e veracidade das informações publicadas, inclusive por parte da CPMI das Fake News, entrou na justiça para obter a violação da proteção de dados do Sleeping Giants no Twitter. A pressão cresceu a partir de outubro com a não permissão por parte do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul à participação de entidades especializadas em direito à informação e liberdade de expressão no país, bem como, quando exigiu que a plataforma digital entregasse as informações dos administradores do perfil antes do trânsito em julgado do processo.

A indústria da desinformação depende de modelo de negócio das plataformas digitais que agenciam a relação entre editores de conteúdo e anunciantes por meio de ferramentas como, por exemplo, o Google AdSense, a qual era usada pela página desinformativa. Assim, o meio mais eficaz de impedir que tais veículos propaguem notícias falsas causando enormes prejuízos à democracia é alertando os seus anunciantes sobre a desinformação causada pelos veículos onde anunciam.

A forma que o site de notícias falsas do advogado José Pinheiro Tolentino Filho escolheu para atacar o Sleeping Giants na Justiça, exigindo que o Twitter entregue os dados de identificação do usuário autor da página, tem por objetivo acertá-lo pelo menos de duas formas. A primeira seria através de pressão e litigância contra os administradores do perfil, mobilizando processos judiciais por difamação, acusando-os de apontarem que a página Jornal da Cidade Online difunde notícias falsas (o que, na realidade, é um fato amplamente reconhecido, já lhe tendo rendido inclusive condenação por danos morais contra desembargadores e investigação na chamada CPI das Fake News).

A segunda forma, é possível dizer pelo modus operandi como atua o campo político ao qual pertence o Jornal da Cidade Online, se daria através do uso desses dados para mobilizar campanhas de injúrias e ameaças contra as pessoas que operam o Sleeping Giants. Foi, por exemplo, o que aconteceu com a versão estadunidense dessa iniciativa e é o que costuma acontecer cotidianamente com os adversários do bolsonarismo, bastando ler o noticiário para se estar ciente disso.

Matt Rivitz, publicitário que criou o Sleeping Giants nos EUA em novembro de 2016, tem sofrido ameaças de morte desde que um site conservador revelou sua identidade. Não somente contra ele, as ameaças foram dirigidas também contra o seu filho de apenas 14 anos. A versão norte-americana dos gigantes conseguiu impactar, entre outros, o desinformativo site Breitbart News, o qual foi editado por Steve Bannon, ex-estrategista do governo Trump.

Os vínculos da indústria da desinformação com o chefe do Poder Executivo brasileiro são também conhecidos. A importância do Jornal da Cidade Online para as redes de notícias falsas bolsonarista pode ser medida pela reação que causou no círculo íntimo do presidente Bolsonaro a ação do Sleeping Giants. Após a decisão do Banco do Brasil de não mais anunciar na página, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, e o secretário de Comunicação à época Fábio Wajngarten se manifestaram publicamente contra o ocorrido e o banco sofreu intervenção para que voltasse atrás na resolução.

De acordo com matéria publicada em abril de 2020 pela agência de checagem de informação Aos Fatos, o Jornal da Cidade Online faz parte de uma rede de desinformação que se mantém através de financiamento publicitário e está vinculado diretamente à página bolsonarista mantida pela viúva do torturador Alberto Brilhante Ustra. Ambos os sites compartilhavam até o início do ano o mesmo código de identificação no sistema do Google AdSense, junto com outros domínios. Isto significa dizer, que o dinheiro levantado por eles através do serviço de “publicidade programática” oferecido pelo Google era dividido dentro deste mesmo grupo.

O histórico desse vínculo da indústria da desinformação com os defensores declarados de expoentes da tortura e da violência política acende uma luz de alerta que justifica a preocupação dos defensores de direitos humanos e liberdades civis com a possibilidade da quebra do sigilo de dados dos administradores do Sleeping Giants. Uma vez reveladas essas informações, o seu impacto para a vida dos envolvidos é irreversível, o que é extremamente grave em um país com as altas taxas de violência e assassinato contra comunicadores e defensores dos direitos humanos como é o Brasil. Além disso, o combate à desinformação pode perder talvez o seu instrumento atual mais poderoso de enfrentamento às chamadas fake news, pela sua capacidade de estrangulamento da viabilidade econômica de se manter grandes canais de difusão de conteúdos falsos.

Enquanto por um lado o Sleeping Giants utiliza pseudônimo como estratégia de proteção da integridade física e da vida de seus administradores, por outro o Jornal da Cidade Online criou colunistas fictícios para atacar com calúnias os seus alvos. Nesse caso, porém, criou perfis de pessoas falsas manipulando retratos de pessoas reais com o objetivo de enganar o público quanto à existência de pessoas assinando os textos. Os perfis atribuídos a articulistas bombardeavam com desinformação a imagem de parlamentares, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e desembargadores.

Anonimato e redes sociais

Vale destacar que a vedação ao anonimato, prevista na Constituição, não deveria ser usada como argumento contra o Sleeping Giants Brasil. Como se sabe, tal veto busca impedir a consumação de abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento.

Em verdade, é possível questionar, inclusive a classificação do perfil do Sleeping Giants como anônimo pois, ainda que o público não possa identificar o autor, a rede social detém os dados – aqueles previstos por lei de serem guardados, que, se cruzados com dados de provedores de conexão, podem levar à identificação do perfil. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal adotou uma compreensão de que a prática do anonimato pode ser observada de modo absoluto e relativo, sendo que neste último um terceiro é capaz de individualizá-lo, chegando à sua identidade.

Na internet, as informações armazenadas pelo provedor que fornece acesso à internet e pelos que exploram a oferta de serviços online podem identificar. Para esses provedores ninguém é anônimo, desde que seja observada a legislação (no caso, o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD) que prediz a integridade dos dados eletrônicos que estão sob sua guarda, os quais contêm informações sobre a identificação (eletrônica) dos usuários.

Nesse sentido, o internauta que utiliza a internet para praticar certas condutas e o faz através do anonimato relativo, deveria ter seu direito ao sigilo de dados, à privacidade, mitigados apenas se seus atos violarem direitos alheios. Assim, a Justiça não deveria obrigar o Twitter, a pedido do Jornal da Cidade Online, a entregar os dados do usuário por trás da conta – ao menos que seja reconhecida anteriormente a ilegalidade do conteúdo publicado.

O uso de pseudônimo ou anonimato tem potencial para empoderar pessoas, dando voz àqueles que por alguma razão enfrentam dificuldades de ter espaço para expressar seus pontos de vistas, permitir a participação e engajamento, oferecendo a sensação de segurança e proteção, ajudar as pessoas a falarem de forma mais aberta, sem medo e receio de censura por contrariar poderosos interesses e proteger as informações e os dados pessoais, diminuindo a vigilância e a violação da privacidade.

A não preservação do anonimato no presente caso expõe pessoas ao risco de vida e de graves restrições de liberdade. Assim, ainda que se entendesse que a vedação ao anonimato deva ser resguardada por ser um direito constitucional, a vida é o maior dos direitos, não havendo dúvidas de que numa colisão de princípios constitucionais como essa, a vida e a liberdade devam ser preservadas.

Como se pode notar, a página Sleeping Giants teceu críticas a determinados produtores de conteúdo e solicitou posicionamento de anunciantes. E, na avaliação do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, não há nada de ilícito no ato que pudesse então levar a necessidade de identificação do usuário por trás do perfil. Foi este motivo que mobilizou a organização a ingressar com pedido de Amicus Curiae no caso, que foi negado.

Alertamos, então, que a liberdade de expressão, à qual se refere o processo judicial, não deve ser tomada como uma autorização para que veículos de desinformação possam atacar a imagem dos seus desafetos e manipular informações de interesse público para tirar vantagens políticas e econômicas. Ela deve estar a serviço da garantia de que possamos mobilizar informações verdadeiras, sem qualquer constrangimento, na cobrança de responsabilidade social por parte de agentes privados e públicos. E nós estamos suficientemente acordados e de olhos bem abertos para não ter dúvidas quanto a isso.

*Bruno Marinoni é jornalista, doutor em Sociologia e integrante do Intervozes.

Marina Pita é formada em Comunicação Social, pós-graduanda em Direitos Digitais e está coordenadora executiva do Intervozes.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/ofensiva-contra-sleeping-giants-brasil-pode-criar-precedente-perigoso/

CNJ decide sobre censura em caso que envolve a independência do magistrado

Juiz de direito Roberto Luiz Corcioli Filho, do TJ-SP, e ministro Emmanoel Pereira, conselheiro do CNJ (Fotos: Senado e TST/Reprodução). Frederico Vasconcelos

20.nov.2020 às 16h08

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) deverá julgar nesta terça-feira (24) pedido de revisão para reverter a condenação de censura aplicada em agosto de 2018 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo ao juiz Roberto Luiz Corcioli Filho. (*)

O caso envolve polêmica sobre o garantismo penal e a independência dos magistrados. O relator é o conselheiro Emmanoel Pereira.

O processo administrativo começou com uma representação em que 17 promotores acusavam Corcioli Filho de promover, nos plantões judiciais, a “soltura maciça de indivíduos cujo encarceramento é imprescindível”.

No pedido de revisão ao CNJ, os advogados do juiz –Igor Sant’Anna Tamasauskas e Débora Cunha Rodrigues–, sustentam que o TJ-SP promoveu “inaceitável perseguição ideológica contra um magistrado digno”. A defesa vê na iniciativa o “intuito de intimidação de juiz que adota posições jurídicas plenamente fundamentadas e defensáveis apenas por destoarem daquelas adotadas e defendidas, em geral, pelos promotores subscritores”.

“Trata-se de estranho cenário, em que respeitado Juiz de Direito é prejudicado, por exemplo, ao seguir a orientação jurisprudencial de Tribunais Superiores no âmbito penal, sabidamente ignorada pela Corte de que faz parte e que o condenou.”

Segundo os advogados, Corcioli “foi punido pelo teor das suas decisões, em patente violação ao art. 41 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional – LOMAN, a estabelecer que “salvo os casos de impropriedade ou excesso de linguagem o magistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir”.

“Infelizmente, não se trata de fato inédito na Justiça de São Paulo. Pelo contrário: mais uma vez, a exemplo do que fizera com a desembargadora Kenarik Boujikian, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu de forma contrária à legislação e à evidência dos autos”.

A defesa pede a absolvição de Corcioli “assim como fez exemplarmente no histórico julgamento da Revisão Disciplinar proposta por Kenarik Boujikian e acolhida em 29 de agosto de 2017 por dez votos a um”.

Entre as peças juntadas a título de confirmar a “conduta profissional impecável” de Corcioli, há uma manifestação conjunta de oito juízes que atuavam no mesmo fórum em que ele desempenhava suas funções, testemunhos de juristas, profissionais do direito e agentes relacionados à área da segurança.

Acusações ao magistrado

Eis algumas alegações dos promotores que representaram contra o juiz:

– “O representado [Corcioli Filho] possui ideologia contra o modelo de Sistema Penal vigente e favorável ao desencarceramento e absolvições, especialmente nos casos de tráfico de entorpecentes.”

– “(…) O representado relaxou a prisão em flagrante dos indiciados por crime de tráfico de drogas que estavam com 74 tijolos de maconha”, (…) “fundamentou no sentido de que a palavra de policiais civis não é válida e que não havia sido realizada audiência de custódia.

– “Utiliza-se de premissas indefensáveis” (…), tais como ‘a palavra dos policiais, civis ou militares, é insuficiente’ (…) ‘guardas municipais não podem efetuar prisões em flagrante’”.

– “Seguindo sua ideologia contra o modelo de Sistema Penal vigente e favorável ao desencarceramento, vários são os casos em que o representado decide contra texto expresso de lei, visando satisfazer aquela ideologia.”

Opinião de juristas

Nas razões finais, há uma lista de juristas e professores que fizeram declarações e emitiram pareceres –todos em caráter pro bono–, opinando pela improcedência das imputações.

A defesa reproduz trechos de manifestações de Dalmo de Abreu Dallari, Professor Emérito da Faculdade de Direito da USP, e Celso Luiz Limongi, morto em setembro de 2018, ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis).

“(…) Não tenho qualquer dúvida em afirmar que a proposta de punição do juiz Roberto Corcioli, aqui examinada, não tem a mínima consistência jurídica. A orientação adotada pelo preclaro magistrado, ainda que influenciada pela teoria do garantismo penal, condiz estritamente com os princípios e as normas da Constituição vigente que regem o direito penal, o direito penal juvenil e o processo penal no Brasil.

As decisões do ilustre magistrado Roberto Corcioli, invocadas na proposta de punição, não configuram parcialidade ou desvio politicamente influenciado, estando rigorosamente enquadrados nas normas éticas e jurídicas que devem ser obrigatoriamente respeitadas pelos magistrados de todos os níveis” (Dalmo de Abreu Dallari).

“A função do juiz criminal não é a de um vingador implacável. (…) Fico espantado, com todas as vênias do Tribunal de Justiça, que amo intransitivamente, e por isso dói-me com mais intensidade, em ver que o juiz Roberto Luiz Corcioli Filho foi punido, em face de representação assinada por 23 promotores, acusando-o de conceder, com extrema liberalidade, a liberdade para presos” (Celso Luiz Limongi).

Também opinaram pela improcedência das acusações os seguintes juristas e professores:

Fernando Dias Menezes de Almeida, Professor Titular da Faculdade de Direito da USP

Sérgio Salomão Shecaira, Professor Titular da Faculdade de Direito da USP e ex-Presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça

Calixto Salomão Filho, Professor Titular da Faculdade de Direito da USP e Professor do Institut de Sciences Politiques (Sciences Po, Paris)

Brisa Lopes de Mello Ferrão, Ex-Assessora Especial do Supremo Tribunal Federal e Doutora pela Faculdade de Direito da USP

Conrado Hübner Mendes, Professor Doutor da Faculdade de Direito da USP

Rafael Mafei Rabelo Queiroz, Professor Associado da Faculdade de Direito da USP

Luiz Flávio Gomes, Morto em abril deste ano, Doutor em Direito pela Universidade Complutense de Madri

Geraldo Prado, Professor Associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

(*) REVISÃO DISCIPLINAR 0004729-35.2019.2.00.0000

Reprodução: https://blogdofred.blogfolha.uol.com.br/2020/11/20/cnj-decide-sobre-censura-em-caso-que-envolve-a-independencia-do-magistrado/

Justiça determina que Google retire do ar fake news citada por Russomanno

Do UOL, em São Paulo 11/11/2020 21h02

A Justiça Eleitoral determinou, na noite de hoje, que o Google retire do ar um vídeo com informações falsas produzido pelo blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio e utilizado pelo candidato Celso Russomanno (Republicanos) para desferir acusações contra o rival Guilherme Boulos (PSOL). A decisão acatou um pedido feito pelo psolista.

“O cenário delineado pela matéria produzida pelo representado não encontra lastro nem sequer em indícios, como demonstrado de forma contundente na sua inicial pelo ora representante, sendo refutado pontualmente, permitindo-se, sem temor, de ser adjetivado de sabidamente inverídico, extravasando o debate político-eleitoral”, afirmou o juiz eleitoral Emílio Migliano Neto na decisão. O vídeo foi divulgado no mesmo horário em que acontecia o debate UOL/Folha por um dos principais acusados no inquérito das fake news que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal), o blogueiro Oswaldo Eustáquio. A publicação aponta para um suposto “laranjal” de Boulos. Eustáquio já foi preso dentro dessEustáquio já foi preso dentro dessa investigação.

A campanha de Russomanno não esclareceu ao UOL se a acusação contra Boulos foi pautada no vídeo produzido por Oswaldo Eustáquio. A reportagem questionou se o candidato tem conhecimento sobre a disseminação de notícias falsas por parte do blogueiro, mas não houve retorno. Um assessor afirmou que “independente da fonte, se for verdade é muito grave. A nossa equipe vai levantar esse caso”.

Reprodução: https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2020/11/11/justica-eleitoral-boulos-russomanno-video.htm

STJ vai julgar exclusão de posts e links que vinculem Ney Matogrosso a Kim Kataguiri

O atual deputado federal publicou imagem que insinuava que o músico defendia impeachment de Dilma

30.out.2020 às 12h53 – Editado por Camila Mattoso com Mariana Carneiro e Guilherme Seto.

A Terceira Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) vai julgar na terça-feira (4) um recurso do Google contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou a exclusão de links que relacionem o músico Ney Matogrosso ao deputado Kim Kataguiri (DEM-SP).

Em 2015, Kataguiri publicou em suas redes sociais uma foto ao lado de Matogrosso com uma legenda em que afirmava que o cantor era favorável ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

Fotografia publicada por Kim Kataguiri com Ney Matogrosso em 2015
Fotografia publicada por Kim Kataguiri com Ney Matogrosso em 2015 – Reprodução

De acordo com os autos do processo, a imagem foi feita a pedido de Kim, que teria abordado o cantor em uma lanchonete e solicitado uma foto. Contudo, os dois não teriam conversado sobre política ou qualquer outro assunto.

O músico ajuizou ação contra Facebook e Google, solicitando a exclusão da imagem, e o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou procedente.

O STJ julgará, então, recurso do Google à decisão, que determinou a supressão de todos os links que relacionem as palavras chaves Kim Patroca Kataguiri, Kim e Kim Kataguiri, com o nome Ney Matogrosso.

O Google argumenta que a determinação do TJSP afronta a liberdade de expressão e contraria o Marco Civil da Internet, pois segundo ele as empresas só podem ser obrigadas a remover conteúdo da internet após identificação precisa do material a ser suprimido.

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2020/10/stj-vai-julgar-exclusao-de-posts-que-vinculem-ney-matogrosso-a-kim-kataguiri.shtml

Por apologia ao estupro, YouTube deve excluir vídeos de funk “Surubinha de leve”

29 de outubro de 2020, 19h29 Por Sérgio Rodas

Por entender que a música Surubinha de leve, de MC Diguinho, faz apologia ao estupro e promove incitação à violência contra as mulheres, a 6ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES) ordenou que o Google retire 22 videoclipes da canção do YouTube. A decisão é de 15 de setembro.

O vídeo original foi publicado na plataforma no início de 2018, e a letra se referia à prática de embebedar mulheres, chamadas de “piranhas” e “putas”: “Taca bebida depois taca pika/E abandona na rua”. Depois de um estupro coletivo ocorrido em uma comunidade do Rio de Janeiro, MC Diguinho alterou a letra da canção. No entanto, vídeos com a letra original permaneceram no YouTube.

O Ministério Público Federal moveu pediu a retirada dos links em 2019. De acordo com os procuradores, a música caracteriza violência à mulher por instigar o crime de estupro e possuir teor discriminatório, naturalizando estigmas de gênero.

A Justiça Federal em primeira instância aceitou o pedido, mas o Google recorreu. A 6ª Turma Especializada do TRF-2 afirmou que se trata de um caso excepcional que justifica o controle de conteúdo — tanto que o próprio artista modificou a letra da canção.

Os desembargadores ressaltaram que o funk incita à violência contra as mulheres e promove apologia ao estupro. Dessa maneira, apontaram, a exclusão dos vídeos atende ao Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), à Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher e à Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. Com informações da assessoria do MPF.

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Reprodução: https://www.conjur.com.br/2020-out-29/apologia-estupro-youtube-excluir-surubinha-leve

A cruzada judicial de 111 pastores da Igreja Universal contra um escritor por um tuíte

Religiosos demandam que J. P. Cuenca os indenize por danos morais causados por uma frase citando a igreja de Edir Macedo, Bolsonaro, enforcamento e tripas

Naiara Galarraga Gortázar São Paulo – 18 oct 2020 – 13:51 BRT

J. P. Cuenca se sente como um “Kafka dos trópicos”. Não é a primeira vez, porque há alguns anos esse escritor brasileiro se viu envolvido em uma situação surrealista ao descobrir que estava morto fazia tempo para as autoridades. Transformou aquele imbróglio burocrático em material para seu romance Descobri que estava morto, de 2016. Agora, a questão transcende sua pessoa e o que está em jogo é mais importante. Cuenca é alvo de uma ampla ofensiva judicial devido a um tuíte que publicou em junho. Mais de cem pastores da Igreja Universal, uma das denominações evangélicas mais poderosas do Brasil, exigem nos tribunais indenizações por causa desta frase: “O brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal”.

Para João Paulo Cuenca (Rio de Janeiro, 1978), o que está em jogo é o direito à liberdade de expressão, e o direito à ofensa, em um país polarizado ao extremo sob a presidência de Jair Bolsonaro, considerado “um fascista e um genocida” pelo escritor. Cuenca contou na semana passada em um café de São Paulo os detalhes do caso. Ressaltou, logo no início, que o tuíte é “uma paráfrase de uma metáfora de quase 300 anos”, escrita pelo francês Jean Meslier, sobre as elites e a Igreja católica. Embora tenha explicado isso na mesma noite da publicação em uma sequência no Twitter, sofreu ataques e ameaças.

No Brasil, estes são tempos propícios para controvérsias viscerais e discussões dolorosas. Em dois dias, o romancista perdeu a coluna de opinião que publicava no portal da redação brasileira da Deutsche Welle. O canal público alemão o demitiu ao considerar o conteúdo do tuíte contrário a seus valores. A DW também repudiou em sua nota “qualquer discurso de ódio e incitação à violência”. O romancista se irrita com essa referência, considerando-a difamatória porque, insiste, a frase não deve ser entendida literalmente. Para isso, colocou-a entre aspas e acrescentou o esclarecimento.

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, entrou na polêmica via Twitter, anunciou uma ação judicial e, a partir daí, começou o ciberpandemônio. O escritor diz que suas caixas de correio no Twitter, Facebook e Instagram ficaram repletas de insultos e ameaças de morte.

Várias semanas se passaram e, quando a tempestade amainou nas redes, veio a surpresa. Cuenca descobriu que pastores da Igreja Universal do Reino de Deus − liderada por Edir Macedo, agora um valioso aliado de Bolsonaro − entraram com ações judiciais contra ele por danos morais em cidades dispersas e remotas. Primeiro eram dez, depois dezenas e, na quinta-feira passada, as denúncias já chegavam a 111. O mais peculiar é que são ações individuais ajuizadas em tribunais de municípios espalhados por quase todo o Brasil, cidades pequenas, distantes de qualquer aeroporto. Cada pastor pede entre 10.000 e 20.000 reais de indenização. Juntos, exigem entre 1,1 milhão e 2,2 milhões de reais.

O fator detonador do tuíte, explica o escritor, foi uma notícia que ele leu naquele dia. Informava que o Governo brasileiro iria subsidiar canais e emissoras de Igrejas evangélicas, mesmo tendo dívidas com o Estado. Os evangélicos pentecostais foram um apoio eleitoral crucial para Bolsonaro. Nenhuma outra comunidade o impulsionou de forma tão unânime para o poder.

“A ideia [dos demandantes] é criar um caso indefensável, um caso que me deixe louco porque não tenho capacidade econômica ou logística de me defender em todas essas pequenas cidades”, explica o romancista, que conversou com o EL PAÍS no espanhol que aprendeu com seu pai, imigrante argentino. Essa enxurrada de ações espalhadas por um território continental é um enorme desafio para qualquer pessoa.

O advogado Fernando Hideo Lacerda, que assumiu a defesa gratuitamente, aponta: “As demandas não são idênticas, mas vejo um padrão, o que nos faz pensar que se trate de uma ação orquestrada em nível nacional”. Embora cada uma tenha a assinatura de um pastor diferente da Igreja Universal, a linguagem sugere que foram redigidas por advogados. Com textos semelhantes, pedem indenizações de valores parecidos.

Em alguns casos, as ações são praticamente idênticas, como as assinadas pelos pastores Lucio Furtado, em Unaí, e Rogério da Silva, em Ariquemes. A primeira cidade fica em Minas Gerais e a segunda, em Rondônia. Mais de 2.500 quilômetros as separam. O que chama bastante a atenção do acusado e de sua defesa é que nenhuma demanda foi apresentada na maior cidade do país, São Paulo, onde Cuenca vive desde que deixou para trás o Rio de Janeiro. Lacerda acrescenta um detalhe para reforçar sua tese. Os pastores recorreram a uma via que os isenta de pagar as custas dos processos caso percam.

Consultada sobre as ações de seus pastores, a Igreja Universal ressalta que eles são autônomos para decidir se devem ir à Justiça. Acrescenta que “a liberdade de expressão não é um direito absoluto. No Brasil não é permitido que uma ‘sátira’ ou ‘metáfora’ promova ideias desprezíveis como nazismo, racismo ou preconceitos de qualquer tipo, incluindo o preconceito religioso”. Por coincidência, Cuenca compartilha editora no Brasil com Edir Macedo, o líder da Igreja Universal que construiu um império religioso multinacional com 10.000 templos em dezenas de países, somando milhões de fiéis. Ambos publicam na Planeta.

O escritor diz que com aquele tuíte, que apagou por conselho de seus advogados, tomou por um instante a iniciativa em um panorama político marcado por uma oposição constantemente na defensiva. Desde o início de seu Governo, Bolsonaro e seus aliados decidem a agenda política e o debate público. “A mecânica é a seguinte: eles fazem ou dizem coisas, nós reagimos, fazemos propaganda deles… Com a paráfrase de uma metáfora de quase 300 anos, por um instante inverti o jogo. Eu os fiz reagir porque se sentiram ofendidos. Eles acreditam que têm o monopólio da ofensa.” O escritor está preocupado com a normalização das ameaças e grosserias proferidas por Bolsonaro e seus aliados contra o Partido dos Trabalhadores, homossexuais, transexuais, seguidores de religiões de origem africana…

Cuenca, autor de quatro livros traduzidos para oito línguas, não é o primeiro brasileiro envolvido em um caso desse tipo. Foi em 2007. A protagonista, a repórter da Folha de S. Paulo Elvira Lobato, que escreveu sobre os negócios da Igreja Universal. Cerca de cem pastores a levaram aos tribunais. Ela ganhou todos os processos depois que o jornal enviou advogados e jornalistas a cada uma das cidades. Custou uma fortuna.

O romancista afirma que, além de se defender com seus limitados meios, pretende contra-atacar na Justiça. “Se isto for normalizado pelo sistema judicial e pela sociedade brasileira, amanhã pode acontecer com qualquer outro que os ofenda”, alerta. Sua estratégia é tentar demonstrar que os pastores não buscam justiça. “Se eu puder demonstrar que estão me atacando usando o sistema judicial para me intimidar em uma ação coordenada, [se eu] conseguir ganhar, obtiver uma indenização e eles perderem, este caso se tornará paradigmático”. Ele está ciente da dificuldade. “O clima não é o de 2007. É outro Brasil. Agora somos governados por um fascista, caminhamos para uma teocracia evangélica de extrema direita.”

Cuenca pretende tirar o máximo de proveito da experiência. Assim como fez com seu romance anterior após descobrir sua morte oficial, está incorporando material desta nova odisseia à sua próxima obra. Começou a escrevê-la durante uma estadia em Madri e já tem título: Nada é mais antigo que o passado recente.

Reprodução: https://brasil.elpais.com/cultura/2020-10-18/a-cruzada-judicial-de-111-pastores-evangelicos-contra-um-escritor-brasileiro-por-um-tuite.html

Pastores da Igreja Universal movem dezenas de ações contra escritor por manifestação no Twitter

João Paulo Cuenca diz que instituição coordena a apresentação dos processos; Universal nega e afirma que pastores podem iniciar causas individuais contra preconceito religioso

9.out.2020 às 23h15 – Flávio Ferreira

SÃO PAULO

Dezenas de pastores da Igreja Universal do Reino de Deus apresentaram à Justiça ações de indenização contra o escritor João Paulo Cuenca em todo o país, após ele ter publicado em junho no Twitter que o “brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal”, parafraseando texto de Jean Meslier, autor do século 18.

Meslier escreveu que “o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”.

Segundo a defesa de Cuenca, já são mais de 80 ações apresentadas a juizados especiais cíveis em 19 estados, com pedidos de ressarcimento por dano moral em valores entre R$ 10 mil e R$ 20 mil.

O escritor afirma que “as ações são muito parecidas, são todos pastores da igreja, isso é uma ação coordenada, isso é litigância de má-fé. Essas pessoas estão usando o sistema jurídico do país para me constranger. Essa ação coordenada é um abuso do uso da Justiça”.

A Universal nega que esteja coordenando a apresentação das ações e afirma que seus pastores podem adotar medidas individuais em relação à postagem, uma vez que as leis brasileiras não permitem a promoção do preconceito religioso.

Alguns dos documentos dos processos, aos quais a Folha teve acesso, não exibem textos idênticos, mas mostram padrões, como o fato de os próprios pastores assinarem as petições e pedirem a concessão de gratuidade da Justiça nos processos.A Folha fez contato telefônico com o pastor Gildásio Lima Sarmento, de Planaltina (DF), autor de uma das ações contra o escritor, para indagar sobre a apresentação da causa.Sarmento disse à reportagem: “A Unicom pode passar essas informações melhor para você. Você pode entrar em contato com a Unicom, que é a Universal Comunicações, eles te informam melhor”.

Procurada pela reportagem, a Universal informou que a Unicom é o departamento da instituição que responde pela assessoria de imprensa da igreja, e há orientação aos pastores de que remetam ao setor todos os pedidos de veículos de mídia.

“A informação dada pelo pastor, de que o jornalista deveria procurar a Unicom, apenas cumpriu o protocolo da Universal: somente este departamento pode atender a imprensa”, segundo nota da Unicom.

Além das causas individuais cíveis, há pedidos de investigação e abertura de procedimentos criminais relativos ao episódio. Como informado pela coluna Painel em agosto, em um deles a Procuradoria no Distrito Federal arquivou o requerimento de abertura de investigação.

“Trata-se do exercício da liberdade de expressão, que não pode ser tolhido por pessoas ignorantes que não têm capacidade de compreender uma hipérbole. A mensagem foi realizada no sentido figurado”, escreveu o procurador do caso, Frederico Paiva.

De acordo com Cuenca, as causas caracterizam procedimento abusivo idêntico ao adotado por pastores da igreja em relação à jornalista Elvira Lobato a partir de 2007.Naquele ano, a Folha publicou reportagem de Elvira com o título “Universal chega aos 30 anos com império empresarial”, que descreveu os negócios ligados à instituição.Após a veiculação do texto, 111 fiéis, a maioria pastores, apresentaram ações judiciais contra a repórter e a Folha.

As causas foram iniciadas em pequenos municípios, o que levou a defesa e jornalistas a se deslocarem para várias regiões do país. Nenhum dos processos foi julgado procedente.

Cuenca, que foi colunista da Folha de 2013 a 2016, diz que a postagem no Twitter é uma sátira de uma metáfora que já foi utilizada por inúmeros autores, e nunca teve intenção de incentivar qualquer tipo de violência.

Após a publicação do post no Twitter em junho, o veículo de comunicação alemão Deutsche Welle deixou de publicar coluna quinzenal de Cuenca, sob o argumento de que a mensagem contrariou os valores do órgão de imprensa.

“A Deutsche Welle repudia, naturalmente, qualquer tipo de discurso de ódio e incitação à violência. O direito universal à liberdade de imprensa e de expressão continua sendo defendido, evidentemente, mas ele não se aplica no caso de tais declarações”, publicou.

Denise Dourado Dora, diretora-executiva da Artigo 19, entidade internacional de defesa dos direitos humanos, diz que os processos configuram ataque à liberdade de manifestação e de imprensa.

“A Artigo 19 acompanha com preocupação o caso do jornalista J.P. Cuenca, que tem sido ameaçado em redes sociais, além de ser vítima de uma estratégia de uso do Poder Judiciário como meio de silenciamento”, diz Denise.

Para a diretora da ONG, “a reação desmedida a seu comentário representa evidente ataque à liberdade de opinião e ao exercício profissional de comunicadores, uma prática reiterada por agentes públicos hoje no Brasil que compromete a democracia”.

A assessoria de comunicação da Universal negou a acusação de Cuenca de que a instituição esteja coordenando a apresentação das ações judiciais contra o escritor.

“Podemos afirmar, categoricamente, que não há advogado da Universal atuando nesses supostos processos, em nome da Igreja ou não”, de acordo com a nota.

Segundo a instituição religiosa, “observadas as normas de conduta que são exigidas de quem exerce o ministério religioso, os oficiais da Igreja Universal do Reino de Deus têm autonomia para tomar suas próprias decisões quanto à sua vida privada”.

“A liberdade de expressão não é um direito absoluto. No Brasil, não existe permissão para que uma ‘sátira’ ou ‘metáfora’ promova ideias desprezíveis como, por exemplo, o nazismo, o racismo ou o preconceito de qualquer tipo, inclusive o preconceito religioso”, acrescenta a nota da Universal.

Reprodução: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/10/pastores-da-igreja-universal-movem-dezenas-de-acoes-contra-escritor-por-manifestacao-no-twitter.shtml

Justiça manda Olavo de Carvalho pagar R$ 2,9 mi a Caetano Veloso em 15 dias

ESTADÃO CONTEÚDO 10 DE OUTUBRO DE 2020

O escritor Olavo de Carvalho. Foto: Reprodução/YouTube
O ESCRITOR OLAVO DE CARVALHO. FOTO: REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Escritor não apagou publicações caluniosas contra Caetano mesmo sendo intimado pessoalmente nos Estados Unidos

O escritor Olavo de Carvalho foi condenado a pagar em até 15 dias R$ 2,9 milhões a Caetano Veloso, pela juíza Renata Gomes Casanova de Oliveira e Castro, da 50ª Vara Cível, do Rio de Janeiro. A multa se deve ao não cumprimento de uma liminar para que Carvalho removesse as acusações de pedofilia postadas em suas redes sociais contra o cantor, em 2017, e pelas quais acabou condenado.

Se não houver o pagamento voluntário, haverá acréscimo de multa de 10%, bem como protesto de título judicial, informou o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

A liminar para a remoção das postagens nas redes sociais foi deferida em novembro de 2017. A ordem deveria ser cumprida em 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Mas, apesar de ter sido pessoalmente intimado em sua casa, nos Estados Unidos, em fevereiro do ano passado, o escritor não apagou as publicações.

A ação movida por Caetano Veloso foi julgada procedente em setembro do ano passado. O chamado “guru da direita brasileira”, que ganhou maior notoriedade pela proximidade com a família do presidente Jair Bolsonaro, foi condenado a retirar as postagens ofensivas e a pagar, na época da sentença, R$ 40 mil por danos morais. A ação já transitou em julgado – não cabendo mais recursos quanto ao seu mérito.

O valor da ação referente à condenação pelos danos morais foi atualizado e depositado judicialmente em agosto, no valor de R$ 65.966,78. Mas Carvalho ainda tenta impugnar o valor da multa e interpôs um agravo de instrumento que será julgado pela 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, ainda sem data prevista.

Lewandowski pede informações antes de decidir se Globo pode noticiar processo contra Flávio Bolsonaro

 6 DE OUTUBRO DE 2020

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Marcos Brandão/Agência Senado
O SENADOR FLÁVIO BOLSONARO (REPUBLICANOS-RJ). FOTO: MARCOS BRANDÃO/AGÊNCIA SENADO

Emissora alega ofensa à liberdade de imprensa, por meio de censura prévia

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu explicações sobre a decisão que proibiu a empresa Globo Comunicação e Participações S/A, detentora da emissora TV Globo, a divulgar informações, exibir documentos e expor o andamento do processo que apura a suposta prática de rachadinhas por Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Lewandowski encaminhou o pedido de informações à 33ª Vara Cível do Rio de Janeiro e ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

A decisão que proibiu a Globo de noticiar o caso é de setembro. À época, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) comemorou e acusou “parte da imprensa” de promover “narrativas criminosas”.

Do outro lado, a Globo alegou ofensa à liberdade de imprensa, por meio de censura prévia. A empresa entrou com um recurso no STF em que pede a suspensão da proibição.

O prazo é de 10 dias para que as autoridades prestem as informações ao STF. Só depois disso é que Lewandowski examinará o pedido da emissora.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/justica/lewandowski-pede-informacoes-antes-de-decidir-se-globo-pode-noticiar-processo-contra-flavio-bolsonaro/

Facebook deleta post em que Trump comparava letalidade da Covid-19 à da gripe

 6 DE OUTUBRO DE 2020

Presidente americano Donald Trump (Foto: WIN MCNAMEE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP)
PRESIDENTE AMERICANO DONALD TRUMP (FOTO: WIN MCNAMEE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP)

Twitter mantém publicação, mas comunica que texto ‘infringe regras sobre desinformação’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma publicação removida do Facebook após dizer que a Covid-19 seria “muito menos letal” do que uma gripe convencional.

Trump é uma das mais de 7 milhões de pessoas diagnosticadas com Covid-19 nos EUA. O presidente americano foi levado a um hospital na sexta-feira 2 e muito se especulou na imprensa sobre seu real estado de saúde. Ao receber alta, Trump pediu nas redes sociais que os americanos “não temessem a Covid”.

O Facebook removeu a publicação do presidente americano, de acordo com informação transmitida pelo porta-voz da rede, Andy Stone, à CNN dos Estados Unidos. Já o Twitter manteve o texto publicado, mas fora da página de tuítes de Trump e com um aviso de que o conteúdo “infringiu regras do Twitter sobre desinformação e notícias potencialmente perigosas sobre COVID-19”.

“A temporada de gripe está chegando! Muitas pessoas todos os anos, às vezes mais de 100.000, e apesar da vacina, morrem de gripe. Vamos fechar o nosso país? Não, aprendemos a conviver com isso, assim como estamos aprendendo a conviver com Covid, na maioria das populações muito menos letal!!!”, escreveu Trump.

(FOTO: REPRODUÇÃO/TWITTER)

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/mundo/facebook-deleta-post-em-que-trump-comparava-letalidade-da-covid-19-a-da-gripe/