Caso ocorreu em fevereiro deste ano. Rapazes foram xingados e agredidos fisicamente. Em vídeo feito por uma das vítimas, é possível ver quando Jaqueline Santos Ludovico parte para cima do casal. Um dos rapazes fica com o nariz sangrando.
Por TV Globo e g1 SP — São Paulo
01/05/2024 08h44 Atualizado há 3 horas
O Ministério Público de São Paulo denunciou por injúria racial, lesão corporal, ameaça e vias de fato, Jaqueline Santos Ludovico e a amiga dela, Laura Athanassakis Jordão.
As duas são acusadas de agredir um casal gay em uma padaria no bairro Santa Cecília, no Centro da capital paulista. O caso ocorreu em fevereiro deste ano.
Em um vídeo feito por uma das vítimas, é possível ver quando Jaqueline parte para cima dos rapazes. Um deles fica com o nariz sangrando. (Veja acima)
Se forem condenadas, as penas podem chegar até 12 anos para Jaqueline e 10 anos para Laura.
Procurada, a defesa de Jaqueline negou as acusações e alega que sua cliente agiu em legítima defesa “após ser provocada, ameaçada e ofendida como mulher. Ressaltamos a importância de ouvir todas as partes envolvidas.”
A reportagem também tenta contato com a defesa de Laura.
Histórico
À época do ocorrido, uma das vítimas do ataque homofóbico contou ao g1 que, além dos xingamentos, também foi agredido fisicamente.
“É um recado terrível para a sociedade de modo geral, para quem diz que homofobia é mimimi, para quem gosta de fingir que não existe. Eu saí de uma padaria com nariz sangrando por algo que existe, mata, agride, ofende, que é uma parada animalesca, desumana”, afirmou o jornalista Rafael Gonzaga.
Rafael foi com o namorado à padaria Iracema por volta das 4h, após um evento. Quando parou para comer, começaram as agressões.
“Ela foi para cima do meu namorado quando viu que ele estava filmando. Entrei no meio, outros funcionários foram tb para puxar ela. Nessa hora ela cortou o nariz dele [namorado] e arranhou embaixo do olho”.
O jornalista afirma que tiveram que realizar ao menos cinco chamadas ao 190, da Polícia Militar, até conseguirem ser atendidos. Rafael ligou para a polícia pela primeira vez por volta de 4h40, mas só apareceu uma viatura no local 5h30.
Ainda segundo Rafael, mesmo com a chegada da polícia, os agentes informaram que não poderiam prender a agressora em flagrante porque não presenciaram a ação.
“Eles falaram que quando chegaram já não tinha mais confusão então não podiam dar flagrante. Que flagrante seria só se eles vissem a agressão.”
Ainda segundo o jovem, houve negligência da polícia e os agentes tentaram diminuir a gravidade do caso.
“Quer ela queira ou não, existem leis, existe Justiça, a gente não vive na barbárie. Eu não vou aceitar ser tratado como um cidadão que vale menos, ela vai pagar no rigor da lei em todas as esferas que forem possíveis porque eu vou atrás de Justiça sim”, completou.
Questionada pelo g1 à época, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que “a Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais contra a Diversidade Sexual e de Gênero e outros Delitos de Intolerância (Decradi) apura o caso, registrado como preconceitos de raça ou de cor (injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional) e lesão corporal”.
‘Família tradicional’
No vídeo gravado pela vítima, a agressora chegou a dizer que “os valores estão sendo invertidos”. “Eu sou de família tradicional e tenho educação, diferente dessa porra”.
Depois, a mulher foi contida e passou a agredir as vítimas com termos homofóbicos, como “veados”. Em determinado momento, a agressora atirou um cone contra os dois. A confusão continuou e foi parcialmente filmada.
O vídeo também mostra que a mulher xingou outras pessoas que estavam na padaria e chegou a falar que “era de família tradicional” e que “teve educação”.
“Sou mais mulher do que você. Eu sou mais macho que você”, diz. “Tirei sangue seu, foi pouco”, fala, na sequência. “E os valores estão sendo invertidos. Eu sou de família tradicional. Eu tenho educação. Diferença dessa por** aí.”
Reprodução: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2024/05/01/mp-denuncia-por-injuria-racial-ameaca-e-lesao-corporal-mulher-que-agrediu-casal-gay-em-padaria-no-centro-de-sp.ghtml. Acesso: 02, maio, 2024.





