Facebook libera novos recursos para administradores controlarem o que é publicado em grupos

Um dos recursos permite moderar automaticamente posts e comentários compartilhados nas comunidades. Segundo a rede social, objetivo é garantir segurança e oferecer conversas saudáveis.

sexta-feira, 18 de junho de 2021.

Administradores podem encontrar rapidamente posts e comentários que mais exigem sua atenção. — Foto: Divulgação/Facebook

Administradores podem encontrar rapidamente posts e comentários que mais exigem sua atenção. — Foto: Divulgação/Facebook

O Facebook apresentou nesta quarta-feira (16) mais recursos para administradores controlarem o que é publicado em seus grupos.

Entre as novidades, estão uma ferramenta de moderação automática e uma seção para moderadores encontrarem rapidamente posts e comentários que exigem a sua atenção.

As mudanças deverão impactar os mais de 120 milhões de usuários no Brasil que participaram de ao menos um grupo em maio de 2021, segundo dados da rede social.

“Manter a segurança nos grupos no Facebook é uma prioridade, e os administradores são fundamentais para ajudar a preservar uma cultura segura e saudável nas suas comunidades”, afirmou a vice-presidente de Comunidades do Facebook, Maria Smith.

Moderação automática em grupos

Uma das ferramentas liberadas pelo Facebook permite definir critérios que devem ser seguidos pelos participantes de grupos em publicações e comentários.

Batizado de Assistente do Administrador, ele ajuda a manter uma moderação automática sobre o conteúdo que é publicado na comunidade.

Assistente do Administrador permite definir regras em posts e comentários em grupos. — Foto: Divulgação/Facebook

Assistente do Administrador permite definir regras em posts e comentários em grupos. — Foto: Divulgação/Facebook

Os administradores podem, por exemplo, restringir posts de usuários que estão há pouco tempo no Facebook ou no grupo. Além disso, é possível impedir o compartilhamento de links indesejados.

Para ajudar os membros do grupo, o Facebook permite indicar por que o post ou comentário foi recusado. A partir da explicação, o autor pode editar o conteúdo e tentar reenviá-lo.

A rede social também implementou alertas para moderadores. O recurso usa inteligência artificial para identificar conversas possivelmente controversas entre participantes de uma comunidade.

O objetivo é ajudar administradores a adotarem as medidas necessárias rapidamente. Uma das possibilidades liberadas pelo Facebook permite reduzir a frequência de comentários de certos participantes ou em publicações específicas.

Alerta de moderação do Facebook identifica discussões controversas em grupos. — Foto: Divulgação/Facebook

Alerta de moderação do Facebook identifica discussões controversas em grupos. — Foto: Divulgação/Facebook

Análise de participantes de grupos

O Facebook criou uma área para administradores analisarem rapidamente posts, membros e comentários denunciados. A seção também pode ser usada para gerenciar configurações do grupo, como sua visibilidade para os demais usuários da rede social.

Os moderadores ganharam ainda uma página com informações sobre cada membro da comunidade. A seção exibe informações como o número de publicações e comentários da pessoa nos últimos 90 dias, bem como quantas de suas postagens foram excluídas ou silenciadas.

Publicado no portal G1 na data de 16/06/2021 às 18h48 e atualizado há um dia

Reprodução: https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2021/06/16/facebook-libera-novos-recursos-para-administradores-controlarem-o-que-e-publicado-em-grupos.ghtml

Facebook é condenado a apagar postagens sobre Chico Buarque receber uma ‘Bolsa Ditadura’

Por Ana Cláudia Guimarães • 04/06/2021 • 06:00

Chico BuarqueChico Buarque | Fe Pinheiro / Divulgação

A juíza Fernanda Rosado de Souza, do 6º Juizado Especial Cível da Lagoa, determinou que o Facebook retire a postagem e todos os comentários subsequentes sobre a notícia de que Chico Buarque, assim como outras pessoas, recebiam a chamada “Bolsa Ditadura”.

O processo foi aberto pelo cantor depois que a página Brasil Resiliente começou a veicular fotos e textos contendo frases como ´Sentindo falta do dinheiro público né, meu filho?’ e gerando uma série de comentários pejorativos e difamatórios.

A magistrada considerou que foi extrapolado o direito de expressão, e que a postagem atingiu a honra de Chico Buarque. 

Reprodução: https://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/facebook-e-condenado-apagar-postagens-sobre-chico-buarque-receber-uma-bolsa-ditadura.html

Facebook decide manter suspensão de Trump e reavaliá-la quando completar dois anos

domingo, 06 de junho de 2021.

Imagem: Gage Skidmore (Flickr)

Donald Trump permanecerá banido do Facebook por pelo menos dois anos. Nick Clegg, vice-presidente de relações globais da empresa de mídia social, comunicou a decisão na sexta-feira (4). Além disso, a rede passará a tratar políticos da mesma forma que outros usuários, aplicando a eles as mesmas regras.

Trump, então presidente dos EUA, foi banido do Facebook em 7 de janeiro de 2021, um dia após seus apoiadores invadirem o Capitólio em Washington, D.C., sede do poder legislativo estadunidense. Desde então, Trump perdeu acesso a praticamente todas as suas redes sociais.

No caso do Facebook, a questão foi parar no Comitê de Supervisão, uma espécie de “suprema corte” formada por especialistas em internet, direitos humanos e liberdade de expressão para decidir de maneira independente sobre casos controversos. A instância manteve a suspensão, mas recomendou que o Facebook revisasse o caso e deixasse suas regras e penalidades mais explícitas.

A empresa, então, decidiu que o ex-presidente dos EUA permanecerá suspenso até 7 de janeiro de 2023, quando avaliará se o risco à segurança pública diminuiu para decidir o que fazer com a conta do político. Caso se Trump volte a ter acesso ao Facebook e descumpra as regras mais uma vez, a rede promete implementar um “conjunto rígido de sanções de rápida progressão”.

Políticos não terão mais tratamento especial

O anúncio de Clegg também foi acompanhado por uma mudança marcante nas políticas de conteúdo do Facebook.

A rede tratava praticamente todo conteúdo produzido por políticos como “relevante para o noticiário” e evitava ao máximo exclui-los, mesmo que estivessem violando as regras.

A partir de agora, a empresa promete pesar essa relevância em contraposição os danos das violações. Assim, ela vai manter no ar as publicações apenas em casos excepcionais. Quando isso acontecer, a rede também deixará explícito que abriu uma exceção por causa da relevância pública daquele conteúdo.

O Facebook também revelou que usa um sistema de “strikes” antes de decidir suspender uma conta — a empresa diz não ter feito isso anteriormente para evitar que usuários tentassem burlar esse sistema.

No entanto, a rede não forneceu detalhes como qual o número de violações que leva a uma suspensão. Mesmo assim, o Facebook deu alguns exemplos de condutas proibidas, como aprovar conteúdo violento em uma página administrada, e explicou que todos os “strikes” expiram após um ano.

Por Giovanni Santa Rosa

Publicado em 5 de junho de 2021 e atualizado em 5 de junho de 2021 às 15:45

Reprodução: https://gizmodo.uol.com.br/facebook-decide-manter-suspensao-de-trump-e-reavalia-la-apos-dois-anos/

Facebook mudará regras para políticos e poderá banir perfis com discurso de ódio

Medida poderá ser anunciada nesta sexta-feira (4)

Da CNN, em São Paulo

04 de junho de 2021 às 15:26

O Facebook deve anunciar nesta sexta-feira (4) uma mudança nas regras da plataforma para líderes mundiais. 

Uma das principais atualizações é um sistema de strikes para os perfis de políticos. Caso os líderes violem as regras da empresa continuamente, eles poderão ter a conta suspensa ou até banida da plataforma. Este procedimento será aplicado, principalmente, em contas que propaguem discurso de ódio e de incentivo à violência.

A mudança nas diretrizes do Facebook surge após uma longa discussão sobre o perfil do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Em janeiro, a rede social deu um passo inédito, logo após eleitores republicanos invadirem o Capitólio, ao suspender a conta de Trump, por considerar que comentários do ex-presidente incitaram os atos de vandalismo e violência.

Facebook anunciará nesta sexta-feira mudança em perfis de líderes mundiais (04-0
Facebook anunciará nesta sexta-feira mudança em perfis de líderes mundiais (04-06-2021)

Facebook anunciará nesta sexta-feira mudança em perfis de líderes mundiais (04-06-2021)

Foto: Reprodução / CNN

Reprodução: https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/06/04/facebook-mudara-regras-para-politicos-e-podera-banir-perfis-com-discurso-de-odio

Facebook e Instagram bloqueiam contas ligadas a movimento QAnon

AFP 6 DE OUTUBRO DE 2020

'Discípulos' do QAnon protestam em Hollywood. Foto: KyleGrillot/AFP
‘DISCÍPULOS’ DO QANON PROTESTAM EM HOLLYWOOD. FOTO: KYLEGRILLOT/AFP

Medida acelera esforços para reprimir campanhas de desinformação, algumas endossadas pelo presidente dos EUA Donald Trump

O Facebook determinou nesta terça-feira 6 o bloqueio de todas as contas ligadas ao movimento conspiracionista QAnon, tanto na rede social, quanto em sua comunidade de compartilhamento de imagens, Instagram.

“Nós vamos remover quaisquer páginas do Facebook, grupos e contas no Instagram representando o QAnon, mesmo que não contenham conteúdo violento”, anunciou o gigante das redes sociais em uma postagem em seu blog. A medida acelera os esforços da empresa para reprimir campanhas de desinformação, algumas endossadas pelo presidente Donald Trump, semanas antes das eleições presidenciais de 3 de novembro.

As ações, tanto do Facebook, quanto do Instagram, visaram contas vinculadas a “grupos anarquistas ‘offline’ que apoiam atos violentos em meio a protestos, organizações de milícias com sede nos Estados Unidos e QAnon”, informou a plataforma. Em agosto, a rede havia eliminado centenas de grupos vinculados à teoria da conspiração de extrema-direita QAnon e impôs restrições a cerca de outras 2 mil como parte de uma ofensiva contra um aumento da violência.

O Facebook informou ter endurecido seu bloquei ao QAnon após notar que, apesar de eliminar publicações que promoviam a violência diretamente, as mensagens dos seguidores do movimento foram adaptadas para evitar as restrições – o grupo usou a plataforma para afirmar que certos grupos iniciaram incêndios florestais que devastaram a costa oeste, desviando a atenção da polícia e dos bombeiros, por exemplo.

“As mensagens do QAnon mudam muito rapidamente e vemos que as redes de seguidores criam uma audiência com uma mensagem e depois mudam rapidamente para outra”, informou o Facebook. “Nosso objetivo é combater isto de forma mais efetiva com esta atualização que fortalece e expande nossos esforços contra o movimento de teoria conspiratória”.  A rede social já proíbe conteúdos que incitam a violência e organizações que a promovem.

Teorias da conspiração

Os seguidores do QAnon têm usado páginas e grupos públicos e privados no Facebook para difundir “desinformação, racismo e incitação à violência apenas velada”, segundo a Liga Antidifamação. A teoria da conspiração, popular entre diferentes grupos de extrema-direita, sustenta que há uma elite global que opera como uma força controladora por trás de governos, bancos e outras instituições.

Em julho, o Twitter tomou medidas enérgicas contra o QAnon quando o grupo aumentou seu alcance na principal corrente da política americana. A partir de uma publicação anônima de 2017, que alega exploração infantil e conspirações estatais, o movimento sem líderes ganhou espaço no próprio escopo do Twitter de Trump.

No ano passado, o FBI informou em um relatório que o QAnon era um dos vários movimentos que poderiam impulsionar “tanto grupos quanto extremistas individuais a realizar atos criminosos ou violentos”.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/mundo/facebook-e-instagram-bloqueiam-contas-ligadas-a-movimento-qanon/

Facebook não promoverá bloqueio a contas bolsonaristas fora do País

 31 DE JULHO DE 2020

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O MINISTRO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ALEXANDRE DE MORAES. FOTO: FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

Plataforma contraria decisão do ministro Alexandre de Moraes que identificou manobra nos perfis para continuarem usando contas no exterior

O Facebook decidiu que não cumprirá a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tirar do ar no exterior as contas de perfis bolsonaristas investigados pelo inquérito das fake news. A empresa recorrerá ao plenário do Supremo e manterá, por ora, as contas no ar, fora do Brasil.

Em nota à Folha de S.Paulo, o Facebook disse: “Respeitamos as leis dos países em que atuamos. Estamos recorrendo ao STF contra a decisão de bloqueio global de contas, considerando que a lei brasileira reconhece limites à sua jurisdição e a legitimidade de outras jurisdições”.

No Brasil, as contas dos perfis investigados estão suspensas desde o dia 24 de julho. O Facebook entende que suspender conteúdos globalmente a partir de determinações locais pode limitar seu espaço de atuação.

A plataforma atua na contramão do Twitter, que tirou os perfis do ar no mundo todo. No entanto, também afirmou que vai recorrer da decisão do ministro.

Moraes determinou o cancelamento internacional das contas após identificar uma manobra por parte dos perfis, para continuarem atuando com as contas suspensas no Brasil. Ao modificar a configuração de local é possível driblar o bloqueio. O próprio ministro voltou a ser xingado nas redes pelo perfil da bolsonarista Sara Winter.

“As redes sociais Twitter e Facebook continuam permitindo que os perfis sejam acessados através de endereços IP de fora do Brasil, ou seja, permitindo que sejam acessados normalmente a partir de outros países. Isto possibilita que usuários do Brasil utilizem serviços de roteamento de conexão, como VPNs, contornando este tipo de bloqueio e acessando os perfis em território nacional, como se estivessem em outros países”, disse o ministro em sua decisão.

“Portanto, para atender corretamente a ordem judicial, as redes sociais Twitter e Facebook deveriam bloquear o acesso aos perfis através de qualquer endereço IP”, completou.

São alvo do inquérito das fake news nomes como o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), Sara Giromini (conhecida como Sara Winter), o blogueiro Allan dos Santos e os empresários Luciano Hang (da Havan) e Edgard Corona (das academias Smart Fit).

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/politica/facebook-nao-promovera-bloqueio-a-contas-bolsonaristas-fora-do-pais/

Moraes libera para a PF dados de contas do Facebook ligadas a gabinete de Bolsonaro

15 DE JULHO DE 2020

O ministro Alexandre de Moraes (Foto: Rosinei Coutinho / SCO / STF)
O MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES (FOTO: ROSINEI COUTINHO / SCO / STF)

A PF solicitou urgência na liberação para que os envolvidos não possam apagar os dados

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu um pedido feito pela Polícia Federal (PF) e liberou acesso aos dados coletados na investigação feita pelo Facebook em contas ligadas ao gabinete do presidente Jair Bolsonaro.

O acesso às informações foi autorizado em dois inquéritos que correm junto ao Supremo: o das fake news e o dos atos antidemocráticos.

No pedido ao STF, a PF solicitou urgência na liberação para que os envolvidos não possam apagar os dados.

O Facebook excluiu no começo do mês 88 contas e páginas que seriam ligadas a funcionários de Bolsonaro e de seus filhos, Flávio e Eduardo. Um assessor direto do presidente, Tercio Arnaud Tomaz (ex-assessor de Carlos Bolsonaro), foi apontado como 1 dos responsáveis pela administração de algumas dessas páginas.

A rede de fake news derrubada pelo Facebook também inclui os deputados estaduais Anderson Moraes e Alana Passos, ambos do PSL do Rio.

A rede social indicou que as páginas no Facebook que foram derrubadas tinham 883 mil seguidores, enquanto as contas no Instagram, 917 mil seguidores. Além disso, 350 pessoas estavam no grupo investigado.

“A atividade incluiu a criação de pessoas fictícias fingindo ser repórteres, publicação de conteúdo e gerenciamento de páginas fingindo ser veículos de notícias”, declarou o Facebook. A rede social informou que as contas agiam desde a campanha eleitoral de 2018 sem informar a verdadeira identidades dos administradores –o que viola a política interna da plataforma.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/justica/moraes-libera-para-a-pf-dados-de-contas-do-facebook-ligadas-a-gabinete-de-bolsonaro/

Facebook suspende rede de fake news de assessores da família Bolsonaro

 8 DE JULHO DE 2020

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, JAIR BOLSONARO. FOTO: MARCOS CORRÊA/PR


Contas acumulavam mais de 1,8 milhão de seguidores, segundo a empresa

A empresa Facebook suspendeu, nesta quarta-feira 8, uma rede de contas na plataforma que teria servido para espalhar mensagens de desinformação por assessores do presidente Jair Bolsonaro e de dois dos seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A informação é da agência Reuters.

Segundo a companhia de Mark Zuckerberg, foram encontrados vínculos com as equipes de assessores, no entanto, houve esforços para disfarçar quem estava trás da rede.

O chefe da política de segurança cibernética do Facebook, Nathaniel Gleicher, afirmou que não há evidências de que os próprios políticos tenham administrado os perfis em questão, mas funcionários desses gabinetes apresentaram este comportamento.

Segundo informa a Reuters, mais de 80 contas no Facebook e no Instagram foram suspensas. Os perfis tinham mais de 1,8 milhão de seguidores.

No Twitter, Gleicher afirmou que houve operações do tipo ocorreram em países como Brasil, Estados Unidos e Ucrânia. Nos EUA, foram suspendidas redes de desinformação relacionadas ao presidente americano Donald Trump.

Reprodução: https://www.cartacapital.com.br/politica/facebook-suspende-rede-de-fake-news-de-assessores-da-familia-bolsonaro/

Revolta interna no Facebook pela recusa de Zuckerberg em impor limites a Trump

Centenas de funcionários fazem paralisações virtuais para expressar sua insatisfação

GUILLERMO VEGA

Madri – 02 JUN 2020 – 17:46 BRT

Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook. Em vídeo, declarações do executivo em uma entrevista na semana passada.
Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook. Em vídeo, declarações do executivo em uma entrevista na semana passada.MARK LENNIHAN / AP

Centenas de funcionários do Facebook decidiram protestar contra a decisão da rede social de se manter à margem das mensagens incendiárias que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem publicando na plataforma nos últimos dias por diversos motivos, sendo o último deles os distúrbios raciais iniciados em Minneapolis. “O Facebook não deve ser o árbitro da verdade”, afirmou na semana passada o fundador e executivo-chefe da empresa, Mark Zuckerberg, depois da decisão do concorrente Twitter de incluir uma advertência sob uma postagem de Trump, recomendando aos usuários que procurassem informações confiáveis sobre o que estava sendo dito. Dias depois, Trump assinou uma ordem para limitar a imunidade das redes sociais pelos comentários de seus usuários.

A situação se agravou nos últimos dias, depois que o presidente tuitou uma mensagem com as palavras “quando começam os saques, começam os tiros”, em resposta aos protestos pela morte de George Floyd por um policial em Minneapolis. O Twitter ocultou essa mensagem e advertiu que ela violava as normas do serviço ao glorificar a violência. A resposta do Facebook ao mesmo conteúdo foi um post de Zuckerberg, publicado na sexta-feira, dizendo: “Acreditamos que as pessoas precisam saber se o Governo está planejando mobilizar a força”.

Tweet de Trump ocultado por Twitter
Tweet de Trump ocultado por Twitter

Essa atitude enfureceu um grupo de funcionários do Facebook que na segunda-feira anunciou sua recusa a trabalhar como forma de apoiar os manifestantes que saem às ruas em várias cidades dos EUA. Além disso, como parte do protesto virtual acrescentaram uma mensagem automatizada em seus perfis digitais e respostas automáticas de correio eletrônico dizendo que estavam fora do escritório, informou a agência Bloomberg. Cabe lembrar que a maioria dos funcionários do Facebook está trabalhando de suas casas devido à pandemia de covid-19.

Dentro da empresa, vários funcionários fizeram circular apelos e ameaças de demissão, e vários outros mencionaram publicamente seu descontentamento através do Twitter e outras plataformas. Uma gerente de produto do Instagram, Katie Zhu, se disse “profundamente decepcionada e envergonhada pela forma como a companhia está se mostrando ao mundo…”. E lançou um apelo: “Se você se sente igual, junte-se a mim e vamos nos organizar. Ponha seu dinheiro onde seus tuítes estão.”

Em uma aparente tentativa de acalmar os ânimos, Zuckerberg anunciou em um post no domingo que o Facebook está comprometendo “10 milhões de dólares [52,2 milhões de reais] adicionais para grupos que trabalham pela justiça racial” e admitiu que a rede social “tem muito trabalho pela frente” para “assegurar que nossos sistemas não amplifiquem os prejuízos”.

A Bloomberg informa que Trump conversou por telefone com Zuckerberg na sexta-feira passada para discutir a situação. O CEO teria expressado ao mandatário sua decepção com o tom do presidente e lhe disse que estava pondo sua companhia em uma posição difícil. O Facebook havia anteriormente contatado a Casa Branca para solicitar a Trump que modificasse a publicação.

Como reagiu o Facebook a este mal-estar interno? Não é comum que seus funcionários falem publicamente da atividade interna, a menos que tenham autorização da equipe de comunicações. Mas se no passado a empresa tinha desestimulado vazamentos, agora mudou de enfoque, observa a Bloomberg.

A companhia disse que apoiaria os funcionários que participem da paralisação virtual e não exigirá que usem seu tempo livre remunerado para isso. Além disso, antecipou de quinta para esta terça a sua reunião geral semanal em que Zuckerberg responde a perguntas dos empregados de forma direta. “Estimulamos os funcionários a falarem abertamente quando não estiverem de acordo com a liderança”, disse um porta-voz da empresa. “Num momento em que enfrentamos decisões difíceis adicionais sobre o conteúdo, continuaremos buscando seu feedback honesto.”

Reprodução: https://brasil.elpais.com/tecnologia/2020-06-02/revolta-interna-no-facebook-pela-recusa-de-zuckerberg-em-impor-limites-a-trump.html